Os jogos da Seleção Brasileira no maior campeonato de futebol do mundo reduziram em quase 14% o volume de compras online no país. Um levantamento inédito da Koin – empresa especializada em soluções de pagamento e antifraude – mostra que os consumidores adiaram temporariamente suas compras para acompanhar os jogos, sem provocar aumento relevante nos indicadores de risco analisados pela empresa. A retração se concentrou nos dias em que a Seleção entrou em campo e não representa uma queda no desempenho consolidado de todo o período analisado.
O estudo analisou as transações processadas entre 11 de junho e 16 de julho de 2026. No varejo digital, o volume médio diário de transações caiu 11,9% durante os jogos da Seleção, em comparação com os dias sem partidas. Nas plataformas de viagens online (OTAs), a retração chegou a 13,9%, revelando que, durante os jogos, os consumidores simplesmente adiaram suas compras.
“Os resultados mostram que grandes eventos esportivos continuam alterando a dinâmica do consumo digital. Em vez de antecipar compras ou concentrá-las logo após as partidas, os consumidores simplesmente adiam suas decisões enquanto acompanham os jogos. É um comportamento que ajuda a explicar a retração temporária observada no comércio eletrônico, sem indicar uma desaceleração estrutural das vendas ao longo de todo o período”, afirma Ignacio Stagnaro, CCO da Koin.
O mesmo padrão foi observado quando a Koin analisou os dias de jogos das demais seleções latino-americanas monitoradas pelo estudo. No varejo digital, o volume de transações caiu 6,7% no México e 6,1% na Colômbia nos dias em que as respectivas seleções entraram em campo, comparativamente aos dias sem partidas. Nas plataformas de viagens, as retrações foram de 9,1% entre os mexicanos e 2,7% entre os colombianos. A Argentina foi a única exceção, registrando crescimento de 6,1% no varejo digital e leve alta de 0,7% no turismo durante os jogos de sua seleção. Embora com intensidades diferentes, o comportamento observado reforça que grandes eventos esportivos influenciam principalmente o momento em que o consumidor decide comprar, sem comprometer a qualidade do tráfego digital.
“Grandes competições esportivas costumam aumentar a preocupação do mercado com possíveis tentativas de fraude, já que concentram a atenção do público e ampliam a movimentação nos canais digitais. O que observamos foi um efeito predominantemente comportamental: os consumidores reduziram temporariamente suas compras para acompanhar os jogos, enquanto operações antifraude bem calibradas conseguiram preservar a eficiência na análise das transações, mantendo o equilíbrio entre segurança e aprovação de consumidores legítimos mesmo diante da mudança no padrão de consumo”, comenta o executivo.
A estabilidade também aparece nas taxas de rejeição das transações. No varejo digital brasileiro, o índice passou de 7,33% nos dias sem partidas para 6,71% durante os jogos da Seleção. Nas plataformas de viagens online, a variação foi de 3,99% para 3,82%. Nos demais países analisados, as oscilações permaneceram inferiores a um ponto percentual, sem indícios de deterioração relevante mesmo durante o período de maior mobilização em torno da competição. Os resultados indicam que modelos de risco ajustados ao perfil de cada operação conseguem responder a mudanças pontuais no comportamento dos consumidores sem elevar recusas ou comprometer a segurança das transações.
O levantamento também identificou que não houve um efeito rebote significativo após os jogos. No varejo brasileiro e mexicano, houve recuperação moderada, entre 7% e 8%, insuficiente para caracterizar um pico de demanda. Já nas plataformas de viagens, as oscilações variaram entre queda de 10% e alta de 4%, sem uma tendência consistente. Esse cenário reforça que parte das compras foi redistribuída ao longo do período, sem uma concentração expressiva imediatamente após o encerramento das partidas.
Para a Koin, os resultados reforçam uma transformação importante na forma como o mercado encara a prevenção a fraudes em momentos de mudança no comportamento de consumo. Se, durante muitos anos, o foco esteve concentrado em bloquear operações potencialmente maliciosas, hoje o desafio passa a ser identificar corretamente consumidores legítimos e reduzir recusas desnecessárias, preservando a conversão sem abrir mão da segurança.
“Durante muito tempo, segurança e conversão foram tratadas como objetivos opostos. Hoje, a evolução dos modelos de inteligência de risco mostra que é possível proteger as operações sem criar atritos para quem está realizando uma compra legítima. O diferencial competitivo não estará apenas em suportar grandes volumes de transações, mas em identificar com precisão as oportunidades de venda e transformá-las em vendas efetivamente concluídas, oferecendo uma experiência segura e praticamente invisível para o consumidor”, conclui Stagnaro.



