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70% das transformações digitais fracassam – e o problema raramente é o software 

Dados consolidados em abril de 2026 pela TI Inside e corroborados pela McKinsey apontam que 70% das iniciativas de transformação digital nas empresas fracassam. Para Virgilio Marques dos Santos, PhD em Engenharia pela Unicamp e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, o problema não está, necessariamente, na tecnologia adotada, mas na forma como as organizações conduzem a mudança.

Segundo o especialista, há três ilusões recorrentes que levam ao colapso desses projetos: a crença de que tecnologia substitui estratégia de processos, o desalinhamento entre incentivos e operação e o uso da transformação digital como um símbolo de modernização, sem mudanças estruturais reais. 

A primeira ilusão é acreditar que implementar tecnologia equivale a transformar processos. “O erro mais comum da liderança é sobrepor sistemas modernos a estruturas organizacionais disfuncionais e altamente burocráticas. Nesse cenário, a empresa apenas cria uma burocracia eletrônica. Automatizar uma ineficiência não resolve o problema; apenas aumenta a velocidade com que o desperdício acontece”, afirma Santos. 

Para ele, o redesenho institucional precisa vir antes da implementação tecnológica. Sem revisar fluxos, responsabilidades e gargalos operacionais, a digitalização tende apenas a sofisticar problemas antigos.

A segunda ilusão está relacionada aos incentivos internos. Dados da McKinsey mostram que empresas que engajam ativamente os colaboradores durante o processo de mudança têm até oito vezes mais chances de sucesso. Ainda assim, muitas organizações implementam novas ferramentas sem revisar métricas, metas ou formas de avaliação.

“A liderança impõe uma nova ferramenta de cima para baixo, altera completamente a rotina de quem opera a geração de valor, mas mantém as mesmas cobranças e indicadores do modelo anterior. O trabalhador percebe risco operacional e cria mecanismos paralelos para garantir a entrega”, explica.

Segundo Santos, é nesse contexto que surgem as chamadas “planilhas ocultas” e controles informais, que coexistem com sistemas corporativos oficiais. “O sistema falha porque os incentivos continuam desalinhados. A tecnologia muda, mas a lógica organizacional permanece a mesma”, ressalta.

A terceira ilusão, segundo o gestor, é mais profunda e envolve a própria cultura corporativa. “Transformar uma empresa exige enfrentar conflitos internos, desmontar feudos de poder, admitir vulnerabilidades e atravessar um período temporário de perda de produtividade. Isso exige liderança real”, afirma.

Nesse cenário, a aquisição de grandes soluções tecnológicas pode funcionar como uma espécie de atalho simbólico. “Assinar um contrato milionário com uma big tech gera a sensação imediata de modernização. A compra da tecnologia se transforma em um álibi confortável para evitar o desgaste da gestão da mudança”, diz.

Na avaliação de Santos, a transformação digital só produz resultados sustentáveis quando é tratada como uma mudança organizacional ampla – e não apenas como uma atualização tecnológica. “Compra-se a ilusão da transformação para não ter que pagar o preço do esforço real”, afirma. Sem alinhamento entre cultura, operação e estratégia, a digitalização corre o risco de apenas ampliar ineficiências já existentes sob uma aparência de modernização

E-commerce: conversão pode crescer até 5x com integração entre dados, operação e atendimento 

Entre o clique e a entrega do e-commerce, uma cadeia de decisões simultâneas e integradas sustenta cada pedido e não há margem para falhas. Aplicações analisadas pela Quality Digital indicam que a integração entre diferentes frentes da jornada pode impulsionar resultados, com casos como o da Osklen, que registram crescimento de até cinco vezes na conversão de recuperação de pedidos em canais conversacionais ao conectar dados, atendimento e execução ao longo do processo. Cada pedido percorre uma sequência contínua de decisões executadas simultaneamente para que a jornada funcione de forma consistente.

Inspirada na lógica de redes de transporte, a operação digital da Quality Digital organiza o e-commerce como uma estrutura em que diferentes fluxos operam de forma paralela e interdependente. B2C, B2B, D2C, marketplace e omnichannel aparecem como linhas que se cruzam ao longo da jornada e se conectam a pontos críticos que sustentam a execução. Decisões relacionadas a catálogo, preço, disponibilidade, pagamento, gestão de pedidos, logística e entrega deixam de atuar de forma isolada e passam a compor uma rede integrada, na qual o desempenho depende da consistência entre dados e sistemas. 

A proposta defendida desloca a leitura tradicional do commerce digital, que por muito tempo foi organizada de forma sequencial. Ao posicionar o pedido como elemento central, o modelo mostra que a continuidade da jornada depende da coordenação entre múltiplas camadas que operam ao mesmo tempo. “A venda deixou de ser um evento isolado e passou a ser orientada por dados ao longo de toda a operação. Quando essa base está organizada, é possível medir impacto direto em conversão, ticket médio e recorrência”, afirma Júlio Britto, CEO da Quality Digital.  

A ampliação de canais e integrações tem elevado o nível de complexidade operacional nas empresas. Plataformas de comércio, sistemas de gestão de pedidos, meios de pagamento, soluções de logística e ferramentas de relacionamento com o cliente passaram a atuar de forma simultânea, exigindo sincronização contínua. Com a redução da intervenção manual, o tempo de resposta diminui, enquanto inconsistências tendem a se propagar com maior velocidade ao longo da operação. 

O desempenho do e-commerce está cada vez mais associado à capacidade de execução. A geração de demanda perde relevância quando a estrutura operacional não sustenta a jornada até a entrega. Informações imprecisas no checkout, divergências de estoque e desalinhamentos logísticos afetam a experiência do consumidor, aumentam custos e impactam a percepção de valor da marca. 

De acordo com Roberto Ave Faria, diretor da Quality Digital, a execução da jornada precisa combinar precisão operacional com capacidade de adaptação à demanda. “O conceito de delivery promise funciona como um contrato de prazo de entrega e é decisivo para a finalização da compra, afinal, qualquer desvio impacta diretamente a conversão e a confiança do consumidor”, afirma. O executivo também destaca a necessidade de evolução na forma como o varejo trabalha a hiperpersonalização da experiência. “No conceito de home for you, a vitrine digital passa a ser montada de acordo com perfil, histórico e interesse do cliente. Não adianta oferecer tudo para todo mundo. Quando a oferta não conversa com o comportamento, a jornada perde eficiência e a conversão não se sustenta”, diz. 

Atualmente, no cenário do comércio digital, o crescimento sustentável do e-commerce depende menos do aumento de volume e mais da capacidade de coordenar decisões de forma integrada. Com a expansão dos canais digitais e o aumento das conexões necessárias para sustentar cada pedido, a eficiência operacional passa a definir o limite entre crescimento com rentabilidade e perda de desempenho. Ao tornar visível essa estrutura, o modelo apresentado contribui para uma compreensão mais precisa dos fatores que determinam o resultado no comércio digital.

Varejo brasileiro cresce 1,2% nos primeiros três meses de 2026, aponta Mastercard SpendingPulse

O primeiro trimestre de 2026 registrou crescimento no varejo brasileiro. De acordo com o Mastercard SpendingPulse, que mede as vendas do varejo em loja física e online representando todos os tipos de pagamento, o setor registrou crescimento médio de 1,2% no 1º trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

Ao todo, 10 setores da economia foram analisados, sete deles com desempenho acima da média nacional. “O resultado do 1º trimestre reforça a resiliência do consumidor brasileiro, com destaque para o setor de Restaurantes, que apresentou forte dinamismo. A região Centro-Oeste segue como destaque positivo, enquanto observamos oportunidades de crescimento em setores como móveis e decoração, por exemplo.” diz Gustavo Arruda, Economista-Chefe para a América Latina do Mastercard Economics Institute (MEI).

Setores que mais cresceram

No desempenho por setores, alguns passaram de 6% e até atingiram o patamar de dois dígitos. Os principais destaques positivos foram Restaurantes (10,1%), Farmácias (9,6%), Hospedagem (6,5%). Em contrapartida, outros apresentaram desempenho mais contido, como Supermercados (-1,5%) e Móveis e decoração (-4,4%), por exemplo.

Desempenho por região

No recorte regional, 11 das 27 unidades federativas superaram o crescimento médio do país, indicando um ritmo de consumo heterogêneo entre as diferentes regiões.

Todas as regiões tiveram resultados positivos. O Centro-Oeste liderou o crescimento com 2,5%, enquanto o Sudeste registrou o menor avanço (0,1%). Os dois estados com melhor desempenho foram Pernambuco (5,4%) e Paraná (4,1%), com o Distrito Federal em seguida, avançando 4%.

iFood anuncia campanha nacional para entregadores com bag e itens oficiais da CBF, ganhos adicionais e experiências

O iFood, empresa brasileira de tecnologia, anuncia uma programação especial voltada aos entregadores em todo o Brasil durante o maior evento de futebol do ano. Com o conceito “O jogo começa na rua”, a campanha conecta o cotidiano de quem trabalha nas ruas diariamente à forma como os brasileiros vivem o futebol nas cidades, reunindo distribuição de vestuário exclusivo, campanhas promocionais, experiências ligadas ao torneio e ativações nos pontos de apoio da plataforma.

Entre os destaques estão bags, camisetas UV, jaquetas e moletons oficiais da CBF que serão distribuídos ao longo dos meses de maio e junho em 12 cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Curitiba, Brasília, Goiânia, Fortaleza, Porto Alegre e Campinas. As informações sobre convites, desafios e distribuição dos itens serão comunicadas diretamente pelo aplicativo dos entregadores.

A distribuição será voltada a entregadores convidados pela plataforma, com prioridade para a categoria Super – que são os entregadores com o melhor desempenho da plataforma, mas também contará com ações para entregadores da base regular.

A programação também inclui campanhas com oportunidades de ganhos adicionais, como as mecânicas “Time na Pista”, que permite que um entregador monte seu time de entregadores e ganhe até R$5 mil adicionais por essas indicações, e outras campanhas de sorteio, além de experiências conectadas ao clima do torneio. Entre elas estão a participação de entregadores no jogo de despedida da seleção brasileira no Maracanã, ações nas Arenas iFood Camisa 10 em São Paulo e no Rio de Janeiro, participação de entregadores na carreata de despedida da seleção brasileira, eventos de troca de figurinhas e distribuição de itens exclusivos, incluindo camisas autografadas pela seleção.

Nos próximos meses, os mais de 41 pontos de apoio do iFood distribuídos em todo o Brasil também entram no clima da competição. Em diferentes regiões do país, entregadores poderão participar de ações com ambientação temática, distribuição de brindes, giro premiado e áreas de convivência. A programação prevê ativações em cidades das regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Norte do país.

A campanha também inclui ações culturais inspiradas na forma como o futebol é vivido nas ruas brasileiras, com iniciativas de pintura de ruas e experiências conectadas ao cotidiano das cidades durante o período do torneio, o iFood estará com os entregadores da Rocinha e o influenciador Ruan Juliet em uma ação que vai reformar uma quadra na comunidade que será usada para um torneio de entregadores do local.

Além da programação presencial, o iFood prepara uma experiência inédita dentro do aplicativo do entregador. Durante o período da campanha, o app contará com identidade visual temática, conteúdos especiais e uma central dedicada às ativações e experiências da plataforma. O espaço reunirá desafios, informações sobre a programação e novidades em um só lugar.

“Quando a seleção brasileira de futebol entra em campo, ela transforma a rotina das cidades, movimenta as ruas e cria momentos de encontro que fazem parte da cultura brasileira. Como os entregadores estão nas ruas o tempo todo, e vivem esse cotidiano, pensamos em uma programação que os aproximasse ainda mais dessa experiência ao longo do torneio. A ideia da campanha é justamente conectar o clima do futebol com quem está nas ruas diariamente, criando oportunidades de reconhecimento, convivência, entretenimento e experiências especiais durante esse período”, afirma Beatriz Pentagna, diretora de marketing B2B do iFood.

Com uma programação que une reconhecimento, entretenimento e oportunidades de ganhos, o iFood reforça seu compromisso com a valorização dos entregadores em todo o país. Para mais informações sobre a programação, os entregadores podem acompanhar os canais oficiais da plataforma.

Automação avança na logística, mas falhas estruturais ainda travam a eficiência operacional

O investimento em automação logística vem crescendo de forma acelerada no Brasil e no mundo, impulsionado pela necessidade de ganhar eficiência e, ao mesmo tempo, pelo aumento da complexidade operacional, pressão por redução de custos e dificuldade crescente de contratação e retenção de mão de obra. Em centros de distribuição, hubs logísticos e operações intralogísticas, a necessidade de processar mais volume, com mais velocidade e menos erros, tem colocado a tecnologia no centro da estratégia operacional.

No entanto, embora o investimento em automação avance, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar tecnologia em eficiência real. Problemas como falhas na gestão de fluxo, baixa padronização de processos, excesso de etapas manuais e falta de integração entre sistemas continuam limitando os ganhos esperados.

De acordo com projeções da Fortune Business Insights, o mercado global de robótica logística deve crescer cerca de 13,9% ao ano até 2030. Já um levantamento da Deloitte aponta que mais de 75% das empresas já adotam algum nível de automação intralogística. Apesar disso, a adoção de novas tecnologias nem sempre vem acompanhada de uma revisão estrutural da operação.

Na prática, o cenário revela um descompasso entre investimento e execução. Muitas organizações direcionam recursos para tecnologias avançadas, como robôs e sistemas automatizados, sem antes resolver questões estruturais e básicas da operação, como organização de processos, desenho de layout, organização de fluxos e, principalmente, visibilidade de dados e integração entre etapas logísticas.

Esse desafio se torna ainda mais crítico diante da escassez de mão de obra. Com equipes mais enxutas e maior dificuldade para preencher posições operacionais, a automação deixa de ser apenas uma alternativa para ganho de produtividade e passa a ser uma ferramenta de apoio à continuidade da operação.

“Existe uma tendência de olhar para a automação como solução imediata, especialmente quando a empresa já está pressionada por volume, custo ou falta de mão de obra. O desafio, como muitos pensam, não está só na aplicação da tecnologia, mas sim na capacidade de implementá-la de forma consistente para que seja escalável e alinhada à realidade da operação”, afirma Murilo Namura, Head de Equipamentos da Pitney Bowes, empresa global que fornece tecnologia, logística e serviços em todo o mundo.

Segundo o executivo, um dos principais erros está no timing do investimento. Muitas empresas só buscam soluções mais robustas quando a operação já apresenta gargalos relevantes, como atrasos, retrabalho, baixa produtividade, acúmulo de pedidos ou dificuldade de absorver picos de demanda. Nesses casos, a implementação pode se tornar mais complexa, custosa e sensível para a rotina operacional.

“Quando a automação é pensada de forma reativa, ela precisa resolver problemas que poderiam ter sido evitados com planejamento. Por isso, antes de investir em tecnologia, é essencial mapear processos, entender gargalos, avaliar a dependência de tarefas manuais e identificar onde a automação realmente pode gerar impacto”, complementa Namura.

Segundo a Deloitte, organizações que implementam automação de forma reativa, após um crescimento desorganizado, podem ter custos até 30% maiores, além de enfrentar maior tempo de adaptação e risco elevado de interrupções durante a transição.

Para a Pitney Bowes, a automação logística deve ser encarada como parte de uma estratégia estruturada de eficiência operacional, e não como uma resposta emergencial. Isso inclui não apenas a adoção de equipamentos e sistemas, mas também o redesenho de fluxos internos, integração entre etapas logísticas, uso de dados para tomada de decisão e preparação da operação para ganhar escala.

“A diferença não está na tecnologia isolada, mas na capacidade de transformar esse investimento em eficiência real no dia a dia. Empresas que conseguem fazer isso de forma integrada e contínua são as que precisam processar mais volume, com menos pessoas e maior controle de forma inteligente e com menor ROI possível”, conclui o porta-voz.

Millenials na mira das fraudes: quase 600 mil perfis foram alvo de golpes no e-commerce em 2025, aponta Serasa Experian

Perfis millennials foram os mais usados em tentativas de fraude no e-commerce ao longo de 2025, com 599,9 mil ocorrências associadas à geração. Os dados são de um novo levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, que mostra, ainda, um padrão claro na escolha dos alvos simulados pelos golpistas: o top 3 do ranking é formado por grupos conhecidos pela presença no ambiente digital e vida financeira já estabelecida, reunindo também a Gen Z, com 505,5 mil diligências, e a geração X, com 297,1 mil.

“Quando observamos o e-commerce em profundidade, percebemos que os fraudadores não atuam de forma aleatória: eles buscam perfis que façam sentido dentro da dinâmica de cada canal, categoria e meio de pagamento. Entender quais consumidores são mais imitados nessas investidas é essencial para calibrar melhor os modelos de prevenção e proteger a operação sem comprometer a experiência do cliente”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, Rodrigo Sanchez.

Embora a geração Y lidere em volume absoluto, a leitura proporcional muda o ranking. A Gen Z apresentou a maior taxa de risco entre os grupos analisados (2,2%). Rodrigo explica que à primeira vista, o percentual pode parecer baixo, mas ele representa a fatia de pedidos em que houve suspeita de fraude dentro daquele grupo. O achado significa que a pressão fraudulenta sobre a Gen Z foi a mais intensa do recorte. Entre as gerações nomeadas, os Boomers aparecem na sequência, com 1,1%. Também chama atenção a categoria “Outros”, que reúne perfis fora dos grupos Alpha, Z, Y, X e Boomers – mais novos ou mais velhos que essas gerações, com taxa de risco de 1,2%. Confira o detalhamento no gráfico abaixo:

No recorte de ticket médio, quase todas as gerações registraram valor médio de tentativa de fraude acima de R$ 1 mil. A exceção foi a Gen Z, com R$ 990,11. Na outra ponta, a geração Alpha teve o maior ticket médio de fraude, de R$ 1.821,15, 56,3% acima do registrado nas tentativas associadas aos millennials, que aparecem logo em seguida, com R$ 1.165,03. O dado indica que, quando os criminosos tentam reproduzir perfis dessa geração, costumam mirar transações mais robustas. Já no comportamento legítimo, a Gen Z também apresentou o menor ticket médio entre as gerações, com R$ 459,34, sendo a única abaixo de R$ 500. Abaixo estão os dados detalhados na tabela:

Metodologia

O levantamento considera os pedidos analisados pelos modelos de risco de fraude da Serasa Experian entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, nos canais de e-commerce, marketplace, venda direta e app delivery, consolidados em uma única base. No estudo, “tentativas de fraude” correspondem aos pedidos classificados como suspeita de fraude, fraude confirmada ou com retorno de chargeback (CBK). Para fins de segmentação geracional, os compradores foram agrupados nas seguintes faixas etárias: Geração Alpha, até 15 anos; Geração Z, de 16 a 30 anos; Geração Y, de 31 a 44 anos; Geração X, de 45 a 60 anos; e Baby Boomers, de 61 a 79 anos. A categoria “outros” reúne pedidos cujos compradores não se encaixam em nenhuma das gerações consideradas anteriormente.

Americanas registra crescimento de 7,8% em Vendas Mesmas Lojas nos primeiros quatro meses do ano

A Americanas divulgou hoje seus resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), reafirmando sua trajetória de transformação estrutural e eficiência operacional. Com uma estratégia centrada na rentabilidade das lojas físicas e na aceleração do modelo O2O (Online-to-Offline), a companhia apresentou avanços significativos em todas as suas frentes de negócio, reportando um crescimento de 20% da Receita Bruta consolidada em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Os resultados consolidam a consistência da nossa estratégia, com foco no varejo físico e um digital reposicionado, trabalhando os ativos que nós já temos: nosso time, lojas e consumidores”, afirma Fernando Soares, CEO da Americanas.

Referência no evento de Páscoa no varejo, a Americanas destaca a visão do quadrimestre para fins de comparabilidade devido à venda parcial do evento (40%) ter ocorrido no mês de março. No período, o desempenho foi liderado pelo segmento de varejo físico e O2O. O indicador de Vendas Mesmas Lojas (Same Store Sale ou SSS) apresentou um salto de 7,8% nos quatro primeiros meses do ano (4M26), impulsionado pelo sucesso de grandes eventos sazonais como a Páscoa, que alcançou novo recorde de R$ 1,1 bilhão em vendas, com alta de 10% em relação a 2025, e a campanha Volta às Aulas, com crescimento SSS de 8,8%. A venda por metro quadrado aumentou 11,2% no 4M26, refletindo a estratégia de otimização operacional e evolução da experiência em loja.

Digital avança e Serviços crescem 19% no primeiro trimestre

O novo desenho do digital reforçou o papel complementar do canal na experiência nas lojas físicas e consolidou o O2O como o principal vetor de crescimento no primeiro trimestre. O modelo de entrega a partir das lojas físicas registrou um avanço de 56% da Receita Bruta no 1T26. A maior integração entre o online e o offline permitiu que o volume de pedidos feitos pelo site e app da Americanas e por plataformas de entrega de parceiros praticamente dobrasse, aproveitando a capilaridade das 1.448 lojas físicas. “A redução forte do prejuízo no canal segue uma agenda de melhora operacional que vem desde o ano passado e é resultado da venda, do controle de despesas e da execução intensa do plano estratégico”, comenta o executivo.

Como parte da jornada de evolução da experiência do cliente, a frente de serviços e fidelização apresentou indicadores robustos, com o programa “Cliente a” atingindo a marca de quase 1 milhão de participantes. Estes clientes demonstram um engajamento superior, com gasto médio 3,1 vezes maior que os demais. Já na vertente financeira, o cartão de crédito superou R$ 1,0 bilhão em volume total de pagamentos (TPV) acumulado, enquanto a frente de serviços registrou crescimento de 19% no 1T26, com conversão recorde em garantias estendidas.

Ganho de eficiência e redução de despesas

A evolução operacional também é refletida na disciplina financeira e no controle de custos. A Americanas registrou uma redução de 4,3 pontos percentuais nas despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A) como percentual da Receita Líquida. Esse ganho de eficiência, aliado à performance comercial, permitiu à companhia evoluir no EBITDA Ajustado no critério ex-IFRS 16¹, que encerrou o primeiro trimestre em R$ 186 milhões negativos, uma melhora relevante de R$ 56 milhões em relação ao 1T25.
“Esta transformação vem de uma grande disciplina financeira e do melhor entendimento e cuidado dos nossos 40 milhões de clientes ativos”, afirma Fernando Soares.

(1) O EBITDA ajustado ex-IFRS 16 exclui despesas da RJ e investigação, baixa de ativos, haircuts decorrentes da aprovação do PRJ e efeitos da autorregularização de impostos, e inclui pagamento de alugueis.

Luciano Hang pede igualdade tributária após anúncio do fim da “taxa das blusinhas”

O empresário Luciano Hang, dono da Havan, voltou a defender igualdade no tratamento dado às empresas brasileiras após o anúncio do possível fim da chamada “taxa das blusinhas”. Para ele, se o governo pretende retirar impostos sobre produtos importados de até 50 dólares, a mesma medida deveria valer para os produtos nacionais na mesma faixa de valor.

“Sou favorável à redução de impostos, mas que isso aconteça de forma igual para todos. Se vão tirar o imposto da entrada de produtos estrangeiros de até 50 dólares no Brasil, então que tirem igualmente dos produtos brasileiros. Não dá para aliviar para quem vem de fora e continuar sufocando quem produz, emprega e paga impostos no país”.

Segundo Luciano, o varejo e a indústria nacional enfrentam uma concorrência desigual, enquanto empresas brasileiras seguem submetidas a alta carga tributária e fiscalização rigorosa.

“Entram no Brasil mais de um milhão de pacotes internacionais todos os dias sem o mesmo controle exigido das empresas nacionais. Onde estão o Inmetro e a Anvisa nessa fiscalização? Existe um rigor enorme contra quem produz no Brasil, enquanto produtos estrangeiros entram sem nenhuma fiscalização”.

Para o empresário, a situação representa risco não apenas para a economia, mas também para a saúde pública.

“Produtos que entram sem controle podem trazer riscos à população. Precisamos defender a indústria nacional, o varejo brasileiro e, principalmente, os empregos”.

Luciano também comentou a repercussão envolvendo a empresa Ypê e afirmou que o caso evidencia o tratamento desigual enfrentado pelas empresas nacionais.

“O que aconteceu com a Ypê é um exemplo claro do que muitas empresas brasileiras enfrentam. Enquanto empresas nacionais são expostas e atacadas publicamente, produtos estrangeiros entram no país sem praticamente nenhuma cobrança ou controle”.

O empresário afirmou ainda que não incentiva o consumo de produtos suspensos pelos órgãos competentes, mas entende que situações como essa acabam sendo usadas para promover ataques políticos contra empresas nacionais e pessoas públicas.

“Por isso me manifesto em defesa das empresas brasileiras, da indústria nacional e da igualdade tributária”.

Para Luciano Hang, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade e sem politização.

“Infelizmente, vemos mais uma tentativa de politização e perseguição contra empresários e pessoas públicas que apenas se manifestam em defesa de uma empresa nacional”.

Frete não acompanha custo e transportadoras operam no limite em 2026

O transporte rodoviário de cargas entrou em 2026 com uma conta difícil de fechar. De um lado, os custos operacionais continuam subindo. De outro, a capacidade de repassar esses aumentos ao frete segue limitada por um mercado ainda cauteloso, pressionado por juros, consumo irregular e margens apertadas na indústria, no varejo e no agronegócio.

O diesel, principal insumo do setor, representa em média 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras, segundo a NTC & Logística. Por isso, qualquer oscilação no combustível tem impacto quase imediato no preço do frete e na rentabilidade das empresas de transporte.

Em março de 2026, o custo do frete rodoviário registrou alta de 3,36%, chegando a R$ 7,99 por quilômetro rodado, segundo o Índice de Frete Rodoviário da Edenred Repom. No mesmo período, a ANTT atualizou a tabela do piso mínimo de frete em razão da alta do diesel, elevando o coeficiente de deslocamento de R$ 5,986/km para R$ 6,368/km.

Para Célio Martins, gerente de novos negócios do Transvias, o problema não está apenas na alta de custos, mas na velocidade com que eles chegam ao transportador.

“O transporte sente tudo muito rápido. Quando o diesel sobe, quando o crédito fica caro, quando o consumo desacelera, a transportadora sente antes de muita gente. O problema é que nem sempre ela consegue repassar esse custo na mesma velocidade. A margem vai sendo corroída aos poucos”, afirma.

O cenário internacional também adiciona pressão. A recente crise energética global, provocada pela guerra no Irã e pela alta do petróleo para perto de US$ 110 por barril, levou países da América Latina a adotarem medidas para reduzir o impacto nos combustíveis. No Brasil, o governo anunciou apoio ao diesel, ao gás e ao setor aéreo, além de redução de impostos sobre biodiesel e gás de cozinha, segundo o El País.

Na prática, mesmo quando há tentativa de amortecer o impacto para o consumidor, o setor produtivo segue exposto à volatilidade. Caminhões dependem de diesel, peças, pneus, manutenção, seguro, mão de obra e financiamento. Quando esses itens sobem ao mesmo tempo, a operação fica mais pesada.

A dificuldade aparece também na renovação da frota. Dados publicados pela Transporte Moderno mostram que as vendas de caminhões acumulavam queda superior a 15% no primeiro quadrimestre de 2026, refletindo ambiente adverso para o transporte rodoviário, marcado por juros elevados, custo do diesel e maior cautela nos investimentos.

“O caminhão é o ativo principal da transportadora. Quando a venda de caminhões cai, isso mostra que o setor está adiando investimento. Muitas empresas continuam operando, mas com frota envelhecida, manutenção mais cara e menos capacidade de modernizar a operação”, analisa Martins.

Outro ponto de atenção está na infraestrutura. Levantamento da CNT aponta que más condições de rodovias elevam o custo operacional dos transportadores. Em 2025, esse cenário teria gerado consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de diesel, com impacto direto no custo do setor.

Para embarcadores, o risco é tratar o frete apenas como uma linha de custo a ser comprimida. Segundo Martins, essa visão pode gerar efeito reverso.

“Quando o frete fica artificialmente baixo, alguém paga essa conta. Pode ser a transportadora, com margem negativa. Pode ser o embarcador, com atraso e perda de qualidade. Pode ser o consumidor, com preço maior lá na frente. O frete precisa ser negociado com inteligência, não apenas pelo menor valor”, diz.

É nesse contexto que dados e planejamento ganham relevância. O Transvias acompanha a movimentação de consultas de frete em diferentes regiões e perfis de carga, o que permite observar mudanças de comportamento antes de elas aparecerem nos indicadores oficiais.

“Na nossa base, conseguimos perceber quando um setor começa a reduzir consulta, quando uma região perde força ou quando aumenta a busca por alternativas de frete. Esse tipo de leitura ajuda embarcadores e transportadoras a tomarem decisões melhores”, afirma Martins.

O Transvias registrou um aumento de 21,95% no volume total de consultas de frete em comparação ao ano anterior. Esse crescimento indica que, diante da alta de custos, os embarcadores estão intensificando a cotação e a busca por novos parceiros para otimizar orçamentos. 

Os dados da plataforma mostram que o setor de E-commerce e Bens de Consumo lidera a alta na procura por transporte, com avanço de 12%. Em contrapartida, o setor de Construção Civil apresentou a maior retração, com queda de 8% nas consultas por fretes de grande volume e cargas pesadas. 

Observamos uma mudança clara de comportamento: a busca por carga fracionada e redespacho cresceu 18% nos últimos meses. Isso sinaliza que as empresas estão evitando estocar grandes volumes e preferindo envios menores e mais frequentes para preservar o fluxo de caixa. 

Para 2026, a tendência é de um mercado mais seletivo. Transportadoras terão de controlar melhor os custos, escolher operações mais saudáveis e evitar fretes que não cobrem a estrutura mínima da operação. Embarcadores, por sua vez, precisarão entender que eficiência logística não depende apenas de preço, mas de previsibilidade, parceria e planejamento.

“O transporte rodoviário é um dos primeiros setores a sentir a economia real. Se ele está pressionado, é sinal de que a cadeia inteira precisa prestar atenção”, resume Martins.

Ferramentas de automação no WhatsApp entram na rotina de vendas das empresas brasileiras

O uso do WhatsApp como canal de atendimento e vendas já faz parte da rotina de empresas e empreendedores autônomos no Brasil. O que antes era uma alternativa prática para comunicação direta com clientes agora evolui para um papel mais estratégico, passando a integrar a infraestrutura de automação comercial das organizações. O uso de tecnologia melhora o funcionamento das equipes e otimiza o trabalho dos vendedores. Porém, com o aumento do volume de interações, surgem também desafios relacionados à organização das conversas, ao controle das negociações e à preservação de dados relevantes.

Nesse contexto, soluções que conectam o WhatsApp aos sistemas de gestão de relacionamento com clientes ganham espaço, permitindo que as empresas transformem conversas em informações estruturadas e acionáveis. Para Tulio Monte Azul, cofundador e diretor de produto da Agendor, empresa responsável por um ecossistema de soluções voltadas à gestão de vendas e CRM, manter as conversas apenas no WhatsApp, sem integração com sistemas de gestão, pode trazer riscos importantes para o negócio.

— Você pode perder dados críticos, ignorar demandas relevantes ou simplesmente deixar de acessar uma informação essencial no momento da proposta ou pós-venda — afirma.

Ainda conforme ele, ao estruturar e armazenar os dados das conversas, as equipes comerciais passam a contar com informações mais completas para personalizar abordagens e retomar contatos com leads de forma mais eficiente. Isso contribui para negociações mais estratégicas e orientadas por dados.

— Negociar com inteligência é usar os dados que o próprio cliente forneceu. E, para isso, o CRM precisa estar completo e atualizado, sem depender de buscas manuais ou memória individual — diz o especialista.

Integração aumenta eficiência das equipes

Para colocar em prática a conexão entre WhatsApp e CRM, o Agendor Chat, desenvolvido pela Agendor, aproxima o aplicativo de mensagem da ferramenta de automação, criando uma ponte entre o contato com o cliente e a gestão comercial. O objetivo é tornar o atendimento mais fluido, integrado e escalável.

A ferramenta conta com funcionalidades de automação que permitem distribuir conversas entre vendedores, enviar modelos de mensagem predefinidos e qualificar leads para o CRM de forma semi-automática. Esse tipo de organização contribui para aumentar a eficiência das equipes e reduzir falhas no processo de atendimento. Outro destaque da solução é o registro centralizado das interações, que garante maior segurança para as empresas em situações como mudanças de equipe, perda de acesso a números ou ausência de formalização das negociações em outros canais.

A evolução desse cenário aponta para uma integração cada vez mais avançada entre WhatsApp e CRM, impulsionada pelo uso de inteligência artificial. Para os próximos anos, segundo Tulio, a expectativa é que as ferramentas sejam capazes de interpretar automaticamente as conversas e executar ações dentro dos sistemas de gestão, reduzindo tarefas operacionais e ampliando o foco das equipes em atividades de venda.

— Estamos avançando para um cenário em que a IA interpreta os conteúdos trocados e executa ações automaticamente no CRM, reduzindo o trabalho operacional e liberando tempo para o vendedor focar no que importa: vender — explica.

WhatsApp apresenta maior índice de engajamento do serviço

De acordo com dados da Pluga, plataforma brasileira que conecta, sem necessidade de código, as principais ferramentas de gestão utilizados por pequenas e médias empresas, o grupo de usuários que utilizam WhatsApp apresenta o maior índice de engajamento do serviço da empresa.

Os números da empresa mostram que o volume de eventos no WhatsApp é cerca de 12 vezes superior à média, enquanto as automações ativas são 16 vezes superiores ao restante da base, acumulando mais de 500 mil mensagens disparadas em apenas dois anos. Entre as empresas pioneiras nesse uso, as agências de marketing e publicidade se destacam como um dos setores que mais utilizam esse tipo de aplicação.

Ainda segundo os dados da Pluga, o WhatsApp é o principal canal de comunicação no Brasil, mas poucas empresas aproveitam da melhor forma esse canal. O levantamento da empresa aponta que as marcas já vivem dentro do fluxo onde o aplicativo de mensagem é o destino natural dos leads que capturam e qualificam para seus clientes.

Para Diego Minone, CMO da Pluga, automatizar o caminho é uma decisão operacional. E é nessa camada que algo maior está acontecendo: o WhatsApp está deixando de ser uma ferramenta de atendimento e passando a ser parte da infraestrutura de operações comerciais.

— As agências chegaram primeiro porque já vivem dentro desse fluxo: capturar o lead, qualificar e entregar pelo canal certo. O WhatsApp é o canal certo no Brasil. O que os dados mostram é que automatizar essa última milha ainda é raro, mas quem o faz opera em outro nível. A tendência é que isso deixe de ser exceção — finaliza.

Principais erros na integração de ferramentas

Ao utilizar as ferramentas de integração entre CRM e WhatsApp, é necessário ter alguns cuidados. De acordo com Gustavo Gomes, especialista de vendas na Agendor, os principais erros cometidos por empresas neste tema envolvem a desorganização, a falta de personalização no atendimento e o envio excessivo de mensagens automáticas sem qualquer estratégia. Além disso, quando não há um processo bem definido, os clientes ficam sem resposta, o que gera atrasos significativos no atendimento e, consequentemente, perda de oportunidades de negócio.

Para que esse canal funcione de maneira sustentável, é fundamental estruturar um funil de vendas específico para o WhatsApp, segmentando os contatos conforme o grau de maturidade do lead. A proposta envolve ter um banco de dados atualizado, com informações organizadas, que evita desperdício de esforços com perfis inadequados e permite acionar a ação certa, no momento certo, para o cliente certo.

Por fim, Gustavo ainda diz ser indispensável padronizar o atendimento e estabelecer fluxos bem definidos.

— A equipe precisa ser treinada para manter um tom profissional e consultivo, com mensagens claras e objetivas. É igualmente importante definir prazos para resposta e utilizar automações de forma estratégica, sempre preservando o toque humano — destaca.

Para ele, mais do que capturar dados, a nova geração de CRMs precisa interpretar o contexto comercial e agir com base nele.

— Não se trata apenas de software, mas de um novo modelo de gestão, onde a tecnologia deixa de ser suporte e passa a atuar como copiloto das equipes de vendas — pontua.