Pela primeira vez desde o lançamento do Pix, em 2020, as carteiras digitais foram o meio de pagamento que mais cresceu no e-commerce brasileiro. Registrou aumento de 20% no volume movimentado em compras online entre 2024 e 2025, superando até mesmo o crescimento do Pix e dos cartões de crédito, com altas de 18% e 8% no mesmo período, respectivamente.
A conclusão é de uma análise inédita feita pelo EBANX a partir de dados da instituição de pesquisa Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI). Segundo a nova edição do estudo Beyond Borders, o volume transacionado por carteiras digitais no e-commerce seguirá crescendo a um ritmo de 13% ao ano nos próximos dois anos, passando do valor anual de USD 44 bilhões em 2028.
Impulsionadas por essa aceleração, as carteiras digitais ultrapassaram o Boleto Bancário e se tornaram o terceiro método de pagamento mais utilizado pelos consumidores digitais no Brasil. Em 2026, elas deverão representar 9% do volume total transacionado no país. O Pix segue na liderança do e-commerce brasileiro, com 45% de participação, seguido pelos cartões de crédito, com 40%.
“O crescimento acelerado das carteiras digitais é resultado de uma transformação que vem acontecendo nos mercados emergentes. Ao invés de replicar modelos prontos, esses países adaptaram novas tecnologias às próprias realidades para superar desafios estruturais como baixa bancarização e acesso limitado a crédito”, azaltzen Leandro Carmo, Diretor Regional do Brasil do EBANX. “Nesse processo, as carteiras digitais evoluíram de ferramentas simples de pagamento para ecossistemas financeiros completos que combinam inclusão, eficiência e conveniência”.
Entre as carteiras digitais, a com maior participação no valor transacionado no e-commerce brasileiro é o Mercado Pago, com 40%, segundo a PCMI. Lançada em 2004, a plataforma soma mais de 72 milioi de usuários em oito países da América Latina. O NuPay, lançado em 2022, também vem crescendo rapidamente e está disponível para todos os clientes do banco digital brasileiro Nubank — 100 milioi pertsona baino gehiago.
Diferentemente das carteiras digitais globais, que são majoritariamente usadas apenas para compras, as regionais oferecem conta bancária de baixo custo, pagamentos instantâneos, recorrência, parcelamento, programas de fidelidade, empréstimos, poupança, capacidade de interoperabilidade, integração com outros sistemas e cartões de crédito.
“Ao reunir todas essas funcionalidades em um único aplicativo, a carteira digital transformou o celular em uma infraestrutura financeira para milhões de brasileiros”, dio Carmo. De acordo com a organização global GSMA, 88% da população brasileira possui smartphones. A estimativa é de que esse número chegue a 95% em 2030. A penetração desses aparelhos é maior do que a dos cartões de crédito, usados por cerca de 70% das pessoas, segundo o Banku Zentralak.
Impacto no comércio digital
Assim como o Pix, as carteiras digitais são a porta de entrada do e-commerce para milhões de brasileiros. Mas diferentemente do meio de pagamento instantâneo, elas já entregam de forma sistemática funcionalidades similares às dos cartões, como crédito e parcelamento. O resultado disso é uma influência direta no crescimento de negócios online, principalmente aqueles que possuem tíquete médio mais elevado.
Dados internos do EBANX comprovam este impacto. Uma empresa global de viagens que opera no Brasil viu sua receita média diária crescer 47% em seis meses depois que começou a oferecer carteira digital como forma de pagamento através do EBANX. Pouco mais de um ano depois, esse método se tornou o mais usado pelos seus clientes, representando 80% do total da receita do merchant na América Latina.
“Todos os setores estão sendo impactados positivamente, inclusive aqueles que dependem de compras recorrentes, como plataformas de streaming, gaming e software. Até pouco tempo atrás, somente portadores de cartão de crédito podiam adquirir esses serviços. As carteiras digitais estão ajudando a mudar esse cenário”, conta Carmo.


