{"id":96103,"date":"2026-05-13T15:25:13","date_gmt":"2026-05-13T18:25:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ecommerceupdate.com.br\/?p=96103"},"modified":"2026-05-13T15:25:23","modified_gmt":"2026-05-13T18:25:23","slug":"frete-nao-acompanha-custo-e-transportadoras-operam-no-limite-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ecommerceupdate.com.br\/kn\/frete-nao-acompanha-custo-e-transportadoras-operam-no-limite-em-2026\/","title":{"rendered":"Frete n\u00e3o acompanha custo e transportadoras operam no limite em 2026"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">O transporte rodovi\u00e1rio de cargas entrou em 2026 com uma conta dif\u00edcil de fechar. De um lado, os custos operacionais continuam subindo. De outro, a capacidade de repassar esses aumentos ao frete segue limitada por um mercado ainda cauteloso, pressionado por juros, consumo irregular e margens apertadas na ind\u00fastria, no varejo e no agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diesel, principal insumo do setor, representa em m\u00e9dia&nbsp;<strong>35% do custo operacional das transportadoras brasileiras<\/strong>, segundo a NTC &amp; Log\u00edstica. Por isso, qualquer oscila\u00e7\u00e3o no combust\u00edvel tem impacto quase imediato no pre\u00e7o do frete e na rentabilidade das empresas de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mar\u00e7o de 2026, o custo do frete rodovi\u00e1rio registrou alta de&nbsp;<strong>3,36%<\/strong>, chegando a&nbsp;<strong>R$ 7,99 por quil\u00f4metro rodado<\/strong>, segundo o \u00cdndice de Frete Rodovi\u00e1rio da Edenred Repom. No mesmo per\u00edodo, a ANTT atualizou a tabela do piso m\u00ednimo de frete em raz\u00e3o da alta do diesel, elevando o coeficiente de deslocamento de&nbsp;<strong>R$ 5,986\/km para R$ 6,368\/km<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para C\u00e9lio Martins, gerente de novos neg\u00f3cios do Transvias, o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na alta de custos, mas na velocidade com que eles chegam ao transportador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO transporte sente tudo muito r\u00e1pido. Quando o diesel sobe, quando o cr\u00e9dito fica caro, quando o consumo desacelera, a transportadora sente antes de muita gente. O problema \u00e9 que nem sempre ela consegue repassar esse custo na mesma velocidade. A margem vai sendo corro\u00edda aos poucos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio internacional tamb\u00e9m adiciona press\u00e3o. A recente crise energ\u00e9tica global, provocada pela guerra no Ir\u00e3 e pela alta do petr\u00f3leo para perto de&nbsp;<strong>US$ 110 por barril<\/strong>, levou pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina a adotarem medidas para reduzir o impacto nos combust\u00edveis. No Brasil, o governo anunciou apoio ao diesel, ao g\u00e1s e ao setor a\u00e9reo, al\u00e9m de redu\u00e7\u00e3o de impostos sobre biodiesel e g\u00e1s de cozinha, segundo o El Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, mesmo quando h\u00e1 tentativa de amortecer o impacto para o consumidor, o setor produtivo segue exposto \u00e0 volatilidade. Caminh\u00f5es dependem de diesel, pe\u00e7as, pneus, manuten\u00e7\u00e3o, seguro, m\u00e3o de obra e financiamento. Quando esses itens sobem ao mesmo tempo, a opera\u00e7\u00e3o fica mais pesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dificuldade aparece tamb\u00e9m na renova\u00e7\u00e3o da frota. Dados publicados pela Transporte Moderno mostram que as vendas de caminh\u00f5es acumulavam queda superior a&nbsp;<strong>15% no primeiro quadrimestre de 2026<\/strong>, refletindo ambiente adverso para o transporte rodovi\u00e1rio, marcado por juros elevados, custo do diesel e maior cautela nos investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO caminh\u00e3o \u00e9 o ativo principal da transportadora. Quando a venda de caminh\u00f5es cai, isso mostra que o setor est\u00e1 adiando investimento. Muitas empresas continuam operando, mas com frota envelhecida, manuten\u00e7\u00e3o mais cara e menos capacidade de modernizar a opera\u00e7\u00e3o\u201d, analisa Martins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 na infraestrutura. Levantamento da CNT aponta que m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de rodovias elevam o custo operacional dos transportadores. Em 2025, esse cen\u00e1rio teria gerado consumo adicional de&nbsp;<strong>1,2 bilh\u00e3o de litros de diesel<\/strong>, com impacto direto no custo do setor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para embarcadores, o risco \u00e9 tratar o frete apenas como uma linha de custo a ser comprimida. Segundo Martins, essa vis\u00e3o pode gerar efeito reverso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando o frete fica artificialmente baixo, algu\u00e9m paga essa conta. Pode ser a transportadora, com margem negativa. Pode ser o embarcador, com atraso e perda de qualidade. Pode ser o consumidor, com pre\u00e7o maior l\u00e1 na frente. O frete precisa ser negociado com intelig\u00eancia, n\u00e3o apenas pelo menor valor\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse contexto que dados e planejamento ganham relev\u00e2ncia. O Transvias acompanha a movimenta\u00e7\u00e3o de consultas de frete em diferentes regi\u00f5es e perfis de carga, o que permite observar mudan\u00e7as de comportamento antes de elas aparecerem nos indicadores oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa nossa base, conseguimos perceber quando um setor come\u00e7a a reduzir consulta, quando uma regi\u00e3o perde for\u00e7a ou quando aumenta a busca por alternativas de frete. Esse tipo de leitura ajuda embarcadores e transportadoras a tomarem decis\u00f5es melhores\u201d, afirma Martins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Transvias registrou um aumento de&nbsp;<strong>21,95%<\/strong>&nbsp;no volume total de consultas de frete em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Esse crescimento indica que, diante da alta de custos, os embarcadores est\u00e3o intensificando a cota\u00e7\u00e3o e a busca por novos parceiros para otimizar or\u00e7amentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados da plataforma mostram que o setor de&nbsp;<strong>E-commerce e Bens de Consumo<\/strong>&nbsp;lidera a alta na procura por transporte, com avan\u00e7o de 12%. Em contrapartida, o setor de&nbsp;<strong>Constru\u00e7\u00e3o Civil<\/strong>&nbsp;apresentou a maior retra\u00e7\u00e3o, com queda de 8% nas consultas por fretes de grande volume e cargas pesadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observamos uma mudan\u00e7a clara de comportamento: a busca por&nbsp;<strong>carga fracionada e redespacho cresceu 18%<\/strong>&nbsp;nos \u00faltimos meses. Isso sinaliza que as empresas est\u00e3o evitando estocar grandes volumes e preferindo envios menores e mais frequentes para preservar o fluxo de caixa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para 2026, a tend\u00eancia \u00e9 de um mercado mais seletivo. Transportadoras ter\u00e3o de controlar melhor os custos, escolher opera\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis e evitar fretes que n\u00e3o cobrem a estrutura m\u00ednima da opera\u00e7\u00e3o. Embarcadores, por sua vez, precisar\u00e3o entender que efici\u00eancia log\u00edstica n\u00e3o depende apenas de pre\u00e7o, mas de previsibilidade, parceria e planejamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO transporte rodovi\u00e1rio \u00e9 um dos primeiros setores a sentir a economia real. Se ele est\u00e1 pressionado, \u00e9 sinal de que a cadeia inteira precisa prestar aten\u00e7\u00e3o\u201d, resume Martins.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O transporte rodovi\u00e1rio de cargas entrou em 2026 com uma conta dif\u00edcil de fechar. De um lado, os custos operacionais continuam subindo. 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