A rápida adoção de inteligência artificial pelas empresas tem ampliado o debate sobre seu uso seguro. Atualmente, mais de 80% das organizações já utilizam inteligência artificial em alguma função do negócio, segundo a McKinsey. Nesse contexto, ganham espaço ferramentas como o “vibe coding”, prática que permite que funcionários criem sistemas com IA usando comandos simples. Apesar do ganho de produtividade, especialistas alertam que a ausência de controle técnico pode ampliar riscos à segurança da informação.
Para Mateus Magno, CEO da Magnotech, empresa especializada no desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial para negócios, o controle deixou de ser um tema secundário. Ele deve ocupar o centro das decisões no uso da IA.
“Com a evolução das ferramentas, o papel da engenharia mudou. O foco não é mais apenas produzir código, mas definir arquitetura, garantir consistência, validar decisões automatizadas e orquestrar sistemas híbridos. É isso que permite capturar valor com segurança”, afirma.
Principais riscos
O especialista explica que os principais riscos de usar o vib coding sem controle surgem quando os sistemas ficam desprotegidos, processos automáticos apresentam falhas ou quando a IA cria códigos que não seguem o padrão da empresa, o que pode gerar erros e vulnerabilidades.
O problema se agrava com o chamado “shadow AI”, que é quando funcionários utilizam ferramentas de IA por conta própria, sem conhecimento ou controle da empresa. Nesses casos, aumenta o risco de falhas e até de exposição de informações sensíveis.
Para evitar esses riscos, Magno propõe três tipos de controle:
1 – Definir o uso
Estabelecer quais ferramentas podem ser usadas, por quais equipes e em quais situações. Isso ajuda a ter mais controle sobre o uso da IA.
2 – Revisão técnica periódica
Revisar códigos, validar sistemas e fazer testes com frequência para garantir que tudo siga os padrões da empresa.
3 – Definir limites para decisões
Determinar quando a IA pode agir sozinha e quando precisa de revisão humana, principalmente em processos importantes. Isso evita erros e mantém o controle.
Para o especialista, a capacidade de ampliar o uso da IA com controle deve se tornar um diferencial de crescimento. “A IA pode escrever códigos, automatizar processos e acelerar decisões. Mas ainda cabe ao time humano definir o que deve ser feito, como isso será usado e quais riscos são aceitáveis. É nesse ponto que o futuro das organizações começa a ser definido”, conclui.


