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O “Head de Marketing” mudou ou foi a nossa definição de cargo que ficou obsoleta?

Estamos vendo um movimento forte no Brasil: influenciadores assumindo cadeiras de liderança em gigantes. Toguro como Head na Cimed e Victor Sarro na Philips. Será que as marcas são ingênuas de entregar o marketing para criadores de conteúdo?

Pelo contrário: elas finalmente entenderam o jogo.

A verdade é que o marketing mudou. O estrategista de “torre de marfim” está perdendo lugar para quem tem estômago para o algoritmo. Existe uma provocação latente aqui: o marketing hoje precisa menos de “formação tradicional” e muito mais de skin in the game.

O “Day Trading” da Atenção

Gary Vaynerchuk explica bem esse fenômeno em seu livro, Day Trading Attention. Ele traz uma reflexão que é o soco no estômago necessário para o mercado atual:

“O custo de dar errado nas redes sociais é zero. O custo de não tentar é a invisibilidade.”

Os influenciadores entenderam isso antes de todo mundo. Eles não gerenciam planilhas de logística ou P&L, a tecnologia, as máquinas e os times técnicos já resolvem isso. Eles gerenciam o ativo mais escasso e volátil do mundo: a atenção.

A Regra dos 3%

Estima-se que apenas 3% dos posts do Toguro realmente “furam a bolha”. Para um marketeiro clássico, uma taxa de 97% de posts que não viralizam seria motivo de demissão. Para o novo marketing, isso é aprendizado em tempo real.

Eles erram muito, rápido e barato, para acertar o que nenhuma pesquisa de mercado de seis meses conseguiria prever. O influenciador entende onde errou, algo que o marketing tradicional, preso em rodadas de aprovação, tem dificuldade de processar.

O papel da tecnologia

O estrategista não morreu, ele só foi automatizado. A Inteligência Artificial já faz o trabalho pesado de análise de dados, segmentação e execução técnica. A tecnologia democratizou a operação.

O que sobrou? A agilidade e a conexão visceral.

O influenciador entra para fazer o que o marketing institucional esqueceu como faz: gerar buzz real. No “day trade” da atenção, quem demora para postar o que o público quer ouvir, já perdeu dinheiro.

O jogo agora é outro. Não se trata mais de comprar mídia; trata-se de ser a mídia.

O marketing não morreu, mas ele nunca foi tão barulhento. E você?

Está focado na operação do passado ou na atenção do agora?

Opinião: Bruno Brambilla, CEO Biglink

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