Imagine começar o expediente e descobrir que o sistema de gestão não abre, as videoconferências foram interrompidas e nem a emissão de notas fiscais funciona. Em empresas que dependem de sistemas em nuvem, poucos minutos sem conexão já são suficientes para interromper a operação. Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, divulgada em junho deste ano, 93% das empresas brasileiras utilizam fibra óptica, 36% contratam serviços em nuvem e 17% já adotam inteligência artificial. O tema ganhou destaque nesta segunda-feira (13), quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou uma atualização programada em sua infraestrutura tecnológica, com previsão de indisponibilidade temporária de alguns serviços, reforçando a importância do planejamento para garantir a continuidade das operações digitais.
Para José Miguel, Gerente de Pré Vendas da Unentel, muitas organizações ainda não tratam a infraestrutura de rede com a mesma prioridade dedicada aos sistemas de gestão ou à segurança da informação. “Hoje, praticamente tudo depende da internet. Se a conexão cai, não é apenas o e-mail que deixa de funcionar. Sistemas de gestão, plataformas de atendimento, telefonia, armazenamento em nuvem e processos financeiros podem ficar indisponíveis ao mesmo tempo. Muitas empresas só percebem esse nível de dependência quando enfrentam uma interrupção”, afirma.
A preparação começa antes da primeira falha. Entre as medidas que ajudam a reduzir interrupções e manter a operação funcionando estão:
• Tenha duas conexões de internet de provedores diferentes. Quando toda a operação depende de um único fornecedor, qualquer falha pode interromper as atividades da empresa. Ao contratar links de operadoras distintas e configurar a infraestrutura para alternar automaticamente entre eles, é possível manter os sistemas funcionando mesmo durante uma indisponibilidade.
• Utilize equipamentos preparados para fazer a troca automática da conexão. Roteadores e firewalls corporativos com recursos de failover e balanceamento de links identificam quando uma conexão apresenta instabilidade e direcionam o tráfego para a rede de backup em poucos segundos, sem necessidade de intervenção manual da equipe de TI.
• Monitore a rede continuamente. Plataformas de monitoramento permitem acompanhar, em tempo real, indicadores de disponibilidade, desempenho e estabilidade da infraestrutura. Com esse acompanhamento, a equipe consegue identificar sinais de falha antes que eles afetem clientes, colaboradores ou sistemas essenciais.
• Defina quais sistemas precisam continuar funcionando em caso de instabilidade. Aplicações como ERP, emissão de notas fiscais, telefonia IP, plataformas financeiras e canais de atendimento podem receber prioridade no tráfego da rede. Assim, mesmo que a conexão opere com capacidade reduzida, os serviços essenciais permanecem disponíveis até que o problema seja resolvido.
• Revise a infraestrutura sempre que a operação crescer. A adoção de novas ferramentas em nuvem, soluções de inteligência artificial ou a expansão da empresa exige uma reavaliação da capacidade da rede. Essa revisão ajuda a identificar gargalos, atualizar equipamentos e garantir que a infraestrutura acompanhe o ritmo do negócio.
“A indisponibilidade de um sistema hoje representa perda de produtividade, impacto financeiro e prejuízo no relacionamento com clientes. Empresas que investem em redundância, monitoramento e planejamento conseguem reduzir o tempo de resposta e manter a operação funcionando mesmo diante de uma falha”, conclui o especialista.



