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Da audiência à comunidade: por que marcas precisam pensar como creators

Havia um tempo em que o sucesso de uma campanha era medido pelo tamanho da audiência. O comercial no horário nobre, a página dupla na revista ou o anúncio de grande alcance eram vistos como os principais indicadores de influência e conversão.

Hoje, essa lógica não apenas envelheceu, mas vem sendo substituída por algo que os números de alcance, sozinhos, nunca conseguiram entregar: pertencimento.

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O mercado global de marketing de influência ultrapassou US$32 bilhões em 2025. No Brasil, já são 4,4 milhões de influenciadores digitais ativos, e o país ocupa a segunda posição mundial em volume de conteúdo produzido por creators, concentrando 12,6% de todas as publicações monitoradas globalmente. Os números impressionam, mas a verdadeira transformação não está apenas no tamanho desse mercado. Ela está no que ele revela sobre a forma como as pessoas se relacionam com marcas, conteúdo e influência.

Durante décadas, as marcas construíram suas estratégias de comunicação a partir de uma lógica simples: alcançar o maior número possível de pessoas. Mas, em um ambiente digital marcado pela fragmentação da atenção e pela multiplicação de canais, alcançar milhões de consumidores já não garante relevância.

Nesse contexto, a Creator Economy se tornou um dos fenômenos mais reveladores do marketing contemporâneo. O crescimento desse mercado não pode ser explicado apenas pelo número de seguidores dos criadores de conteúdo. Seu diferencial está na capacidade de construir comunidades. Enquanto muitas empresas ainda se comunicam para o público, creators aprenderam a se comunicar com ele.

A diferença parece pequena, mas seus efeitos são significativos. Audiências assistem. Comunidades participam. Audiências consomem conteúdo. Comunidades compartilham, defendem e influenciam decisões de compra.

Quando observamos a trajetória dos creators que conseguiram transformar conteúdo em negócios sustentáveis, encontramos um padrão recorrente: relacionamento contínuo. A conexão construída ao longo do tempo gera um nível de credibilidade que campanhas isoladas dificilmente conseguem alcançar.

Essa mudança ajuda a explicar por que tantas marcas estão revendo seus investimentos. Cerca de 69% dos CMOs já apontam resultados concretos de negócio, como vendas e conversão, como principal prioridade de marketing, superando métricas tradicionais de awareness. Ao mesmo tempo, 82% dos líderes de marketing ainda afirmam enfrentar dificuldades para medir o impacto real das campanhas de influência.

O desafio não está apenas em investir mais, está em investir melhor.

Na prática, ainda vemos muitas empresas utilizando creators apenas como canais de distribuição de mensagens. Contratam alcance quando o desafio real é construir relacionamento. Investem em visibilidade quando a diferenciação está na capacidade de gerar pertencimento.

Essa visão se torna ainda mais relevante diante das projeções para o setor. A Creator Economy brasileira movimenta atualmente cerca de US$5,47 bilhões e pode atingir US$33,5 bilhões até 2034. Não estamos falando de uma tendência passageira, mas de uma mudança estrutural na forma como marcas, consumidores e criadores se relacionam.

Ao mesmo tempo, cresce a importância das experiências que transformam consumidores em participantes ativos. Eventos, ativações presenciais, conteúdos cocriados e iniciativas que estimulam o conteúdo gerado pelo usuário mostram que a influência deixou de ser um processo unilateral. As pessoas não querem apenas assistir às histórias das marcas. Elas querem fazer parte delas.

Por isso, a principal lição da Creator Economy talvez não esteja na figura do creator em si, mas na lógica que ele representa. Os criadores entenderam antes de muitos departamentos de marketing que atenção é conquistada diariamente, confiança é construída ao longo do tempo e comunidade gera mais valor do que audiência.

Ao analisar a evolução desse mercado nos últimos anos, fica evidente que o debate já não gira em torno da adoção ou não do marketing de influência, mas da capacidade das marcas de transformar audiência em relacionamento duradouro.

Para 2026, 61% dos profissionais de marketing afirmam que pretendem ampliar seus investimentos em influência, especialmente em modelos de relacionamento contínuo e estratégias always-on. O movimento do mercado é claro.

O mercado já tomou sua decisão. Os investimentos continuam crescendo e os modelos de relacionamento de longo prazo ganham espaço. O que permanece em aberto é a capacidade das marcas de absorver os aprendizados que esse movimento trouxe. 

A questão agora não é se as marcas devem trabalhar com creators. A pergunta é outra: elas estão realmente aprendendo com eles? Porque, no fim das contas, o ativo mais valioso de uma marca já não é o tamanho da audiência que ela alcança. É a força da comunidade que ela consegue mobilizar.


*Vera Kopp é CEO e fundadora da inCast Group, holding que reúne as empresas inCast, RainCreators e FunCast, especializadas em marketing de influência, gestão de comunidades e soluções para criadores de conteúdo. Com mais de 15 anos de experiência em tecnologia e inovação, Vera atua na interseção entre marcas, plataformas e creators, ajudando empresas a construir estratégias de influência baseadas em dados, engajamento real e impacto de longo prazo.

*James Morais é Analista de Marketing da inCast Group, onde atua no planejamento e execução de estratégias de marketing, produção de conteúdo e análise de tendências do mercado de influência. Seu trabalho acompanha de perto a evolução do comportamento de criadores, comunidades e plataformas digitais, contribuindo para iniciativas que conectam marcas e creators de forma estratégica.

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