Por um longo tempo, a cibersegurança foi tratada como uma pauta essencialmente técnica. As discussões aconteciam entre equipes de tecnologia, analistas de infraestrutura e especialistas em segurança da informação. O objetivo era garantir a disponibilidade dos sistemas, proteger dados corporativos e manter a operação funcionando.
Mas essa realidade mudou. Hoje, as decisões relacionadas à segurança digital estão cada vez mais presentes nas mesas de CEOs, conselhos de administração, presidentes de empresas e até das principais autoridades responsáveis pela defesa e pela segurança pública.
A transformação digital acelerada dos últimos anos contribuiu diretamente para essa mudança. À medida que empresas e governos passaram a depender cada vez mais de sistemas conectados, plataformas digitais, serviços em nuvem e operações automatizadas, também ampliaram sua superfície de exposição. Como consequência, a responsabilidade pela proteção desses ativos deixou de ser exclusiva da área de TI.
E existe uma razão simples para isso, o fato dos impactos de um incidente cibernético não serem somente tecnológicos. Atualmente, um ataque pode interromper operações industriais, comprometer cadeias logísticas, afetar serviços essenciais, gerar prejuízos financeiros expressivos e colocar em risco atividades estratégicas para organizações e governos.
Em outras palavras, a pergunta deixou de ser “qual ferramenta devemos comprar?” e passou a ser “como garantimos que nossa organização continuará funcionando diante de uma crise cibernética?”. Essa é uma conversa que naturalmente pertence à alta liderança. Por isso, não surpreende que a cibersegurança esteja mais presente nas agendas dos CEOs, conselhos de administração e autoridades responsáveis pela proteção de ativos estratégicos.
Essa transformação ficou evidente durante a IV SC Expo Defense 2026, realizada em Florianópolis, em maio, onde em vez de conversas restritas a profissionais de TI, o debate acontecia entre generais, brigadeiros, almirantes, lideranças governamentais, representantes de forças policiais e executivos responsáveis por decisões estratégicas.
O cenário demonstra que a segurança digital passou a ser compreendida como um tema de gestão de riscos, continuidade operacional e proteção institucional, que exige o envolvimento de toda a organização. O conselho precisa compreender os riscos. A diretoria deve participar das decisões de investimento. As áreas de negócio precisam incorporar práticas de proteção em seus processos. E a liderança executiva deve entender que cibersegurança não é apenas um custo operacional, mas um elemento fundamental para a sustentabilidade da organização.
A mesma lógica se aplica às infraestruturas críticas que sustentam o funcionamento de serviços essenciais. Setores como energia, abastecimento de água e saneamento, telecomunicações, mobilidade urbana e logística dependem cada vez mais de sistemas digitais para operar com segurança e eficiência. Isso significa que um incidente cibernético pode não apenas impactar uma organização específica, mas também afetar a prestação de serviços fundamentais para a população e, consequentemente, para a economia brasileira.
Outro fator relevante é o amadurecimento do próprio mercado. Durante muitos anos, os investimentos estavam concentrados em antivírus, firewalls e monitoramento básico. Hoje, a discussão envolve governança, gestão de riscos, resposta a incidentes, inteligência de ameaças, continuidade de negócios e resiliência operacional. A tecnologia continua sendo parte da solução, mas o desafio já ultrapassou há muito tempo os limites do departamento de TI. Hoje, falar de cibersegurança é falar de gestão, estratégia, continuidade e futuro.
Por Fabio Brodbeck, Co-fundador e Chief Growth Officer (CGO) da OSTEC, empresa focada em soluções completas de cibersegurança.


