Redesenho da cadeia logística perante a reforma tributária, frete colaborativo na prática, avanço da multimodalidade, CDs no e-commerce em tempo recorde, custos logísticos ainda elevados, uso da tecnologia para potencializar o varejo e alerta para o uso do CIOT em todas as operações de transporte de cargas! Esses foram os avanços e desafios que vão movimentar a logística no próximo ano, conforme apontamentos das maiores empresas e principais profissionais do setor, durante o Fórum ILOS 2026, que ocorreu em São Paulo, nos últimos dias, com a presença de mais de 3 mil pessoas.
A diretora-executiva da ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos, Marcella Cunha, destacou que pela primeira vez no País, 31% dos operadores logísticos consultados na pesquisa “Perfil dos Operadores Logísticos brasileiros”, encomendado pela ABOL ao ILOS, atuam no modelo multimodal. O faturamento bruto dos Operadores Logísticos no Brasil atingiu R$ 247 bilhões, com 73% das empresas registrando aumento na receita. Cunha também menciona os grandes gargalos da infraestrutura brasileira: indisponibilidade de infraestrutura, baixa qualidade quando existe multimodalidade e baixa oferta de rotas, terminais com baixa integração de sistemas, pouca quantidade de terminais e falta de unificação fiscal. A executiva alertou que o País precisa investir 2% do PIB ao ano para solucionar os entraves da infraestrutura! Hoje são investidos, apenas 0, 39% com grande participação do setor privado!
O sócio-diretor do ILOS, Mauricio Lima, mencionou sobre os custos logísticos do Brasil, que em 2026, chegaram a 16,1% do PIB nacional, na mesma linha de 2025 e abaixo apenas dos 16,8% de 2023. Ele explica que estamos em um patamar muito elevado. Se for comparar com o resto do mundo, todos ficaram mais caros, mas estão voltando a patamares mais baixos. O Brasil, não – ressaltou o sócio diretor do ILOS.
CIOT para todas as operações de transporte de cargas – A sócia-diretora do ILOS, Maria Fernanda Hijjar, ao lado do assessor jurídico da SETCESP/NTC&Logística, Adauto Bentivegna Filho, falaram sobre o impacto das novas legislações no transporte rodoviário de carga. Atualmente são mais de 57 mil multas por mês por conta do Piso Mínimo e as empresas precisam se adequar. O problema agora não é mais a multa. Se a empresa não cumprir o piso mínimo, não vai conseguir emitir o CIOT e não vai poder executar a operação de transporte e é preciso ter o CIOT para todas as operações, inclusive para carga fracionada, alerta Maria Fernanda.
Ações para a reforma tributária na prática – O desafio da reforma tributária para a logística é: como vamos redesenhar a cadeia do supply chain? Esse foi o alerta da diretora executiva de supply chain da Renata Fiovarante da Campari. Segundo ela, os profissionais precisam preparar a empresa como um todo para agir com segurança para quando a reforma tributária entrar em vigor e não deixar para a última hora, pois será o pior caminho! O primeiro passo é unir todos os setores: comercial, compras, fiscal, tecnologia, logística, transporte e supply chain. A Campari tem um CD em Extrema (MG) e uma unidade fabril em Recife (PE) e uma rede grande de distribuidores em todo o País, com o mercado consumidor principal em São Paulo (SP). Diante deste cenário, Renata Cristina citou algumas ações que desenvolve atualmente e cita como um caminho para os profissionais da cadeia de supply chain:
1. Participe das decisões da empresa como um todo;
2. Pense! Como vamos redesenhar a malha logística?
3. Antecipe cenários e não espere acontecer;
4. Onde estão nossos fornecedores e público consumidor?
5. Para onde vamos? Quais as possibilidades de créditos e incentivos?
6. Como vamos gerar novos negócios?
7. Como os nossos fornecedores estão se preparando?
8. faça avaliação da sua cadeia de distribuição entre CDs, unidades fabris, governança, revisão de contratos, pontos de distribuição, custos da logística e modais; entre outros.
9. Converse com o governo local e entenda os possíveis benefícios;
10. Todos os setores, juntos, vão levantar seus cenários! A partir disso, é possível ter um redesenho de toda a cadeia para a tomada de decisão com seus impactos!
CD em até 20 dias para o e-commerce – O varejo está em rápida transformação e o e-commerce está acelerando esse processo! Segundo Daniel Brugioni, diretor comercial da Mills, empresa multinacional especializada em locação de máquinas e equipamentos, a Shopee acompanha muito o comportamento do consumidor e abre galpões rapidamente em até 20 dias. Foi desenhado um projeto com análise profunda e escalável desde a escolha do local, galpão, equipamentos, empilhadeiras, equipe, documentos fiscais, enfim toda a estrutura para a operação iniciar com agilidade e eficiência a população. Segundo ele, em alguns projetos, o desafio era de 9 dias.
Frete colaborativo com fornecedores acontece na prática – Elton Araujo, Head de Transporte do GPA relatou sobre a criação do GPA Log para identificar capacidade de infraestrutura, transporte e equipe operacional. Em parceria com a Logshare, a empresa desenvolveu uma rede colaborativa com foco principal no frete retorno no modal rodoviário, em parceria com fornecedores que se tornaram também clientes do GPA. Elton comentou que a colaboração na logística como um todo precisa ser vantajosa para todos os envolvidos! Portanto, não centralize somente no custo do frete, mas também em diversos indicadores de eficiência da operação como um todo. PRINCIPAIS RESULTADOS DO FRETE COLABORATIVO:
1. Aumento nas vendas;
2. Queda da ruptura nas vendas;
3. Coletas mais eficientes;
4. Previsibilidade;
5. Integração de malhas com outros embarcadores;
6. Economia real e imediata de CO2;
Múltiplas tecnologias para atender 368 lojas – Cerca de 60 milhões de clientes atendidos por ano, 10 milhões de entregas e 1 loja aberta por semana em Minas Gerais, são os números da rede de Drogarias Araújo! O gerente de inteligência em logística, Herbert Lopes, destacou que além da IA, a logística do CD conta com 60 robôs que realizam levam caixas de produtos de alto e baixos giros para as linhas de separação. Segundo ele, a operação está sendo adaptada a cada dia com o auxílio da tecnologia de acordo com a demanda das 368 lojas da rede em Minas Gerais, com sistemas todos conectados, que trocam informações entre si, além de um sortear que faz a distribuição e consolidação de pequenos e grandes pedidos de cada loja!
A maior rede do varejo no Brasil, a Renner, programou mais de R$ 500 milhões para o período de 15 anos, em relação a projetos de automação para tornar a sua operação eficiente, ao mesmo tempo, para as vendas das lojas físicas e também no e-commerce! Alexandre Aires, Chief Supply Chain Officer, destaca que tem um modelo atual que permite flexibilidade e evita perda de vendas, seja qual for a demanda do consumidor! “Combinar escala das lojas para reduzir prazos de entregas das coleções ao mesmo tempo que ganhamos frequência, capilaridade e serviços para o digital.



