As fraudes no e-commerce brasileiro seguiram pressionando as operações em 2025, com 2,3 milhões de tentativas registradas. Os dados são da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, e correspondem aos pedidos do varejo digital que passaram pelas soluções antifraude da companhia. Nesse universo monitorado, o ticket médio das transações fraudulentas chegou a R$ 1.057,87, quase o dobro do valor registrado nas compras legítimas, de R$ 538,79, e foram evitados cerca de R$ 2,4 bilhões em prejuízos para empresas e consumidores.
“O cenário de fraude no e-commerce impõe um impacto direto sobre receita, eficiência operacional e experiência do consumidor. Quando as tentativas criminosas combinam alta escala, superando 2 milhões de diligências no ano passado, e ticket médio elevado, a prevenção à fraude deixa de ser apenas uma camada de proteção e passa a ser parte estratégica da sustentabilidade do negócio”, comenta o Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude, Rodrigo Sanchez.
Perfis masculinos concentram maior risco no recorte por gênero
No recorte por gênero, o levantamento também indica quais perfis os golpistas tentam reproduzir nas transações, não sendo, necessariamente, quem comete as fraudes. Entre os pedidos com gênero identificado, os perfis masculinos concentraram o maior risco de fraude no período, com taxa duas vezes superior à observada entre os femininos. A diferença também apareceu no valor das transações suspeitas: o ticket médio das tentativas de fraude que buscavam reproduzir perfis masculinos chegou a R$ 1.177,69, ante R$ 1.095 quando os golpistas se passavam por perfis femininos. Confira o detalhamento na tabela abaixo:

Para Sanchez, “em vez de uma proteção única para toda a base, a tendência é que as empresas ganhem eficiência ao combinar tecnologias e regras de autenticação capazes de considerar o contexto de cada jornada, bloqueando investidas suspeitas sem gerar fricção desnecessária para consumidores legítimos”, explica o executivo da datatech.
Eletroeletrônicos puxam ranking de tentativas de fraude no varejo digital
Entre as categorias monitoradas, “Eletroeletrônicos” lideraram em volume de tentativas de fraude, com 126,3 mil ocorrências barradas. Na sequência aparecem “Moda e Vestuário”, com 103,2 mil registros, e “Beleza, Saúde e Cuidados Pessoais”, com 95,6 mil. “Delivery” e “Brinquedos” completam o top 5, com 46,8 mil e 40,5 mil ocorrências, respectivamente.
Ao observar a taxa de risco proporcional de cada segmento, “Eletroeletrônicos” também se sobressaem, com 3,2%. Na prática, isso significa que, a cada 100 pedidos analisados nessa categoria, pouco mais de 3 foram classificados como tentativa de fraude. O índice é bem superior ao das demais frentes com maior incidência, como “Beleza, Saúde e Cuidados Pessoais” (1,3%) e “Moda e Vestuário” (1,2%).
O ticket médio das investidas barradas acompanha esse cenário. Em “Eletroeletrônicos”, o valor chegou a R$ 2.350,94, mais que o dobro da média geral das transações fraudulentas no e-commerce monitorado, de R$ 1.057,87, além de ficar 22,8% acima do ticket médio das compras legítimas da categoria. Entre os segmentos mais visados, “Moda e Vestuário” registrou ticket médio de R$ 641,34, enquanto “Brinquedos” marcou R$ 570,91.
Em categorias de maior valor agregado, a diferença entre o ticket das tentativas de fraude e o das compras legítimas fica ainda mais evidente. Além de “Eletroeletrônicos”, o mesmo comportamento foi observado em “Eletrodomésticos”, com ticket médio de fraude de R$ 2.217,07, ante R$ 1.551,85 nas compras regulares, e em “Automotivo”, com média de R$ 1.182,22, frente a R$ 649,61 entre os pedidos legítimos. Embora estejam fora do top 5 em volume, ambas também chamam atenção pelos valores elevados e pelo número de registros: foram 36,8 mil tentativas em “Eletrodomésticos” e 35,6 mil em “Automotivo”.

“Os dados mostram que a fraude no e-commerce acompanha a própria evolução do consumo digital, avançando sobre diferentes categorias de produto. Nesse cenário, o papel da tecnologia é ajudar as empresas a identificar padrões de risco com mais precisão, reduzir perdas e sustentar jornadas de compra mais seguras e fluidas para o consumidor”, conclui Sanchez.
Metodologia
O levantamento considera os pedidos analisados pelos modelos de risco de fraude da Serasa Experian entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, nos canais de e-commerce, marketplace, venda direta e app delivery, consolidados em uma única base. No estudo, “tentativas de fraude” são os pedidos classificados como suspeita de fraude, fraude confirmada ou com retorno de chargeback (CBK).


