O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, quase 300 lojas fechadas e cerca de 3 mil desligamentos, é mais um sinal da pressão enfrentada pelo varejo brasileiro. Nos últimos anos, Americanas, Tok&Stok/Mobly e Estrela também recorreram à recuperação judicial, enquanto a Marisa fechou dezenas de lojas em seu processo de reestruturação.
Os casos têm causas distintas, mas ocorrem em um ambiente de juros elevados, crédito caro, consumo pressionado e concorrência crescente das plataformas internacionais. Nesse cenário, a ABVTEX considera ainda mais preocupante a decisão de zerar o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, ampliando a diferença tributária entre empresas que operam no Brasil e produtos vendidos diretamente do exterior.
Há sinais concretos dessa pressão: a Estrela citou a concorrência de importados de baixo custo e a pirataria entre os fatores de sua crise, enquanto a Marisa já apontou “importações ilegais sem a devida tributação” entre as dificuldades enfrentadas pela companhia.
Em outra frente, empresas brasileiras estão levando investimentos para o Paraguai em busca de custos e tributação mais competitivos. Lupo, Karsten e Grupo Dass, todos ligados à cadeia têxtil e de vestuário, anunciaram operações industriais no país vizinho. A Lupo, que abriu no Paraguai sua primeira fábrica fora do Brasil, afirma já ter reduzido seus custos em 15%, com expectativa de chegar a 30%.
Segundo estudos do setor, cerca de 800 mil empregos podem estar em risco nos segmentos mais expostos à concorrência das plataformas internacionais, afetando 3,2 milhões de pessoas. Sete em cada dez trabalhadores desses segmentos são mulheres.
Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, está disponível para comentar os impactos da desigualdade tributária sobre a competitividade, os investimentos e os empregos no varejo brasileiro.



