De todas as surpresas do estudo “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, da Optimiza Marketing, talvez a mais contraintuitiva esteja na categoria de farmácia, saúde e suplementos. Ao todo, 41% dos brasileiros compraram algum produto dessa categoria online nos últimos três meses. Mas o dado que chama atenção é o recorte geracional: entre os Baby Boomers, consumidores de 60 anos ou mais, o índice sobe para 57%, o maior salto registrado por qualquer geração em qualquer categoria do levantamento. Entre mulheres, o percentual também é elevado, atingindo 46%.
O crescimento da categoria de saúde no comércio eletrônico brasileiro não é um fenômeno isolado do estudo da Optimiza. Segundo levantamento da Neotrust, empresa de inteligência de dados do varejo digital, a categoria de saúde registrou alta de 72% no faturamento entre janeiro e setembro de 2025, impulsionada principalmente pelas vendas de canetas emagrecedoras, que somaram 2,34 milhões de unidades e R$ 3,01 bilhões em faturamento no período, cerca de 4,9 vezes mais que no mesmo intervalo de 2024.
Por que o consumidor mais velho lidera essa categoria
A combinação dos dois estudos sugere uma leitura interessante. Consumidores mais velhos, que em outras categorias do Mapa da Busca aparecem como público mais cauteloso e mais dependente de validação cruzada antes de comprar, se tornam justamente os mais ativos quando o assunto é saúde e farmácia, provavelmente por já terem uma relação de recompra recorrente com medicamentos e suplementos, o que reduz a barreira de adoção do canal digital para esse tipo específico de produto.
Uma categoria que também exige mais confiança
Vale lembrar que a categoria de saúde é justamente uma daquelas em que o Mapa da Busca identifica maior peso das avaliações de outros consumidores e da confiança em fontes verificadas, dado o risco percebido mais alto de comprar produtos ligados à própria saúde. Isso reforça a importância, para farmácias digitais e marcas de suplementos, de investir pesado em prova social e conteúdo confiável, não apenas em preço competitivo.
“Farmácia é a categoria onde eu mais cobro rigor de conteúdo dos meus próprios clientes. Não é sobre aparecer bonito, é sobre ser preciso, porque o consumidor que compra saúde online, principalmente o mais velho, está pesquisando com medo de errar. Prova social e informação correta pesam muito mais aqui do que em qualquer outra categoria”, afirma Júlia Neves, CEO da Optimiza Marketing.
Para farmácias online e marcas de saúde, o cruzamento dos dois estudos é claro. Existe uma demanda real e crescente, puxada por um público que o mercado muitas vezes subestima, e que exige comunicação clara, prova social robusta e atenção redobrada à confiabilidade do conteúdo, sob risco de perder um consumidor que já provou estar dispostos a comprar saúde pela internet, mas que também é o mais exigente quando o assunto é confiança.


