O avanço do comércio eletrônico no Brasil caminha lado a lado com a experiência que o cliente busca em grandes centros de compras como os shoppings. Em vez de se tornar concorrente, o e-commerce evidenciou a força de um varejo cada vez mais integrado, de modo especial no pós-pandemia. Longe de uma disputa direta, os dois canais evoluem de forma complementar, refletindo uma jornada de consumo cada vez mais híbrida e centrada no cliente. É o que aponta Glaydson Trovão, superintendente do Londrina Norte Shopping.
Enquanto o e-commerce brasileiro faturou mais de R$ 204 bilhões em 2024, com crescimento superior a 10% ao ano e projeções que ultrapassam R$ 230 bilhões, os shoppings centers também atingiram um marco histórico ao superar R$ 200 bilhões em vendas em 2025, consolidando sua presença física em mais de 650 empreendimentos espalhados pelo país. Aliás, dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) apontam que a taxa média de ocupação dos shopping centers no Brasil está em torno de 95,4%.
“Esse cenário reforça que o crescimento do digital não substitui o físico, mas amplia o ecossistema do varejo. O e-commerce se fortaleceu como canal de conveniência, impulsionado por logística eficiente, variedade de oferta e facilidade de compra. Ao mesmo tempo, os shopping centers seguem como espaços estratégicos de experiência, reunindo varejo, serviços e entretenimento em um único ambiente, com fluxo constante de consumidores e forte presença nas principais cidades brasileiras”, pondera Glaydson Trovão.
Na prática, conforme o superintendente do Londrina Norte Shopping, o comportamento do consumidor demonstra que a jornada de compra deixou de ser linear. “O cliente pesquisa online, compara preços e avalia opções, mas ainda valoriza o contato físico, o atendimento personalizado e a possibilidade de experimentar produtos antes da decisão final. Nesse contexto, os shoppings assumem o papel de hubs multifuncionais, conectando diferentes etapas da jornada e ampliando o tempo de permanência do consumidor com experiências que vão além da compra.”
Experiência e convivência
O setor de shopping centers, inclusive, tem demonstrado resiliência e capacidade de adaptação. “Mesmo diante do crescimento acelerado do digital, o setor mantém expansão gradual, alta taxa de ocupação e constante renovação do mix de lojas. Esse movimento evidencia a confiança de marcas e investidores no modelo, que se reinventa ao incorporar novas demandas e formatos de consumo”, avalia Glaydson.
O superintendente afirma ainda que, mais do que centros de compras, os shoppings evoluíram para plataformas completas de convivência. “Serviços de saúde, academias, espaços de coworking, gastronomia diversificada e atrações de lazer ampliam o papel desses empreendimentos na rotina das pessoas. Essa multifuncionalidade reforça sua relevância como destinos frequentes, e não apenas ocasionais”, ressalta.
Fator humano
Há ainda um aspecto que diferencia de forma definitiva os shopping centers do e-commerce: o fator humano. “O shopping é, essencialmente, o lugar do encontro de famílias, amigos e comunidades. É onde experiências são compartilhadas, onde o consumo se mistura com lazer, cultura e convivência. No caso do Londrina Norte Shopping, somos o ponto de encontro na zona norte da cidade. Essa dimensão social, sensorial e emocional não pode ser replicada por plataformas digitais. O e-commerce entrega eficiência e conveniência, mas não substitui o valor do contato, da presença e da vivência coletiva que os espaços físicos proporcionam”, comenta Glaydson.
Por outro lado, o digital segue como um aliado estratégico, inclusive para os shoppings. “O e-commerce amplia o alcance das marcas, facilita o acesso a produtos e fortalece o relacionamento com o consumidor. Integrado ao físico, ele potencializa resultados e contribui para uma experiência mais fluida e personalizada.” Dessa forma, segundo o superintendente, o varejo brasileiro avança para um modelo integrado, no qual experiência e conveniência caminham juntas. “Nesse cenário, os shoppings não apenas mantêm sua importância, como se consolidam como protagonistas de uma jornada de consumo mais completa, humana e conectada às novas expectativas da sociedade.”


