O investimento em automação logística vem crescendo de forma acelerada no Brasil e no mundo, impulsionado pela necessidade de ganhar eficiência e, ao mesmo tempo, pelo aumento da complexidade operacional, pressão por redução de custos e dificuldade crescente de contratação e retenção de mão de obra. Em centros de distribuição, hubs logísticos e operações intralogísticas, a necessidade de processar mais volume, com mais velocidade e menos erros, tem colocado a tecnologia no centro da estratégia operacional.
No entanto, embora o investimento em automação avance, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar tecnologia em eficiência real. Problemas como falhas na gestão de fluxo, baixa padronização de processos, excesso de etapas manuais e falta de integração entre sistemas continuam limitando os ganhos esperados.
De acordo com projeções da Fortune Business Insights, o mercado global de robótica logística deve crescer cerca de 13,9% ao ano até 2030. Já um levantamento da Deloitte aponta que mais de 75% das empresas já adotam algum nível de automação intralogística. Apesar disso, a adoção de novas tecnologias nem sempre vem acompanhada de uma revisão estrutural da operação.
Na prática, o cenário revela um descompasso entre investimento e execução. Muitas organizações direcionam recursos para tecnologias avançadas, como robôs e sistemas automatizados, sem antes resolver questões estruturais e básicas da operação, como organização de processos, desenho de layout, organização de fluxos e, principalmente, visibilidade de dados e integração entre etapas logísticas.
Esse desafio se torna ainda mais crítico diante da escassez de mão de obra. Com equipes mais enxutas e maior dificuldade para preencher posições operacionais, a automação deixa de ser apenas uma alternativa para ganho de produtividade e passa a ser uma ferramenta de apoio à continuidade da operação.
“Existe uma tendência de olhar para a automação como solução imediata, especialmente quando a empresa já está pressionada por volume, custo ou falta de mão de obra. O desafio, como muitos pensam, não está só na aplicação da tecnologia, mas sim na capacidade de implementá-la de forma consistente para que seja escalável e alinhada à realidade da operação”, afirma Murilo Namura, Head de Equipamentos da Pitney Bowes, empresa global que fornece tecnologia, logística e serviços em todo o mundo.
Segundo o executivo, um dos principais erros está no timing do investimento. Muitas empresas só buscam soluções mais robustas quando a operação já apresenta gargalos relevantes, como atrasos, retrabalho, baixa produtividade, acúmulo de pedidos ou dificuldade de absorver picos de demanda. Nesses casos, a implementação pode se tornar mais complexa, custosa e sensível para a rotina operacional.
“Quando a automação é pensada de forma reativa, ela precisa resolver problemas que poderiam ter sido evitados com planejamento. Por isso, antes de investir em tecnologia, é essencial mapear processos, entender gargalos, avaliar a dependência de tarefas manuais e identificar onde a automação realmente pode gerar impacto”, complementa Namura.
Segundo a Deloitte, organizações que implementam automação de forma reativa, após um crescimento desorganizado, podem ter custos até 30% maiores, além de enfrentar maior tempo de adaptação e risco elevado de interrupções durante a transição.
Para a Pitney Bowes, a automação logística deve ser encarada como parte de uma estratégia estruturada de eficiência operacional, e não como uma resposta emergencial. Isso inclui não apenas a adoção de equipamentos e sistemas, mas também o redesenho de fluxos internos, integração entre etapas logísticas, uso de dados para tomada de decisão e preparação da operação para ganhar escala.
“A diferença não está na tecnologia isolada, mas na capacidade de transformar esse investimento em eficiência real no dia a dia. Empresas que conseguem fazer isso de forma integrada e contínua são as que precisam processar mais volume, com menos pessoas e maior controle de forma inteligente e com menor ROI possível”, conclui o porta-voz.


