A Black Friday acontece apenas no fim de novembro, mas esperar as promoções começarem para decidir o que comprar pode sair caro. Pesquisa do Google em parceria com a Offerwise mostrou que, em julho de 2025, 48% dos brasileiros já tinham uma lista para a data, enquanto 47% admitiram agir com mais impulsividade durante o período promocional. A combinação expõe um paradoxo: saber o que se deseja comprar não significa estar financeiramente preparado para pagar.
Para Ricardo Hiraki, administrador e pós graduado, CEO e cofundador da Plano Fintech, empresa de educação financeira, agosto é um bom ponto de partida para quem pretende comprar no fim de novembro. Três meses de antecedência permitem acompanhar a variação dos preços, estabelecer quanto pode ser gasto e reservar dinheiro antes da corrida pelas ofertas.
“Planejar a Black Friday não significa decidir agora tudo o que será comprado em novembro. Significa chegar às promoções sabendo reconhecer uma oportunidade, com uma referência de preço e um limite financeiro. Quando essas respostas já existem, fica mais difícil deixar o desconto decidir pelo consumidor”, afirma Hiraki, especialista em educação financeira e CEO da Plano Fintech.
Desconto não é sinônimo de economia
Uma televisão de R$4 mil anunciada por R$3 mil ficou R$1 mil mais barata, mas ainda exige um desembolso de R$3 mil. A conta ajuda a separar duas situações que costumam se confundir: pagar menos por algo que já estava previsto e gastar dinheiro apenas porque surgiu uma oferta. Dados do Google e da Offerwise mostram que 84% dos consumidores pesquisavam para confirmar se uma promoção realmente valia a pena na edição de 2025.
“Existe uma diferença entre procurar uma promoção para algo que você já queria comprar e procurar alguma coisa para comprar porque está em promoção. É nessa inversão que o desconto estimula o consumismo. O preço caiu, mas isso não significa que aquela despesa passou a ser necessária”, ressalta o administrador e especialista em educação financeira.
6 cuidados para não transformar promoção em dívida
- Faça uma lista antes das ofertas
Defina o que realmente pretende adquirir para não transformar um desconto em uma nova necessidade. - Acompanhe os preços desde agosto
Conhecer os valores anteriores ajuda a identificar se a redução anunciada em novembro é real. - Determine quanto pode gastar
Estabeleça um limite e não aumente esse valor conforme novas oportunidades aparecem. - Junte dinheiro até novembro
Reservar uma quantia nos próximos meses reduz a dependência do cartão e das prestações. - Some as parcelas antes de assumir outra
Observe quanto das próximas faturas já está comprometido, e não somente o valor da nova prestação. - Não confunda desconto com necessidade
Se o produto não estava na lista, pergunte: eu compraria isso se não estivesse em promoção?
Parcelar agora pode comprometer 2027
O alerta ganha força porque as famílias já chegam ao segundo semestre com parte relevante da renda comprometida. Segundo o Banco Central, o endividamento estava em 49,8% em abril de 2026, enquanto 28,2% da renda era destinada ao pagamento de dívidas. No crédito livre às pessoas físicas, a inadimplência atingiu 7,6% em maio.
A Serasa amplia o sinal de atenção: em junho, 50,9% da população adulta estava negativada, com 345,5 milhões de dívidas que somavam R$579,5 bilhões. Nesse contexto, dividir uma aquisição em dez ou 12 vezes pode aliviar a fatura de novembro, mas transfere parte do gasto para o ano seguinte.
“Parcelar não é necessariamente um problema. O risco começa quando a pessoa olha apenas para o valor da nova prestação e esquece todas as outras que já estão na fatura. Antes de assumir mais uma, é preciso calcular quanto da renda dos próximos meses já está comprometido”, aponta Hiraki, CEO da Plano Fintech e especialista em educação financeira.
O risco aumenta quando não há recursos para quitar integralmente o cartão. Pelas regras em vigor desde 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura podem chegar a 100% do valor original não pago. Assim, uma dívida de R$ 1 mil pode alcançar R$ 2 mil. As prestações assumidas em novembro ainda atravessam meses com despesas como Natal, férias, IPTU, IPVA e material escolar.
A promoção também cria vontade de comprar
Contagens regressivas, estoques limitados, cupons com validade curta e alertas nos aplicativos aceleram decisões. Segundo Google e Offerwise, 53% dos brasileiros disseram comprar mais rapidamente para não perder uma oferta na edição de 2025. Para o administrador e especialista em educação financeira, a lógica deveria ser inversa: primeiro decidir o que comprar e quanto gastar; depois procurar o melhor preço.
“Uma boa promoção ajuda a pagar menos por algo que já fazia sentido comprar. Quando o desconto vira justificativa para gastar o que não estava previsto, deixa de ser economia e pode se transformar em dívida”, destaca o CEO e cofundador da Plano Fintech.
Sobre Ricardo Hiraki
Ricardo Hiraki é empreendedor e investidor em inovação e no mercado imobiliário. CEO e cofundador da Plano Fintech, é administrador com pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou por quase dez anos em posições de liderança na área financeira no ambiente corporativo, com foco em gestão, controle de custos e apoio à tomada de decisão executiva.
Desde a fundação da Plano, Hiraki passou a se dedicar à criação e ao investimento em negócios de impacto, com o objetivo de ampliar o acesso à saúde financeira no Brasil. Sua atuação está concentrada no desenvolvimento de soluções que combinam tecnologia, educação financeira e novos modelos de serviço, voltados à organização do orçamento, redução de dívidas e decisões financeiras mais conscientes.



