A forma como as pequenas e médias empresas (PMEs) enviam seus produtos está mudando. No 1º semestre de 2026, o uso de estabelecimentos comerciais para o recebimento de pacotes — do conceito de Pick up and Drop off points (PUDOs) —, ganhou espaço entre os pequenos negócios e passou a integrar de forma mais relevante suas estratégias logísticas. O volume de envios realizados por meio de pontos de recebimento cresceu 53% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o modelo já representa 39% dos envios desse perfil de empresa. Os dados fazem parte da 5ª edição do Mapa da Logística, levantamento realizado pela Loggi com dados do 1º semestre de 2026, que aponta como as PMEs estão adotando novos modelos logísticos para acompanhar a evolução do comércio eletrônico no país.
Logística mais flexível ganha espaço entre as PMEs
A expansão dos pontos de recebimento acompanha um movimento de maior diversificação das operações logísticas. Para pequenos negócios, que muitas vezes precisam conciliar diferentes etapas da operação com estruturas mais enxutas, contar com estabelecimentos comerciais para retirada e devolução de pacotes amplia as possibilidades de postagem e pode trazer mais flexibilidade para a rotina.
A mudança também reforça a busca das PMEs por modelos logísticos que acompanhem a evolução do comércio eletrônico. Para Juliana Fracchia, diretora-executiva de Receitas e Clientes da Loggi, a transformação mostra que a logística deixou de ser apenas uma etapa operacional para assumir papel cada vez mais estratégico no crescimento dos negócios: “A expansão dos pontos de envio mostra que as PMEs estão buscando uma logística mais flexível e adaptada à realidade de seus negócios. Mais do que uma alternativa para enviar produtos, esses estabelecimentos ajudam a ampliar as possibilidades de operação e dão ao empreendedor mais autonomia para escolher como e quando postar seus pedidos. À medida que o e-commerce se torna mais competitivo, ter uma logística eficiente, previsível e adequada à dinâmica de cada negócio passa a ser um diferencial importante para crescer.”
PMEs ampliam sua presença para além dos grandes centros
A transformação também aparece na distribuição geográfica das operações. As PMEs apresentam uma origem de envios mais desconcentrada do que grandes marcas: enquanto cerca de 40% dos pacotes das pequenas e médias empresas têm origem em São Paulo, entre os grandes negócios essa participação supera 67%.
Estados como Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais também ganham maior relevância entre as PMEs. Nesses mercados, respectivamente, 15%, 9% e 9% dos pacotes desse perfil de negócio têm origem local, enquanto entre as grandes marcas essas participações são de 7%, 5% e 4%.
O movimento reforça uma característica importante do novo cenário do e-commerce: a expansão das vendas online não está concentrada apenas nos grandes polos tradicionais. As PMEs apresentam presença mais relevante nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste, responsáveis por 26%, 6% e 4% de seus envios, respectivamente.
Novos mercados e categorias impulsionam o e-commerce
O movimento de expansão também aparece no desempenho dos envios em diferentes estados, considerando pequenas e médias empresas, grandes marcas e grandes marketplaces. Santa Catarina registrou o maior crescimento no primeiro semestre de 2026, com alta de 24% nos envios em relação ao mesmo período de 2025, seguida por Rio Grande do Sul (23%), Paraná (17%), Distrito Federal (10%) e Ceará (4%). Os resultados reforçam a expansão do comércio eletrônico para diferentes mercados e mostram a evolução da atividade para além dos grandes centros tradicionais.
A descentralização das operações acompanha a diversificação do consumo online e reforça a maturidade do e-commerce brasileiro, impulsionada pela atuação integrada de PMEs, grandes marcas e marketplaces e pela ampliação da presença digital em diferentes regiões do país.
Além das mudanças na distribuição das operações, o primeiro semestre foi marcado pelo avanço de diferentes categorias. Móveis e decoração registrou crescimento de 105% alimentos não perecíveis (25%) e óticas (20%). O movimento mostra que o comércio eletrônico continua incorporando novos segmentos e ampliando as oportunidades de atuação para empreendedores de diferentes perfis.
Datas comerciais reforçam a importância do planejamento logístico
O primeiro semestre também mostrou como o calendário do varejo continua influenciando a operação do e-commerce. Nas semanas do Dia do Consumidor e Dia dos Namorados, os grandes negócios registraram crescimento de 9% e 4%, respectivamente. Já a semana do Dia das Mães manteve estabilidade em relação ao período de comparação.
Apesar das particularidades de cada data, alguns padrões de consumo se repetiram. Cosméticos e perfumaria esteve entre as categorias de maior destaque em todas as três ocasiões analisadas, enquanto vestuário e moda, eletrônicos e informática e alimentos não perecíveis também apareceram com frequência entre os segmentos mais movimentados.
“Os dados reforçam que o planejamento logístico precisa acompanhar não apenas os grandes picos de demanda, mas também as mudanças no comportamento do consumidor e a diversificação dos negócios que vendem pela internet”, explica Juliana Fracchia.
Eficiência ganha relevância na experiência de entrega
A operação logística analisada no primeiro semestre percorreu 17,5 milhões de quilômetros. Em relação aos prazos, mais de um terço dos pacotes foram entregues em até dois dias, enquanto metade chegou ao destino em até três dias, sendo ambos em mais de 5 mil cidades. Os indicadores mostram a dimensão nacional para conectar empresas e consumidores em diferentes regiões e atender a uma demanda cada vez mais diversificada por eficiência e previsibilidade nas entregas.



