Dados recentes do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar mostram um cenário revelador: empresas com até quatro beneficiários representam 88% dos contratos de planos de saúde empresariais no país, mas concentram apenas cerca de 17% dos usuários totais.
Na prática, isso indica que, embora as pequenas empresas sejam maioria na contratação, o acesso efetivo ao benefício ainda é limitado, com cobertura reduzida e, muitas vezes, restrita a poucos funcionários. Entre 2020 e 2024, o número de empresas com convênio cresceu mais do que o número de beneficiários, reduzindo a média de pessoas atendidas por contrato.
Adicionalmente, as pequenas e médias empresas enfrentam um grande desafio: os reajustes elevados e sem limite definido pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) nos planos coletivos. Na prática, isso torna os custos imprevisíveis e dificulta manter o benefício ao longo do tempo. Como consequência, muitas PMEs acabam reduzindo a cobertura, dividindo custos com os colaboradores ou até cancelando o plano de saúde.
Alternativas aos planos de saúde tradicionais começam a ganhar espaço no Brasil
Diante desse cenário, novos modelos de acesso a serviços médicos começam a surgir com propostas mais adaptadas à realidade das pequenas empresas. Uma dessas iniciativas é a CrowdCare, plataforma internacional que iniciou sua operação no Brasil em 2026 e aposta no financiamento coletivo para despesas médicas.
Segundo Karina Brito, CEO da CrowdCare no Brasil, a plataforma é um fundo coletivo, exclusivamente voltado para o financiamento de despesas médicas, incluindo consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos hospitalares e clínicos.
“Temos três modalidades de adesão: o individual, o familiar (para até 4 membros) e o plano para pessoas de 54 a 64 anos. Nossos membros são pacientes particulares, ou seja, podem escolher livremente seus médicos, laboratórios e hospitais, em todo o Brasil. A cada atendimento, há uma coparticipação de R$ 250, independentemente do valor da despesa médica. A única exceção é o parto”, explica Karina.
“A CrowdCare é 100% digital. O nosso aplicativo centraliza todos os serviços com foco na experiência do usuário. Com isso, nossos membros podem usar a plataforma para se comunicar com a empresa, solicitar o reembolso das despesas, além de falar com nossos consultores de saúde, 24 horas por dia, 7 dias da semana”, relata a executiva.
A empresa também disponibiliza, por meio do aplicativo, consultas médicas por telemedicina, psicoterapia online, descontos em medicamentos e cobertura para vacinas fora do calendário do Ministério da Saúde.
Alternativa acessível e previsível
Karina afirma que a proposta da CrowdCare é reduzir as barreiras de entrada nos planos de saúde e dar mais previsibilidade, seja para pessoas físicas ou para às empresas.
“Grande parte das pequenas empresas quer oferecer algum tipo de benefício de saúde, mas não consegue viabilizar isso dentro do modelo tradicional. O financiamento coletivo surge como uma alternativa mais acessível e previsível”, afirma.
Um dos principais diferenciais da CrowdCare é a possibilidade de adesão sem exigência de número mínimo de vidas — um dos entraves mais comuns para pequenas empresas. Isso permite que negócios com poucos funcionários consigam oferecer o benefício de forma mais ampla, sem a necessidade de restringir o acesso a apenas parte da equipe.
Outro ponto é a previsibilidade de custos, com mensalidades fixas a partir de R$ 250, o que facilita o planejamento financeiro — especialmente em contraste com os reajustes variáveis dos planos tradicionais. O reajuste da CrowdCare é anual, baseado nos índices comumente usados no Brasil, como o IPCA.
Um novo público entra no radar
Além das PMEs, o modelo da CrowdCare também começa a atender um público historicamente pouco contemplado: os empregados domésticos, como babás, cuidadores de idosos, empregadas domésticas e outros funcionários da categoria.
“O modelo da CrowdCare é para todos, ou seja, para pessoas físicas, para trabalhadores do mercado informal, para profissionais liberais e pode, também, ser oferecido como um benefício para trabalhadores das PMEs e da categoria dos empregados domésticos”, comenta a executiva.
“Não há dúvidas de que tendência é que pequenas e médias empresas passem a buscar soluções mais flexíveis e sustentáveis no longo prazo. Nesse cenário, o benefício de saúde deixa de ser um modelo único e passa a assumir novos formatos, mais alinhados à realidade financeira e operacional das empresas”, finaliza Karina.


