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Temu e Shein Redefinem o E-commerce Turco Após Mudanças Regulatórias

O cenário do comércio eletrônico na Turquia está passando por uma transformação significativa com a retirada parcial das gigantes chinesas Temu e Shein, impulsionada por novas medidas fiscais e regulatórias. Essa mudança promete reequilibrar a competição e direcionar um volume de negócios estimado em US$ 1,5 bilhão para marketplaces domésticos, embora haja preocupações sobre potenciais efeitos inflacionários.

O Impacto da Retirada

As plataformas chinesas Temu e Shein, conhecidas por suas estratégias de preços agressivos e rápido crescimento, reduziram drasticamente suas operações transfronteiriças na Turquia. A Shein suspendeu temporariamente suas vendas no país, enquanto a Temu encerrou as entregas internacionais, focando agora apenas em produtos de fornecedores locais. Essa decisão é vista como um “reequilíbrio da concorrência” por alguns, mas outros alertam para o fim da era das compras de baixo custo para muitos consumidores, especialmente os mais jovens e com orçamento limitado.

Seyhun Özkara, membro do conselho de comércio eletrônico da União das Câmaras e Bolsas de Mercadorias da Turquia (TOBB), destacou as consequências mistas. “Importadores de produtos de baixo custo agora venderão através de plataformas domésticas. No entanto, alguns aumentos de preços são prováveis, pois o desaparecimento da concorrência direta de preços cria espaço para margens mais altas, o que pode ter efeitos inflacionários”, explicou.

Mudanças Regulatórias Detalhadas

As novas regulamentações que levaram a essa mudança começaram a ser implementadas em 21 de agosto de 2024, com a redução da isenção de impostos para compras individuais do exterior de 150 euros para 30 euros. Em 27 de dezembro de 2024, os custos de envio foram incluídos nesse limite de 30 euros. Finalmente, em 7 de janeiro de 2026, um decreto publicado no Diário Oficial aboliu completamente as isenções de compras duty-free, com efeito a partir de 6 de fevereiro de 2026.

A decisão da Temu de limitar suas vendas a produtos de armazéns locais ocorre em meio a um escrutínio crescente sobre as operações de comércio eletrônico transfronteiriço na Turquia. Em 21 de janeiro, a Autoridade de Concorrência turca realizou uma inspeção em seu escritório na Turquia. A autoridade afirmou que a ação fazia parte de uma revisão preliminar de rotina e não constituía o lançamento de uma investigação formal. Houve relatos conflitantes sobre a apreensão de equipamentos digitais durante a inspeção, com a Autoridade de Concorrência negando a confiscação, enquanto um porta-voz da Temu informou que laptops e computadores foram levados.

Projeções de Mercado

De acordo com Özkara, o volume de transações da Temu na Turquia atingiu 43 bilhões de liras turcas em 2024 e aumentou 40% para 60 bilhões de liras em 2025. Com as novas restrições, espera-se que cerca de US$ 1,5 bilhão em vendas sejam transferidos para empresas que importam e vendem através de plataformas locais, enquanto a demanda por alternativas domésticas também pode aumentar. Observadores da indústria sugerem que a combinação de custos de importação mais altos e fiscalização mais rigorosa pode levar outras plataformas estrangeiras a reconsiderar seus envios diretos ao consumidor para a Turquia.

Fontes

  • Temu, Shein retreat alters Turkish e-commerce market – Hürriyet Daily News.
  • Chinese e-commerce platform Temu halts overseas orders for Turkey – Turkish Minute.

IA e automação impulsionam empresas no digital: o que isso significa para marcas no Brasil?

No horizonte de 2025, o mercado mundial de marketing vive uma reviravolta. Segundo projeções atualizadas da WPP Media, os gastos globais em publicidade devem crescer 8,8% neste ano, alcançando cerca de US$ 1,14 trilhão, número revisado para cima após um período de incertezas macroeconômicas e graças em grande parte ao impulso dado por ferramentas de inteligência artificial e pela aceleração da mídia digital. Paralelamente, o relatório da agência global Dentsu indica crescimento de 7,9% nos investimentos em publicidade digital em 2025, com esse mercado devendo representar cerca de 68,4% do total mundial. 

Nesse contexto, surge uma oportunidade clara para empresas que dominam automação, CRM e mensagens: ao combinar dados, tecnologia e IA, essas organizações podem disputar não apenas volume de verba publicitária, mas eficiência e escala com muito mais assertividade.

Quem enxerga essa tendência de perto é Luiz Santos, fundador da Unnichat, plataforma de CRM e automações via API oficial do WhatsApp. Com vasta experiência em marketing digital, lançamentos e automação de conversas, ele observa como a automação inteligente pode tornar investimentos de marketing mais eficientes e competitivos. Para Luiz, “às vezes o sucesso não está no quanto você gasta em mídia, mas em como você conversa com quem importa, com dados, contexto e personalização, com economia e escala”.

A ascensão dos gastos com publicidade digital global reflete uma transformação estrutural: o marketing está migrando de modelos de massa e interrupção para modelos orientados por dados e contexto. Plataformas digitais, redes sociais, buscadores, apps de mensagem, concentram o tráfego e exibem performance cada vez maior. Com isso, a automação e a IA tornam-se aliadas essenciais para interpretar dados, segmentar públicos, converter leads e gerar relacionamento contínuo.

A IA não se limita à veiculação de anúncios: ela permite automações sofisticadas, personalização em escala, unificação de dados próprios (first‑party data) e mensuração precisa de resultados. Conforme um relatório da consultoria local citado pela PwC, empresas que incorporam IA de modo estratégico podem obter ganhos de produtividade entre 20% e 30%, além de acelerar o tempo de entrada no mercado e aumentar a receita. 

Para marcas no Brasil, muitas vezes com orçamentos menores que grandes corporações, essa combinação de automação + dados + IA representa uma chance de competir em pé de igualdade, com estruturas mais enxutas e maior agilidade.

Com o boom do marketing digital, o desafio deixou de ser apenas “fazer barulho” e passou a ser “ser relevante”. Nesse contexto, o CRM 3.0, isto é, a gestão de clientes apoiada em dados próprios, automação e IA, emerge como diferencial competitivo. Ele permite acompanhar toda a jornada do cliente: da origem do lead, passando por interações, até conversão e pós-venda, com comunicação personalizada e orquestrada.

Automatizações via canais de mensagem e integração com CRM trazem vantagens como: conversas 1:1 em escala, segmentação precisa, persistência do relacionamento, agilidade na resposta, nutrição e reativação de leads, tudo com dados que pertencem à marca. Como observa o especialista em marketing digital: “Com automação bem estruturada, você transforma o lead em relacionamento, e não em estatística. Isso muda a lógica da conversão.”

Além disso, em um mercado onde a concorrência por atenção cresce, a capacidade de acelerar processos e personalizar comunicação pode ser o divisor de águas entre ser só mais um e se destacar.

Para empresas brasileiras, algumas recomendações são cruciais:

  • Investir em tecnologia e automação, preferencialmente com soluções que lidam diretamente com dados próprios e API oficial.
  • Mapear a jornada do cliente, segmentar públicos e construir fluxos personalizados em CRM + automação.
  • Usar a IA como aliada, mas sempre com governança clara, dados limpos, consentimento e transparência.
  • Mensurar resultados com métricas além de cliques, considerar conversão, retenção, engajamento e valor por cliente.
  • Combinar mídias pagas, automação e relacionamento contínuo para maximizar eficiência com menor custo.

Para Luiz Santos, essa é a grande virada: “Hoje, a disputa não é por quem compra mais mídia, mas por quem converte melhor com menos ruído. A automação bem aplicada dá essa vantagem competitiva a quem se prepara,” conclui.

Duo&Co Investe na Wave Commerce para Turbinar E-commerce e Marketplaces

O Grupo Duo&Co anunciou a aquisição de 20% da Wave Commerce, uma movimentação estratégica que visa fortalecer sua atuação nos setores de e-commerce, marketplace e publicidade digital para lojas virtuais. A parceria projeta um crescimento significativo para ambas as empresas, com a Wave visando R$ 15 milhões em faturamento em dois anos e a Duo&Co com a meta de R$ 100 milhões em 2026.

Fortalecendo o Ecossistema Digital

A união das duas companhias responde a uma demanda crescente do mercado por soluções integradas. Marcas digitais buscam cada vez mais modelos de negócios completos, com uma visão unificada de crescimento e capacidade de execução, em vez de abordagens fragmentadas com múltiplos fornecedores. Para os clientes, isso se traduz em acesso a um ecossistema qualificado de verticais, com equipes especializadas e uma entrega preparada para escalar de forma consistente.

Visão Estratégica e Integração de Serviços

João Brognoli, CEO e fundador da Duo&Co, destacou que a entrada da Wave aprimora a capacidade de execução do grupo em áreas cruciais para marcas digitais. “A Wave soma profundidade e velocidade na nossa vertical de e-commerce, marketplace e apps. Quando você conecta especialistas, método e estrutura, o cliente ganha clareza de rota e performance com consistência. Este movimento nos aproxima da nossa visão de uma entrega realmente completa.”

A integração amplia o portfólio de serviços combinados, que agora inclui desenvolvimento de e-commerce e aplicativos, CRM, mídias sociais, SEO, branding, performance, operação em marketplace, ASO, design e CRO. As equipes já colaboram em mais de seis clientes, o que deve acelerar a criação de ofertas integradas e novas oportunidades de crescimento.

Impacto e Alcance da Wave Commerce

Jonathan Cardoso, que continua liderando a Wave Commerce, vê a aquisição como um passo fundamental para expandir o alcance e a consistência da entrega. “A Wave sempre teve um compromisso muito claro com resultado, mas sem abrir mão de credibilidade e responsabilidade. Com a Duo&Co, ganhamos ainda mais força para conectar competências, acelerar projetos e oferecer uma solução mais completa para marcas que querem crescer com maturidade em e-commerce, marketplace e apps.”

Fundada em 2017, a Wave atende médias e grandes empresas em 10 países, com clientes como Amazon, Claro, Fini, Arezzo&Co, Friopeças, Termolar e Grêmio. A empresa possui reconhecimentos como GPTW e premiações no universo de e-commerce e performance, além de parcerias com plataformas como VTEX, Shopify e Nuvemshop.

Perspectivas do Mercado

O e-commerce brasileiro continua em expansão, com projeções da ABComm indicando um faturamento de R$ 234,9 bilhões para o final de 2025. Esse cenário reforça a importância de modelos operacionais integrados e a busca por soluções que ofereçam uma visão completa do negócio digital.

A Latitud Partners atuou como assessor financeiro exclusivo nesta transação.

Fontes

  • Grupo Duo&Co adquire participação na Wave para ampliar atuação em e-commerce, marketplace e apps, TI INSIDE Online.

União Inesperada: Lulistas e Bolsonaristas Concordam Contra Privilégios a E-commerce Estrangeiro

Uma pesquisa recente revela um surpreendente alinhamento entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Ambos os grupos demonstram forte oposição a benefícios concedidos a plataformas de comércio eletrônico estrangeiras em detrimento das empresas brasileiras. A “taxa das blusinhas”, implementada em 2024, que impõe um imposto de 20% sobre importações de sites internacionais, é o foco dessa convergência.

Convergência Nacional Contra Concorrência Desleal

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva em dezembro de 2025, com 2.500 brasileiros maiores de 18 anos, aponta que 81% dos eleitores de Lula e Bolsonaro no segundo turno de 2022 concordam que não votariam em um candidato que defenda privilégios para empresas estrangeiras em relação às nacionais. Este dado demonstra uma rara unidade em um cenário político frequentemente polarizado.

Avaliação do Governo e Opinião Pública

O sentimento de oposição a benefícios para o e-commerce estrangeiro se mantém consistente, independentemente da avaliação do governo Lula. Entre aqueles que consideram a gestão ruim ou péssima, 87% apoiam medidas para desenvolver a indústria e o varejo nacional, em vez de onerar empresas brasileiras em comparação às estrangeiras. Entre os que avaliam o governo como ótimo ou bom, o índice de aprovação dessa afirmação é de 82%, e de 81% entre os que o consideram regular.

A “Taxa das Blusinhas” e o Mercado Brasileiro

A “taxa das blusinhas”, criada em 2024, estabeleceu um imposto de 20% sobre produtos importados por sites internacionais, majoritariamente asiáticos. A medida visa equilibrar a concorrência, já que muitas dessas importações entravam no país com isenção ou tributação reduzida, prejudicando o varejo e a indústria nacional. A proteção de empregos, a garantia de um ambiente competitivo justo e o aumento da arrecadação são pontos centrais que unem diferentes espectros políticos nessa discussão.

Impacto e Futuro da Regulamentação

A convergência de opiniões sobre a tributação do e-commerce estrangeiro sinaliza um potencial para debates econômicos mais pragmáticos no Brasil. A defesa do setor produtivo nacional, sem desvantagens tributárias frente a concorrentes internacionais, parece ser uma pauta capaz de mobilizar consensos amplos no eleitorado, transcendendo alinhamentos partidários e avaliações políticas distintas.

Fontes

  • Brasileiro é contra privilégio a e-commerce estrangeiro – 26/01/2026 – Painel, Folha de S.Paulo.
  • Lulistas e bolsonaristas unidos contra privilégio de e-commerce estrangeiro, Jornal Digital da Região Oeste.
  • Pesquisa revela convergência de eleitores contra privilégios a e-commerce estrangeiro, Brasil 247.

Entregas mais rápidas com logística inteligente

A logística vive um ponto de inflexão em que eficiência, velocidade e previsibilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos mínimos. O que antes dependia de decisões manuais, controles fragmentados e análises baseadas em estimativas agora exige precisão contínua. A transformação digital chega para preencher esse vazio entre a complexidade crescente das operações e a capacidade humana de monitorá-las em tempo real. Os maiores gargalos do setor sempre estiveram ligados à falta de visibilidade, aos processos pouco integrados e à dificuldade de antecipar riscos ou picos de demanda. Sem dados atualizados, as operações perdem ritmo, a roteirização se torna ineficiente, a comunicação falha e as decisões chegam atrasadas. Quando tecnologias avançadas entram em cena, do rastreamento em tempo real ao uso de inteligência artificial, esse ciclo começa a se inverter.

A evolução da logística digital é moldada por um conjunto de tecnologias que trabalham de forma complementar. A inteligência artificial e o machine learning elevam a previsibilidade ao aprender padrões e ajustar decisões operacionais com mais precisão do que qualquer análise manual conseguiria produzir. A Internet das Coisas cria uma camada de visibilidade inédita, conectando veículos, equipamentos e centros de distribuição por meio de sensores que transmitem localização, temperatura, desempenho e integridade da carga minuto a minuto. A integração via APIs elimina silos tecnológicos ao permitir que sistemas de gestão conversem com fluidez, evitando retrabalhos e acelerando fluxos. A simulação de cenários com digital twins permite testar rotas e estratégias antes de executá-las, reduzindo riscos e aprimorando processos. Big data organiza volumes massivos de informações e transforma o caos em inteligência acionável, enquanto a automação e a robotização assumem tarefas repetitivas com mais precisão e menos falhas. O cloud computing e os modelos SaaS ampliam o acesso a essas soluções ao garantir infraestrutura escalável, segura e sempre atualizada.

A digitalização deixa seus impactos mais claros quando se observa o efeito direto sobre previsibilidade, custos, produtividade e experiência do cliente. Operações passam a ser guiadas por informações atualizadas e não por estimativas, o que reduz surpresas e melhora o planejamento. A eliminação de processos manuais diminui erros, deslocamentos desnecessários e retrabalhos, gerando economia. O ganho de produtividade nasce da automação de tarefas e da capacidade das equipes de agir com base em dados consistentes. A jornada do cliente se torna mais transparente e confiável, já que os prazos passam a ser cumpridos com mais rigor e o status das entregas se mantém acessível do início ao fim.

Para alcançar maturidade digital, empresas percorrem um caminho contínuo que vai da digitalização básica ao uso de inteligência operacional avançada. O processo começa pela substituição de controles manuais por sistemas unificados. Evolui com a integração entre áreas, avança para a automação, amadurece com a adoção de análises preditivas e se completa quando tecnologias como IA e soluções SaaS trabalham de forma contínua para orientar decisões em tempo real. É um percurso que transforma não apenas a tecnologia usada, mas a forma como a operação se organiza.

O trajeto, no entanto, não é isento de barreiras. Os obstáculos mais comuns são culturais, quando equipes se prendem a rotinas antigas ou resistem à adoção de ferramentas digitais. Há também limitações tecnológicas, especialmente em empresas que ainda dependem de sistemas que não se integram. E existe o fator financeiro, sendo que muitas vezes a inovação é tratada como custo e não como investimento, atrasando movimentos que poderiam reduzir despesas no médio prazo. Superar esses pontos exige mudança de mentalidade e visão estratégica sobre o papel da tecnologia na perenidade do negócio.

A transformação digital impulsiona uma logística mais sustentável ao reduzir deslocamentos desnecessários, aumentar o aproveitamento da frota e minimizar as emissões. Decisões orientadas por dados diminuem desperdícios e tornam cada rota mais eficiente. A manutenção preditiva prolonga a vida útil dos equipamentos e cria operações mais responsáveis ambientalmente.

Tendências que reforçam decisões em tempo real devem moldar o futuro. A IA generativa tornará o planejamento e o atendimento ainda mais rápidos. A expansão de IoT ampliará a visibilidade sobre volumes e rotas. O crescimento de soluções SaaS facilitará a integração e reduzirá custos. Pressões por eficiência e sustentabilidade vão acelerar tecnologias capazes de otimizar deslocamentos e aumentar produtividade. A logística digital avança em direção a um ecossistema mais ágil, conectado e inteligente, no qual decisões se renovam continuamente e a operação acompanha o ritmo dinâmico das cidades e das demandas do consumidor.

28/01 é Dia Internacional da Proteção de Dados: por que o Brasil entrou no radar do cibercrime global?

No Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado em 28 de janeiro, o Brasil enfrenta um paradoxo cada vez mais evidente: ao mesmo tempo em que se consolida como um dos países mais avançados em digitalização financeira, também se torna um dos territórios mais vulneráveis a ataques cibernéticos.

Cerca de 300 milhões de registros pessoais de brasileiros já foram expostos na dark web, segundo levantamento da Proton por meio do Dark Web Observatory. O impacto financeiro acompanha essa escalada: de acordo com o relatório da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões, colocando o país entre os mais caros do mundo quando o assunto é vazamento de informações.

Para especialistas, o cenário não pode ser tratado como um conjunto de episódios isolados, mas como um problema estrutural.“O Brasil passou a atrair mais atenção de grupos maliciosos à medida que avançou rapidamente na digitalização de serviços essenciais, como pagamentos, crédito e compartilhamento de dados. Esse movimento trouxe muitos ganhos, mas também criou desafios importantes em segurança da informação, que ainda evoluem em ritmos diferentes entre setores. Fatores como grandes vazamentos de dados, a rápida expansão do PIX e do Open Finance, somados a níveis variados de maturidade em proteção de dados entre as empresas, ajudam a explicar algumas fragilidades do ecossistema digital brasileiro”, avalia o especialista em segurança cibernética, CEO e fundador da Security First, Fernando Corrêa.

Digitalização acelerada e superfície de ataque ampliada

O Brasil se transformou rapidamente em um laboratório de inovação financeira. O PIX registrou cerca de 313,3 milhões de transações em um único dia, em 5 de dezembro de 2025. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central possui mais de 1,5 bilhão de chaves cadastradas e 170 milhões de usuários pessoa física, segundo dados do Banco Central (BC).

Na mesma velocidade, o Open Finance ultrapassou 143 milhões de consentimentos ativos e cerca de 70 milhões de contas conectadas, envolvendo mais de 800 instituições participantes, de acordo com informações também divulgadas pelo BC.

Esse avanço, embora claramente positivo para a eficiência do sistema financeiro, também contribuiu para ampliar a chamada “superfície de ataque”, um efeito esperado em ambientes cada vez mais digitais. “Empresas de diferentes setores passaram a lidar diariamente com grandes volumes de dados sensíveis, que vão desde informações cadastrais até hábitos de consumo e preferências pessoais. Quando ocorrem incidentes de segurança, os impactos tendem a se propagar com mais rapidez, favorecendo fraudes mais complexas. No setor financeiro, que opera com transações em tempo real e movimenta recursos diretamente, esses desafios exigem atenção contínua, já que os ataques costumam ser mais frequentes e direcionados”, afirma Fernando Corrêa, da Security First.

O setor financeiro no centro dos ataques

Security Report 2025, da Check Point Software, mostra que, entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, cada instituição financeira brasileira sofreu, em média, 1.752 ciberataques por semana. O volume coloca o Brasil no topo do ranking global de ataques ao setor financeiro, acima da média mundial registrada em 2024, de 1.673 ataques semanais por empresa. Segundo o relatório, esse aumento está relacionado ao avanço acelerado da digitalização no país e à exploração de falhas em aplicações web, APIs e em serviços amplamente utilizados, como o PIX.

Casos concretos reforçam a gravidade do problema. Um dos episódios mais emblemáticos de 2025 foi a invasão à C&M Software, empresa responsável por custodiar transações via PIX entre instituições financeiras e o Banco Central. O ataque ocorreu por meio do uso indevido de credenciais internas, envolvendo um insider, e resultou no comprometimento de contas de reserva de pelo menos seis instituições financeiras, incluindo BMP, Banco Paulista, Credsystem e Banco Carrefour, conforme reportado pela ESET.

“É fundamental que empresas e consumidores compreendam o valor dos dados que produzem e compartilham. Nome, endereço, histórico financeiro e hábitos de consumo precisam ser tratados como ativos críticos, em conformidade com a LGPD”, destaca o diretor de Negócios da Lina Open X, Murilo Rabusky.

Para Murilo, a exposição do Brasil não se explica apenas por falhas tecnológicas, mas também pela baixa consciência do usuário sobre o valor dos próprios dados.“Em um ambiente cada vez mais digitalizado, os consumidores têm um papel vital na proteção das informações que compartilham. É essencial conhecer seus direitos — como acesso, correção e exclusão de dados — e adotar boas práticas, verificando a legitimidade das empresas, utilizando canais seguros e compreendendo como e por que seus dados estão sendo utilizados”, afirma.

Fraudes bilionárias e a migração do crime para carteiras digitais e criptoativos

O avanço dos meios digitais de pagamento — que inclui bancos, carteiras digitais, PIX e criptoativos — trouxe mais eficiência, velocidade e inclusão financeira para milhões de brasileiros. Paralelamente, como ocorre em qualquer ecossistema financeiro em expansão, surgem também tentativas de uso indevido dessas tecnologias por criminosos. O ponto central, no entanto, é que o mercado evoluiu de forma consistente em infraestrutura, regulação e segurança, com fintechs, infratechs e exchanges investindo continuamente em prevenção a fraudes, monitoramento de transações e educação do usuário.

Ainda assim, o crime digital no Brasil deixou de se restringir às fraudes bancárias tradicionais. Com a popularização de plataformas de pagamento instantâneo e ativos digitais, cibercriminosos passaram a tentar explorar ambientes de alta liquidez e velocidade de transação, não por fragilidade da tecnologia em si, mas pelo uso de engenharia social, falhas humanas e contas intermediárias.

Segundo a Serasa Experian, a expectativa foi impedir que, até o final de 2025, mais de R$ 70 bilhões chegassem às mãos de golpistas. Mesmo com esse esforço, o setor financeiro registrou alta de 21,5% nas fraudes em 2025 na comparação com o ano anterior, impulsionada principalmente por golpes envolvendo transferências instantâneas, mensagens falsas, contatos não solicitados e a falta de verificação por parte do usuário, práticas que afetam bancos, fintechs e plataformas digitais de forma transversal.

No caso dos criptoativos, investigações recentes apontam que eles podem ser utilizados como etapa posterior em esquemas de lavagem de dinheiro, especialmente quando há desconhecimento técnico ou descuido por parte do usuário. Especialistas destacam, porém, que o mercado cripto é hoje um dos que mais investem em rastreabilidade, compliance e ferramentas antifraude, com transações registradas em blockchain, monitoramento contínuo e atuação conjunta com autoridades.

Mais do que desconfiar da tecnologia, o cuidado deve estar na forma como o usuário interage com ela: desconfiar de mensagens não solicitadas, verificar padrões de comunicação do banco ou da plataforma, não compartilhar dados e utilizar apenas empresas reconhecidas, que contam com estrutura robusta de segurança e prevenção a riscos.

Ransomware e IA: uma ameaça em múltiplas frentes

O avanço do ransomware — ataque cibernético em que criminosos sequestram dados ou sistemas e exigem pagamento para sua liberação — é outro fator que ajuda a explicar por que o Brasil entrou definitivamente no radar do cibercrime global.

Segundo a Juniper Research, as perdas globais causadas por fraudes digitais podem chegar a US$ 400 bilhões até 2027, impulsionadas pela crescente digitalização e pela sofisticação dos métodos de ataque.

“As táticas de fraude estão em constante evolução, com criminosos utilizando tecnologias cada vez mais avançadas para enganar sistemas e pessoas. Isso gera perdas financeiras relevantes, aumento de custos operacionais, sobrecarga das equipes com investigações manuais, além de impacto direto na confiança de clientes e parceiros”, explica o Martech Leader da Keyrus, Lucas Monteiro.

Paralelamente, a Inteligência Artificial (IA) transformou o cenário dos golpes digitais. No Brasil, os deepfakes cresceram 830% entre 2022 e 2023, segundo o Relatório de Fraude de Identidade da Sumsub, ocorrendo com frequência cinco vezes maior do que nos Estados Unidos.

“Casos como a imagem falsa do Papa Francisco com um casaco da Balenciaga ou vídeos fabricados de explosões no Pentágono mostram como conteúdos sintéticos podem impactar mercados financeiros e a opinião pública em questão de minutos”, exemplifica o palestrante de Inteligência Artificial, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro “Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes”, Kenneth Corrêa.  

Em 2024, a empresa britânica Arup transferiu US$ 25 milhões para golpistas após uma videoconferência com executivos inteiramente gerados por IA. No Brasil, criminosos também passaram a replicar a imagem e a voz de jornalistas e políticos para aplicar fraudes financeiros.

“É fundamental que essas tecnologias sejam implementadas com responsabilidade, seguindo princípios de equidade, inclusão e prestação de contas. O uso ético da IA precisa estar no centro da transformação digital”, destaca Kenneth Corrêa.

LGPD, conscientização e o elo mais frágil

Apesar dos avanços regulatórios, a maturidade ainda é desigual. Cinco anos após a entrada em vigor da LGPD, cerca de 80% das empresas brasileiras ainda não estão totalmente adequadas à legislação, segundo pesquisa do Grupo Daryus.

Do lado do cidadão, o desafio é ainda maior: 20% dos brasileiros desconhecem a LGPD, de acordo com a Kaspersky, enquanto dados do DataSenado indicam que 24% da população já foi vítima de golpes digitais.

Para Lucas Monteiro, da Keyrus, o equilíbrio entre privacidade e uso estratégico de dados exige governança sólida e investimento contínuo. “Quando um consumidor compartilha dados em um e-commerce ou programa de fidelidade, ele precisa ter segurança. Ao mesmo tempo, as empresas precisam desses dados para personalizar experiências. O desafio está em criar um ambiente de confiança, com anonimização, consentimento claro e políticas robustas de segurança”, pontua.

Um problema estrutural e coletivo

O avanço do Open Finance e da digitalização financeira não deve ser interrompido, mas precisa ser acompanhado de governança, segurança e transparência. Um estudo da PwC mostra que 90% dos consumidores brasileiros consideram a proteção de dados decisiva para confiar em empresas, ao mesmo tempo em que exigem experiências personalizadas.

“Estamos entrando em uma era em que a privacidade deixou de ser apenas um direito e passou a ser uma expectativa básica da experiência digital. No entanto, isso só será sustentável se a segurança da informação for tratada como pilar estratégico, e não como um custo operacional”, destaca Lucas Monteiro.

Para Fernando Corrêa, da Security First, o enfrentamento desse cenário exige mudança de mentalidade. “A transformação digital é irreversível e trouxe ganhos inegáveis para a economia brasileira. Mas, sem segurança, governança e responsabilidade no uso dos dados, o país continuará ampliando sua exposição. Proteger informações precisa se tornar um compromisso inegociável de empresas, governos e da própria sociedade”, finaliza.

PMEs: Apenas 4,5% operam com alta eficiência digital no Brasil

Diante dos avanços no mercado da tecnologia e das mutações no comportamento do consumidor, as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) precisam ficar em alerta para investimentos inteligentes em tecnologia, para assim acompanhar as tendências do mercado. 

Segundo a Pesquisa de Maturidade Digital da ABDI, mesmo com a digitalização absorvendo 70% do setor, somente 4,5% das empresas operam com alto nível de eficiência digital. Isso indica que atualmente, cerca de 95,5% das empresas no mercado ainda sofrem com a estabilidade e desempenho da infraestrutura digital. 

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), também revela em um levantamento que 66% das micro e pequenas empresas nacionais ainda percorrem os estágios 1 e 2 de adoção da tecnologia em suas operações, sem evoluir dos estágios iniciais de maturidade digital. 

Para viabilizar financeiramente as operações dentro das organizações, a estabilidade da rede é um fator determinante. Visando mitigar os riscos operacionais, a Claro empresas criou um guia prático para as empresas testarem a velocidade da internet no dia a dia. 

Além das interrupções nas transações financeiras em tempo real, a instabilidade da conexão pode gerar falhas na sincronização de sistemas de gestão (ERP) e trazer prejuízos à imagem comercial da marca perante os consumidores. 

Conectividade e infraestrutura para IA e nuvem.

Segundo o Ministério das Comunicações (MCom), a tecnologia de fibra óptica integrada à expansão da cobertura 5G, que atingiu mais de 2 mil cidades brasileiras, permite o suporte a vários usuários em ferramentas de alto consumo de dados ao mesmo tempo. Isso acontece pela estabilidade da fibra que elimina as oscilações de sinal, garantindo a união do desempenho humano junto à capacidade dos softwares contratados. 

Na atualidade, 47% das PMEs brasileiras já adotaram ou planejaram a implementação de projetos de Inteligência Artificial, de acordo com a Serasa Experian. Para a execução das iniciativas, a infraestrutura de rede é um requisito técnico primordial. 

Ferramentas de IA e Computação em Nuvem atuam sob a demanda massiva de tráfego de dados. O uso da fibra óptica contribui para assegurar que o trâmite de dados ocorra corretamente, além de permitir que a automação dos processos entregue os índices de agilidade de acordo com os planos de negócios. 

Segurança de dados e eficiência no atendimento digital ao cliente.

A conformidade com a LGPD e a qualidade da comunicação, que possuem relação direta com a segurança da informação, dependem inteiramente da performance adequada da rede. Para possibilitar a realização de backups automáticos e em grande volume na nuvem, a estabilidade da fibra óptica maximiza a resistência das PMEs contra incidentes como o roubo de dados (ransomware). 

O fluxo permanente de dados proporciona a recuperação em tempo reduzido do sistema de janelas, estabelecendo a continuidade da operação e proteção do patrimônio digital das empresas. 

Entretanto, a conexão com baixa latência reflete na celeridade dos canais de suporte e atendimento ao cliente. Em um mercado onde a velocidade é essencial, a fibra óptica também elimina falhas em serviços de VoIP, sistemas de atendimento automatizado e videochamadas. 

Um diferencial estratégico para 2026 é o fluxo de comunicação ininterrupto, que impacta diretamente na taxa de conversão de vendas e na conservação de clientes em plataformas digitais.

IA no E-commerce: BTG Pactual Revela quem vence ou perde no Novo Mercado Digital

O BTG Pactual analisa a ascensão do “comércio conversacional” impulsionado pela inteligência artificial, com o ChatGPT emergindo como um novo player no cenário do e-commerce. Essa evolução promete beneficiar algumas empresas enquanto desafia outras, alterando fundamentalmente a dinâmica de vendas online.

A Nova Fronteira do Comércio Conversacional

O “comércio conversacional”, impulsionado por ferramentas como o ChatGPT, está saindo da fase experimental para se tornar uma realidade econômica. O BTG Pactual destaca a crescente integração do ChatGPT no ecossistema do e-commerce, onde comerciantes da Shopify já pagam uma taxa de transação de 4% sobre vendas realizadas através da plataforma. Essa movimentação é vista pelos analistas como a OpenAI lançando uma nova camada de marketplace.

A distribuição, historicamente um gargalo para vendedores digitais, está sendo abordada de forma inovadora. Enquanto a Amazon resolveu a descoberta de produtos através de pesquisa, o ChatGPT propõe uma interface diferente, onde os usuários descrevem suas necessidades em linguagem natural, em vez de usar palavras-chave. Com mais de um milhão de comerciantes Shopify acessíveis e bilhões de consultas anuais relacionadas a produtos, o ChatGPT já opera em uma escala comparável a marketplaces de médio porte.

Vantagens de Custo e Estrutura

Uma das principais disrupções apontadas pelo BTG reside nos custos. Na Amazon, um vendedor com US$ 1 milhão em volume bruto de mercadorias pode pagar entre 25% a 30% em taxas antes da logística, incluindo taxas de referência e publicidade. Em contrapartida, a taxa de transação de 4% do ChatGPT, combinada com o processamento de 2,9% do Shopify, resulta em um custo total de cerca de 7%. Essa estrutura é significativamente mais barata que a de concorrentes como Walmart, TikTok Shop e Etsy, com a vantagem adicional da ausência de promoção obrigatória ou sistemas de licitação.

Como o ChatGPT Transforma a Experiência de Compra

Quando um usuário faz uma pergunta relacionada a compras, como “melhor tênis de corrida por menos de R$ 500”, o ChatGPT exibe produtos relevantes da internet. Esses resultados são orgânicos e classificados por relevância. Se um produto for compatível com o “Instant Checkout”, o usuário pode finalizar a compra diretamente no chat, utilizando métodos de pagamento expressos ou cartões já cadastrados. Essa funcionalidade, inicialmente disponível para usuários nos EUA com vendedores do Etsy e posteriormente expandida para lojistas da Shopify, promete simplificar o processo de compra.

Impacto nos Players do Mercado

O BTG considera a entrada do ChatGPT como um marketplace um movimento estrategicamente negativo para plataformas estabelecidas que dependem de pesquisa paga, como Amazon e Google Shopping. Para o Shopify, a OpenAI surge como um aliado poderoso, ampliando o alcance dos comerciantes sem adicionar atrito. Vendedores podem se beneficiar de um canal com menor risco, onde a relevância do produto volta a ser uma vantagem competitiva. No entanto, permanece a dúvida sobre a sustentabilidade da monetização da OpenAI a longo prazo e se a plataforma conseguirá resistir à convergência para modelos de escassez paga.

Fontes

IA e No Code já impulsionam 70% dos novos aplicativos e mudam a lógica de criação de tecnologia

A combinação de Inteligência Artificial com plataformas No Code e Low Code está transformando a criação de produtos digitais. Empresas e empreendedores agora conseguem desenvolver aplicações complexas de forma mais rápida, gastando menos e sem depender tanto de times técnicos especializados. Os números comprovam essa virada: segundo o Gartner, até 70% das novas aplicações de empresas já são feitas com plataformas low code ou no code. É um reflexo direto da busca por mais agilidade e eficiência no mercado.

Renato Asse, fundador da Comunidade Sem Codar, a maior escola de No Code e IA da América Latina, avalia a tendência: “A inteligência artificial integrada a plataformas visuais revolucionou a forma de criar. O que antes demorava meses agora fica pronto em semanas. Agora quem cria tecnologia são os empreendedores, gestores e educadores. São pessoas que entendem os problemas de verdade, mas que antes precisavam de programadores para dar vida às suas ideias.”

O MIT Technology Review confirma esse movimento. Segundo a instituição, ferramentas de IA em plataformas visuais estão derrubando barreiras técnicas e acelerando a inovação. Com APIs de IA generativa cada vez mais acessíveis, as possibilidades explodiram. Hoje dá para criar automações inteligentes, plataformas educacionais completas e até soluções SaaS escaláveis.

Para Asse, essa transformação vai além da tecnologia: “Em 2026, combinar IA com No Code virou estratégia de negócio”, afirma. “Empresas que adotam esse caminho saem na frente. Lançam produtos em menos tempo, cortam custos e criam soluções que resolvem problemas reais do mercado. E tem mais: estão formando profissionais preparados para um mundo onde criar tecnologia não é mais privilégio de poucos.”

Shopee Reforça Presença na América Latina: Reentrada na Argentina e Foco Estratégico no Brasil

A Shopee, gigante do comércio eletrônico, está redefinindo sua estratégia na América Latina. A empresa anunciou sua reentrada no mercado argentino, ao mesmo tempo em que consolida o Brasil como seu principal centro de operações na região. Essa movimentação estratégica envolve a saída de operações em outros mercados, como Chile e Colômbia, para concentrar recursos e expertise no potencial de crescimento brasileiro.

Reorientação Estratégica na América Latina

A Sea Group, controladora da Shopee, está focando seus esforços no Brasil, que se tornou seu mercado mais robusto fora da Ásia. O país já conta com 25.000 funcionários, 3 milhões de comerciantes e 14 centros de distribuição. Essa base sólida permitirá à Shopee testar modelos de negócios transfronteiriços na Argentina, enfrentando a forte concorrência de gigantes como Mercado Livre, Amazon e TikTok.

A decisão de sair do Chile e da Colômbia visa concentrar recursos em mercados com maior potencial de crescimento escalável, como o Brasil, e explorar expansões de menor risco em mercados adjacentes através de operações transfronteiriças.

Otimização Logística e Expansão de Vendas no Brasil

No Brasil, a Shopee tem investido significativamente em sua rede logística para reduzir os tempos de entrega. A empresa já diminuiu em dois dias o tempo médio de entrega em seu serviço expresso no terceiro trimestre em comparação com o ano anterior. Na região metropolitana de São Paulo, uma em cada três encomendas é entregue no dia seguinte, e quase metade em até dois dias. Embora ainda atrás do Mercado Livre em velocidade, a Shopee tem diminuído a diferença, o que tem impulsionado vendedores a listar produtos de maior valor e atraído novos compradores com padrões de gastos mais fortes.

Parcerias Estratégicas e Crescimento de Marcas

A plataforma tem atraído grandes marcas para seu ecossistema no Brasil. A Ford lançou sua linha de peças Motorcraft na Shopee, expandindo o acesso a mais de 17.000 itens. Da mesma forma, a Motorola Brasil inaugurou sua loja oficial na plataforma. Essas parcerias reforçam o compromisso da Shopee em oferecer um ecossistema completo e conveniente para os consumidores brasileiros, além de impulsionar o crescimento de vendas e a consolidação no mercado de reparos automotivos e eletrônicos.

Desempenho em Eventos de Vendas

A Shopee registrou um desempenho recorde durante o evento de vendas 11.11 no Brasil, superando o volume total de vendas da Black Friday de 2024 ao meio-dia. Eletrodomésticos representaram mais de 10% das vendas nas primeiras 12 horas, subindo duas posições em relação ao ano anterior. A plataforma investiu R$20 milhões na campanha, competindo com as promoções agressivas de rivais como Mercado Livre e Amazon.