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iFood anuncia campanha nacional para entregadores com bag e itens oficiais da CBF, ganhos adicionais e experiências

O iFood, empresa brasileira de tecnologia, anuncia uma programação especial voltada aos entregadores em todo o Brasil durante o maior evento de futebol do ano. Com o conceito “O jogo começa na rua”, a campanha conecta o cotidiano de quem trabalha nas ruas diariamente à forma como os brasileiros vivem o futebol nas cidades, reunindo distribuição de vestuário exclusivo, campanhas promocionais, experiências ligadas ao torneio e ativações nos pontos de apoio da plataforma.

Entre os destaques estão bags, camisetas UV, jaquetas e moletons oficiais da CBF que serão distribuídos ao longo dos meses de maio e junho em 12 cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Curitiba, Brasília, Goiânia, Fortaleza, Porto Alegre e Campinas. As informações sobre convites, desafios e distribuição dos itens serão comunicadas diretamente pelo aplicativo dos entregadores.

A distribuição será voltada a entregadores convidados pela plataforma, com prioridade para a categoria Super – que são os entregadores com o melhor desempenho da plataforma, mas também contará com ações para entregadores da base regular.

A programação também inclui campanhas com oportunidades de ganhos adicionais, como as mecânicas “Time na Pista”, que permite que um entregador monte seu time de entregadores e ganhe até R$5 mil adicionais por essas indicações, e outras campanhas de sorteio, além de experiências conectadas ao clima do torneio. Entre elas estão a participação de entregadores no jogo de despedida da seleção brasileira no Maracanã, ações nas Arenas iFood Camisa 10 em São Paulo e no Rio de Janeiro, participação de entregadores na carreata de despedida da seleção brasileira, eventos de troca de figurinhas e distribuição de itens exclusivos, incluindo camisas autografadas pela seleção.

Nos próximos meses, os mais de 41 pontos de apoio do iFood distribuídos em todo o Brasil também entram no clima da competição. Em diferentes regiões do país, entregadores poderão participar de ações com ambientação temática, distribuição de brindes, giro premiado e áreas de convivência. A programação prevê ativações em cidades das regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Norte do país.

A campanha também inclui ações culturais inspiradas na forma como o futebol é vivido nas ruas brasileiras, com iniciativas de pintura de ruas e experiências conectadas ao cotidiano das cidades durante o período do torneio, o iFood estará com os entregadores da Rocinha e o influenciador Ruan Juliet em uma ação que vai reformar uma quadra na comunidade que será usada para um torneio de entregadores do local.

Além da programação presencial, o iFood prepara uma experiência inédita dentro do aplicativo do entregador. Durante o período da campanha, o app contará com identidade visual temática, conteúdos especiais e uma central dedicada às ativações e experiências da plataforma. O espaço reunirá desafios, informações sobre a programação e novidades em um só lugar.

“Quando a seleção brasileira de futebol entra em campo, ela transforma a rotina das cidades, movimenta as ruas e cria momentos de encontro que fazem parte da cultura brasileira. Como os entregadores estão nas ruas o tempo todo, e vivem esse cotidiano, pensamos em uma programação que os aproximasse ainda mais dessa experiência ao longo do torneio. A ideia da campanha é justamente conectar o clima do futebol com quem está nas ruas diariamente, criando oportunidades de reconhecimento, convivência, entretenimento e experiências especiais durante esse período”, afirma Beatriz Pentagna, diretora de marketing B2B do iFood.

Com uma programação que une reconhecimento, entretenimento e oportunidades de ganhos, o iFood reforça seu compromisso com a valorização dos entregadores em todo o país. Para mais informações sobre a programação, os entregadores podem acompanhar os canais oficiais da plataforma.

Automação avança na logística, mas falhas estruturais ainda travam a eficiência operacional

O investimento em automação logística vem crescendo de forma acelerada no Brasil e no mundo, impulsionado pela necessidade de ganhar eficiência e, ao mesmo tempo, pelo aumento da complexidade operacional, pressão por redução de custos e dificuldade crescente de contratação e retenção de mão de obra. Em centros de distribuição, hubs logísticos e operações intralogísticas, a necessidade de processar mais volume, com mais velocidade e menos erros, tem colocado a tecnologia no centro da estratégia operacional.

No entanto, embora o investimento em automação avance, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar tecnologia em eficiência real. Problemas como falhas na gestão de fluxo, baixa padronização de processos, excesso de etapas manuais e falta de integração entre sistemas continuam limitando os ganhos esperados.

De acordo com projeções da Fortune Business Insights, o mercado global de robótica logística deve crescer cerca de 13,9% ao ano até 2030. Já um levantamento da Deloitte aponta que mais de 75% das empresas já adotam algum nível de automação intralogística. Apesar disso, a adoção de novas tecnologias nem sempre vem acompanhada de uma revisão estrutural da operação.

Na prática, o cenário revela um descompasso entre investimento e execução. Muitas organizações direcionam recursos para tecnologias avançadas, como robôs e sistemas automatizados, sem antes resolver questões estruturais e básicas da operação, como organização de processos, desenho de layout, organização de fluxos e, principalmente, visibilidade de dados e integração entre etapas logísticas.

Esse desafio se torna ainda mais crítico diante da escassez de mão de obra. Com equipes mais enxutas e maior dificuldade para preencher posições operacionais, a automação deixa de ser apenas uma alternativa para ganho de produtividade e passa a ser uma ferramenta de apoio à continuidade da operação.

“Existe uma tendência de olhar para a automação como solução imediata, especialmente quando a empresa já está pressionada por volume, custo ou falta de mão de obra. O desafio, como muitos pensam, não está só na aplicação da tecnologia, mas sim na capacidade de implementá-la de forma consistente para que seja escalável e alinhada à realidade da operação”, afirma Murilo Namura, Head de Equipamentos da Pitney Bowes, empresa global que fornece tecnologia, logística e serviços em todo o mundo.

Segundo o executivo, um dos principais erros está no timing do investimento. Muitas empresas só buscam soluções mais robustas quando a operação já apresenta gargalos relevantes, como atrasos, retrabalho, baixa produtividade, acúmulo de pedidos ou dificuldade de absorver picos de demanda. Nesses casos, a implementação pode se tornar mais complexa, custosa e sensível para a rotina operacional.

“Quando a automação é pensada de forma reativa, ela precisa resolver problemas que poderiam ter sido evitados com planejamento. Por isso, antes de investir em tecnologia, é essencial mapear processos, entender gargalos, avaliar a dependência de tarefas manuais e identificar onde a automação realmente pode gerar impacto”, complementa Namura.

Segundo a Deloitte, organizações que implementam automação de forma reativa, após um crescimento desorganizado, podem ter custos até 30% maiores, além de enfrentar maior tempo de adaptação e risco elevado de interrupções durante a transição.

Para a Pitney Bowes, a automação logística deve ser encarada como parte de uma estratégia estruturada de eficiência operacional, e não como uma resposta emergencial. Isso inclui não apenas a adoção de equipamentos e sistemas, mas também o redesenho de fluxos internos, integração entre etapas logísticas, uso de dados para tomada de decisão e preparação da operação para ganhar escala.

“A diferença não está na tecnologia isolada, mas na capacidade de transformar esse investimento em eficiência real no dia a dia. Empresas que conseguem fazer isso de forma integrada e contínua são as que precisam processar mais volume, com menos pessoas e maior controle de forma inteligente e com menor ROI possível”, conclui o porta-voz.

Millenials na mira das fraudes: quase 600 mil perfis foram alvo de golpes no e-commerce em 2025, aponta Serasa Experian

Perfis millennials foram os mais usados em tentativas de fraude no e-commerce ao longo de 2025, com 599,9 mil ocorrências associadas à geração. Os dados são de um novo levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, que mostra, ainda, um padrão claro na escolha dos alvos simulados pelos golpistas: o top 3 do ranking é formado por grupos conhecidos pela presença no ambiente digital e vida financeira já estabelecida, reunindo também a Gen Z, com 505,5 mil diligências, e a geração X, com 297,1 mil.

“Quando observamos o e-commerce em profundidade, percebemos que os fraudadores não atuam de forma aleatória: eles buscam perfis que façam sentido dentro da dinâmica de cada canal, categoria e meio de pagamento. Entender quais consumidores são mais imitados nessas investidas é essencial para calibrar melhor os modelos de prevenção e proteger a operação sem comprometer a experiência do cliente”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, Rodrigo Sanchez.

Embora a geração Y lidere em volume absoluto, a leitura proporcional muda o ranking. A Gen Z apresentou a maior taxa de risco entre os grupos analisados (2,2%). Rodrigo explica que à primeira vista, o percentual pode parecer baixo, mas ele representa a fatia de pedidos em que houve suspeita de fraude dentro daquele grupo. O achado significa que a pressão fraudulenta sobre a Gen Z foi a mais intensa do recorte. Entre as gerações nomeadas, os Boomers aparecem na sequência, com 1,1%. Também chama atenção a categoria “Outros”, que reúne perfis fora dos grupos Alpha, Z, Y, X e Boomers – mais novos ou mais velhos que essas gerações, com taxa de risco de 1,2%. Confira o detalhamento no gráfico abaixo:

No recorte de ticket médio, quase todas as gerações registraram valor médio de tentativa de fraude acima de R$ 1 mil. A exceção foi a Gen Z, com R$ 990,11. Na outra ponta, a geração Alpha teve o maior ticket médio de fraude, de R$ 1.821,15, 56,3% acima do registrado nas tentativas associadas aos millennials, que aparecem logo em seguida, com R$ 1.165,03. O dado indica que, quando os criminosos tentam reproduzir perfis dessa geração, costumam mirar transações mais robustas. Já no comportamento legítimo, a Gen Z também apresentou o menor ticket médio entre as gerações, com R$ 459,34, sendo a única abaixo de R$ 500. Abaixo estão os dados detalhados na tabela:

Metodologia

O levantamento considera os pedidos analisados pelos modelos de risco de fraude da Serasa Experian entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, nos canais de e-commerce, marketplace, venda direta e app delivery, consolidados em uma única base. No estudo, “tentativas de fraude” correspondem aos pedidos classificados como suspeita de fraude, fraude confirmada ou com retorno de chargeback (CBK). Para fins de segmentação geracional, os compradores foram agrupados nas seguintes faixas etárias: Geração Alpha, até 15 anos; Geração Z, de 16 a 30 anos; Geração Y, de 31 a 44 anos; Geração X, de 45 a 60 anos; e Baby Boomers, de 61 a 79 anos. A categoria “outros” reúne pedidos cujos compradores não se encaixam em nenhuma das gerações consideradas anteriormente.

Americanas registra crescimento de 7,8% em Vendas Mesmas Lojas nos primeiros quatro meses do ano

A Americanas divulgou hoje seus resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), reafirmando sua trajetória de transformação estrutural e eficiência operacional. Com uma estratégia centrada na rentabilidade das lojas físicas e na aceleração do modelo O2O (Online-to-Offline), a companhia apresentou avanços significativos em todas as suas frentes de negócio, reportando um crescimento de 20% da Receita Bruta consolidada em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Os resultados consolidam a consistência da nossa estratégia, com foco no varejo físico e um digital reposicionado, trabalhando os ativos que nós já temos: nosso time, lojas e consumidores”, afirma Fernando Soares, CEO da Americanas.

Referência no evento de Páscoa no varejo, a Americanas destaca a visão do quadrimestre para fins de comparabilidade devido à venda parcial do evento (40%) ter ocorrido no mês de março. No período, o desempenho foi liderado pelo segmento de varejo físico e O2O. O indicador de Vendas Mesmas Lojas (Same Store Sale ou SSS) apresentou um salto de 7,8% nos quatro primeiros meses do ano (4M26), impulsionado pelo sucesso de grandes eventos sazonais como a Páscoa, que alcançou novo recorde de R$ 1,1 bilhão em vendas, com alta de 10% em relação a 2025, e a campanha Volta às Aulas, com crescimento SSS de 8,8%. A venda por metro quadrado aumentou 11,2% no 4M26, refletindo a estratégia de otimização operacional e evolução da experiência em loja.

Digital avança e Serviços crescem 19% no primeiro trimestre

O novo desenho do digital reforçou o papel complementar do canal na experiência nas lojas físicas e consolidou o O2O como o principal vetor de crescimento no primeiro trimestre. O modelo de entrega a partir das lojas físicas registrou um avanço de 56% da Receita Bruta no 1T26. A maior integração entre o online e o offline permitiu que o volume de pedidos feitos pelo site e app da Americanas e por plataformas de entrega de parceiros praticamente dobrasse, aproveitando a capilaridade das 1.448 lojas físicas. “A redução forte do prejuízo no canal segue uma agenda de melhora operacional que vem desde o ano passado e é resultado da venda, do controle de despesas e da execução intensa do plano estratégico”, comenta o executivo.

Como parte da jornada de evolução da experiência do cliente, a frente de serviços e fidelização apresentou indicadores robustos, com o programa “Cliente a” atingindo a marca de quase 1 milhão de participantes. Estes clientes demonstram um engajamento superior, com gasto médio 3,1 vezes maior que os demais. Já na vertente financeira, o cartão de crédito superou R$ 1,0 bilhão em volume total de pagamentos (TPV) acumulado, enquanto a frente de serviços registrou crescimento de 19% no 1T26, com conversão recorde em garantias estendidas.

Ganho de eficiência e redução de despesas

A evolução operacional também é refletida na disciplina financeira e no controle de custos. A Americanas registrou uma redução de 4,3 pontos percentuais nas despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A) como percentual da Receita Líquida. Esse ganho de eficiência, aliado à performance comercial, permitiu à companhia evoluir no EBITDA Ajustado no critério ex-IFRS 16¹, que encerrou o primeiro trimestre em R$ 186 milhões negativos, uma melhora relevante de R$ 56 milhões em relação ao 1T25.
“Esta transformação vem de uma grande disciplina financeira e do melhor entendimento e cuidado dos nossos 40 milhões de clientes ativos”, afirma Fernando Soares.

(1) O EBITDA ajustado ex-IFRS 16 exclui despesas da RJ e investigação, baixa de ativos, haircuts decorrentes da aprovação do PRJ e efeitos da autorregularização de impostos, e inclui pagamento de alugueis.

Luciano Hang pede igualdade tributária após anúncio do fim da “taxa das blusinhas”

O empresário Luciano Hang, dono da Havan, voltou a defender igualdade no tratamento dado às empresas brasileiras após o anúncio do possível fim da chamada “taxa das blusinhas”. Para ele, se o governo pretende retirar impostos sobre produtos importados de até 50 dólares, a mesma medida deveria valer para os produtos nacionais na mesma faixa de valor.

“Sou favorável à redução de impostos, mas que isso aconteça de forma igual para todos. Se vão tirar o imposto da entrada de produtos estrangeiros de até 50 dólares no Brasil, então que tirem igualmente dos produtos brasileiros. Não dá para aliviar para quem vem de fora e continuar sufocando quem produz, emprega e paga impostos no país”.

Segundo Luciano, o varejo e a indústria nacional enfrentam uma concorrência desigual, enquanto empresas brasileiras seguem submetidas a alta carga tributária e fiscalização rigorosa.

“Entram no Brasil mais de um milhão de pacotes internacionais todos os dias sem o mesmo controle exigido das empresas nacionais. Onde estão o Inmetro e a Anvisa nessa fiscalização? Existe um rigor enorme contra quem produz no Brasil, enquanto produtos estrangeiros entram sem nenhuma fiscalização”.

Para o empresário, a situação representa risco não apenas para a economia, mas também para a saúde pública.

“Produtos que entram sem controle podem trazer riscos à população. Precisamos defender a indústria nacional, o varejo brasileiro e, principalmente, os empregos”.

Luciano também comentou a repercussão envolvendo a empresa Ypê e afirmou que o caso evidencia o tratamento desigual enfrentado pelas empresas nacionais.

“O que aconteceu com a Ypê é um exemplo claro do que muitas empresas brasileiras enfrentam. Enquanto empresas nacionais são expostas e atacadas publicamente, produtos estrangeiros entram no país sem praticamente nenhuma cobrança ou controle”.

O empresário afirmou ainda que não incentiva o consumo de produtos suspensos pelos órgãos competentes, mas entende que situações como essa acabam sendo usadas para promover ataques políticos contra empresas nacionais e pessoas públicas.

“Por isso me manifesto em defesa das empresas brasileiras, da indústria nacional e da igualdade tributária”.

Para Luciano Hang, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade e sem politização.

“Infelizmente, vemos mais uma tentativa de politização e perseguição contra empresários e pessoas públicas que apenas se manifestam em defesa de uma empresa nacional”.

Frete não acompanha custo e transportadoras operam no limite em 2026

O transporte rodoviário de cargas entrou em 2026 com uma conta difícil de fechar. De um lado, os custos operacionais continuam subindo. De outro, a capacidade de repassar esses aumentos ao frete segue limitada por um mercado ainda cauteloso, pressionado por juros, consumo irregular e margens apertadas na indústria, no varejo e no agronegócio.

O diesel, principal insumo do setor, representa em média 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras, segundo a NTC & Logística. Por isso, qualquer oscilação no combustível tem impacto quase imediato no preço do frete e na rentabilidade das empresas de transporte.

Em março de 2026, o custo do frete rodoviário registrou alta de 3,36%, chegando a R$ 7,99 por quilômetro rodado, segundo o Índice de Frete Rodoviário da Edenred Repom. No mesmo período, a ANTT atualizou a tabela do piso mínimo de frete em razão da alta do diesel, elevando o coeficiente de deslocamento de R$ 5,986/km para R$ 6,368/km.

Para Célio Martins, gerente de novos negócios do Transvias, o problema não está apenas na alta de custos, mas na velocidade com que eles chegam ao transportador.

“O transporte sente tudo muito rápido. Quando o diesel sobe, quando o crédito fica caro, quando o consumo desacelera, a transportadora sente antes de muita gente. O problema é que nem sempre ela consegue repassar esse custo na mesma velocidade. A margem vai sendo corroída aos poucos”, afirma.

O cenário internacional também adiciona pressão. A recente crise energética global, provocada pela guerra no Irã e pela alta do petróleo para perto de US$ 110 por barril, levou países da América Latina a adotarem medidas para reduzir o impacto nos combustíveis. No Brasil, o governo anunciou apoio ao diesel, ao gás e ao setor aéreo, além de redução de impostos sobre biodiesel e gás de cozinha, segundo o El País.

Na prática, mesmo quando há tentativa de amortecer o impacto para o consumidor, o setor produtivo segue exposto à volatilidade. Caminhões dependem de diesel, peças, pneus, manutenção, seguro, mão de obra e financiamento. Quando esses itens sobem ao mesmo tempo, a operação fica mais pesada.

A dificuldade aparece também na renovação da frota. Dados publicados pela Transporte Moderno mostram que as vendas de caminhões acumulavam queda superior a 15% no primeiro quadrimestre de 2026, refletindo ambiente adverso para o transporte rodoviário, marcado por juros elevados, custo do diesel e maior cautela nos investimentos.

“O caminhão é o ativo principal da transportadora. Quando a venda de caminhões cai, isso mostra que o setor está adiando investimento. Muitas empresas continuam operando, mas com frota envelhecida, manutenção mais cara e menos capacidade de modernizar a operação”, analisa Martins.

Outro ponto de atenção está na infraestrutura. Levantamento da CNT aponta que más condições de rodovias elevam o custo operacional dos transportadores. Em 2025, esse cenário teria gerado consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de diesel, com impacto direto no custo do setor.

Para embarcadores, o risco é tratar o frete apenas como uma linha de custo a ser comprimida. Segundo Martins, essa visão pode gerar efeito reverso.

“Quando o frete fica artificialmente baixo, alguém paga essa conta. Pode ser a transportadora, com margem negativa. Pode ser o embarcador, com atraso e perda de qualidade. Pode ser o consumidor, com preço maior lá na frente. O frete precisa ser negociado com inteligência, não apenas pelo menor valor”, diz.

É nesse contexto que dados e planejamento ganham relevância. O Transvias acompanha a movimentação de consultas de frete em diferentes regiões e perfis de carga, o que permite observar mudanças de comportamento antes de elas aparecerem nos indicadores oficiais.

“Na nossa base, conseguimos perceber quando um setor começa a reduzir consulta, quando uma região perde força ou quando aumenta a busca por alternativas de frete. Esse tipo de leitura ajuda embarcadores e transportadoras a tomarem decisões melhores”, afirma Martins.

O Transvias registrou um aumento de 21,95% no volume total de consultas de frete em comparação ao ano anterior. Esse crescimento indica que, diante da alta de custos, os embarcadores estão intensificando a cotação e a busca por novos parceiros para otimizar orçamentos. 

Os dados da plataforma mostram que o setor de E-commerce e Bens de Consumo lidera a alta na procura por transporte, com avanço de 12%. Em contrapartida, o setor de Construção Civil apresentou a maior retração, com queda de 8% nas consultas por fretes de grande volume e cargas pesadas. 

Observamos uma mudança clara de comportamento: a busca por carga fracionada e redespacho cresceu 18% nos últimos meses. Isso sinaliza que as empresas estão evitando estocar grandes volumes e preferindo envios menores e mais frequentes para preservar o fluxo de caixa. 

Para 2026, a tendência é de um mercado mais seletivo. Transportadoras terão de controlar melhor os custos, escolher operações mais saudáveis e evitar fretes que não cobrem a estrutura mínima da operação. Embarcadores, por sua vez, precisarão entender que eficiência logística não depende apenas de preço, mas de previsibilidade, parceria e planejamento.

“O transporte rodoviário é um dos primeiros setores a sentir a economia real. Se ele está pressionado, é sinal de que a cadeia inteira precisa prestar atenção”, resume Martins.

Ferramentas de automação no WhatsApp entram na rotina de vendas das empresas brasileiras

O uso do WhatsApp como canal de atendimento e vendas já faz parte da rotina de empresas e empreendedores autônomos no Brasil. O que antes era uma alternativa prática para comunicação direta com clientes agora evolui para um papel mais estratégico, passando a integrar a infraestrutura de automação comercial das organizações. O uso de tecnologia melhora o funcionamento das equipes e otimiza o trabalho dos vendedores. Porém, com o aumento do volume de interações, surgem também desafios relacionados à organização das conversas, ao controle das negociações e à preservação de dados relevantes.

Nesse contexto, soluções que conectam o WhatsApp aos sistemas de gestão de relacionamento com clientes ganham espaço, permitindo que as empresas transformem conversas em informações estruturadas e acionáveis. Para Tulio Monte Azul, cofundador e diretor de produto da Agendor, empresa responsável por um ecossistema de soluções voltadas à gestão de vendas e CRM, manter as conversas apenas no WhatsApp, sem integração com sistemas de gestão, pode trazer riscos importantes para o negócio.

— Você pode perder dados críticos, ignorar demandas relevantes ou simplesmente deixar de acessar uma informação essencial no momento da proposta ou pós-venda — afirma.

Ainda conforme ele, ao estruturar e armazenar os dados das conversas, as equipes comerciais passam a contar com informações mais completas para personalizar abordagens e retomar contatos com leads de forma mais eficiente. Isso contribui para negociações mais estratégicas e orientadas por dados.

— Negociar com inteligência é usar os dados que o próprio cliente forneceu. E, para isso, o CRM precisa estar completo e atualizado, sem depender de buscas manuais ou memória individual — diz o especialista.

Integração aumenta eficiência das equipes

Para colocar em prática a conexão entre WhatsApp e CRM, o Agendor Chat, desenvolvido pela Agendor, aproxima o aplicativo de mensagem da ferramenta de automação, criando uma ponte entre o contato com o cliente e a gestão comercial. O objetivo é tornar o atendimento mais fluido, integrado e escalável.

A ferramenta conta com funcionalidades de automação que permitem distribuir conversas entre vendedores, enviar modelos de mensagem predefinidos e qualificar leads para o CRM de forma semi-automática. Esse tipo de organização contribui para aumentar a eficiência das equipes e reduzir falhas no processo de atendimento. Outro destaque da solução é o registro centralizado das interações, que garante maior segurança para as empresas em situações como mudanças de equipe, perda de acesso a números ou ausência de formalização das negociações em outros canais.

A evolução desse cenário aponta para uma integração cada vez mais avançada entre WhatsApp e CRM, impulsionada pelo uso de inteligência artificial. Para os próximos anos, segundo Tulio, a expectativa é que as ferramentas sejam capazes de interpretar automaticamente as conversas e executar ações dentro dos sistemas de gestão, reduzindo tarefas operacionais e ampliando o foco das equipes em atividades de venda.

— Estamos avançando para um cenário em que a IA interpreta os conteúdos trocados e executa ações automaticamente no CRM, reduzindo o trabalho operacional e liberando tempo para o vendedor focar no que importa: vender — explica.

WhatsApp apresenta maior índice de engajamento do serviço

De acordo com dados da Pluga, plataforma brasileira que conecta, sem necessidade de código, as principais ferramentas de gestão utilizados por pequenas e médias empresas, o grupo de usuários que utilizam WhatsApp apresenta o maior índice de engajamento do serviço da empresa.

Os números da empresa mostram que o volume de eventos no WhatsApp é cerca de 12 vezes superior à média, enquanto as automações ativas são 16 vezes superiores ao restante da base, acumulando mais de 500 mil mensagens disparadas em apenas dois anos. Entre as empresas pioneiras nesse uso, as agências de marketing e publicidade se destacam como um dos setores que mais utilizam esse tipo de aplicação.

Ainda segundo os dados da Pluga, o WhatsApp é o principal canal de comunicação no Brasil, mas poucas empresas aproveitam da melhor forma esse canal. O levantamento da empresa aponta que as marcas já vivem dentro do fluxo onde o aplicativo de mensagem é o destino natural dos leads que capturam e qualificam para seus clientes.

Para Diego Minone, CMO da Pluga, automatizar o caminho é uma decisão operacional. E é nessa camada que algo maior está acontecendo: o WhatsApp está deixando de ser uma ferramenta de atendimento e passando a ser parte da infraestrutura de operações comerciais.

— As agências chegaram primeiro porque já vivem dentro desse fluxo: capturar o lead, qualificar e entregar pelo canal certo. O WhatsApp é o canal certo no Brasil. O que os dados mostram é que automatizar essa última milha ainda é raro, mas quem o faz opera em outro nível. A tendência é que isso deixe de ser exceção — finaliza.

Principais erros na integração de ferramentas

Ao utilizar as ferramentas de integração entre CRM e WhatsApp, é necessário ter alguns cuidados. De acordo com Gustavo Gomes, especialista de vendas na Agendor, os principais erros cometidos por empresas neste tema envolvem a desorganização, a falta de personalização no atendimento e o envio excessivo de mensagens automáticas sem qualquer estratégia. Além disso, quando não há um processo bem definido, os clientes ficam sem resposta, o que gera atrasos significativos no atendimento e, consequentemente, perda de oportunidades de negócio.

Para que esse canal funcione de maneira sustentável, é fundamental estruturar um funil de vendas específico para o WhatsApp, segmentando os contatos conforme o grau de maturidade do lead. A proposta envolve ter um banco de dados atualizado, com informações organizadas, que evita desperdício de esforços com perfis inadequados e permite acionar a ação certa, no momento certo, para o cliente certo.

Por fim, Gustavo ainda diz ser indispensável padronizar o atendimento e estabelecer fluxos bem definidos.

— A equipe precisa ser treinada para manter um tom profissional e consultivo, com mensagens claras e objetivas. É igualmente importante definir prazos para resposta e utilizar automações de forma estratégica, sempre preservando o toque humano — destaca.

Para ele, mais do que capturar dados, a nova geração de CRMs precisa interpretar o contexto comercial e agir com base nele.

— Não se trata apenas de software, mas de um novo modelo de gestão, onde a tecnologia deixa de ser suporte e passa a atuar como copiloto das equipes de vendas — pontua.

Na esteira do Brazil at Silicon Valley, Workhub promove encontros exclusivos com lideranças de RH e Comunicação Interna para discutir IA e o futuro do trabalho

A Workhub, HR Tech especializada em soluções corporativas por assinatura e experiência digital, promove nesta semana dois encontros exclusivos voltados a lideranças de RH e Comunicação Interna de algumas das principais empresas do país. Os eventos acontecem ao longo de dois dias, reunindo networking seleto, alta gastronomia e discussões estratégicas sobre inteligência artificial, tecnologia e o futuro do trabalho.

A programação começa hoje, terça-feira (12), com um almoço dedicado a lideranças de média gestão, realizado das 11h30 às 15h, no clube social privado EmCasa. Já na quarta-feira (13), acontece um jantar exclusivo para C-Levels, das 18h30 às 21h30, no mesmo local. Participam representantes de empresas como PetLove, Ambev, Zé Delivery, Air France, QuintoAndar e NeoBPO, entre outras organizações convidadas. A iniciativa reforça o posicionamento da Workhub como referência em tecnologia, comunicação interna e experiência de pessoas colaboradoras, levando ao RH discussões estratégicas sobre os impactos da transformação digital no ambiente corporativo.

Os encontros têm como tema central pautas importantes debatidas no Brazil at Silicon Valley (BSV), evento realizado em abril, nos Estados Unidos, e que contou com a participação de Andréa Migliori, CEO da Workhub, entre as lideranças brasileiras convidadas para a edição de 2026. A proposta da empresa é traduzir para o RH brasileiro os principais insights debatidos no Vale do Silício sobre inteligência artificial, liderança, inovação e o futuro do trabalho.

“Os encontros mais transformadores são aqueles que criam espaço para conversas verdadeiras e conexões relevantes. A proposta deste evento é reunir lideranças que estão pensando o RH de forma estratégica, olhando para tecnologia e inovação sem perder de vista aquilo que sustenta qualquer transformação: as pessoas”, afirma Andréa.

Amazon acelera expansão no Brasil e lança Complexo Logístico em Osasco, ampliando capacidade de entrega em horas na região

A Amazon anuncia seu novo Complexo Logístico em Osasco, São Paulo, como um dos seus principais hubs tecnológicos no Brasil. A operação reúne uma estação de entrega, infraestrutura para entrega em horas, operação de malhas aéreas, além de um escritório corporativo. São 25 mil m² e capacidade de processamento de mais de 150 mil pacotes por dia, com mais de 600 funcionários diretos e indiretos trabalhando na operação e 60 vagas abertas em diversos setores. Esse lançamento acelera entregas para clientes em diversas regiões do Brasil, com foco na região metropolitana de São Paulo, e possibilita entregas em horas para Zona Oeste de São Paulo e região metropolitana Oeste de SP, como Osasco e Barueri.

Esse é o primeiro complexo no Brasil com uma infraestrutura desse nível, que combina diferentes operações para atender regiões e demandas diferentes. Ao combinar esses recursos em um único local, nós otimizamos equipes, aceleramos o processamento de pacotes e garantimos entregas cada vez mais rápidas e eficientes para clientes no país”, explica Ricardo Pagani, Diretor de Operações da Amazon Brasil. “Isso só é possível graças a nossa rede logística tecnológica e interconectada, que une o melhor de uma expertise global com todo nosso conhecimento local para continuar acelerando entregas em horas e minutos em diferentes regiões”, complementa.

A operação em Osasco faz parte do plano de expansão da Amazon no país, que encerrou o primeiro trimestre de 2026 alcançando dois marcos históricos no Brasil: a expansão para 300 centros logísticos operados com tecnologia Amazon, distribuídos por todos os estados brasileiros, gerando milhares de oportunidades de trabalho; e a oferta da opção de entrega mais rápida entre os principais e-commerces do país, com ampla variedade de produtos chegando em poucas horas nas principais cidades, e, em áreas selecionadas, em até 15 minutos. A expansão da Amazon no Brasil tem como objetivo ampliar o acesso ao e-commerce em todas as regiões do país. Com mais de 100 novos centros inaugurados apenas em 2025, a Amazon já realiza entregas porta a porta em destinos diversos — das regiões ribeirinhas da Amazônia a comunidades urbanas densas como as favelas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Além do Sudeste, a presença logística da Amazon cresce de forma consistente em todo o território nacional: mais de 140 centros estão localizados fora da região Sudeste. Essa descentralização permite entregas mais rápidas e confiáveis, levando conveniência a um número cada vez maior de brasileiros. Em apenas seis anos de operações de varejo no país, a Amazon construiu uma das maiores redes logísticas nacionais, conectando milhões de produtos a consumidores com cada vez mais velocidade, confiabilidade e conveniência. Com o Amazon Prime, clientes têm acesso a frete grátis ilimitado em milhões de itens, além de benefícios como ofertas exclusivas, streaming de vídeo e música, jogos e leitura digital.

Somos obcecados pelos nossos clientes — e é essa obsessão que nos impulsiona a continuar inovando e elevando o patamar do e-commerce no Brasil. Estamos investindo no país para oferecer flexibilidade e conveniência reais, independentemente de onde nossos clientes estejam. Seja em 15 minutos, no mesmo dia em uma janela de horário agendado ou consolidado em um único dia da semana com o ‘Seu Dia de Entregas Amazon’, os brasileiros podem contar com a Amazon de diferentes formas.” — Ricardo Pagani, Diretor de Operações, Amazon Brasil

O papel do líder diante da automação e do avanço da onipresente IA

Conselhos de administração, investidores, corpos diretivos e o próprio mercado passaram a exigir das empresas e de seus colaboradores, cada vez mais, respostas imediatas diante do avanço da inteligênciaartificial. A narrativa dominante parte de algumas premissas, como a de que se as companhias não se adaptarem vão ficar para trás, ou ainda aquela que intui que todos os concorrentes estão “mais avançados e preparados do que nossa organização”.

E foi dessa forma, frequentemente sem mais reflexões ou detalhadas análises nos bastidores, que em alguns poucos meses (ChatGPT veio a público há menos de 4 anos) a IA deixou deser uma promessa distante e passou a ser tratada como uma necessidade imediata e única para a sobrevivência corporativa. E, sendo um especialista no tema, seria difícil alegar que urgência e preocupação com o assunto não deveriam estar, de fato, no radar de100 entre 100 executivos.

Mas existe um paradoxo, uma contradição, que permeia o dia a dia de todos que tentam implementar soluções efetivas baseadas em IA nos seus negócios, e que é frequentemente negligenciada:a “urgência externa” (ou até mesmo “conceitual”) contrasta com uma realidade interna corporativa muito mais complexa e lenta, associada ao processo de adoção de novas tecnologias.

Dentro das organizações, a aceitação e uso da inteligência artificial ainda ocorrem de forma desigual e assimétrica. Embora ferramentas como ChatGPT, OpenClaw, Claude, Gemini e outrassoluções generativas tenham atingido milhões de usuários em tempo recorde, o uso corporativo não acompanha o mesmo ritmo de crescimento. Muitas empresas anunciam iniciativas, criam áreas dedicadas e comunicam projetos de inovação, mas enfrentam dificuldadespara transformar isso em valor concreto, além dos pilotos ou iniciativas pontuais. E esse descompasso revela que o principal obstáculo para uma adoção mais consistente não é tecnológico, mas sim cultural.

Pesquisas recentes reforçam esse cenário ao mostrar que uma grande parcela das empresas (80%) que implementaram IA ainda não conseguiu capturar ganhos relevantes de produtividade. Em alguns casos, o efeito foi até contrário. Colaboradores passaram a utilizarferramentas de inteligência artificial, mas gastaram tempo adicional revisando, ajustando e validando os resultados porque não têm confiabilidade e encontram falhas disfarçadas em certezas pelo algoritmo. Em vez de acelerar o trabalho, a tecnologia adicionauma camada de complexidade e análise até então inexistente. E esse natural cenário (afinal, trata-se de uma tecnologia nova!) evidencia a falta de preparo estrutural e de letramento digital para absorver o potencial da IA de modo realmente coerente com asnecessidades do business.

Ao mesmo tempo, existe um fenômeno acontecendo dentro das equipes. Mesmo quando incentivados a usar inteligência artificial, muitos profissionais demonstram resistência. Essa resistêncianão está necessariamente ligada à dificuldade técnica, mas ao medo. Em diferentes mercados, especialmente nos Estados Unidos, já surgem relatos de colaboradores que evitam utilizar essas ferramentas por receio de estarem contribuindo para sua própria substituição nofuturo próximo. Trata-se de uma reação compreensível em ambientes onde a liderança não deixa claro qual é o papel da tecnologia na evolução do trabalho.

Outro problema recorrente é a tentativa de encaixar uma solução nova dentro de estruturas antigas. Muitas organizações continuam operando com processos rígidos, culturas avessasao risco e modelos de gestão que não favorecem a experimentação. Nesse contexto, a inteligência artificial acaba sendo utilizada de forma superficial, sem alterar a lógica do negócio. O resultado é previsível: iniciativas que consomem recursos, oneram processos,mas não entregam qualquer transformação real (ao contrário, inclusive).

Esse cenário reforça a importância do papel da liderança, que precisa atuar como agente de mudança. É ela quem traduz a estratégia, define prioridades e cria o ambiente necessáriopara que a tecnologia gere impacto. Sem direção clara, a IA se torna apenas mais uma ferramenta disponível, sem conexão com os objetivos do negócio, sem alinhamento com o propósito e nem tampouco com a vocação da organização.

Como se o desafio fosse pequeno, além de tudo o líder possui a enorme responsabilidade de construir um ambiente de segurança psicológica para as equipes. Em um ambiente marcado porincertezas, é natural que surjam muitas dúvidas e resistências. Cabe à liderança deixar claro que a inteligência artificial não é um mecanismo de substituição por si, mas uma forma de ampliar capacidades e acelerar a geração de valor. Quando as pessoas entendem o propósito da tecnologia,a relação com ela muda. O medo dá lugar à experimentação, e a experimentação abre espaço para aprendizado.

Outro ponto central é o investimento em letramento digital “real”. Não basta disponibilizar ferramentas e esperar que os resultados apareçam. A utilização eficiente da IA exige conhecimento,prática e contexto. Em empresas mais tradicionais, esse desafio é ainda maior, pois muitas vezes há uma lacuna significativa de habilidades digitais pelos próprios líderes mais sêniores, que falham em dar seu próprio exemplo para o quadro de colaboradores.Superar essa barreira exige um esforço contínuo de capacitação, que envolva todos os níveis da organização e pressuponha a transformação inequívoca da alta liderança.

É importante destacar também que a adoção de inteligência artificial precisa estar conectada a problemas reais. Muitas iniciativas falham porque começam pela tecnologia, e não pelanecessidade do negócio. O caminho mais eficaz é identificar onde estão os gargalos, os desperdícios e as oportunidades de ganho. A partir disso, a escolha da ferramenta se torna mais clara e direcionada. Essa abordagem prática aumenta significativamente aschances de sucesso.

Por outro lado e como supracitado, a automação mal implementada pode gerar efeitos negativos. Exemplos disso são experiências de atendimento automatizado que não resolvem problemas ouque aumentam a frustração do cliente, pelas quais você, leitor, certamente passa todas as semanas. Quando a tecnologia é aplicada sem critério, ela compromete a percepção de valor da marca e a experiência do cliente.

Mas então, como ter êxito nessa jornada? Pois bem, empresas que conseguem avançar na adoção de IA partilham de algumas características comuns. Por exemplo, elas tratam a tecnologiacomo uma capacidade organizacional, e não como um projeto isolado. Também trabalham com ciclos curtos de aprendizado, testam rapidamente e ajustam com frequência. Mais importante ainda, envolvem as pessoas no processo desde o início, criando um senso de pertencimento e colaboração. E aspessoas ajudam a definir quais aplicações trarão soluções concretas de problemas que afetam clientes e ao negócio, em si.

Não sou um neoludita ou alguém desconectado dos fatos, ao contrário. A transição para um mundo em que a inteligência artificial permeia todos os aspectos da existência e dos negóciosé absolutamente inevitável. Negar essa realidade não é uma opção viável. No entanto, avançar sem considerar o fator humano e o imperativo de que a tecnologia tem o papel de servir às pessoas em última análise, também não funciona. O verdadeiro desafio está em equilibrar essasduas dimensões com concretude, pragmatismo e um olhar mais amplo e de longo prazo. E é exatamente para isso que precisamos de lideranças cada vez mais relevantes, impactantes e capazes de inovar com propósito e foco.