A inteligência artificial está mudando rapidamente a forma como consumidores pesquisam, comparam e compram produtos. Se antes a tecnologia atuava nos bastidores, recomendando anúncios e personalizando ofertas, agora ela começa a assumir um papel ativo na jornada de compra. Segundo estudo da Visa divulgado recentemente, 76% dos brasileiros pretendem utilizar inteligência artificial para fazer compras, evidenciando uma mudança de comportamento que deve transformar o varejo nos próximos anos.
A tendência já aparece em outras pesquisas. O Relatório do Varejo 2025, da Adyen, mostra que 52% dos brasileiros utilizaram ferramentas de IA, como ChatGPT, para apoiar decisões de compra nos últimos 12 meses. Entre eles, 74% afirmam que a tecnologia ajuda na escolha de produtos e 70% dizem estar dispostos a concluir compras por meio de inteligência artificial no futuro. Apesar disso, apenas 48% dos varejistas brasileiros afirmam investir em IA para impulsionar vendas, indicando que boa parte das empresas ainda não está preparada para esse novo cenário.
Para Rodrigo Soares, CTO da TEC4U, o mercado vive uma das maiores transformações desde o surgimento do comércio eletrônico.
“Durante muitos anos a inteligência artificial atuou de forma quase invisível, analisando dados para recomendar anúncios e personalizar campanhas. Agora ela passa a conversar diretamente com o consumidor e, em um futuro muito próximo, será capaz de executar compras praticamente de forma autônoma. Isso muda completamente a lógica do varejo digital.”
Esse novo modelo vem sendo chamado de shopping conversacional, conceito em que o consumidor deixa de navegar por páginas, filtros e categorias para interagir com a loja em linguagem natural, como se estivesse conversando com um vendedor.
“Em vez de abrir um site, pesquisar produtos, comparar especificações e passar pelo checkout, o consumidor poderá simplesmente dizer que procura um tênis para corrida, um vestido para um casamento na praia ou uma geladeira com determinadas características. A inteligência artificial entende esse contexto e conduz toda a jornada de compra”, explica Rodrigo.
Segundo o executivo, esse movimento representa uma evolução natural da própria inteligência artificial. Primeiro vieram os algoritmos capazes de prever comportamentos de consumo. Depois, as plataformas de IA generativa, que transformaram ferramentas como ChatGPT em novos canais de descoberta de produtos. Agora, o mercado caminha para agentes inteligentes capazes de conversar, recomendar e executar tarefas em nome dos consumidores.
“O próximo passo será a compra agêntica. Em vez de o consumidor pesquisar em diferentes sites, um agente de IA poderá comparar preços, analisar especificações, negociar condições e concluir uma compra a partir dos critérios definidos pelo usuário.”
Dados são o combustível da nova geração do varejo
Embora a experiência conversacional ganhe espaço rapidamente, Rodrigo destaca que o maior desafio das empresas ainda está na qualidade das informações.
“A inteligência artificial só é eficiente quando trabalha com dados estruturados. Se os cadastros de produtos são incompletos, se o histórico dos clientes está fragmentado ou se as informações estão espalhadas em diferentes sistemas, a IA perde capacidade de recomendação e passa a gerar respostas pouco relevantes.”
Segundo ele, esse cenário explica por que muitas iniciativas de IA ainda não entregam os resultados esperados.
“Antes de implementar inteligência artificial, as empresas precisam organizar sua base de dados. A hiperpersonalização depende de conhecer o cliente, entender seu histórico de compras, preferências, devoluções, interações e comportamento de navegação. Quanto melhor essa informação, mais inteligente será a experiência.”
Orbit aposta na evolução do e-commerce conversacional
Para acompanhar essa transformação, a TEC4U desenvolveu o Orbit by TEC4U, um assistente de vendas baseado em inteligência artificial que utiliza linguagem natural para recomendar produtos e apoiar toda a jornada de compra dentro do ambiente digital.
A solução interpreta a intenção do consumidor, cruza informações do catálogo e do histórico de navegação para apresentar recomendações contextualizadas, aproximando a experiência online do atendimento realizado por um vendedor especializado.
“A nossa tese é que o futuro do comércio eletrônico será híbrido. Muitos consumidores continuarão navegando pelos sites da forma tradicional, enquanto outros optarão por conversar com a loja para encontrar exatamente o que procuram. Em seguida, veremos agentes inteligentes conversando diretamente com essas lojas para realizar compras em nome dos consumidores. É para essa realidade que o varejo precisa começar a se preparar”, conclui Rodrigo.



