A logística passa por uma das maiores transformações de sua história. A evolução da Inteligência Artificial, a reorganização das cadeias globais de suprimentos, a busca por operações mais resilientes e sustentáveis e um consumidor cada vez mais exigente estão redefinindo a forma como empresas planejam, movimentam e entregam produtos. Mais do que acompanhar tendências isoladas, o desafio passa a ser entender como essas mudanças se conectam e como integrar pessoas, processos, tecnologias e informações para tornar as operações mais eficientes.
Foi para discutir esse cenário que a nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina, reuniu CEOs, vice-presidentes e executivos de empresas como CIMED, Carrefour, Magazine Luiza, Goodyear, Coca-Cola e VLI durante o nsclub Diálogos 2026. O encontro promoveu uma visão colaborativa sobre os desafios do setor e os caminhos que devem orientar sua evolução até 2055.
As discussões evidenciaram que a crescente complexidade das cadeias logísticas tem dificultado a integração de informações, parceiros e operações em tempo real. Mas também reforçaram que a logística não evolui como um único mercado. Ela é formada por diferentes sub-segmentos — como agro, cadeia frigorificada, grãos, farma, siderurgia, bens de consumo, varejo, indústria química e tantos outros — cada um com operações, ativos, requisitos regulatórios e relacionamentos próprios.
Esse desafio está no centro da evolução defendida pela nstech com a Transportation Network System (TNS), uma infraestrutura que conecta embarcadores, operadores logísticos, transportadores, motoristas e soluções de software em um único ecossistema de dados, operações e inteligência.
Mais do que integrar empresas, a TNS foi concebida para aumentar continuamente a densidade das conexões dentro de cada sub-segmento da logística. À medida que novos participantes ingressam na rede, cresce também a inteligência compartilhada, a previsibilidade das operações e a eficiência de todos os envolvidos. Em outras palavras, cada novo participante gera valor não apenas para si, mas para toda a rede especializada da qual faz parte.
Essa dinâmica representa uma mudança estrutural para o setor. Durante muitos anos, a vantagem competitiva esteve na digitalização dos processos e, mais recentemente, na integração dos sistemas. O próximo ciclo será definido pela capacidade de construir redes especializadas, nas quais o valor aumenta continuamente conforme cresce a densidade de participantes. É o chamado Network Effect, modelo que transformou diversos setores da economia digital e que passa a ganhar protagonismo também na logística.
“Um dos principais gargalos da logística hoje é a baixa integração entre sistemas, empresas e fluxos de informação. A cadeia ainda opera de forma fragmentada, o que gera ineficiência, aumenta custos e reduz a capacidade de decisão em tempo real. A TNS nasceu para resolver esse problema conectando soluções, padronizando dados e permitindo que a informação circule de forma contínua entre todos os elos da cadeia”, afirma Vasco Oliveira, CEO da nstech.
“Acreditamos que a próxima geração da logística será definida pelo Network Effect. A logística não funciona como uma única rede; ela é formada por centenas de redes especializadas. A operação de quem transporta alimentos refrigerados é diferente da operação de quem movimenta grãos, aço ou bens de consumo. Cada uma dessas redes desenvolve inteligência própria. Quando um novo embarcador, transportador, operador logístico ou motorista passa a integrar a TNS, ele fortalece toda aquela comunidade logística. A inteligência aumenta, a previsibilidade melhora, surgem novas oportunidades de colaboração e todos os participantes passam a tomar decisões melhores. Esse é um modelo extremamente difícil de replicar, porque depende da densidade da rede construída ao longo do tempo, e não apenas da tecnologia”, completa o profissional.
O executivo destaca que essa lógica também orienta a atuação da companhia junto ao mercado. “O nsclub Diálogos representa exatamente essa visão. Assim como a TNS conecta operações, o evento conecta conhecimento, experiências e perspectivas entre diferentes segmentos da economia. Quanto maior a troca entre os participantes, maior a inteligência coletiva do setor”, acrescenta.
Confira os principais insights do evento abaixo:
1. A Inteligência Artificial deixará de automatizar tarefas para orquestrar operações
A Inteligência Artificial assumirá um papel cada vez mais estratégico, coordenando fluxos, apoiando decisões em tempo real, conectando sistemas e ampliando a capacidade preditiva das operações. Governança, qualidade dos dados e supervisão humana seguirão fundamentais.
2. A logística se consolidará como uma função estratégica para o crescimento das empresas
A logística deixa definitivamente de ser apenas uma área operacional para se tornar uma alavanca de crescimento, competitividade e geração de valor para os negócios.
3. A experiência do cliente continuará ditando o ritmo das transformações
Velocidade, previsibilidade, transparência e confiabilidade continuarão definindo a percepção de valor do consumidor e impulsionando a evolução das cadeias logísticas.
4. O desafio da infraestrutura continuará maior do que o da tecnologia
Mesmo com avanços em automação, eletrificação, drones e multimodalidade, infraestrutura e ambiente regulatório seguirão sendo fatores decisivos para o desenvolvimento do setor.
5. Os fundamentos da logística continuarão os mesmos
Eficiência, previsibilidade, rastreabilidade, integração, confiabilidade e capacidade de adaptação continuarão sendo os pilares da excelência operacional. O que muda é a forma de potencializar esses fundamentos por meio de dados, inteligência e colaboração em rede.
6. O Network Effect será a próxima grande vantagem competitiva da logística
Durante décadas, empresas buscaram vantagem competitiva investindo em tecnologia, automação e integração. Nos próximos anos, essas capacidades passam a ser requisitos básicos. O diferencial estará na capacidade de construir redes cada vez mais densas e especializadas.
Na logística, o efeito de rede acontece dentro dos diferentes sub-segmentos da economia. Quanto maior a concentração de embarcadores, transportadores, operadores logísticos, motoristas e parceiros especializados em uma mesma cadeia — como agro, frigorificados, grãos, siderurgia, bens de consumo ou varejo — maior é a inteligência compartilhada e os benefícios gerados para todos os participantes.
Cada novo integrante fortalece toda a rede daquele segmento, ampliando a previsibilidade, reduzindo ineficiências, acelerando decisões e criando um ciclo contínuo de geração de valor para todo o ecossistema. É essa lógica que diferencia plataformas que apenas conectam empresas daquelas capazes de impulsionar resultados em escala.
Para Vasco Oliveira, o principal aprendizado das discussões é que o futuro da logística será menos definido pelas tecnologias disponíveis e mais pela capacidade das empresas de transformar conexões em inteligência coletiva.
“A logística sempre evoluiu impulsionada por grandes transformações econômicas e tecnológicas. O que muda agora é a velocidade dessa evolução. As empresas que liderarão os próximos anos não serão necessariamente as que tiverem mais tecnologia, mas aquelas capazes de construir as redes mais inteligentes, colaborativas e especializadas. Na economia digital, o maior ativo deixou de ser apenas o software e passou a ser a rede. Acreditamos que o mesmo acontecerá com a logística. O futuro será construído por ecossistemas em que cada novo participante fortalece todos os demais. É esse efeito de rede que permitirá ao setor alcançar novos patamares de produtividade, previsibilidade e colaboração nas próximas décadas”, conclui o CEO da nstech.



