Início Site Página 142

IA assumirá e apoiará funções críticas na alta gestão

A Robert Half, consultoria global em soluções de talentos, acaba de divulgar uma pesquisa que revela como as tecnologias emergentes irão transformar profundamente a alta gestão até 2035. O levantamento mostra que ferramentas como Inteligência Artificial (IA), automação inteligente, conectividade 6G e novas soluções de cibersegurança não apenas apoiarão, mas irão assumir funções críticas da liderança executiva, alterando o papel dos gestores na tomada de decisão estratégica.

De acordo com o estudo, 84% dos executivos entrevistados apontam a segurança cibernética como o principal vetor de mudança, seguida por Inteligência Artificial Geral (81%), automação robótica de processos (78%) e conectividade 6G (77%). A pesquisa também indica que áreas como gestão financeira, previsões, inovação em produtos e até a definição de estratégias de negócio serão cada vez mais impulsionadas por disrupções tecnológicas.

“Estamos vivendo uma contagem regressiva para uma nova era da gestão corporativa. As funções executivas, antes marcadas pelo julgamento humano e pela experiência acumulada, passarão a contar com sistemas inteligentes que oferecem velocidade, precisão e escala incomparáveis. Isso não diminui o papel da liderança, mas exige aptidão para direcionar estratégias em um ambiente de alta complexidade tecnológica”, orienta Maria Sartori, diretora de mercado da Robert Half.

TOP 10 tecnologias que moldarão a liderança executiva até 2035:

  • Segurança cibernética e novas soluções de rede (84%)
  • Inteligência Artificial (AGI) (81%)
  • Automação robótica de processos (78%)
  • Conectividade 6G (77%)
  • Realidade aumentada e realidade virtual (77%)
  • Machine learning (75%)
  • Automação inteligente de processos (74%)
  • Computação quântica (72%)
  • Blockchain e tecnologias descentralizadas (69%)
  • Biotecnologia e engenharia genética (69%)

Funções em que a IA terá papel central até 2035

  • Pequenas e médias empresas (PMEs) – IA assumirá totalmente:1) Medição de desempenho e relatórios
    2) Tomada de decisão estratégica
    3) Gestão financeira, previsões e relatórios
    4) Insights e personalização para clientes
    5) Gestão da produtividade da força de trabalho

    IA dará suporte:1) Desenvolvimento e requalificação da força de trabalho
    2) Aquisição de talentos e planejamento da força de trabalho
    3) Otimização da cadeia de suprimentos e operação
    4) Estratégias de engajamento e retenção de funcionários5) Gestão de riscos, regulamentação e compliance
  • Grandes empresas – IA assumirá totalmente:1) Inovação e desenvolvimento de produtos
    2) Gestão de riscos, regulamentação e compliance
    3) Planejamento de cenários e simulações
    4) Gestão da produtividade da força de trabalho
    5) Otimização da cadeia de suprimentos e operação

    IA dará suporte:1) Aquisição de talentos e planejamento da força de trabalho
    2) Mensuração e relatórios de desempenho
    3) Estratégias de engajamento e retenção de funcionários
    4) Gestão da produtividade da força de trabalho
    5) Gestão financeira, previsão e relatórios

“É um momento de oportunidade para executivos que souberem se antecipar. Apesar dessa disrupção, líderes não serão substituídos, mas terão de desenvolver novas competências, isso é fato. Para liderar essa transformação, investir em requalificação, novas habilidades digitais e visão adaptativa é indispensável”, complementa Sartori.

MetodologiaA pesquisa foi conduzida com 100 executivos brasileiros – incluindo membros de conselhos, alta gerência e média gestão – e 100 investidores de private equity da Europa e dos Estados Unidos, trazendo uma visão integrada sobre os rumos da liderança empresarial nos próximos dez anos.

WEBINAR: A jornada de um brasileiro no Vale do Silicio

Nesta segunda-feira (06), às 19h, acontece o webinar “Do Zero aos R$81 Milhões Captados: A jornada de um brasileiro no Vale do Silício”, iniciativa da 49 Educação com participação do Nicolas Silberstein Camara, cofundador e CTO da Firecrawl, startup especializada em estruturar dados da internet para alimentar sistemas de inteligência artificial (IA). 

Durante o evento online, Camara falará sobre as estratégias que levou a startup a captar R$ 81 milhões. Além de abordar a experiência na Y Combinator, estratégias para desenvolver produtos de IA que atraem fundos internacionais e os bastidores da rodada de captação milionária. “Mais do que captar, a nossa jornada na Firecrawl é sobre mostrar que empreendedores brasileiros podem se destacar no maior palco de inovação do mundo”, afirma Nicolas Silberstein Camara.

FICHA TÉCNICA

Do Zero aos R$81 Milhões Captados: A Jornada de um Brasileiro no Vale do Silício.

Quando: 06/10/2025, às 19h.

Formato: Webinar, online

Inscriçõeshttps://active.49educacao.com.br/lp-webinar-firecrawl 

E-commerce: nacionalização de importados pode reduzir o frete em até 50%

A aquisição direta de produtos importados pelo consumidor final no varejo on-line, muitas vezes, é marcada por uma jornada complexa e onerosa. Além da demora para receber o produto, ele muitas vezes se depara com a imprevisibilidade tributária. Mesmo com programas que buscam simplificar o processo, o consumidor ainda pode ter cobranças extras de impostos, e o descontentamento gerado atinge diretamente a reputação da marca. Essa urgência por velocidade e clareza é o novo padrão do mercado.

A nacionalização de produtos é estratégica para a logística no e-commerce. A parceria com uma trading especializada permite aos grandes grupos varejistas, por exemplo, oferecerem ao consumidor o que ele mais valoriza: preço competitivo, entrega rápida e transparência. Ao transformar a complexidade aduaneira em uma operação fluida e controlada, a Tek Trade, especializada no setor, afirma que os resultados são custos menores e aumento da eficiência, sem falar no ganho em confiança e fidelidade do comprador, o maior valor no dinâmico mercado digital.

“A solução está em otimizar a rota e reverter a lógica do fluxo. A nacionalização opera sob um conceito simples, mas de impacto colossal: o e-commerce com uma trading, como a Tek Trade, atuando para importar produtos em grandes volumes, de forma centralizada e sob um único regime aduaneiro”, explica o diretor da Tek Trade, Sandro Marin.

Uma vez nacionalizada, a mercadoria é estocada em um centro de distribuição no Brasil. O produto, que antes levaria de 30 a 60 dias para ser entregue vindo da Ásia, agora pode chegar a qualquer parte do país em menos de 7 dias, a um custo infinitamente menor.

Estudos comparativos realizados pela empresa mostram que o frete de uma encomenda individual da China para o Brasil pode custar até 50% a mais do que o frete doméstico para o mesmo produto, considerando as taxas e impostos de desembaraço individuais. Ao consolidar as remessas, os grupos de e-commerce diluem os custos operacionais e fiscais, obtendo ganhos de escala que podem ser repassados ao consumidor e ainda melhorar a margem de lucro.

Nesse novo modelo, a atuação da trading company é fundamental. Além da intermediação, a expertise em planejamento tributário e regimes aduaneiros especiais é o que viabiliza a operação. A Tek Trade, por exemplo, possui um know how aprofundado na gestão de processos que, dependendo do caso, podem reduzir ou até isentar impostos sobre insumos e equipamentos importados, otimizando ainda mais a operação.

“Atuamos desde a viabilidade fiscal e financeira da importação até a gestão do transporte e armazenagem, ou seja, gerenciamos a cadeia de ponta a ponta, garantindo a conformidade fiscal para que não haja surpresas como o caso do consumidor receber cobranças de taxas. Isso protege a reputação do e-commerce e assegura a satisfação do cliente final”, explica Marin.

C6 Bank lança campanha de renegociação de dívidas com descontos de até 99%

A partir de hoje, clientes do C6 Bank com dívidas de cartão de crédito poderão renegociar e quitar débitos com até 99% de desconto. A iniciativa faz parte da Reneg Week, que vai até 10 de outubro e pretende ajudar os clientes a quitar suas dívidas e recuperar sua saúde financeira. O valor do débito pode ser parcelado em até 72 vezes, dependendo do perfil da dívida.

“A campanha foi criada para oferecer soluções flexíveis de renegociação e apoiar o cliente na busca por uma vida financeira sustentável. Nossa intenção é proporcionar tranquilidade, respeitando o momento de cada um, e construir um relacionamento baseado em confiança”, diz Renê Gonçalves, responsável pela área de operações do C6 Bank. “Estamos caminhando para o fim do ano e essa é uma ótima oportunidade de renegociar os contratos de crédito, pensando no longo prazo.”

Clientes pessoas físicas e jurídicas com dívidas em atraso no cartão de crédito podem aproveitar as condições especiais da campanha. Os descontos de até 99% são válidos para o pagamento das dívidas à vista, enquanto para pagamentos parcelados eles vão até 98% do valor total. 

A renegociação pode ser feita diretamente pelo app do C6 Bank, pelo site, por WhatsApp (11 2832 6088) e pelos telefones da Central de Relacionamento (3003 6116 para capitais e regiões metropolitanas e 0800 660 6116 para demais localidades). Os canais de atendimento funcionam 24 horas por dia.

AliExpress impulsiona a chegada de marcas internacionais no Brasil

O mercado de tecnologia no Brasil tem se mostrado cada vez mais aberto a marcas globais que oferecem inovação com preços competitivos. Grande parte desses produtos chega ao consumidor por meio do comércio eletrônico, como o AliExpress, que se consolidou como vitrine para lançamentos e tendências vindos de diferentes partes do mundo.

Entre os relógios inteligentes e pulseiras de monitoramento, marcas como Amazfit e Haylou conquistaram espaço por aliarem design, múltiplas funções e boa autonomia de bateria. No setor de áudio, SoundPEATS e Tronsmart se tornaram conhecidas por oferecer fones que unem qualidade sonora e conectividade estável. Já em acessórios, empresas como Baseus, UGREEN e Lenovo Thinkplus se destacam por atender demandas que vão de carregadores portáteis a cabos de alta performance, acompanhando a rotina cada vez mais digital dos usuários.

Outro segmento em ascensão é o de automação residencial. Produtos como os aspiradores inteligentes da Roborock e os drones da DJI representam o avanço das soluções que transformam a experiência doméstica e de lazer, trazendo tecnologia de ponta para diferentes perfis de consumidores.

Para destacar esse cenário, o AliExpress preparou a curadoria TrendSetters 2025, reunindo em um só espaço marcas consolidadas e novos nomes que já despertam interesse do público brasileiro.

Transformação digital: o equilíbrio essencial entre agilidade e estratégia

A transformação digital pode ser um desafio para empresas e isso inclui a inserção e o uso de inteligência artificial no dia a dia. Isso porque, ao utilizar a IA como solução na rotina, é necessário manter o equilíbrio entre a agilidade nas tomadas de decisão e o investimento de longo prazo para que essa transição seja bem-sucedida. Essa estabilidade define o sucesso ou o fracasso de muitas iniciativas, pois o obstáculo não é apenas adotar novas tecnologias, mas alinhar a velocidade da inovação com a visão e os investimentos sustentáveis.

De acordo com o Índice Transformação Digital Brasil (ITDBr) de 2024, produzido pela PwC, para quase metade dos participantes da pesquisa, a resistência a mudanças é o principal desafio no processo. A falta de visão de um modelo de negócios (22%) e a aversão ao risco (20%) são outros problemas importantes.

O relatório também destaca que, embora as empresas brasileiras estejam cada vez mais conscientes da relevância das inovações digitais, o ritmo de integração de novas soluções ainda depende de uma governança eficaz e de estratégias alinhadas às realidades operacionais e de mercado.

Na prática, porém, o que pode impedir uma transição digital de sucesso em um negócio?

Muitas empresas adotam metodologias ágeis para responder rapidamente às mudanças do mercado e às demandas dos clientes. Embora o resultado seja quase que instantâneo, essa abordagem permite apenas ciclos curtos de desenvolvimento, sendo escasso de constância no alto desempenho e entrega de valor. Além disso, elas tendem a ignorar o longo prazo, levando a um acúmulo de soluções fragmentadas e desconectadas. Sem uma visão clara, os “projetos ágeis” podem se tornar ineficientes e não escaláveis, gerando gastos desnecessários e dificuldade de integração no futuro.

Por outro lado, grandes companhias muitas vezes operam com sistemas antigos e complexos, que podem até gerar resultados, mas deixam a desejar quando o assunto é prática e rapidez no funcionamento da IA. Apesar disso, mesmo que decidam realizar a transição e integrar novas tecnologias a uma infraestrutura renovada, o desafio se torna técnico e financeiro.

Novos sistemas e capacitações demandam esforço, tempo e dinheiro. No entanto, apenas investir em equipamentos, por exemplo, não é suficiente se a organização continuar presa a processos tradicionais e burocráticos, que tendem a estagnar o desenvolvimento e reforçar uma mentalidade enraizada, sem perspectiva de atualização e inovação.

É justamente por isso que a modernização tecnológica precisa vir acompanhada de agilidade e de um planejamento estratégico bem estruturado. Dessa forma, a organização mantém a mente aberta para experimentar, aprender e garantir que esses aprendizados se traduzam em inovações significativas e sustentáveis.

Equilibrar a velocidade da inovação na identificação de falhas, a visão estratégica de futuro e os investimentos em cibersegurança e análise de dados permite que a empresa responda rapidamente às novas demandas do mercado, ao mesmo tempo em que se posiciona de forma sólida.

Quando todos entendem o propósito de longo prazo, a transição digital se torna uma ferramenta para alcançar a visão de futuro da companhia, e não apenas uma nova metodologia. Se os gestores e organizações não compreendem isso rapidamente, serão excluídos do mapa dos negócios em pouco tempo.

*André Sih é Founder & Managing Partner da Fu2re.

Cibersegurança além do perímetro: identidade digital é o novo escudo das empresas

O mais recente ataque ao sistema financeiro brasileiro se tornou um caso emblemático sobre como o conceito tradicional de perímetro corporativo ficou ultrapassado. Com criminosos explorando identidades legítimas para invadir sistemas, fica claro que proteger acessos e credenciais tornou-se o principal desafio das organizações. Em vez de mirar exclusivamente na infraestrutura técnica, cibercriminosos agora se concentram no fator humano, utilizando credenciais válidas para acessar informações confidenciais sem levantar suspeitas.

No último grande ataque registrado no país, invasores utilizaram contas legítimas roubadas para distribuir malwares de forma silenciosa, expondo vulnerabilidades graves na gestão de identidade das empresas envolvidas. Ataques baseados em credenciais roubadas já representam mais de 70% dos incidentes cibernéticos globais, com perdas anuais que chegam a US$ 13 milhões por empresa. Na América Latina, essa realidade é ainda mais crítica, com 82% das violações decorrendo justamente do mau uso de credenciais ou falhas humanas.

Identidade digital: o novo perímetro de segurança

A aceleração da transformação digital trouxe não apenas agilidade e inovação aos negócios, mas também desafios complexos para a segurança corporativa. Com o modelo tradicional de proteção baseado em infraestrutura ficando obsoleto, o perímetro físico das organizações, antes facilmente demarcado por redes internas e firewalls, perdeu sua relevância.

Atualmente, o conceito de perímetro é fluido, moldado pelo comportamento dinâmico dos usuários e pela forma descentralizada com que os sistemas são acessados. Nesse contexto, a identidade digital é, agora, a nova fronteira crítica, impondo uma mudança estratégica profunda: as empresas precisam garantir que cada credencial, cada usuário e cada dispositivo sejam continuamente verificados e validados antes de acessar informações sensíveis ou executar transações críticas.

Essa nova dinâmica de segurança está alinhada à filosofia do modelo Zero Trust, cuja premissa básica é nunca confiar implicitamente, independentemente do ponto de acesso. O perímetro agora é formado pela própria identidade dos usuários e dispositivos autorizados, redefinindo o que se entende por segurança eficaz.

Diferentemente da abordagem anterior, em que bastava manter o criminoso fora da rede, hoje é fundamental assegurar continuamente que um usuário autorizado não seja, na verdade, um invasor disfarçado. O conceito central é a autenticação permanente e adaptativa, em que cada requisição de acesso passa por múltiplas camadas de verificação contextual, incluindo análise de localização, dispositivo, comportamento e horário, além da identidade propriamente dita.

Gestão de identidades: ponto nevrálgico para cibersegurança

A gestão inadequada de identidades digitais abre espaço para ameaças críticas como movimento lateral, quando invasores usam uma única credencial comprometida para acessar diversos sistemas internos, explorando permissões excessivas.

Além disso, falhas simples, como a dependência exclusiva de senhas fracas, permitem acesso indevido, possibilitando que atacantes se disfarcem de usuários legítimos para obter dados confidenciais sem serem detectados. Fraudes internas, realizadas por usuários mal-intencionados ou invasores que assumem contas privilegiadas, também se tornam frequentes sem controles rígidos e monitoramento contínuo.

Outra ameaça crescente é o spear phishing, um ataque direcionado que utiliza informações detalhadas sobre executivos ou administradores para criar comunicações altamente convincentes, induzindo as vítimas a entregarem suas credenciais ou acessos privilegiados.

Por fim, substituir senhas estáticas por métodos mais robustos, como passkeys baseadas no padrão FIDO ou autenticação por certificados digitais, reduz significativamente o risco associado a credenciais vulneráveis ou repetidas. Na prática, empresas que adotaram esses mecanismos enfrentaram menos tentativas de fraude, comprovando que uma estratégia sólida e contínua de proteção de identidades é fundamental para blindar organizações contra o atual panorama de ameaças digitais.

Diante desse cenário, as empresas precisam adotar algumas medidas de proteção, tais como: uma forte governança de identidades, com políticas claras para gestão de IAM (Identity and Access Management), e segmentação de redes e aplicações, com controles reforçados para acessos críticos, como autenticação multifator, ajuda a limitar danos em caso de invasão, bloqueando movimentos laterais e protegendo áreas mais sensíveis.

Além disso, o uso da Inteligência Artificial (IA) para monitoramento contínuo e análise comportamental em tempo real pode trazer uma camada extra de monitoramento ao perímetro. Por fim, é fundamental consolidar uma cultura corporativa de segurança por meio de treinamentos regulares e simulações práticas, garantindo que todos – do nível operacional à alta gestão – estejam preparados e conscientes de seu papel na prevenção de ataques baseados em roubo ou manipulação de identidades digitais.

Em um momento no qual a ameaça é dinâmica e o perímetro de segurança está pulverizado em milhares de identidades digitais, a defesa corporativa precisa evoluir constantemente. Proteger a identidade não significa apenas adotar tecnologias avançadas, mas implementar uma estratégia completa que envolva governança rigorosa, conscientização contínua e uso inteligente de recursos como IA e autenticação adaptativa.

ANPD vira agência e inaugura nova fase da proteção de dados no Brasil

Por Sylvio Sobreira Vieira, CEO & Head Consulting da SVX Consultoria

Em um momento em que o Brasil registra recordes de incidentes cibernéticos e cresce a pressão por maior transparência no uso de dados pessoais, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) ganha mais poder. Elevada à agência reguladora pela Medida Provisória 1.317, aprovada em 17 de setembro último, a instituição passa a ter independência administrativa e financeira, condição essencial para fiscalizar com mais rigor e acompanhar a evolução tecnológica do mercado digital.

A mudança era aguardada desde 2022 e responde à crescente necessidade de um órgão mais autônomo e estruturado para lidar com desafios de privacidade, segurança da informação e direitos digitais. Na prática, isso garante à instituição autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira — características fundamentais para um órgão regulador atuar com independência. Até então, a ANPD operava como uma autarquia especial vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A independência do órgão também vai favorecer uma maior fiscalização sobre o próprio governo federal. Só em 2024, houve mais de 9 mil vazamentos de dados de sistemas federais, um salto mais de 21 vezes superior em relação a 2020, ano de entrada em vigor da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Reforço de estrutura e novas atribuições

Além de mudar a natureza jurídica da ANPD, a MP 1.317 traz um robusto plano de fortalecimento estrutural. O texto cria a carreira de Especialista em Regulação de Proteção de Dados, e autoriza a contratação de 200 servidores de carreira para esse fim. Esses novos cargos efetivos serão preenchidos por concurso e destinados a atividades de fiscalização, controle e análise técnica no setor. Além dos especialistas, a MP prevê a criação de 18 cargos em comissão, decorrentes dessa reorganização interna, bem como de outros 26 cargos comissionados adicionais para reforçar a gestão da agência.  

Com isso, a ANPD ganha musculatura administrativa, rompendo a dependência quase exclusiva que tinha de funcionários cedidos por outros órgãos. Entre 2021 e 2024, seu quadro de pessoal passou de apenas 50 para cerca de 141 servidores, ainda assim aquém do necessário frente à demanda crescente

No campo das competências, a agência também assume novas responsabilidades estratégicas. A mais emblemática é a atribuição de fiscalizar o cumprimento do recém-sancionado Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital, Lei nº 15.211/2025).  

Fiscalização, conformidade e perspectivas futuras

Do ponto de vista do mercado e da sociedade, a conversão da ANPD em agência reguladora prenuncia uma fase de fiscalização mais ativa e rigorosa no Brasil.  

Com a expansão do quadro técnico e a independência reforçada, espera-se que a ANPD aumente o número de inspeções in loco, instaure mais processos sancionadores contra violações da LGPD e faça cumprir suas determinações com maior agilidade. Esse incremento na capacidade operacional também deverá acelerar análises de incidentes de segurança e a resposta a reclamações dos titulares, reduzindo a morosidade que antes limitava a atuação do órgão.

Para as empresas, o recado é claro. A era de uma ANPD estritamente orientadora dá lugar a uma fase de cobrança efetiva de conformidade. Organizações de todos os portes precisarão revisitar seus programas de governança de dados e privacidade, assegurando não apenas a adequação à LGPD, mas também o cumprimento das normas e diretrizes mais recentes emitidas pela agência.  

Nos últimos meses, por exemplo, a ANPD editou regulamentações importantes sobre transferência internacional de dados (Resolução CD/ANPD nº 19/2024), sobre a função do encarregado de dados (Resolução nº 18/2024) e sobre notificações de incidentes de segurança (Resolução nº 15/2024). Ou seja, será preciso acompanhar e implementar as mudanças com muito mais velocidade do que o que vinha sendo feito até então.  

O papel da ANPD na regulação da IA e Big Data

Há uma expectativa crescente de que a ANPD desempenhe um papel protagonista na regulação da Inteligência Artificial e de tecnologias como o Big Data. Em 2023, o Senado Federal criou uma Comissão Temporária de Inteligência Artificial, cujo relatório apontou a ANPD como a candidata natural a coordenar o futuro Sistema Nacional de Regulação e Governança de IA.  

Da mesma forma, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados emitiu pareceres favoráveis ao protagonismo da ANPD nessa seara.

No contexto do Big Data, espera-se que a ANPD utilize seus poderes de orientação e sanção para evitar abusos no uso massivo de dados pessoais – seja por empresas, seja pelo próprio poder público – fomentando práticas de transparência, minimização de dados e “privacy by design” nas soluções inovadoras.

O novo status da ANPD sinaliza o início de um capítulo mais maduro na proteção de dados brasileira – em que regras claras, fiscalização eficaz e educação digital caminham juntos para fortalecer a confiança na economia digital e proteger, de forma concreta, os direitos da sociedade conectada.

Mês da Cibersegurança: como a IA fortalece a proteção sem comprometer a experiência do cliente

Somente em 2024, ataques cibernéticos causaram prejuízos de até R$ 2,3 trilhões à economia brasileira – o equivalente a 18% do PIB do país, segundo o Ministério Público. O dado mostra a dimensão de um desafio que não é mais apenas técnico, mas estratégico: como proteger informações sensíveis sem comprometer a inovação e a experiência do cliente?

É nesse contexto que o Mês da Cibersegurança ganha ainda mais relevância. Se, por um lado, consumidores exigem jornadas digitais rápidas e personalizadas, por outro, não abrem mão da privacidade e da segurança em cada interação. Já as empresas precisam equilibrar a transformação digital com a proteção de dados, preservando a confiança e a continuidade dos negócios.

A Genesys acredita que a cibersegurança deve caminhar lado a lado com a inovação em Customer Experience (CX). Por isso, as soluções da empresa unem IA, automação e compliance para oferecer jornadas digitais empáticas e, ao mesmo tempo, seguras. Entre os avanços apresentados recentemente no Xperience 2025, seu evento global, destacam-se: 

  • Garantia de segurança e conformidade em todas as interações, protegendo dados sensíveis e reduzindo riscos de fraudes; 
  • Aplicação da IA generativa para orientar agentes em tempo real, sugerindo respostas consistentes e em conformidade regulatória; 
  • Automação de fluxos críticos, que elimina redundâncias e aumenta a eficiência sem renunciar à proteção; 
  • Construção de experiências de ponta a ponta que reforçam a confiança do consumidor na marca. 

O que acha de conversar com Rander Souza, diretor de Soluções de IA e Inovação na Genesys para a América Latina? Ele pode trazer insights sobre como a IA aplicada à experiência do cliente pode também ser uma aliada estratégica da cibersegurança, e como empresas brasileiras estão se preparando para esse novo cenário, em que a confiança digital é um diferencial competitivo. 

Rander Souza, Diretor de Soluções de IA e Inovação da companhia para a América Latina. Com mais de 15 anos de experiência no setor de tecnologia e com passagens pela Huawei, Oi e Avaya, Rander atua há mais de cinco anos na Genesys, liderando iniciativas estratégicas que unem inteligência artificial, dados e inovação contínua para transformar a experiência de clientes (CX) e colaboradores (EX). Sua carreira é marcada por projetos que impulsionam a transformação digital em grandes empresas, ajudando a criar jornadas personalizadas em escala e novos modelos de atendimento e relacionamento.

“6G na Sexta”: uma visão de especialistas brasileiros sobre a nova geração de redes móveis que nasce com IA

Foi lançada ao público uma das primeiras obras nacionais dedicadas aos preparativos para a chegada da rede móvel da era da inteligência artificial no País: “6G na Sexta”. Com 59 artigos assinados por quatro engenheiros de destaque no setor de telecomunicações brasileiro, o livro retrata o atual estágio da tecnologia e analisa necessidades e equívocos a serem evitados no processo de implantação nacional. A obra, apresentada ao público do Futurecom (principal congresso de telecomunicações do País, realizado na última semana em São Paulo), foi publicada pela Editora Pontes e conta com o patrocínio do instituto de ciência e tecnologia FITec.

Segundo Vinicius Caram, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, “6G na Sexta é um registro que conecta passado, presente e futuro — do analógico à prospectiva do 6G — e reafirma o compromisso da Anatel em acompanhar de perto as inovações, dialogando com a indústria, a academia e a sociedade para garantir que o Brasil esteja plenamente inserido nessa nova era digital”. O 6G, cuja presença se consolidará na próxima década, promete transformar não apenas a vida cotidiana do brasileiro, mas também os setores de saúde, bem-estar, indústria, agricultura e educação.

No artigo “O Brasil precisa aprender as regras do jogo”, os autores registram que “a corrida para o 6G já começou, e o Brasil precisa se posicionar estrategicamente para participar ativamente desse desenvolvimento”. Em “1,2,3,4,5 & 6G – Uma proposta para o engajamento do Brasil”, destacam a importância de uma abordagem holística para o desenvolvimento da tecnologia, abrangendo engajamento comunitário e educação pública, regulamentação e normas, pesquisa e desenvolvimento, inclusão digital e acessibilidade, ética e privacidade, sustentabilidade e impacto social, além da capacitação da força de trabalho.

Hermano Pinto, mestre em gestão empresarial pela Duke University, com 30 anos de atuação no Grupo Siemens no currículo, explica que “o 6G traz a inteligência artificial de forma nativa, o que nos permite refletir sobre a soberania dos dados e projetar redes adequadas à nossa realidade”. Enquanto isso, Wilson Cardoso, PhD pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e idealizador da obra, afirma que o livro mescla “tecnologia, visões de mercado e possibilidades para o Brasil”. “No passado, fizemos ótimas coisas e cometemos alguns erros (na implantação das tecnologias móveis no País); trazer essa experiência é para inspirar as pessoas a fazer melhor”, alerta.

Alberto Boaventura, engenheiro de software pós-graduado pela UFRJ com mais de três décadas de experiência em empresas públicas e privadas, lembrou que, para a redação da obra, foram escritas resenhas semanais “em que discutíamos os últimos eventos e propostas, porque o padrão 6G ainda está em formação”. Atendendo ao propósito dos autores, o livro será destinado gratuitamente a instituições de ensino superior e de formação tecnológica. “6G na Sexta” também conta com prefácio de Juarez Quadros do Nascimento, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente da Anatel.