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Frete não acompanha custo e transportadoras operam no limite em 2026

O transporte rodoviário de cargas entrou em 2026 com uma conta difícil de fechar. De um lado, os custos operacionais continuam subindo. De outro, a capacidade de repassar esses aumentos ao frete segue limitada por um mercado ainda cauteloso, pressionado por juros, consumo irregular e margens apertadas na indústria, no varejo e no agronegócio.

O diesel, principal insumo do setor, representa em média 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras, segundo a NTC & Logística. Por isso, qualquer oscilação no combustível tem impacto quase imediato no preço do frete e na rentabilidade das empresas de transporte.

Em março de 2026, o custo do frete rodoviário registrou alta de 3,36%, chegando a R$ 7,99 por quilômetro rodado, segundo o Índice de Frete Rodoviário da Edenred Repom. No mesmo período, a ANTT atualizou a tabela do piso mínimo de frete em razão da alta do diesel, elevando o coeficiente de deslocamento de R$ 5,986/km para R$ 6,368/km.

Para Célio Martins, gerente de novos negócios do Transvias, o problema não está apenas na alta de custos, mas na velocidade com que eles chegam ao transportador.

“O transporte sente tudo muito rápido. Quando o diesel sobe, quando o crédito fica caro, quando o consumo desacelera, a transportadora sente antes de muita gente. O problema é que nem sempre ela consegue repassar esse custo na mesma velocidade. A margem vai sendo corroída aos poucos”, afirma.

O cenário internacional também adiciona pressão. A recente crise energética global, provocada pela guerra no Irã e pela alta do petróleo para perto de US$ 110 por barril, levou países da América Latina a adotarem medidas para reduzir o impacto nos combustíveis. No Brasil, o governo anunciou apoio ao diesel, ao gás e ao setor aéreo, além de redução de impostos sobre biodiesel e gás de cozinha, segundo o El País.

Na prática, mesmo quando há tentativa de amortecer o impacto para o consumidor, o setor produtivo segue exposto à volatilidade. Caminhões dependem de diesel, peças, pneus, manutenção, seguro, mão de obra e financiamento. Quando esses itens sobem ao mesmo tempo, a operação fica mais pesada.

A dificuldade aparece também na renovação da frota. Dados publicados pela Transporte Moderno mostram que as vendas de caminhões acumulavam queda superior a 15% no primeiro quadrimestre de 2026, refletindo ambiente adverso para o transporte rodoviário, marcado por juros elevados, custo do diesel e maior cautela nos investimentos.

“O caminhão é o ativo principal da transportadora. Quando a venda de caminhões cai, isso mostra que o setor está adiando investimento. Muitas empresas continuam operando, mas com frota envelhecida, manutenção mais cara e menos capacidade de modernizar a operação”, analisa Martins.

Outro ponto de atenção está na infraestrutura. Levantamento da CNT aponta que más condições de rodovias elevam o custo operacional dos transportadores. Em 2025, esse cenário teria gerado consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de diesel, com impacto direto no custo do setor.

Para embarcadores, o risco é tratar o frete apenas como uma linha de custo a ser comprimida. Segundo Martins, essa visão pode gerar efeito reverso.

“Quando o frete fica artificialmente baixo, alguém paga essa conta. Pode ser a transportadora, com margem negativa. Pode ser o embarcador, com atraso e perda de qualidade. Pode ser o consumidor, com preço maior lá na frente. O frete precisa ser negociado com inteligência, não apenas pelo menor valor”, diz.

É nesse contexto que dados e planejamento ganham relevância. O Transvias acompanha a movimentação de consultas de frete em diferentes regiões e perfis de carga, o que permite observar mudanças de comportamento antes de elas aparecerem nos indicadores oficiais.

“Na nossa base, conseguimos perceber quando um setor começa a reduzir consulta, quando uma região perde força ou quando aumenta a busca por alternativas de frete. Esse tipo de leitura ajuda embarcadores e transportadoras a tomarem decisões melhores”, afirma Martins.

O Transvias registrou um aumento de 21,95% no volume total de consultas de frete em comparação ao ano anterior. Esse crescimento indica que, diante da alta de custos, os embarcadores estão intensificando a cotação e a busca por novos parceiros para otimizar orçamentos. 

Os dados da plataforma mostram que o setor de E-commerce e Bens de Consumo lidera a alta na procura por transporte, com avanço de 12%. Em contrapartida, o setor de Construção Civil apresentou a maior retração, com queda de 8% nas consultas por fretes de grande volume e cargas pesadas. 

Observamos uma mudança clara de comportamento: a busca por carga fracionada e redespacho cresceu 18% nos últimos meses. Isso sinaliza que as empresas estão evitando estocar grandes volumes e preferindo envios menores e mais frequentes para preservar o fluxo de caixa. 

Para 2026, a tendência é de um mercado mais seletivo. Transportadoras terão de controlar melhor os custos, escolher operações mais saudáveis e evitar fretes que não cobrem a estrutura mínima da operação. Embarcadores, por sua vez, precisarão entender que eficiência logística não depende apenas de preço, mas de previsibilidade, parceria e planejamento.

“O transporte rodoviário é um dos primeiros setores a sentir a economia real. Se ele está pressionado, é sinal de que a cadeia inteira precisa prestar atenção”, resume Martins.

Ferramentas de automação no WhatsApp entram na rotina de vendas das empresas brasileiras

O uso do WhatsApp como canal de atendimento e vendas já faz parte da rotina de empresas e empreendedores autônomos no Brasil. O que antes era uma alternativa prática para comunicação direta com clientes agora evolui para um papel mais estratégico, passando a integrar a infraestrutura de automação comercial das organizações. O uso de tecnologia melhora o funcionamento das equipes e otimiza o trabalho dos vendedores. Porém, com o aumento do volume de interações, surgem também desafios relacionados à organização das conversas, ao controle das negociações e à preservação de dados relevantes.

Nesse contexto, soluções que conectam o WhatsApp aos sistemas de gestão de relacionamento com clientes ganham espaço, permitindo que as empresas transformem conversas em informações estruturadas e acionáveis. Para Tulio Monte Azul, cofundador e diretor de produto da Agendor, empresa responsável por um ecossistema de soluções voltadas à gestão de vendas e CRM, manter as conversas apenas no WhatsApp, sem integração com sistemas de gestão, pode trazer riscos importantes para o negócio.

— Você pode perder dados críticos, ignorar demandas relevantes ou simplesmente deixar de acessar uma informação essencial no momento da proposta ou pós-venda — afirma.

Ainda conforme ele, ao estruturar e armazenar os dados das conversas, as equipes comerciais passam a contar com informações mais completas para personalizar abordagens e retomar contatos com leads de forma mais eficiente. Isso contribui para negociações mais estratégicas e orientadas por dados.

— Negociar com inteligência é usar os dados que o próprio cliente forneceu. E, para isso, o CRM precisa estar completo e atualizado, sem depender de buscas manuais ou memória individual — diz o especialista.

Integração aumenta eficiência das equipes

Para colocar em prática a conexão entre WhatsApp e CRM, o Agendor Chat, desenvolvido pela Agendor, aproxima o aplicativo de mensagem da ferramenta de automação, criando uma ponte entre o contato com o cliente e a gestão comercial. O objetivo é tornar o atendimento mais fluido, integrado e escalável.

A ferramenta conta com funcionalidades de automação que permitem distribuir conversas entre vendedores, enviar modelos de mensagem predefinidos e qualificar leads para o CRM de forma semi-automática. Esse tipo de organização contribui para aumentar a eficiência das equipes e reduzir falhas no processo de atendimento. Outro destaque da solução é o registro centralizado das interações, que garante maior segurança para as empresas em situações como mudanças de equipe, perda de acesso a números ou ausência de formalização das negociações em outros canais.

A evolução desse cenário aponta para uma integração cada vez mais avançada entre WhatsApp e CRM, impulsionada pelo uso de inteligência artificial. Para os próximos anos, segundo Tulio, a expectativa é que as ferramentas sejam capazes de interpretar automaticamente as conversas e executar ações dentro dos sistemas de gestão, reduzindo tarefas operacionais e ampliando o foco das equipes em atividades de venda.

— Estamos avançando para um cenário em que a IA interpreta os conteúdos trocados e executa ações automaticamente no CRM, reduzindo o trabalho operacional e liberando tempo para o vendedor focar no que importa: vender — explica.

WhatsApp apresenta maior índice de engajamento do serviço

De acordo com dados da Pluga, plataforma brasileira que conecta, sem necessidade de código, as principais ferramentas de gestão utilizados por pequenas e médias empresas, o grupo de usuários que utilizam WhatsApp apresenta o maior índice de engajamento do serviço da empresa.

Os números da empresa mostram que o volume de eventos no WhatsApp é cerca de 12 vezes superior à média, enquanto as automações ativas são 16 vezes superiores ao restante da base, acumulando mais de 500 mil mensagens disparadas em apenas dois anos. Entre as empresas pioneiras nesse uso, as agências de marketing e publicidade se destacam como um dos setores que mais utilizam esse tipo de aplicação.

Ainda segundo os dados da Pluga, o WhatsApp é o principal canal de comunicação no Brasil, mas poucas empresas aproveitam da melhor forma esse canal. O levantamento da empresa aponta que as marcas já vivem dentro do fluxo onde o aplicativo de mensagem é o destino natural dos leads que capturam e qualificam para seus clientes.

Para Diego Minone, CMO da Pluga, automatizar o caminho é uma decisão operacional. E é nessa camada que algo maior está acontecendo: o WhatsApp está deixando de ser uma ferramenta de atendimento e passando a ser parte da infraestrutura de operações comerciais.

— As agências chegaram primeiro porque já vivem dentro desse fluxo: capturar o lead, qualificar e entregar pelo canal certo. O WhatsApp é o canal certo no Brasil. O que os dados mostram é que automatizar essa última milha ainda é raro, mas quem o faz opera em outro nível. A tendência é que isso deixe de ser exceção — finaliza.

Principais erros na integração de ferramentas

Ao utilizar as ferramentas de integração entre CRM e WhatsApp, é necessário ter alguns cuidados. De acordo com Gustavo Gomes, especialista de vendas na Agendor, os principais erros cometidos por empresas neste tema envolvem a desorganização, a falta de personalização no atendimento e o envio excessivo de mensagens automáticas sem qualquer estratégia. Além disso, quando não há um processo bem definido, os clientes ficam sem resposta, o que gera atrasos significativos no atendimento e, consequentemente, perda de oportunidades de negócio.

Para que esse canal funcione de maneira sustentável, é fundamental estruturar um funil de vendas específico para o WhatsApp, segmentando os contatos conforme o grau de maturidade do lead. A proposta envolve ter um banco de dados atualizado, com informações organizadas, que evita desperdício de esforços com perfis inadequados e permite acionar a ação certa, no momento certo, para o cliente certo.

Por fim, Gustavo ainda diz ser indispensável padronizar o atendimento e estabelecer fluxos bem definidos.

— A equipe precisa ser treinada para manter um tom profissional e consultivo, com mensagens claras e objetivas. É igualmente importante definir prazos para resposta e utilizar automações de forma estratégica, sempre preservando o toque humano — destaca.

Para ele, mais do que capturar dados, a nova geração de CRMs precisa interpretar o contexto comercial e agir com base nele.

— Não se trata apenas de software, mas de um novo modelo de gestão, onde a tecnologia deixa de ser suporte e passa a atuar como copiloto das equipes de vendas — pontua.

Na esteira do Brazil at Silicon Valley, Workhub promove encontros exclusivos com lideranças de RH e Comunicação Interna para discutir IA e o futuro do trabalho

A Workhub, HR Tech especializada em soluções corporativas por assinatura e experiência digital, promove nesta semana dois encontros exclusivos voltados a lideranças de RH e Comunicação Interna de algumas das principais empresas do país. Os eventos acontecem ao longo de dois dias, reunindo networking seleto, alta gastronomia e discussões estratégicas sobre inteligência artificial, tecnologia e o futuro do trabalho.

A programação começa hoje, terça-feira (12), com um almoço dedicado a lideranças de média gestão, realizado das 11h30 às 15h, no clube social privado EmCasa. Já na quarta-feira (13), acontece um jantar exclusivo para C-Levels, das 18h30 às 21h30, no mesmo local. Participam representantes de empresas como PetLove, Ambev, Zé Delivery, Air France, QuintoAndar e NeoBPO, entre outras organizações convidadas. A iniciativa reforça o posicionamento da Workhub como referência em tecnologia, comunicação interna e experiência de pessoas colaboradoras, levando ao RH discussões estratégicas sobre os impactos da transformação digital no ambiente corporativo.

Os encontros têm como tema central pautas importantes debatidas no Brazil at Silicon Valley (BSV), evento realizado em abril, nos Estados Unidos, e que contou com a participação de Andréa Migliori, CEO da Workhub, entre as lideranças brasileiras convidadas para a edição de 2026. A proposta da empresa é traduzir para o RH brasileiro os principais insights debatidos no Vale do Silício sobre inteligência artificial, liderança, inovação e o futuro do trabalho.

“Os encontros mais transformadores são aqueles que criam espaço para conversas verdadeiras e conexões relevantes. A proposta deste evento é reunir lideranças que estão pensando o RH de forma estratégica, olhando para tecnologia e inovação sem perder de vista aquilo que sustenta qualquer transformação: as pessoas”, afirma Andréa.

Amazon acelera expansão no Brasil e lança Complexo Logístico em Osasco, ampliando capacidade de entrega em horas na região

A Amazon anuncia seu novo Complexo Logístico em Osasco, São Paulo, como um dos seus principais hubs tecnológicos no Brasil. A operação reúne uma estação de entrega, infraestrutura para entrega em horas, operação de malhas aéreas, além de um escritório corporativo. São 25 mil m² e capacidade de processamento de mais de 150 mil pacotes por dia, com mais de 600 funcionários diretos e indiretos trabalhando na operação e 60 vagas abertas em diversos setores. Esse lançamento acelera entregas para clientes em diversas regiões do Brasil, com foco na região metropolitana de São Paulo, e possibilita entregas em horas para Zona Oeste de São Paulo e região metropolitana Oeste de SP, como Osasco e Barueri.

Esse é o primeiro complexo no Brasil com uma infraestrutura desse nível, que combina diferentes operações para atender regiões e demandas diferentes. Ao combinar esses recursos em um único local, nós otimizamos equipes, aceleramos o processamento de pacotes e garantimos entregas cada vez mais rápidas e eficientes para clientes no país”, explica Ricardo Pagani, Diretor de Operações da Amazon Brasil. “Isso só é possível graças a nossa rede logística tecnológica e interconectada, que une o melhor de uma expertise global com todo nosso conhecimento local para continuar acelerando entregas em horas e minutos em diferentes regiões”, complementa.

A operação em Osasco faz parte do plano de expansão da Amazon no país, que encerrou o primeiro trimestre de 2026 alcançando dois marcos históricos no Brasil: a expansão para 300 centros logísticos operados com tecnologia Amazon, distribuídos por todos os estados brasileiros, gerando milhares de oportunidades de trabalho; e a oferta da opção de entrega mais rápida entre os principais e-commerces do país, com ampla variedade de produtos chegando em poucas horas nas principais cidades, e, em áreas selecionadas, em até 15 minutos. A expansão da Amazon no Brasil tem como objetivo ampliar o acesso ao e-commerce em todas as regiões do país. Com mais de 100 novos centros inaugurados apenas em 2025, a Amazon já realiza entregas porta a porta em destinos diversos — das regiões ribeirinhas da Amazônia a comunidades urbanas densas como as favelas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Além do Sudeste, a presença logística da Amazon cresce de forma consistente em todo o território nacional: mais de 140 centros estão localizados fora da região Sudeste. Essa descentralização permite entregas mais rápidas e confiáveis, levando conveniência a um número cada vez maior de brasileiros. Em apenas seis anos de operações de varejo no país, a Amazon construiu uma das maiores redes logísticas nacionais, conectando milhões de produtos a consumidores com cada vez mais velocidade, confiabilidade e conveniência. Com o Amazon Prime, clientes têm acesso a frete grátis ilimitado em milhões de itens, além de benefícios como ofertas exclusivas, streaming de vídeo e música, jogos e leitura digital.

Somos obcecados pelos nossos clientes — e é essa obsessão que nos impulsiona a continuar inovando e elevando o patamar do e-commerce no Brasil. Estamos investindo no país para oferecer flexibilidade e conveniência reais, independentemente de onde nossos clientes estejam. Seja em 15 minutos, no mesmo dia em uma janela de horário agendado ou consolidado em um único dia da semana com o ‘Seu Dia de Entregas Amazon’, os brasileiros podem contar com a Amazon de diferentes formas.” — Ricardo Pagani, Diretor de Operações, Amazon Brasil

O papel do líder diante da automação e do avanço da onipresente IA

Conselhos de administração, investidores, corpos diretivos e o próprio mercado passaram a exigir das empresas e de seus colaboradores, cada vez mais, respostas imediatas diante do avanço da inteligênciaartificial. A narrativa dominante parte de algumas premissas, como a de que se as companhias não se adaptarem vão ficar para trás, ou ainda aquela que intui que todos os concorrentes estão “mais avançados e preparados do que nossa organização”.

E foi dessa forma, frequentemente sem mais reflexões ou detalhadas análises nos bastidores, que em alguns poucos meses (ChatGPT veio a público há menos de 4 anos) a IA deixou deser uma promessa distante e passou a ser tratada como uma necessidade imediata e única para a sobrevivência corporativa. E, sendo um especialista no tema, seria difícil alegar que urgência e preocupação com o assunto não deveriam estar, de fato, no radar de100 entre 100 executivos.

Mas existe um paradoxo, uma contradição, que permeia o dia a dia de todos que tentam implementar soluções efetivas baseadas em IA nos seus negócios, e que é frequentemente negligenciada:a “urgência externa” (ou até mesmo “conceitual”) contrasta com uma realidade interna corporativa muito mais complexa e lenta, associada ao processo de adoção de novas tecnologias.

Dentro das organizações, a aceitação e uso da inteligência artificial ainda ocorrem de forma desigual e assimétrica. Embora ferramentas como ChatGPT, OpenClaw, Claude, Gemini e outrassoluções generativas tenham atingido milhões de usuários em tempo recorde, o uso corporativo não acompanha o mesmo ritmo de crescimento. Muitas empresas anunciam iniciativas, criam áreas dedicadas e comunicam projetos de inovação, mas enfrentam dificuldadespara transformar isso em valor concreto, além dos pilotos ou iniciativas pontuais. E esse descompasso revela que o principal obstáculo para uma adoção mais consistente não é tecnológico, mas sim cultural.

Pesquisas recentes reforçam esse cenário ao mostrar que uma grande parcela das empresas (80%) que implementaram IA ainda não conseguiu capturar ganhos relevantes de produtividade. Em alguns casos, o efeito foi até contrário. Colaboradores passaram a utilizarferramentas de inteligência artificial, mas gastaram tempo adicional revisando, ajustando e validando os resultados porque não têm confiabilidade e encontram falhas disfarçadas em certezas pelo algoritmo. Em vez de acelerar o trabalho, a tecnologia adicionauma camada de complexidade e análise até então inexistente. E esse natural cenário (afinal, trata-se de uma tecnologia nova!) evidencia a falta de preparo estrutural e de letramento digital para absorver o potencial da IA de modo realmente coerente com asnecessidades do business.

Ao mesmo tempo, existe um fenômeno acontecendo dentro das equipes. Mesmo quando incentivados a usar inteligência artificial, muitos profissionais demonstram resistência. Essa resistêncianão está necessariamente ligada à dificuldade técnica, mas ao medo. Em diferentes mercados, especialmente nos Estados Unidos, já surgem relatos de colaboradores que evitam utilizar essas ferramentas por receio de estarem contribuindo para sua própria substituição nofuturo próximo. Trata-se de uma reação compreensível em ambientes onde a liderança não deixa claro qual é o papel da tecnologia na evolução do trabalho.

Outro problema recorrente é a tentativa de encaixar uma solução nova dentro de estruturas antigas. Muitas organizações continuam operando com processos rígidos, culturas avessasao risco e modelos de gestão que não favorecem a experimentação. Nesse contexto, a inteligência artificial acaba sendo utilizada de forma superficial, sem alterar a lógica do negócio. O resultado é previsível: iniciativas que consomem recursos, oneram processos,mas não entregam qualquer transformação real (ao contrário, inclusive).

Esse cenário reforça a importância do papel da liderança, que precisa atuar como agente de mudança. É ela quem traduz a estratégia, define prioridades e cria o ambiente necessáriopara que a tecnologia gere impacto. Sem direção clara, a IA se torna apenas mais uma ferramenta disponível, sem conexão com os objetivos do negócio, sem alinhamento com o propósito e nem tampouco com a vocação da organização.

Como se o desafio fosse pequeno, além de tudo o líder possui a enorme responsabilidade de construir um ambiente de segurança psicológica para as equipes. Em um ambiente marcado porincertezas, é natural que surjam muitas dúvidas e resistências. Cabe à liderança deixar claro que a inteligência artificial não é um mecanismo de substituição por si, mas uma forma de ampliar capacidades e acelerar a geração de valor. Quando as pessoas entendem o propósito da tecnologia,a relação com ela muda. O medo dá lugar à experimentação, e a experimentação abre espaço para aprendizado.

Outro ponto central é o investimento em letramento digital “real”. Não basta disponibilizar ferramentas e esperar que os resultados apareçam. A utilização eficiente da IA exige conhecimento,prática e contexto. Em empresas mais tradicionais, esse desafio é ainda maior, pois muitas vezes há uma lacuna significativa de habilidades digitais pelos próprios líderes mais sêniores, que falham em dar seu próprio exemplo para o quadro de colaboradores.Superar essa barreira exige um esforço contínuo de capacitação, que envolva todos os níveis da organização e pressuponha a transformação inequívoca da alta liderança.

É importante destacar também que a adoção de inteligência artificial precisa estar conectada a problemas reais. Muitas iniciativas falham porque começam pela tecnologia, e não pelanecessidade do negócio. O caminho mais eficaz é identificar onde estão os gargalos, os desperdícios e as oportunidades de ganho. A partir disso, a escolha da ferramenta se torna mais clara e direcionada. Essa abordagem prática aumenta significativamente aschances de sucesso.

Por outro lado e como supracitado, a automação mal implementada pode gerar efeitos negativos. Exemplos disso são experiências de atendimento automatizado que não resolvem problemas ouque aumentam a frustração do cliente, pelas quais você, leitor, certamente passa todas as semanas. Quando a tecnologia é aplicada sem critério, ela compromete a percepção de valor da marca e a experiência do cliente.

Mas então, como ter êxito nessa jornada? Pois bem, empresas que conseguem avançar na adoção de IA partilham de algumas características comuns. Por exemplo, elas tratam a tecnologiacomo uma capacidade organizacional, e não como um projeto isolado. Também trabalham com ciclos curtos de aprendizado, testam rapidamente e ajustam com frequência. Mais importante ainda, envolvem as pessoas no processo desde o início, criando um senso de pertencimento e colaboração. E aspessoas ajudam a definir quais aplicações trarão soluções concretas de problemas que afetam clientes e ao negócio, em si.

Não sou um neoludita ou alguém desconectado dos fatos, ao contrário. A transição para um mundo em que a inteligência artificial permeia todos os aspectos da existência e dos negóciosé absolutamente inevitável. Negar essa realidade não é uma opção viável. No entanto, avançar sem considerar o fator humano e o imperativo de que a tecnologia tem o papel de servir às pessoas em última análise, também não funciona. O verdadeiro desafio está em equilibrar essasduas dimensões com concretude, pragmatismo e um olhar mais amplo e de longo prazo. E é exatamente para isso que precisamos de lideranças cada vez mais relevantes, impactantes e capazes de inovar com propósito e foco.

Plataforma de financiamento coletivo para despesas médicas entra no radar das PMEs e de empregadores domésticos

Dados recentes do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar mostram um cenário revelador: empresas com até quatro beneficiários representam 88% dos contratos de planos de saúde empresariais no país, mas concentram apenas cerca de 17% dos usuários totais.

Na prática, isso indica que, embora as pequenas empresas sejam maioria na contratação, o acesso efetivo ao benefício ainda é limitado, com cobertura reduzida e, muitas vezes, restrita a poucos funcionários. Entre 2020 e 2024, o número de empresas com convênio cresceu mais do que o número de beneficiários, reduzindo a média de pessoas atendidas por contrato.

Adicionalmente, as pequenas e médias empresas enfrentam um grande desafio: os reajustes elevados e sem limite definido pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) nos planos coletivos. Na prática, isso torna os custos imprevisíveis e dificulta manter o benefício ao longo do tempo. Como consequência, muitas PMEs acabam reduzindo a cobertura, dividindo custos com os colaboradores ou até cancelando o plano de saúde.

Alternativas aos planos de saúde tradicionais começam a ganhar espaço no Brasil

Diante desse cenário, novos modelos de acesso a serviços médicos começam a surgir com propostas mais adaptadas à realidade das pequenas empresas. Uma dessas iniciativas é a CrowdCare, plataforma internacional que iniciou sua operação no Brasil em 2026 e aposta no financiamento coletivo para despesas médicas.

Segundo Karina Brito, CEO da CrowdCare no Brasil, a plataforma é um fundo coletivo, exclusivamente voltado para o financiamento de despesas médicas, incluindo consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos hospitalares e clínicos.

“Temos três modalidades de adesão: o individual, o familiar (para até 4 membros) e o plano para pessoas de 54 a 64 anos. Nossos membros são pacientes particulares, ou seja, podem escolher livremente seus médicos, laboratórios e hospitais, em todo o Brasil. A cada atendimento, há uma coparticipação de R$ 250, independentemente do valor da despesa médica. A única exceção é o parto”, explica Karina.

“A CrowdCare é 100% digital. O nosso aplicativo centraliza todos os serviços com foco na experiência do usuário. Com isso, nossos membros podem usar a plataforma para se comunicar com a empresa, solicitar o reembolso das despesas, além de falar com nossos consultores de saúde, 24 horas por dia, 7 dias da semana”, relata a executiva.

A empresa também disponibiliza, por meio do aplicativo, consultas médicas por telemedicina, psicoterapia online, descontos em medicamentos e cobertura para vacinas fora do calendário do Ministério da Saúde.

Alternativa acessível e previsível

Karina afirma que a proposta da CrowdCare é reduzir as barreiras de entrada nos planos de saúde e dar mais previsibilidade, seja para pessoas físicas ou para às empresas.

“Grande parte das pequenas empresas quer oferecer algum tipo de benefício de saúde, mas não consegue viabilizar isso dentro do modelo tradicional. O financiamento coletivo surge como uma alternativa mais acessível e previsível”, afirma.

Um dos principais diferenciais da CrowdCare é a possibilidade de adesão sem exigência de número mínimo de vidas — um dos entraves mais comuns para pequenas empresas. Isso permite que negócios com poucos funcionários consigam oferecer o benefício de forma mais ampla, sem a necessidade de restringir o acesso a apenas parte da equipe.

Outro ponto é a previsibilidade de custos, com mensalidades fixas a partir de R$ 250, o que facilita o planejamento financeiro — especialmente em contraste com os reajustes variáveis dos planos tradicionais. O reajuste da CrowdCare é anual, baseado nos índices comumente usados no Brasil, como o IPCA.

Um novo público entra no radar

Além das PMEs, o modelo da CrowdCare também começa a atender um público historicamente pouco contemplado: os empregados domésticos, como babás, cuidadores de idosos, empregadas domésticas e outros funcionários da categoria.

“O modelo da CrowdCare é para todos, ou seja, para pessoas físicas, para trabalhadores do mercado informal, para profissionais liberais e pode, também, ser oferecido como um benefício para trabalhadores das PMEs e da categoria dos empregados domésticos”, comenta a executiva.

“Não há dúvidas de que tendência é que pequenas e médias empresas passem a buscar soluções mais flexíveis e sustentáveis no longo prazo. Nesse cenário, o benefício de saúde deixa de ser um modelo único e passa a assumir novos formatos, mais alinhados à realidade financeira e operacional das empresas”, finaliza Karina.

Alta das fraudes digitais muda a forma como empresas validam documentos

Por Juliana Bauer Lomonaco Quinto, Gerente de Marketing da Access para Latam 

O Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude digital apenas no primeiro semestre de 2025, o que representa uma tentativa a cada 2,3 segundos, segundo dados do Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. O número é recorde e reflete uma alta de 29,5% sobre o mesmo período do ano anterior. A escalada não é coincidência: o movimento acompanha a massificação dos serviços financeiros digitais, a consolidação do Pix como principal meio de pagamento e, sobretudo, a chegada de ferramentas de inteligência artificial generativa ao arsenal dos fraudadores.  

Empresas de todos os portes do setor financeiro estão sendo forçadas a abandonar modelos tradicionais de verificação documental e adotar arquiteturas mais robustas, com o uso de automação e IA. O setor bancário e de cartões concentra mais da metade de todas as ocorrências envolvendo crimes digitais, respondendo por 53,7% das tentativas no primeiro semestre de 2025. O prejuízo potencial, ou seja, o valor que seria perdido se as fraudes não fossem barradas, alcançou R$ 39,8 bilhões no período, contra R$ 29,9 bilhões no intervalo correspondente de 2024.  

O problema também atinge o varejo digital. Segundo o Mapa da Fraude 2024 da ClearSale, foram 2,8 milhões de tentativas no e-commerce brasileiro, com R$ 3 bilhões em valores potencialmente perdidos e ticket médio fraudulento de R$ 1.072. Celulares, eletrodomésticos e informática são os segmentos mais visados.  

Inteligência artificial generativa como fábrica de documentos falsos 

A mudança mais significativa nesse ciclo de ameaças é o papel da inteligência artificial generativa como ferramenta de industrialização da fraude. A Sumsub aponta que o Brasil concentra 39% de todos os deepfakes detectados na América Latina, com incidência cinco vezes superior à dos Estados Unidos. No primeiro trimestre de 2025, os ataques com deepfake cresceram 700% em relação ao mesmo período do ano anterior, e as tentativas com documentos sintéticos avançaram 195%.  

Segundo o Entrust Identity Fraud Report 2025, a fraude documental digital ultrapassou pela primeira vez a falsificação física, respondendo por 57% dos casos globais. Um em cada 50 documentos falsificados identificados em 2025 foi gerado por ferramentas de IA generativa. 

A resposta do mercado brasileiro tem sido proporcional à ameaça. A 34ª Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária, conduzida pela Deloitte, aponto que os bancos brasileiros planejavam investir, no ano passado, um número 13% superior em relação a 2024.  Cerca de 10% do orçamento de TI bancário é direcionado a cibersegurança e prevenção a fraudes, e 100% dos bancos entrevistados classificam o tema como prioridade estratégica. Os investimentos em IA, analytics e big data devem crescer 61% no ano, com 80% das aplicações concentradas em detecção de fraude e lavagem de dinheiro. 

A validação documental, especificamente, tornou-se uma arquitetura mais complexa,  que o mercado denomina IDP, sigla para Processamento Inteligente de Documentos. A tecnologia combina captura e pré-processamento de imagens, classificação automática com aprendizado de máquina, extração por OCR inteligente, verificação cruzada em bases oficiais como Receita Federal, Senatran e TSE, além de biometria facial com prova de vida ativa ou passiva e análise forense de metadados.  

Estudos de consultorias globais de tecnologia indicam reduções de custo de até 20% e processamento 34% mais rápido com a adoção integrada dessas camadas. 

Na biometria, testes do NIST demonstram falha de apenas 0,2% nos algoritmos de topo, enquanto soluções brasileiras de validação de identidade digital reportam acurácia de 99,9%, processando dezenas de milhões de validações mensais. A lógica de defesa, contudo, migrou da biometria isolada para o que especialistas chamam de abordagem multicamadas: a identidade do cliente é validada de forma contínua ao longo do relacionamento, cruzando dados de dispositivo, comportamento de navegação, geolocalização e histórico transacional com as informações documentais e biométricas coletadas na entrada. 

Do backoffice à arquitetura de segurança 

O que muitas empresas ainda não perceberam, entretanto, é que validar um documento na porta de entrada não basta quando o ciclo de vida interno desse documento é frágil. Uma vez aprovado, o contrato, o comprovante de renda ou a procuração precisa trafegar por um fluxo rastreável, com trilhas de auditoria imutáveis, controle granular de permissões, versionamento e políticas de retenção automatizadas. 

Quando um documento adulterado encontra um processo interno sem rastreabilidade, o ponto único de falha não é a tecnologia de verificação na entrada, é a ausência de governança ao longo de todo o percurso. 

É por isso que a gestão documental passou a ser tratada como camada de segurança, e não mais como função de backoffice. A integração entre plataformas de validação de identidade, automação de processos documentais e sistemas de gestão eletrônica de documentos cria um ambiente em que cada etapa do fluxo funciona como barreira adicional contra fraude.  

A validação documental deixou de ser uma etapa burocrática do onboarding e se tornou peça de arquitetura de segurança. A combinação de regulação mais rigorosa, fraudadores munidos de IA generativa e consumidores cada vez mais expostos impõe uma resposta que não se resolve com uma única ferramenta. Exige camadas de tecnologia, governança de informação ao longo de todo o ciclo de vida dos documentos e capacidade de adaptação contínua. Quem ainda trata a verificação documental como checagem pontual está, na prática, operando com a porta aberta. 

Segurança digital se consolida como prioridade estratégica nas empresas brasileiras, aponta Barômetro da Mastercard

A segurança digital consolidou-se como um pilar estratégico e habilitador de negócios no Brasil, e não mais como um mero centro de custos. É o que revela a terceira edição do Barômetro da Segurança Digital, estudo encomendado pela Mastercard ao Instituto Datafolha. A pesquisa, realizada com tomadores de decisão da área de TI de empresas de pequeno, médio e grande porte dos setores de varejo, tecnologia, telecom, finanças, seguros, saúde e educação, aponta uma evolução significativa na maturidade, nos investimentos e na preparação das empresas contra ameaças cibernéticas nos últimos anos.

Comparando os dados de 2025 com os da última edição do estudo (2022), o avanço é notável em todos os portes. A existência de departamentos próprios para cibersegurança saltou de 35% para 75% no total da amostra — com destaque para as pequenas empresas, onde o índice saltou de 23% para 66%. A prioridade máxima no orçamento atual também mais que dobrou globalmente (de 23% para 53%), e nas grandes empresas já atinge 54%. Já a adoção de um planejamento anual para a área cresceu de 26% para 56% no total, chegando a 80% no setor de tecnologia e telecom.

“Os dados do Barômetro mostram uma transformação profunda na mentalidade do mercado brasileiro. A segurança digital migrou da periferia para o centro das decisões estratégicas”, comenta Daniel Vilela, VP de Prevenção a Fraude e Compliance da Mastercard Brasil. “As empresas não enxergam mais esse investimento apenas como uma despesa necessária, mas como um motor para gerar confiança, credibilidade, resiliência e inclusão digital levando à continuidade e expansão dos negócios. É um sinal claro de maturidade e uma resposta direta ao cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas”.

Confiança e credibilidade: os principais benefícios percebidos

O estudo identificou que os principais benefícios atribuídos ao investimento em cibersegurança são a confiança para a gestão dos negócios e a credibilidade diante de clientes e parceiros (71%). A percepção de que as empresas de seus setores são alvos de fraudes e de ataques digitais com alta ou média frequência saltou de 64% em 2022 para 78% em 2025, indicando um aumento da consciência do risco. Em resposta a esse cenário, as empresas têm intensificado medidas concretas — 96% realizam testes de segurança regularmente, 86% possuem um plano de resposta a incidentes e 75% já adotaram simulações de ataques nos últimos três meses.

Recorte por Porte da Empresa: pequenas empresas aceleram na adoção de estrutura e práticas de segurança

A evolução foi notável em todos os tamanhos, com destaque para a aceleração nas empresas de pequeno porte (10 a 49 funcionários), que representam 20% da amostra:

  • A criação de áreas próprias para cibersegurança disparou de 23% (2023) para 66% (2025).
  • A prioridade máxima (notas 9-10) no orçamento atual subiu de 19% para 42%.
  • A realização de simulações de ataques nos últimos 3 meses saltou de 31% para 63%.

As empresas de médio (50 a 99 funcionários – 28% da amostra) e grande porte (mais de 100 funcionários – 52% da amostra) também apresentam índices elevados. Nas grandes empresas, 87% consideram o tema “muito importante”, 90% possuem plano de resposta a ataques e 83% fizeram simulações recentes.

Recorte por Segmento Empresarial: tecnologia/telecom lideram em maturidade

A análise por setor de atuação revela diferentes níveis de maturidade, com o segmento de tecnologia + telecom se destacando consistentemente:

  • Prioridade Orçamentária: 72% atribuem prioridade máxima (notas 9-10) ao tema no orçamento atual.
  • Preparo: 64% se consideram muito preparados (notas 9-10) para um ataque cibernético.
  • Estrutura: 80% possuem planejamento anual para a área, e 98% têm um plano pronto de resposta a ataques.
  • Práticas: 100% realizam testes de segurança regularmente e 92% fizeram simulações de ataques nos últimos 3 meses.

O segmento financeiro + seguros também apresenta índices robustos, com 80% afirmando que o tema é “muito discutido” no setor e 90% possuindo plano de resposta a ataques. O varejo mostra grande avanço, com 73% já tendo área própria de cibersegurança. A saúde se destaca pela frequência de avaliações de riscos de terceiros e simulações. Educação, embora com indicadores um pouco abaixo da média geral, também registrou crescimento significativo em vários aspectos desde 2021.

Recorte Geográfico: Concentração nas Regiões Sudeste e Sul

A amostra da pesquisa teve a seguinte distribuição geográfica:

  • Sudeste: 42% das entrevistas.
  • Sul: 21% das entrevistas.
  • Nordeste: 21% das entrevistas.
  • Norte/Centro-Oeste: 16% das entrevistas.

Os dados consolidados apresentados no estudo representam, portanto, uma visão nacional, com peso proporcional à presença das empresas nas diferentes regiões.

Desafios persistentes e adoção tecnológica

Apesar dos avanços, desafios permanecem. Encontrar profissionais qualificados ainda é considerado “muito difícil” por 25% das empresas (uma em cada quatro). Na outra ponta, a adoção de tecnologias avançadas acelerou: 73% atribuem grande relevância à biometria, 47% à Inteligência Artificial/Machine Learning e 58% à criptografia. O uso intensivo (“utiliza muito”) de biometria para diminuir a utilização de senhas por clientes já é realidade para 52% das empresas. Essa adoção tecnológica é um dos pilares para a construção de um ecossistema digital mais seguro.

Metodologia:

O Barômetro da Segurança Digital 2025 é um estudo quantitativo realizado pelo Instituto Datafolha a pedido da Mastercard. Foram conduzidas entrevistas online, entre 01 de setembro e 24 de outubro de 2025, com tomadores de decisão da área de tecnologia de empresas de pequeno, médio e grande porte dos setores de varejo, tecnologia, telecom, finanças, seguros, saúde e educação. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 6 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. Os resultados foram ponderados conforme a participação de cada segmento na amostra.

Estratégia de cibersegurança na Mastercard

A evolução observada no Barômetro reflete uma transformação mais ampla da Mastercard, que vem se posicionando nos últimos anos como uma empresa de tecnologia que vai além dos cartões. Com mais de US$ 10 bilhões investidos globalmente em inteligência artificial e cibersegurança, a Mastercard desenvolve soluções que transformam dados em proteção em tempo real, como o Decision Intelligence Pro, Mastercard Threat Intelligence, RiskRecon, Safety Net, entre outras, apoiando empresas de todos os portes e segmentos a operar com mais confiança na economia digital.

Saiba mais em www.mastercard.com/br/pt/business/cybersecurity-fraud-prevention.html 

Omnichannel impulsiona faturamento do varejo no Dia das Mães

O Dia das Mães 2026 reforçou a importância da estratégia omnichannel para o varejo brasileiro. Dados da TOTVS Linx, especialista em tecnologia para o varejo, mostram que varejistas que atuam de forma integrada em diferentes canais de venda registraram aumento de 36% no faturamento na semana da data — entre os dias 3 e 10 de maio de 2026 —, em comparação com o mesmo período de 2025. O volume de pedidos também avançou, com alta de 35% na mesma comparação.

Os números evidenciam como a integração entre canais físicos e digitais é de fato um diferencial competitivo relevante especialmente em datas comemorativas de alto tráfego, quando a gestão eficiente de estoques, logística e atendimento ao cliente é determinante para converter intenção de compra em vendas concretizadas.

Para Cláudio Alves, diretor de produtos Enterprise da TOTVS Linx, os resultados refletem uma transformação estrutural no comportamento do consumidor e na maturidade digital do setor. “Hoje, quem se digitaliza, usa a tecnologia a seu favor, atua em diferentes canais de venda e coloca o cliente no centro da experiência se destaca em meio à concorrência. Em datas comemorativas como o Dia das Mães, o omnichannel se torna ainda mais importante e estratégico para os lojistas.”, afirma.

Retail media otimiza orçamentos publicitários, incentiva investimento inteligente e gera valor

Durante décadas, grande parte dos investimentos publicitários foi direcionada a canais com métricas indiretas, ou seja, alcance, impressões e lembrança de marca. Todos esses itens são importantes, mas difíceis de conectar diretamente à venda. E é o Retail Mediaque muda esse jogo.

Dentro de ecossistemas já consolidados, como Amazon, Mercado Livre, Carrefour e Magazine Luiza, a publicidade acontece no momento mais crítico da jornada: quando o consumidor já está próximo da decisão de compra. O resultado? Mídia deixa de ser apenas influênciae passa a ser conversão.

A nova era de Retail Media é aquela que justamente entrega eficiência e que fala a língua do CFO, ou seja, não basta apenas mais a segmentação, é necessário apresentar uma mensuração clara e objetiva. No dia a dia, isso significa que cada clique, cada visualizaçãoe cada conversão podem ser rastreados com precisão.

Isso transforma completamente a conversa dentro das empresas, pois o marketing deixa de defender investimento com narrativas subjetivas e passa a falar em ROI, CAC e incremental de vendas. Para as lideranças financeiras, isso é um divisor de águas.

Não acredito que seja exagero afirmar que agora o foco dos gestores deverá ser menos dispersão e mais inteligência. Outro impacto importante é a redução de dispersão de investimento, pois em vez de pulverizar orçamento em múltiplos canais com baixa previsibilidade,as empresas começam a concentrar esforços em ambientes específicos, onde o consumidor já demonstrou intenção; o contexto é favorável; e claro, a conversão é mensurável.

Vale reforçar que nenhuma dessas ações elimina outros canais. Elas apenas mudam o peso estratégico de cada um na jornada de compras e conversão. O ponto central aqui é sair do investir mais para investir melhor. Nesse sentido, o crescimento de Retail Medianão traz apenas novas possibilidades, mas uma mudança de mentalidade de toda a cadeia.

Neste cenário de pressão por eficiência, budgets cada vez mais escrutinados e necessidade de ROI imediato, o marketing deixou de ser apenas criativo: ele passou a ser matemático. E é nesse contexto que Retail Media ganha protagonismo. Para corroborar essa informação,e finalizar este artigo, também alguns dados relevantes do mercado: Retail Media movimentou cerca de US$136 bilhões em 2024, segundo dados de GroupM e Statista. A projeção é chegar a US$175 bilhões até 2028, consolidando o canal como uma das principais forçasda publicidade digital.

A América Latina é um dos mercados de crescimento mais rápido do mundo, ainda com espaço enorme para expansão. Dados do IAB Brasil apontam projeções que indicam crescimento para US$6,7 bilhões até 2029, com o CAGR estimado de ~29,9% ao ano, quase o dobro damédia global. 

Ainda de acordo com informações do IAB Brasil, em mercados maduros, Retail Media já representa uma fatia crescente do digital, com expectativa de ultrapassar 20% do investimento em mídia digital nos próximos anos. Portanto, mais do que um novo canal, ele representauma mudança estrutural na forma como marcas investem em publicidade: menos aposta, mais precisão. 

Portanto, ao invés de aumentar o orçamento, empresas passam a exigir mais inteligência na alocação. Afinal, na era dos dados, a vantagem competitiva não está em quem investe mais em mídia, mas em quem investe melhor e gera valor.

*Por Mariana Gottardi, Head de Agências na Unlimitail