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Com avanço do varejo online, armazenagem se torna peça-chave no setor de alimentos

O varejo online de alimentos e bebidas no Brasil vive um momento de forte expansão. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce do setor cresceu 18,4% em 2024, movimentando R$ 16 bilhões. Para 2025, a projeção é de um avanço anual de 15%, o que reforça a consolidação do segmento como um dos mais promissores do comércio digital no país. Diante desse cenário, pensar estrategicamente na armazenagem torna-se fundamental, já que a eficiência no estoque, a conservação adequada dos produtos impactam diretamente a sustentabilidade da operação.

Para Giordania Tavares, CEO da Rayflex, empresa líder na fabricação de portas rápidas industriais, esse cenário reforça a necessidade de investir em soluções que otimizem a logística e a armazenagem, garantindo maior controle térmico, agilidade nas operações e preservação da qualidade dos alimentos. “A depender do tipo de produto, é essencial manter a estabilidade de temperatura, umidade e condições adequadas de higiene. Nesse contexto, a escolha dos modelos de portas para ambientes internos e externos merece atenção, já que o controle ambiental é determinante para assegurar a integridade dos itens ao longo de toda a cadeia”, afirma.

O desafio de armazenar alimentos perecíveis 

Quando o assunto passa para alimentos perecíveis, essa complexidade se intensifica, já que os prazos de entrega, a separação individual de pedidos e a maior rotatividade de estoque exigem ainda mais controle sobre temperatura, validade e condições de armazenamento. Nesse contexto, qualquer falha pode comprometer não apenas a qualidade do alimento, mas também a experiência do consumidor, tornando o cuidado com a gestão de perecíveis ainda mais estratégico. 

Nesse sentido, as portas rápidas são importantes aliadas para evitar que erros operacionais aconteçam, garantindo a fluidez do trabalho do operador, além de possuir alto grau de vedação, impedindo a entrada de calor em salas refrigeradas e até de impurezas no ambiente. Segundo a especialista, modelos com abertura e fechamento automáticos são mais indicados, pois considerando o alto fluxo de entrada e saída de pessoas, esses modelos conservam o produto no interior da câmara fria, evitando a perda de temperatura.

A consolidação do e-commerce de alimentos reforça a necessidade de pensar na infraestrutura de armazenagem. À medida que o consumidor incorpora a compra online de alimentos à sua rotina, a eficiência logística deixa de ser um diferencial e passa a ser um fator decisivo para a competitividade das empresas. “É preciso olhar para a infraestrutura como um pilar do negócio, capaz de sustentar o crescimento e garantir a confiança do consumidor”, encerra Giordania.

Da vitrine ao feed: como Gen Z e Alpha estão reescrevendo as regras do consumo

Marcas e empresas vêm intensificando a transformação de suas estratégias de comunicação para se conectar com as gerações Gen Z e Gen Alpha, que estão moldando como produtos são descobertos, discutidos e adquiridos. Redes sociais, criadores de conteúdo e ambientes de jogos passaram a ocupar o centro da jornada de consumo, exigindo das empresas uma abordagem mais participativa, imersiva e orientada à comunidade.

No Brasil, segundo dados divulgados pelo LinkedIn, cerca de 68% dos jovens da Gen Z descobrem novos produtos pelas redes sociais, e aproximadamente 60% chegam a concretizar a compra por esses canais. Além disso, 69% disseram ter conhecido marcas por meio de influenciadores, salto relevante frente aos 45% do ano anterior. A conversão também cresceu: 60% compraram um produto descoberto nas redes em 2024, quase o dobro dos 32% registrados em 2023.

Para Humberto Matsuda, membro do Comitê de Investimentos da Kamay Ventures, os números refletem uma mudança estrutural no comportamento de consumo. “A jornada dessas gerações não começa mais na vitrine física ou na publicidade tradicional. Ela começa no feed, nos vídeos curtos, nas recomendações de criadores e nas conversas em comunidade. A descoberta, a validação e a decisão de compra acontecem dentro do mesmo ecossistema digital”, afirma.

Redes sociais como busca, vitrine e validação

Os dados mostram que as redes sociais deixaram de ser apenas entretenimento para se tornarem também ferramentas de pesquisa e comparação. Globalmente, 41% dos consumidores da Gen Z usam mídias sociais para aprender sobre novos produtos, 75% confiam nessas plataformas para tomar decisões de compra e 61% já compraram após ver um anúncio em redes sociais, segundo os dados da pesquisa do LinkedIn.

Além disso, o Instagram segue como a plataforma mais popular entre jovens de 16 a 24 anos, com 79% de adesão global e 65% acessando a rede várias vezes ao dia. O TikTok, por sua vez, consolidou-se como um dos principais canais de descoberta, impulsionado por conteúdo dinâmico e formatos como reviews rápidas e “testes reais”. Já o YouTube mantém relevância sobretudo em etapas mais profundas da jornada, como avaliações e demonstrações de produto, sendo citado por 38% como influente na decisão de compra.

No Brasil, microinfluenciadores locais têm papel crescente na geração de awareness e credibilidade, aproximando marcas de nichos e comunidades específicas. “TikTok, YouTube e Instagram se tornaram ambientes essenciais de descoberta e decisão de compra. Conteúdos curtos, autênticos e ancorados em criadores redefinem o papel da publicidade tradicional. Cada vídeo viral pode funcionar como uma vitrine em tempo real”, explica Matsuda.

Gaming e mundos interativos como novo ponto de encontro

Paralelamente, o gaming ganhou status de plataforma social estratégica. Jogos como Roblox e Fortnite deixaram de ser apenas espaços de lazer para se tornarem ambientes de socialização, expressão de identidade e interação com marcas. Grandes empresas já marcam presença nesses universos com experiências imersivas, lançamento de skins, eventos virtuais e ativações exclusivas. Marcas de moda criam coleções digitais; empresas de entretenimento promovem estreias dentro dos jogos; companhias de bens de consumo realizam ações gamificadas para engajar comunidades.

Segundo a SQ Magazine, cerca de 90% da Gen Z se identifica como gamer, e mais da metade utiliza jogos como principal forma de conexão social. O dado reforça que essas plataformas não competem apenas por tempo de tela e sim por relevância cultural.

“Experiências imersivas e ativações dentro de jogos geram vínculos mais profundos do que campanhas unilaterais de mídia. A construção de identidade da Gen Z e da Gen Alpha está ligada à participação ativa em comunidades. Influenciadores e criadores funcionam como catalisadores de tendências e formadores de ‘tribos’ digitais que impactam estilo de vida e consumo”, comenta Matsuda.

Para especialistas, o grande diferencial na comunicação com essas gerações é a transição de audiência para comunidade. Jovens não querem apenas consumir conteúdo — querem participar, opinar, cocriar e pertencer. Isso exige das marcas investimento em conteúdo nativo, parcerias estratégicas com criadores, presença em plataformas emergentes e métricas que considerem engajamento real — como tempo de interação, compartilhamento e participação ativa — e não apenas alcance.

“Marcas que ainda dependem exclusivamente de formatos tradicionais enfrentam dificuldade de ressonância. Gen Z e Gen Alpha esperam experiências personalizadas, culturalmente relevantes e integradas ao seu universo digital. À medida que amadurecem como consumidores, sua influência coletiva redefine o marketing moderno”, conclui Matsuda.

Esses temas estarão em debate no workshop “Novas Gerações, Mídia & Entretenimento — Reescrevendo o Playbook da Conexão”, que integra a programação do Kamay Code, evento da Kamay Ventures, marcado para 18 de março, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O encontro reunirá investidores, startups e lideranças do setor para discutir o que já funciona no mercado e os próximos passos para a consolidação dessas soluções.

Por que reputação, cultura e IA serão os verdadeiros pilares de crescimento em 2026

Nas conversas que tenho tido com líderes nos últimos meses, ficou claro que 2026 não será um ano de grandes rupturas repentinas. Será o ano em que as escolhas feitas agora começam, de fato, a cobrar seu preço ou a gerar retorno.

No contexto mais recente, muitas organizações apostaram em velocidade, experimentação constante e novas tecnologias como motores de crescimento, algumas ganharam tração no curto prazo, outras descobriram, da forma mais dura, que crescer rápido sem estrutura aumenta risco, custo e desgaste de marca. Quando a narrativa avança mais rápido do que a entrega, a percepção de risco sobe e o crescimento começa a travar.

É por isso que o critério mudou.

A aceleração deixou de ser sobre fazer mais e passou a ser sobre fazer melhor, com menos atrito e mais previsibilidade. Em mercados mais maduros, quem decide orçamento não compra apenas produto ou serviço. Compra redução de risco. E é nesse ponto que reputação deixa de ser narrativa e passa a ser ativo econômico.

Reputação bem construída encurta ciclos de venda, reduz esforço de convencimento e antecipa confiança antes mesmo da primeira conversa comercial, e marcas que tratam isso como algo abstrato continuam gastando mais para crescer. As que integram reputação ao modelo de negócio entram em vantagem, não por barulho, mas por consistência. Nesse contexto, governança, segurança e confiança digital também ganham protagonismo. Com o uso crescente de dados e sistemas inteligentes, o risco operacional e reputacional aumenta, e a segurança deixa de ser tema técnico para se tornar tema de liderança.

A inteligência artificial é o exemplo mais claro dessa virada estrutural, ela já não é promessa nem diferencial isolado. Está se consolidando como infraestrutura de decisão e vai muito além da automação ou de ganhos marginais de produtividade. A IA reduz incerteza, antecipa cenários, ajuda a priorizar investimentos e apoiar decisões estratégicas em tempo real. Empresas que ainda tratam essa ferramenta como acessória seguem presas à discussão sobre eficiência, já as que a integram ao coração do negócio passam a discutir qualidade de decisão e isso muda completamente as regras do jogo.

Os dados confirmam essa transição. De acordo com o relatório The State of AI in 2025, da McKinsey, a discussão já não é mais “se” as empresas vão adotar IA, mas como. Hoje, 23% das organizações já estão escalando agentes de IA capazes de executar processos inteiros, enquanto 39% ainda testam essas soluções. O dado mais revelador, porém, está no contraponto: menos de um terço segue boas práticas de governança para o uso responsável da tecnologia.

Na prática, isso mostra que a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade das empresas de estruturar decisão, controle e responsabilidade. E é exatamente aí que mora o ponto crítico para 2026. A vantagem competitiva não virá apenas de adotar IA, mas de integrá-la a um sistema sólido de governança, cultura e reputação, capaz de sustentar a aceleração sem aumentar o risco do negócio.

Ainda assim, a tecnologia sozinha não acelera nada, quando mal integrada, ela apenas adiciona complexidade. Digitalizar processos antigos sem repensar o modelo operacional cria atrito em escala maior. O que diferencia quem cresce é a capacidade de revisitar fluxos, quebrar silos e conectar estratégia, operação e tecnologia em torno de menos fricção e mais valor percebido.

Esse movimento exige algo historicamente subestimado, a cultura organizacional. E é a liderança quem dá forma a isso na prática, ao definir prioridades, sustentar a visão e transformar valores em comportamento cotidiano. Uma pesquisa global da PwC, com mais de 3.200 lideranças, reforça que 72% dos executivos consideram a cultura decisiva para iniciativas de mudança bem-sucedidas. Ainda assim, enquanto 77% da alta liderança se identifica com o propósito da empresa, esse número cai para 54% entre os demais profissionais.

Quando a cultura não é vivida de forma consistente, a estratégia perde tração, por melhor que seja no PowerPoint. Por isso, a cultura deixou de ser pano de fundo e passou a ser vantagem competitiva real.

Outro desdobramento natural desse cenário é a consolidação de times híbridos e especialistas multidisciplinares. À medida que a IA absorve tarefas repetitivas e operacionais, as equipes se tornam mais enxutas e, principalmente, mais orientadas à estratégia. Ganham espaço os perfis T-shaped, profissionais com profundidade técnica em uma especialidade e visão ampla do ecossistema em que atuam. A operação passa a exigir menos execução mecânica e mais capacidade de articulação, menos “mão”, mais “cabeça” e decisões que conectam contexto, impacto e resultado.

Reputação (bem construída), uso estratégico da IA e uma cultura organizacional madura tornam-se pré-requisitos para competir. No fim, 2026 não vai premiar quem corre atrás de toda tendência. Vai premiar quem constrói um sistema integrado de tecnologia, cultura, reputação e decisão.

Com tudo isso colocado à mesa, a pergunta que fica é simples e incômoda: sua empresa está se preparando para crescer com critério ou apenas tentando não ficar para trás?

*Gabriel de Oliveira é CEO da MOTIM, a primeira aceleradora de reputação e gestão de posicionamento do mundo. É especialista em expansão internacional de negócios e em Reputation-Led Growth.

57% dos brasileiros veem um impacto positivo da IA, mas a segurança digital levanta preocupações, diz a TransUnion

Em um contexto de aumento da digitalização e dos riscos crescentes, as expectativas em relação à Inteligência Artificial (IA) são mistas entre os brasileiros. Isso é revelado pelo mais recente estudo Consumer Pulse conduzido pela TransUnion, uma empresa global de informação e insights que atua como DataTech.

De acordo com o estudo, a maioria dos consumidores brasileiros (57%) concorda que a IA terá um impacto positivo e duradouro em suas vidas nos próximos 12 meses, com ainda maior nível de concordância entre indivíduos de alta renda (65%) e Millennials (59%).

No entanto, essa aceitação vem acompanhada por ressalvas significativas. Mais de um terço de todas as pessoas entrevistadas expressou preocupações pessoais sobre como a IA as afetaria, incluindo o possível aumento nas tentativas de fraude (34%), questões de privacidade e segurança (36%) e usos antiéticos da tecnologia (33%). Por outro lado, 35% acreditam que a IA pode melhorar a produtividade no trabalho, 27% esperam que ela fortaleça a proteção contra fraudes, e 21% veem potencial para aumentar a prosperidade financeira.

“Embora haja um claro interesse entre os brasileiros nos ganhos de produtividade e nas oportunidades financeiras que a IA promete, esse interesse vem acompanhado de um alto nível de preocupação com a segurança digital, que impacta diretamente o comportamento digital das pessoas”, diz Helena Leite, especialista de mercado do setor bancário da TransUnion Brasil.

Quanto à exposição do consumidor a riscos de fraude digital, no quarto trimestre de 2025, 32% dos entrevistados relataram ter sido alvo de tentativas de fraude on-line, por e-mail, telefone ou mensagem de texto nos últimos três meses, culminando em 7% que disseram ter sido vítimas. Entre os tipos mais comuns de fraude relatados, os golpes via PIX ficaram em primeiro lugar (31%), seguidos de perto pelo vishing (ligações telefônicas fraudulentas com o objetivo de obter informações) com 30% e o smishing (mensagens de texto fraudulentas com o mesmo objetivo) com 27%.

Essa alta taxa de incidentes levanta grandes preocupações sobre cibersegurança e proteção de identidade. Enquanto apenas 16% foram notificados sobre o roubo de suas informações ou contas on-line em uma violação de dados, 41% dos consumidores consideram a possibilidade de serem afetados por vazamentos de dados sua maior preocupação. Outras ameaças cibernéticas que causam preocupação entre as pessoas entrevistadas incluem fraude com cartão de crédito ou pagamento (33%) e roubo de identidade (32%). As principais ameaças de identidade que mais preocupam os consumidores são a exposição de informações pessoais em vazamentos de dados (48%), a criação de perfis falsos nas redes sociais (43%) e a tomada não autorizada de contas financeiras (35%).

A sensibilidade à privacidade também impacta diretamente o comportamento digital. A vasta maioria dos consumidores (86%) expressou preocupação em compartilhar informações pessoais on-line. Essa preocupação se traduz em ações concretas: um quarto (23%) das pessoas entrevistadas disseram que abandonariam um aplicativo financeiro se fosse solicitado a fornecer um número de telefone, 22% se solicitado por dados demográficos e 21% se o aplicativo solicitasse informações sobre sua renda.

Metodologia

A pesquisa Consumer Pulse da TransUnion com 999 adultos foi realizada entre 25 de setembro e 7 de outubro de 2025 pela TransUnion em parceria com o provedor terceirizado de pesquisa Dynata. Adultos com 18 anos ou mais residindo no Brasil foram entrevistados usando um método de pesquisa em painel online em uma combinação de computador, celular e tablet. As perguntas da pesquisa foram aplicadas em inglês e português.

Para aumentar a representatividade nos dados demográficos dos moradores, a pesquisa incluiu cotas para equilibrar as respostas de acordo com as dimensões estatísticas do censo relacionados a idade, gênero, renda familiar e região. As gerações são descritas nesta pesquisa da seguinte forma: Geração Z (18–28 anos); Millennials (29–44 anos); Geração X (45–60 anos); Baby Boomers (61 anos ou mais).

Os resultados desta pesquisa não são ponderados e são estatisticamente significativos, com um nível de confiança de 95% dentro de ±3,1 pontos percentuais, com base em uma margem de erro calculada. Note que algumas porcentagens nos gráficos podem não chegar a 100% devido ao arredondamento ou à variedade de respostas aceitas. Para saber mais, acesse o estudo completo aqui.

NRF e o varejo orientado por Inteligência Artificial (IA): consistência como nova vantagem competitiva

A NRF Retail’s Big Show 2026, maior evento internacional do varejo, nos apresentou muito mais do que novas tecnologias. 

Ela expôs a necessidade de uma profunda mudança de mentalidade para os varejistas: o centro da competitividade deixou de ser a adoção de ferramentas, passando a ser a capacidade de operar com consistência a partir de decisões que ocorrem, majoritariamente, com participação de agentes de Inteligência Artificial (IA).

Esses agentes têm uma capacidade de interpretação de contexto distinta da humana. Não inferem exceções de forma intuitiva nem interpretam contextos implícitos. 

Operam de maneira mais determinística ao avaliar dados e aplicar regras, o que significa que respondem a padrões estruturados e critérios explícitos – e não a nuances subjetivas.

Nova exigência: interpretar o comportamento do consumidor orientado por IA

Anteriormente, a lógica do varejo digital era facilitar a comparação e escolha em ambientes complexos, de modo que pequenas imprecisões fossem absorvidas pelo esforço cognitivo do consumidor.

Em 2026 esse cenário está diferente. O comportamento orientado à redução de esforço não é novo. 

Novo é o fato de que sistemas de IA passaram a estruturar essa lógica de forma ativa. Em vez de apenas facilitar comparação, os algoritmos passam a definir priorização, elegibilidade e recorrência das marcas com base em critérios objetivos e padrões históricos.

Nessa era da nova expectativa em torno da adoção de IA, a estratégia dos varejistas deve começar pela seguinte pergunta: em quais decisões do negócio a IA precisa operar como parte da infraestrutura organizacional?

Tal pergunta nos prova que a atenção deve ser na capacidade de sustentar a dinâmica da IA sem ampliar risco nos negócios.

Quando essa base não está madura, as fragilidades deixam de ser detalhes e passam a comprometer a lógica automatizada. As diferenças de preço entre canais revelam desalinhamento estrutural, os processos de devolução excessivamente complexos indicam instabilidade operacional e a dependência recorrente de correções manuais evidencia baixa maturidade sistêmica.

Operação baseada em evidências para gerar confiança

Para evitar situações adversas e gerar confiança, os líderes devem saber que o diferencial decisório é a operação baseada em evidências.

A qualidade dos dados, a estabilidade das jornadas críticas e a coerência entre promessa e entrega nos ambientes de grande automação podem ser maximizados com base em três prioridades:

  • Mais atenção a fundamentos operacionais;
  • Mais qualidade decisória ao invés de volume de dados;
  • Decisões mais previsíveis e repetíveis.

Portanto, quanto mais eficiente for a mediação da compra pelos agentes de IA, maior será a clareza necessária para tomar decisões críticas e mais rápida será a escalabilidade com consistência no varejo.

Por Francieli Pinzon, diretora de estratégia de IA da White Cube

Por que a conveniência decidiu o rumo do e-commerce farmacêutico

A digitalização do setor farmacêutico ainda costuma ser associada apenas à venda online, mas o fator que realmente mudou o jogo foi a conveniência. Comprar itens de saúde com segurança, rapidez e previsibilidade passou a integrar a rotina do consumidor brasileiro, obrigando indústria e varejo a repensarem não apenas canais, mas modelos operacionais inteiros.

Medicamentos de venda livre, suplementos, vitaminas, dermocosméticos e produtos de cuidado pessoal hoje estão a poucos cliques de distância e essa facilidade deixou de ser diferencial e se tornou expectativa. Em um setor sensível como o da saúde, a conveniência não é um luxo, e sim uma necessidade.

E quanto mais simples a experiência parece para o consumidor, maior é a complexidade que sustenta essa jornada. Integração com marketplaces, controle rigoroso de estoque, atenção aos prazos de validade, logística rastreável e gestão eficiente de preços e promoções são elementos essenciais. Mesmo sem enxergar esses bastidores, o consumidor percebe rapidamente quando algo não funciona, já que a experiência final é sempre reflexo direto da eficiência operacional.

Nesse contexto, modelos de compra recorrentes e assinatura assumem um papel cada vez mais estratégico no e-commerce de Saúde e Farma. Categorias como suplementos, vitaminas e dermocosméticos se encaixam naturalmente nesse formato, oferecendo continuidade no cuidado para o consumidor e previsibilidade de demanda para a operação. Com o amadurecimento do digital, a recorrência deixa de ser uma ação pontual e passa a ser um pilar de relacionamento e crescimento sustentável.

O grande desafio da indústria farmacêutica no ambiente digital já não está no desenvolvimento do produto, área em que a indústria é altamente especializada. O ponto crítico está na orquestração do ecossistema online. Plataforma, loja virtual, precificação, frete, meios de pagamento, comunicação e experiência do cliente precisam operar de forma integrada, e escalar tudo isso internamente é caro, complexo e, muitas vezes, pouco eficiente no curto prazo.

Consolidar-se no e-commerce farmacêutico exige operar melhor, com previsibilidade logística, inteligência de dados e parceiros preparados para sustentar a expansão e os dados reforçam esse movimento. O e-commerce de Saúde e Farma cresce de forma consistente no Brasil, impulsionado pela digitalização, pelos modelos de assinatura e pela incorporação de novas tecnologias.

Por isso, 2026 tende a ser um ano decisivo: ter um e-commerce deixou de ser opção e se tornou prioridade estratégica. A diferença estará entre quem consegue escalar com eficiência e consistência e quem fica pelo caminho. A pergunta que se impõe é direta: a sua operação está preparada para sustentar esse crescimento?

*Por Marcos Paes, Gerente de E-commerce da Infracommerce

7 lições que o Dia do Consumidor ensina sobre comportamento de compra

O Dia do Consumidor (15/03) é um dos principais termômetros do comportamento de compra, revelando tendências, prioridades e mudanças na relação entre marcas e consumidores. Para Surama Jurdi, CEO e fundadora da Surama Jurdi Academy, ecossistema global de educação empresarial, o período é um laboratório estratégico para entender como as pessoas decidem, comparam e investem seu dinheiro. 

“A data vai muito além das compras em si, revelando não apenas o que são adquiridos, mas também os motivos por trás dessas escolhas. Mostrando como o consumidor se sente ao longo do processo de decisão, quais emoções influenciam as compras e como a experiência com a marca impacta a fidelidade. Por isso, analisar os dados e observar o comportamento é essencial para a empresa se conectar de forma significativa com o público”, afirma a especialista.

Com mais de 20 anos de experiência no setor varejista, Jurdi compartilha os principais aprendizados que o Dia do Consumidor revela sobre o comportamento das pessoas e como esses dados podem orientar empreendedores na definição de estratégias mais assertivas e competitivas. Veja: 

  1. Cliente mais estratégico do que impulsivo

Apesar das ofertas chamativas, o consumidor atual pesquisa, compara preços e avalia reputação antes da compra. O acesso à informação elevou o nível de consciência e reduziu decisões puramente emocionais.

  1. Experiência pesa tanto quanto preço

Descontos continuam sendo importantes, mas não são mais o único fator decisivo. Prazo de entrega, política de troca, atendimento ágil e confiança na marca influenciam diretamente na conversão.

  1. Transparência gera vantagem competitiva

Em períodos promocionais, cresce a atenção às práticas das empresas. As pessoas observam se o desconto é real, se há aumento prévio de preços e se a comunicação é clara. “Para manter a confiança do cliente, é importante evitar aumentos prévios que desvalorizem promoções e comunicar sempre de maneira honesta e transparente, fortalecendo a reputação da marca”, orienta a especialista. 

  1. O digital é protagonista, mas o omnichannel é essencial

A data mostra a força do e-commerce, porém é necessário manter a integração entre canais. O cliente pesquisa online, retira na loja física, interage por redes sociais e exige consistência em todos os pontos de contato.

  1. Personalização aumenta conversão

Campanhas segmentadas e ofertas direcionadas geram maior engajamento. Entender o perfil do cliente e oferecer soluções personalizadas é o diferencial competitivo do varejo. 

  1. Confiança constrói recorrência

Mais do que vender em uma data específica, marcas que fortalecem relacionamento conseguem transformar compradores ocasionais em clientes fiéis. É uma oportunidade de iniciar uma relação, não apenas bater a meta. “Para essa construção, é essencial ouvir e entender as necessidades do cliente, manter uma comunicação constante e entregar valor, criando experiências positivas que reforcem a confiança”, diz a especialista. 

  1. Consumo com propósito ganha espaço

Além do preço, muitos avaliam valores, responsabilidade social e posicionamento da marca. Empresas alinhadas a causas relevantes geram conexão emocional. “Investir em práticas sustentáveis e iniciativas que impactem positivamente a sociedade faz com que a marca seja lembrada não apenas pelo produto, mas pelo propósito que representa”, reforça a CEO. 

Para Surama, o maior aprendizado é que o Dia do Consumidor deixou de ser apenas uma ação promocional e passou a ser um indicador de maturidade de mercado. “As marcas que entendem comportamento, constroem confiança e entregam experiência, não vendem apenas em uma data promocional, conquistam resultados ao longo do ano”, conclui.

Brasil atinge 93% das residências conectadas e amplia avanço da fibra fora das capitais

O Brasil alcançou 93,6% dos domicílios com acesso à internet, de acordo com a mais recente edição da PNAD Contínua TIC do IBGE. No mesmo período, o país ultrapassou 25 milhões de acessos ativos de banda larga fixa. A expansão das redes de fibra óptica fora das capitais explica parte relevante desse crescimento. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que a fibra já é a principal tecnologia de acesso e sustenta um dos ciclos mais intensos de avanço da conectividade na última década, com aumento no volume de acessos e na velocidade média entregue ao usuário.

A mudança estrutural começou há cerca de uma década, quando provedores de pequeno e médio porte decidiram investir em redes próprias de fibra óptica. Municípios de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e estados do Nordeste passaram a contar com infraestrutura de alta capacidade em localidades que antes registravam conexões instáveis ou ausência de serviço. O novo desenho ampliou a concorrência, reduziu preços e elevou o padrão técnico do setor.

No litoral catarinense, a Unetvale expandiu sua rede de Tijucas, para Porto Belo, Balneário Piçarras, Bombinhas, Canelinha, São João Batista, Nova Trento, Brusque, Governador Celso Ramos, Biguaçu e Navegantes, com oferta de fibra óptica e serviços integrados.

Para Marcelo Letti, diretor da empresa, o avanço da conectividade no país tem origem na atuação local. “A transformação digital no Brasil não nasceu apenas nas capitais. Ela avançou cidade a cidade. Provedores regionais investiram onde não havia interesse das grandes operadoras e hoje sustentam parte relevante da infraestrutura que mantém o país conectado”, afirma.

Segundo ele, o impacto ultrapassa o setor de telecomunicações. A banda larga passou a funcionar como infraestrutura econômica. Pequenos comércios migraram para plataformas digitais, prestadores de serviço ampliaram mercado por meio de redes sociais e escolas adotaram modelos híbridos de ensino.

O relatório aponta ainda que após a pandemia, a conexão se tornou ferramenta de inclusão produtiva. As famílias passaram a acessar serviços bancários, consultas médicas e cursos técnicos de forma remota. Microempresas estruturaram operações em cidades menores, com menor custo fixo e maior alcance digital.

Atualmente, provedores regionais respondem por parcela relevante dos acessos de banda larga fixa no país e operam com padrão tecnológico equivalente ao das grandes companhias. 

“A expansão da fibra no interior desenhou um novo mapa de  conectividade brasileira e alterou a dinâmica econômica de milhares de municípios”, finaliza Letti.

Como as regras da Anatel impactam o mercado?

Quantas vezes você já deixou de atender uma ligação por desconfiar que era algum telemarketing não aderente às suas necessidades, um spam ou qualquer outra chamada indesejada? A resistência em atender números desconhecidos criou um paradoxo perigoso: empresas que ainda investem em operações de voz, mas perdem contato antes mesmo da conversa começar – o que torna as recentes regras da Anatel muito mais do que uma exigência regulatória, sendo um fator estratégico de performance comercial. 

Mesmo diante de diversas ferramentas já desenvolvidas para bloquear ligações abusivas, dados do órgão identificaram que os brasileiros receberam mais de 1 bilhão de chamadas indesejadas por mês entre junho de 2022 e dezembro de 2024. Isso significa uma média de 743 ligações por pessoa, das quais muitas são golpes e tentativas de fraudes que se “aperfeiçoam” cada vez mais ao longo do tempo. 

É nesse cenário que o Stir/Shaken surge, para resolver este excesso e abuso de ligações indevidas no mercado nacional – independentemente do ramo de atuação do negócio, do telemarketing às de vendas, cobranças e demais. A regra, segundo o despacho oficial, é que empresas que fazem mais de 500 mil chamadas por mês são obrigadas a adotar essa ferramenta que verifica a origem da ligação, confirmando se quem está ligando é realmente quem diz ser. 

Com a proposta de aumentar a confiabilidade nas chamadas por voz e melhorar a experiência no mercado B2C, todas as ligações passam a contar com nome, logo e finalidade da comunicação, contribuindo com uma maior rastreabilidade e veracidade de quem está na outra ponta. E, mesmo aquelas que não atingirem essa quantidade mínima de ligações mensais, também podem aderir a esse serviço, obtendo uma maior credibilidade e confiança com seu público-alvo. 

Para empresas de crédito, cobrança e do setor financeiro, por exemplo, é possível conquistar uma maior segurança e retorno nas negociações e pagamentos de dívidas, justamente por terem a validação deste órgão, mitigando dúvidas de fraudes nessas chamadas. Nas de serviços e vendas, podem aproveitar esses benefícios como forma de relembrar os clientes de carrinhos abandonados, produtos de seu interesse e promoções aderentes a seu perfil. 

Organizações de saúde também são altamente favorecidas com essa autenticação, podendo relembrar os pacientes de consultas agendadas, exames que precisam ser marcados, resultados disponíveis ou campanhas específicas, de forma que não deixem de lado este cuidado individual. Contudo, é sempre importante enfatizar que nenhuma empresa deve limitar sua comunicação a, apenas, um único meio. 

Caso o cliente não consiga atender naquele momento, mas saiba quem ligou e com qual finalidade, é importante que consigam entrar em contato com a marca através de outros canais disponíveis – seja no WhatsApp, e-mail, site oficial ou demais meios. A omnicanalidade é fundamental nesta era de extrema conectividade, de forma que cada consumidor possa escolher o canal em que mais se sente confortável para se relacionar com suas marcas. 

O CRM interno também precisa estar atualizado e muito bem abastecido, uma vez que, após o primeiro contato com o cliente, a empresa terá sempre suas informações em dia para analisar suas preferências, histórico de compras, e como ofertar a melhor solução para suas necessidades. 

O mercado já entendeu que volume não é sinônimo de resultado. Em meio a um cenário de excesso de chamadas, aqueles que se destacam são que conseguem ser reconhecidos, confiáveis e relevantes. É nesse sentido que as regras da Anatel e a adoção de chamadas verificadas se destacam, transformando o telefone, de um canal rejeitado, em um ponto de contato qualificado, capaz de gerar experiências positivas e conversões reais. 

Bruno Cedaro é COO da Pontaltech.  

ERP com IA se tornou a nova vantagem competitiva do varejo

Durante muitos anos, o ERP, sistema de software de gestão integrada que centraliza dados e automatiza processos de diversos setores, foi visto pelo varejo como um sistema de retaguarda, que era essencial, mas invisível. Ele organizava estoque, fiscal, compras e financeiro, funcionando como a engrenagem que mantinha a operação de pé. Mas o consumidor mudou, a dinâmica competitiva acelerou e a previsibilidade desapareceu. Hoje, operar bem não é suficiente, é preciso antecipar. É aí que a integração do ERP com inteligência artificial deixa de ser tendência e passa a ser um diferencial competitivo real.

O varejo brasileiro convive com margens apertadas, alta complexidade tributária, ruptura de estoque, excesso de produtos parados, sazonalidades imprevisíveis e um consumidor hiperconectado que compara preço em segundos. Nesse contexto, decisões baseadas apenas em histórico e intuição já não sustentam crescimento. Quando o ERP passa a incorporar IA de forma estruturada e não como um módulo isolado, ele deixa de apenas registrar o que aconteceu e começa a indicar o que provavelmente vai acontecer.

Gestão preditiva na prática: estoque, preço e caixa sob nova lógica

Um dos impactos mais evidentes está na gestão de estoque, onde a combinação entre dados históricos, comportamento de venda por região, sazonalidade, clima, calendário promocional e até variáveis macroeconômicas permite previsões mais precisas. Isso significa menos ruptura e menos capital parado. Para o varejista, não se trata apenas de eficiência operacional, mas de saúde financeira, considerando que cada produto encalhado representa dinheiro imobilizado e cada ruptura representa venda perdida e cliente frustrado.

Outro ponto crucial é a precificação inteligente, sendo possível por meio da integração da IA no ERP, que permite analisar elasticidade de demanda, giro, concorrência e margem para sugerir ajustes dinâmicos de preço. Não é simplesmente baixar valor para vender mais, mas encontrar o ponto de equilíbrio entre competitividade e rentabilidade. Em um mercado sensível a preço como o brasileiro, essa capacidade de calibrar estratégia em tempo quase real transforma resultado.

A área comercial também é profundamente impactada, sendo que a partir da análise de comportamento de compra, frequência, ticket médio e mix de produtos, o sistema passa a identificar padrões e sugerir ações personalizadas, seja para campanhas segmentadas, seja para reorganização de layout e produtos. O ERP deixa de ser uma ferramenta administrativa e se torna um motor de inteligência de negócio.

Há ainda o ganho estratégico na gestão financeira, onde a IA aplicada aos dados do ERP pode projetar fluxo de caixa com maior precisão, simular cenários e antecipar riscos. Em vez de reagir a um problema de liquidez, o gestor passa a visualizar tendências e agir preventivamente. Em um ambiente de instabilidade econômica, essa capacidade de simulação e previsão reduz vulnerabilidades.

Mas talvez o maior impacto seja cultural, já que quando a informação deixa de ser fragmentada e passa a ser integrada, a tomada de decisão se democratiza. O gestor da loja, o responsável pelo estoque e a diretoria passam a operar com a mesma base de dados, com análises preditivas consistentes. Isso reduz conflitos internos, elimina decisões baseadas em percepções isoladas e cria uma cultura orientada por dados, algo que ainda percebo ser um desafio no varejo nacional.

Tecnologia como aliada estratégica, não substituta humana

É importante destacar que integrar ERP com IA não significa substituir pessoas por algoritmos, significa potencializar a capacidade humana de decidir melhor. A inteligência artificial identifica padrões que escapam ao olhar humano, mas a estratégia continua sendo construída por pessoas que conhecem o mercado, o cliente e a cultura do negócio.

O varejo está vivendo uma transição silenciosa: da gestão reativa para a gestão preditiva, onde quem continua usando o ERP apenas como sistema transacional corre o risco de ficar para trás. Já quem entende que a tecnologia pode transformar dados em vantagem competitiva começa a operar em outro nível.

No fim do dia, não se trata de tecnologia pela tecnologia, mas de margem, competitividade e sustentabilidade do negócio. A integração entre ERP e IA não é um luxo futurista, é uma resposta concreta à complexidade do varejo moderno. Na prática, ela redefine a forma como o varejista enxerga o próprio negócio, não apenas como um conjunto de lojas, mas como um ecossistema de dados capaz de antecipar o próximo movimento do mercado.

Alex é diretor comercial da Data System, com mais de 20 anos de atuação no varejo de calçados e roupas. Com formação pela Veris – IBTA, construiu sua trajetória na empresa passando pelas áreas técnica, de suporte e implantação até assumir a liderança comercial e a expansão do negócio, sempre com foco em transformar a gestão dos lojistas por meio da tecnologia.