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2025 consolida ofertas e promoções como ações permanentes no varejo brasileiro, revela pesquisa

A Shopping Brasil (https://w0.shoppingbrasil.com.br/), empresa referência em ofertas no país, que monitora diariamente os principais varejistas nacionais e regionais a partir de anúncios veiculados em mídias sociais, campanhas em TV e encartes físicos e digitais, acaba de divulgar o maior estudo já realizado sobre ofertas no Brasil. Com base na análise de aproximadamente 90 milhões de ofertas monitoradas em todo o país, o levantamento mostra que 2025 marca uma virada estrutural no varejo: a promoção deixou de ser uma ação tática pontual e passou a funcionar como infraestrutura permanente de vendas.

Segundo Renata Gonzalez, diretora Comercial da Shopping Brasil, o dado mais emblemático do estudo é o crescimento de 72% no volume de ofertas em comparação a 2019. “Não estamos falando apenas de mais promoções, mas de uma nova lógica operacional. A oferta se tornou instrumento estratégico de gestão de fluxo, estoque, margem e tráfego”, afirma.

O estudo revela a quebra da linearidade mensal das promoções, com o surgimento de novos picos e vales ao longo do ano. Isso indica que o varejo deixou de operar exclusivamente com base em datas clássicas e passou a reagir com maior agilidade à demanda, ajustando ofertas de forma quase contínua.

Hoje, entre 35% e 70% das vendas do varejo alimentar já vêm de itens em promoção. Nesse cenário, o chamado “Ads Share” deixou de ser uma métrica de visibilidade para se tornar uma verdadeira alavanca de vendas e precursor de market share. Marcas e redes que não mantêm presença consistente em oferta perdem tráfego, recorrência e relevância de preço na mente do consumidor.

Atacarejo em franca expansão – Esse movimento ajuda a explicar a expansão acelerada do atacarejo, o crescimento dos supermercados e a perda de espaço do hipermercado. Entre 2021 e 2025, o Ads Share por canal mudou significativamente: atacarejo, de 14% para 33%, supermercado de 46% para 51% e o hipermercado: de 40% para 16%.

Mais do que uma simples queda do hiper, o estudo aponta uma transformação física do parque de lojas, com a conversão de hipermercados em duas unidades de atacarejo no mesmo espaço, ampliando capilaridade regional, reduzindo custo fixo e acelerando giro. As ofertas acompanharam essa nova lógica operacional.

Oferta saiu do papel e entrou no bolso – A digitalização foi outro vetor determinante. A presença das ofertas nas redes sociais saltou de 6% em 2019 para 57% em 2025. Hoje, a promoção é imediata, geolocalizada e de baixo custo de distribuição.

Apesar disso, a conversão para alimentos e bebidas ainda acontece majoritariamente no ponto de venda físico, aponta o levantamento. Ou seja: o social funciona como gatilho, enquanto a loja permanece como o local de fechamento. A integração entre os dois ambientes tornou-se fator crítico de eficiência, como diz Renata Gonzalez.

O estudo também revela mudanças no sortimento promocional:

  • Perecíveis atingiram pico em 2024 (35%) e ajustaram para 34% em 2025, reforçando seu papel como categoria de frequência e recorrência.
  • Mercearia, incluindo bebidas, cresceu de 35% para 38%, consolidando-se como principal motor de volume.
  • Duráveis recuaram de 8% para 5%, refletindo a retração do hipermercado.
  • Higiene, limpeza e beleza estabilizaram em 15%.
  • Bazar voltou a ganhar espaço, de 6% para 8%.

Para a Shopping Brasil, 2025 consolida a oferta como o principal sistema de competição do varejo brasileiro. O jogo deixou de girar apenas em torno do calendário promocional e passou a acontecer semanalmente. Saiu do tabloide impresso e migrou para o celular. Saiu do hipermercado e entrou no atacarejo. E deixou de ser volume bruto para se integrar a estratégias de CRM e fidelização. “Promoção não é mais um evento. É estratégia contínua. Quem domina Ads Share domina tráfego, recorrência e conversão”, conclui Renata Gonzalez.

IA entra de vez na jornada de compra e impulsiona estratégias para o Dia do Consumidor

No dia 15 de março, os direitos dos consumidores são lembrados em uma data especial, que também se tornou uma oportunidade de alavancar as vendas do comércio. Para o Dia do Consumidor, as empresas promovem grandes campanhas e promoções. E a estratégia tem dado resultado: em 2025, durante esse período, se registrou um aumento nas visitas aos sites do varejo (+36%) e nas vendas (+21%), em comparação a fevereiro do mesmo ano, segundo dados da Criteo, plataforma global que conecta o ecossistema de comércio.

Para o Dia do Consumidor também ser um sucesso de vendas em 2026, Tiago Cardoso, diretor geral da Criteo para América Latina, sugere três principais estratégias para os anunciantes se planejarem:

Inteligência artificial para influenciar decisões de compra 

“À medida que a IA se torna parte de como os consumidores pesquisam, comparam e avaliam produtos, as marcas precisam garantir que estão posicionadas para aparecer nesses ambientes. A descoberta está passando da busca tradicional para recomendações conversacionais, o que significa ter dados de produtos estruturados, parcerias fortes com o varejo e a estratégia de commerce media certa em prática. Durante momentos de pico, como o Dia do Consumidor, a visibilidade dentro das jornadas impulsionadas por IA pode influenciar diretamente a conversão”, diz Tiago Cardoso

Por que é importante?

A inteligência artificial está moldando a jornada de compra de ponta a ponta. Mais da metade dos consumidores globais (56%) espera usar IA para ajudar suas decisões de compra ao longo do ano, segundo a última edição do Consumer Sentiment Index (CSI), conduzido pela Criteo.

A pesquisa mostra que a IA é usada principalmente na pesquisa de produtos e comparação de preços: 50% dos consumidores recorrem a ferramentas de IA para comparar opções e marcas, enquanto 39% a utilizam para encontrar os melhores preços ou descontos, o que evidencia como essa tecnologia já impacta diretamente a jornada de compra.

Um aspecto emergente dessa evolução é o chamado agentic commerce, ou seja, experiências de compra em que assistentes de IA conversam com o consumidor para recomendar produtos, reduzindo fricções e transformando a descoberta. Mesmo com uma transição de buscas por palavras-chave para interações conversacionais, varejistas e marcas continuam no centro das transações, pois detêm os dados essenciais (como inventário em tempo real, preferências e histórico de compras) que permitem oferecer recomendações confiáveis e personalizadas.

Experiência consistente e sem atritos em múltiplos canais 

“Os consumidores não compram em canais específicos. Eles se movem fluidamente entre eles, especialmente em momentos de alta intenção, como o Dia do Consumidor. As marcas que vencem são aquelas que conseguem reconhecer e engajar os compradores de forma consistente tanto em ambientes internos quanto externos. Conectar dados e ativação de mídia reduz a fragmentação, reforça a relevância e garante que a demanda não se perca entre os pontos de contato”, destaca o executivo.

Por que é importante?

Os consumidores de hoje naturalmente transitam entre canais físicos e digitais, assim como entre vários dispositivos, antes de concluir uma compra, especialmente em datas promocionais como o Dia do Consumidor. Uma estratégia omnicanal integrada deixou de ser uma vantagem competitiva; agora é uma expectativa básica. Em períodos promocionais de alto tráfego, qualquer desconexão entre os canais pode interromper a jornada de compra e levar os consumidores aos concorrentes.

Quando as estratégias omnichannel são bem integradas, as marcas conseguem reconhecer o consumidor em diferentes pontos de contato, ajustar mensagens conforme o contexto e reforçar ofertas de forma complementar. Isso permite criar experiências mais fluidas, relevantes e personalizadas, que acompanham o ritmo de navegação do consumidor e aumentam a probabilidade de conversão, mesmo quando a decisão de compra não é imediata.

O consumidor impactado em todas as etapas do funil de vendas 

“Adotar uma estratégia full funnel permite impactar o consumidor desde a descoberta até a conversão, usando dados de intenção e comportamento para ativar audiências qualificadas em cada etapa da jornada. Ao conectar awareness, consideração e performance, as marcas aumentam relevância, eficiência de mídia e retorno sobre investimento, especialmente em períodos de alta concorrência como o Dia do Consumidor”, afirma Tiago Cardoso, diretor geral da Criteo para América Latina.

Por que é importante?

O caminho até a conversão é cada vez menos linear. Segundo o Consumer Sentiment Index (CSI), globalmente, 41% dos consumidores afirmam descobrir novas marcas e produtos por meio de anúncios online de itens que gostariam de comprar, reforçando o papel da mídia digital nas etapas iniciais do funil.

Essa complexidade também se reflete no comportamento de pesquisa e compra: 34% dos consumidores pesquisam online antes de comprar em lojas físicas, enquanto outros 29% fazem o caminho inverso, pesquisando na loja e finalizando a compra no ambiente digital. Esses dados reforçam que o consumidor alterna entre canais e fases do funil antes de tomar a decisão final, exigindo estratégias que acompanhem esse movimento.

“As marcas que conseguirão combinar inteligência artificial, estratégias multicanal e uma abordagem de funil completo estarão à frente neste Dia do Consumidor, oferecendo experiências mais relevantes e personalizadas, impactando os consumidores no momento certo e aumentando a eficiência do investimento em mídia”, diz Tiago Cardoso.

Se você não está no Google, você não existe

Lançar um livro é um marco. É a materialização de meses, às vezes anos, de dedicação, estudo e escrita. Quando finalmente publiquei o meu, senti orgulho, alívio e aquela expectativa natural: agora as pessoas vão encontrar minha obra.

Mas logo veio a pergunta que poucos autores fazem antes do lançamento: como, exatamente, elas vão me encontrar?

A verdade é simples e um pouco dura. Não basta ter o livro disponível em marketplaces ou esperar que os esforços da editora façam todo o trabalho. Se alguém pesquisa o nome do autor ou da obra no Google e não encontra um ambiente organizado, profissional e direcionado, você perde oportunidades.

Eu senti isso na pele. Não adianta só publicar. É preciso ter presença.

A jornada do leitor começa quase sempre em um buscador. Ele ouve falar do livro, vê uma indicação, assiste a um vídeo… e pesquisa. Nesse momento, o que aparece?

Ter apenas redes sociais não é suficiente. Elas ajudam, e muito, na construção de comunidade. Assessoria de imprensa fortalece autoridade. Entrevistas ampliam alcance. Tudo isso é importante.

Mas antes de tudo, é preciso ter uma “casa digital” do livro.

Uma landing page bem estruturada permite apresentar claramente a proposta da obra, contar a história do autor, organizar depoimentos e diferenciais, direcionar o leitor para os pontos de venda, ser encontrado de forma mais estratégica no Google.

Em resumo, muito além de promover o livro, ela fortalece o posicionamento do autor.

E foi aí que eu percebi uma oportunidade. Depois de resolver isso para mim, comecei a conversar com outros autores. A maioria não tinha site próprio. Muitos dependiam exclusivamente das redes sociais ou da página da editora.

Quando mostrei o que havia feito, a reação foi imediata: “Eu também preciso disso.”

Foi assim que decidi estruturar essa solução e transformá-la em um modelo acessível para escritores brasileiros, por meio da plataforma LivronaWeb, focada na criação de landing pages para autores que desejam fortalecer sua presença digital e serem encontrados com mais estratégia nas buscas.

Escrever um livro já exige coragem. Publicar exige ainda mais. Mas promover exige estratégia.

Hoje, tenho convicção de que o primeiro passo não é investir em anúncios ou esperar que o algoritmo faça milagres. É garantir que, quando alguém procurar por você, encontre um espaço claro, profissional e preparado para transformar interesse em leitura.

Porque no ambiente digital, ser encontrado não é sorte. É construção.

E toda obra que deseja alcançar leitores precisa começar por aí.

*Vinícius Taddone é diretor de marketing e fundador da VTaddone® www.vtaddone.com.br

TikTok Shop ultrapassa Temu em usuários e volume de compras no Brasil, aponta estudo da klavi

A TikTok Shop já supera a Temu em número de consumidores e transações no e-commerce brasileiro, impulsionada pelo modelo que integra conteúdo e compra dentro da plataforma. A conclusão é de um estudo exclusivo da klavi, empresa de inteligência de dados via Open Finance, que analisou o comportamento de consumo de 50 mil pessoas ao longo de 2025.

A pesquisa acompanhou os gastos dos consumidores entre novembro de 2024 e dezembro de 2025 e mostra que 2,7% da amostra realizou ao menos uma compra na TikTok Shop no período, contra 1,0% que comprou na Temu. Em volume absoluto, a TikTok Shop registrou 4.165 transações, superando as 2.772 da concorrente. Esses números correspondem, respectivamente, a cerca de 0,6% e 0,4% do total de transações observadas na amostra.

“O avanço da TikTok Shop mostra como a jornada de compra está cada vez mais conectada ao consumo de conteúdo. A plataforma transforma descoberta em conversão de forma quase imediata”, avalia o CEO e cofundador da klavi, Bruno Chan.

A pesquisa destaca que o crescimento da TikTok Shop é sustentado pela maior capilaridade entre consumidores, ainda que com valores menores por pedido. O valor médio por compra na plataforma foi de R$ 47,47, e cada usuário realizou, em média, 3,9 compras ao longo do período analisado. Para a klavi, o dado reforça a lógica de alto alcance e volume, ancorada em compras por impulso e preços mais baixos.

A Temu, por outro lado, apresenta um perfil oposto. Apesar de alcançar menos consumidores, os usuários que compram na plataforma tendem a ser mais recorrentes e a realizar pedidos de maior valor. O número médio de transações por usuário foi de 6,9 compras, quase o dobro do observado na TikTok Shop, com valor médio por pedido de R$ 196,62.

“A Temu opera com menos capilaridade, mas extrai mais valor de cada consumidor ativo. É um modelo que depende de recorrência individual e de tickets mais altos, o que limita a expansão rápida da base”, explica Chan.

Segundo a klavi, o comparativo entre TikTok Shop e Temu evidencia duas estratégias distintas entre novos players do e-commerce. Enquanto a TikTok Shop acelera a adoção ao integrar entretenimento e compra em um único ambiente, ampliando rapidamente sua base de usuários, a Temu cresce de forma mais concentrada, com maior recorrência por cliente, porém com alcance mais restrito. O movimento indica que, mesmo em estágios iniciais, a disputa entre plataformas já se dá entre escala e profundidade de consumo.

Do clique à entrega: como o consumidor ‘Next Now’ está encurtando o tempo do varejo

O varejo brasileiro entrou numa fase em que a experiência do cliente deixou de ser um tema de marketing e virou um problema de operação. O consumidor compra com o dedo no celular e cobra resposta com a mesma velocidade: pagamento sem atrito, informações corretas de estoque, separação que não erra e entrega que chega na data prometida. É esse cliente, chamado de “Next Now”, que está encurtando a distância entre intenção e execução e expondo, sem piedade, onde o varejo ainda trabalha com processos lentos, sistemas que não conversam e dados que não fecham.

Híbrido, exigente e impaciente, o consumidor brasileiro tem transitado sem esforço entre canais físicos e digitais, espera personalização em tempo real e quer receber suas compras quase na mesma velocidade com que as faz. Sua jornada de compra mistura Instagram, aplicativos, lojas e WhatsApp em um só fluxo – e ele não aceita inconsistências nesse percurso. Se uma oferta vista no online não se concretiza na loja física, ou se o atendimento repete perguntas já respondidas, a paciência se esgota. Estamos diante de um cliente que não perdoa atrasos nem erros, forçando o varejo a sincronizar relógios com ele.

Esse mesmo consumidor, porém, não é exigente apenas com velocidade e conveniência. Ele também compara preços em tempo real, muitas vezes dentro da própria loja física, com o celular na mão. Se percebe incoerência entre canais, atraso na atualização de valores ou falta de competitividade frente à concorrência, a decisão de compra é interrompida imediatamente. No varejo “Next Now”, preço incorreto deixou de ser um detalhe comercial para se tornar um ponto crítico de experiência — e um dos mais rápidos gatilhos de abandono.

A demanda por instantaneidade não se resolve apenas com ferramentas; ela requer uma mudança de mentalidade nas empresas. Nos corredores do NRF 2026, principal evento global de varejo, um conceito ficou claro: inovação deixou de ser um discurso sobre o futuro e virou uma cobrança de execução no presente.  

O tal “Next Now” é exatamente isso – operar hoje com aquilo que até ontem era novidade. Para CIOs, isso significa que projetos de integração, analítica de dados em tempo real e automação não podem mais ficar no laboratório. É hora de testar a maturidade: quem trata inovação como experimento está, na prática, operando o passado. IA generativa, recomendações inteligentes, checkout automatizado, realidade aumentada na loja – todas essas tecnologias já estão disponíveis e o consumidor espera encontrá-las funcionando, não apenas ouvir promessas sobre elas.

Um dos pilares dessa transformação é a gestão de dados. No novo varejo mediado por algoritmos e compras via assistentes virtuais, a pergunta crucial deixou de ser “como expor melhor meu produto?” para se tornar “meus sistemas conseguem ser entendidos por máquinas?”. Isso implica ter dados estruturados e atualizados em tempo real, do preço ao estoque, prontos para serem lidos e acionados por agentes de IA.

Outra frente de atenção é o pagamento, tradicionalmente visto apenas como etapa final da compra, mas que hoje assume papel estratégico. Com jornadas mais fluidas e invisíveis, o meio de pagamento virou identificador de confiança na relação marca-cliente. Metade dos consumidores brasileiros já escolhe primeiro como vai pagar, antes mesmo de decidir onde comprar. Isso reforça que pagamento não pode ser um gargalo ou uma “última barreira” no funil; ele deve ser parte da experiência, transparente e integrado. Tecnologias como carteiras digitais, Pix, pagamentos one-click e biometria tornaram o checkout mais ágil e seguro.  

No omnichannel, unificar pagamentos permite que o cliente transite de um canal a outro mantendo vantagens (pontos, limites, condições) e histórico unificado – se ele compra online e quer trocar na loja física, por exemplo, todo o registro já está lá. Empresas visionárias tratam pagamento como infraestrutura central da jornada, e não mais como detalhe operacional. Afinal, quanto mais fácil for pagar, menos barreiras para a compra – e maior a conversão.

Jornada híbrida e integração total de canais

Para o consumidor Next Now, omnichannel autêntico deixou de ser luxo e virou pré-requisito básico. Ele já consolidou hábitos híbridos: de acordo com dados de mercado, ao menos 77% dos brasileiros alternaram entre canais online e offline em 2025, como pesquisar no Instagram, comprar pelo app, retirar na loja e reclamar via WhatsApp. E esperam que tudo funcione como uma coisa só, sem quebra de continuidade. Estudos mostram que 80% dos clientes querem uma experiência fluida entre canais, embora poucos percebam isso na prática hoje. Ou seja, ainda há um descompasso entre a expectativa omnichannel e a realidade entregue.

Do ponto de vista de negócio, integrar canais não é apenas agradar o cliente – é reter valor. Uma análise da McKinsey revelou que empresas com omnichannel maduro alcançam até 89% de retenção de clientes, contra menos de 33% naquelas com estratégias fragmentadas. A fragmentação, especialmente nos meios de pagamento e no histórico de atendimento, tornou-se uma das principais causas de perda de fidelidade. Se o aplicativo, o e-commerce e a loja física “não conversam” entre si, o cliente percebe e tende a pular fora. Consistência total – de preços, promoções, cadastros e formas de pagamento – virou sinônimo de confiança.  

Cada vez mais é preciso derrubar as paredes entre o digital e o físico. Sistemas integrados de estoque em tempo real, CRM unificado e plataformas omnichannel não são mais projetos futuros, e sim demandas do presente. O consumidor Next Now quer escolher onde e como comprar sem sentir qualquer diferença – e cabe à tecnologia do varejo tornar invisível essa complexidade. Os benefícios vão além da satisfação: com canais orquestrados, a empresa ganha visão única do cliente e pode antecipar necessidades, personalizar ofertas e evitar rupturas de estoque em qualquer ponto de contato.

A jornada híbrida também reposicionou o preço como um elemento dinâmico da experiência. Para o consumidor atual, não faz sentido encontrar valores diferentes entre o digital e a loja física, nem perceber que a concorrência ajustou preços mais rápido. A comparação acontece em segundos, e o varejo que não acompanha esse ritmo perde vendas antes mesmo de o processo logístico entrar em cena. Nesse contexto, inteligência de preços deixou de ser uma função analítica isolada para se tornar uma engrenagem operacional, conectada à estratégia comercial e à execução em loja.

Monitorar o mercado em tempo real, reagir a movimentos da concorrência e traduzir essas decisões em preços corretos no ponto de venda exige integração entre dados, sistemas e operação física. Quando esse fluxo é manual, lento ou fragmentado, o efeito é direto: preços defasados, erros de comunicação com o cliente e perda de margem ou volume. Para o consumidor “Next Now”, preço errado equivale a experiência ruim, e experiência ruim é motivo suficiente para desistir.

Personalização imediata e tolerância zero a erros

Outra marca registrada do consumidor Next Now é a expectativa de relevância imediata. Os consumidores esperam que marcas interajam de forma adaptada ao seu histórico e contexto atual. Não basta chamar pelo nome ou recomendar com base na compra do mês passado – a personalização agora precisa ser em tempo real, captando preferências do momento, mudanças de hábito e até humor do cliente.  

No entanto, há um abismo a ser vencido: somente 29% dos brasileiros estão plenamente satisfeitos com o nível de personalização que recebem hoje. Ou seja, a maioria sente que as marcas ainda não entregam a relevância que prometem, e um terço dos consumidores se mostra desconfortável em ceder dados pessoais sem enxergar benefício claro. Isso impõe um equilíbrio delicado: para ganhar a confiança, coletar menos dados e contextualizar melhor é fundamental – focar na qualidade e uso inteligente das informações, e não na quantidade.  

Mais crítico ainda, esse cliente não tolera falhas nem demora. A régua da experiência foi elevada a tal ponto que uma única derrapada pode custar a relação. Se o site trava no pagamento, se o produto atrasa além do prometido ou se o atendimento é rude, o Next Now simplesmente parte para o concorrente.  

Pesquisas recentes indicam que no Brasil mais da metade dos consumidores espera ser atendida em até 5 minutos nos canais digitais, e busca solução quase imediata, especialmente em chat e WhatsApp. Não é só rapidez na resposta – é resolver de primeira. Clientes são 2,4 vezes mais propensos a manter vínculo com marcas que solucionam seus problemas com agilidade. Por outro lado, lentidão, ter que repetir informações ou ser jogado de um atendente a outro alimentam frustração e abandono. A lealdade agora se conquista na agilidade e na assertividade: resolver na hora, no canal que o cliente escolheu, com o mínimo de atrito possível.

Isso exige que as empresas combinem tecnologia e toque humano na medida certa. Chatbots e assistentes virtuais equipados com IA já filtram e resolvem demandas simples, algo que 77% dos consumidores dizem desejar das marcas. Porém, a entrega desses bots ainda fica aquém do esperado – apenas 20% relatam experiências realmente positivas com eles.  

Logística expressa: do clique à entrega em alta velocidade

Se na ponta frontal o consumidor exige respostas instantâneas, no back-end ele acelerou toda a cadeia de fornecimento. A pressão por entregas rápidas é talvez o aspecto mais visível de como o Next Now está encurtando o tempo do varejo. Entregar no mesmo dia ou em poucas horas já não é visto como um luxo, e sim como necessidade em várias categorias – de alimentos a eletrônicos.  

Grandes players do e-commerce moldaram essa expectativa ao oferecer prazos cada vez menores, estabelecendo um novo padrão de conveniência no mercado. O resultado? Muitos consumidores hoje preferem comprar onde a entrega é mais ágil, mesmo que custe um pouco mais. A velocidade de envio virou fator competitivo direto: de nada adianta um produto desejado se ele chegar tarde demais.

Para acompanhar esse ritmo, operações logísticas tradicionais tiveram que se reinventar. Ter um único centro de distribuição centralizado, por exemplo, pode inviabilizar entregas ultrarrápidas a clientes de regiões distantes. Varejistas estão adotando modelos descentralizados de estoque, criando hubs regionais próximos aos principais polos de consumo. Assim, encurtam distâncias e conseguem efetivar entregas locais em 1 ou 2 dias, ou até em horas nas capitais.  

Outro movimento é usar as próprias lojas físicas como minicentros de distribuição – o popular “ship from store”. Esse modelo aproveita o estoque já presente nas lojas para atender pedidos online nas redondezas, reduzindo prazos e custos de frete. Flexibilidade também entrou em cena: opções como clique-e-retire, lockers 24h e agendamento de entrega dão ao cliente alternativas mais convenientes e ajudam a evitar atrasos nas chamadas “últimas milhas”.

A chave para viabilizar essa logística acelerada é investir pesado em tecnologia e processos automatizados. Empresas estão automatizando etapas críticas: sistemas avançados de gestão agora monitoram cada fase do pedido em tempo real, da confirmação e separação do produto até a expedição. Isso reduz o tempo de processamento e praticamente elimina erros humanos, já que atividades manuais – como imprimir pedidos ou dar baixas de estoque – são substituídas por fluxos digitais integrados.  

Do clique à entrega, o tempo encurtou e quem dita esse ritmo é o cliente. O consumidor Next Now, com a urgência e poder de escolha, forçou o varejo a sair da inércia e a repensar toda a jornada. Aquilo que eram tendências para “o próximo ano” viraram exigências do agora. E o agora não espera. O varejo brasileiro, em especial, enfrenta o desafio de equilibrar dimensões continentais e infraestrutura desigual com a impaciência do novo consumidor hiperconectado. Não há espaço para complacência: enquanto alguns planejam, outros já entregam.

Por Paulo Moratore, Head da Selbetti Retail Experience

IA analisa vídeos de influenciadores em 15 segundos e automatiza validação de campanhas

A validação de campanhas com influenciadores, uma das etapas mais operacionais do marketing de influência, começa a ganhar escala com o uso de inteligência artificial. A Inbazz anunciou o BriefCheck AI, ferramenta que analisa vídeos publicados por creators em cerca de 15 segundos e reduz em até 45% o tempo dedicado à etapa de conferência.

Enquanto a revisão manual de um único vídeo pode levar aproximadamente cinco minutos, o sistema processa briefing, imagens, áudio e legenda de forma simultânea. A partir dessa leitura cruzada, classifica automaticamente o conteúdo como “Aprovado”, “Em Alerta” ou “Reprovado”, além de apresentar justificativas técnicas que indicam aderência ou desvios em relação às diretrizes da campanha.

Na prática, apenas os materiais sinalizados como “Em Alerta” seguem para avaliação humana. Os demais deixam de exigir revisão manual, o que reduz retrabalho e libera as equipes para decisões estratégicas.

“O volume de campanhas e criadores cresceu rapidamente. A validação manual passou a ser um gargalo operacional. Automatizar essa triagem inicial permite que as equipes foquem em estratégia e qualidade”, afirma Matheus Barcelos, CEO da Inbazz.

Entre os critérios avaliados estão posicionamento do produto, clareza da mensagem, alinhamento ao tom da marca, qualidade técnica e coerência com a estratégia definida. A proposta é antecipar riscos de comunicação antes da publicação e garantir consistência em campanhas com grande volume de creators simultâneos.

Mercado em expansão pressiona por eficiência

Fundada em 2024, a Inbazz afirma ter ampliado seu faturamento de R$ 540 mil para R$ 4,8 milhões no último ano, impulsionada pela automatização da gestão de campanhas com influenciadores. A empresa recebeu aportes de Antler e Stamina VC.

O movimento ocorre em um mercado em rápida expansão. A chamada creator economy movimenta mais de US$ 250 bilhões por ano globalmente e pode dobrar até 2027, segundo projeção do Goldman Sachs. No Brasil, influenciadores já fazem parte da estratégia central de setores como moda, alimentação e beleza, o que aumenta a pressão por métricas, padronização e previsibilidade de resultados.

A adoção de ferramentas de inteligência artificial na etapa de validação indica um movimento mais amplo de profissionalização do setor — transformando conteúdo, antes tratado apenas como peça criativa, em ativo analisável por dados.

O e-commerce pet está saturado ou ainda há espaço para nichos?

O comércio eletrônico voltado ao setor pet segue em ritmo de crescimento no Brasil, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor e pela consolidação da digitalização do varejo. Para ilustrar o crescimento, somente entre maio e junho de 2025, plataformas de e-commerce como AliExpress, Shopee e Mercado Livre divulgaram aumento de até 300% na venda de produtos voltados para animais de estimação.

Mesmo diante desse cenário positivo, o aumento da concorrência levanta um questionamento estratégico para empreendedores e investidores: o e-commerce pet já atingiu um nível de saturação ou ainda há oportunidades relevantes de expansão?

Para Hugo Galvão de França Filho, diretor da Enjoy Pets, o mercado vive um momento de amadurecimento. “Existe uma competição intensa no modelo tradicional, principalmente quando falamos de grandes players disputando preço e logística em escala nacional. Mas isso não significa que o mercado esteja saturado. Há espaço significativo para nichos bem-posicionados, que entregam experiência, curadoria e relacionamento”, afirma.

Segundo o especialista, segmentos como alimentação natural, produtos funcionais, suplementos, linhas hipoalergênicas, itens personalizados e modelos de assinatura recorrente apresentam crescimento consistente e maior potencial de fidelização. No entanto, com a entrada de marketplaces especializados e grandes varejistas no segmento pet, a disputa por preço se intensificou, e a experiência do cliente se tornou um ativo fundamental para construírem relacionamentos de longo prazo.

Outro fator que reforça o potencial de crescimento é a expansão do consumo pet em cidades médias e regiões onde a oferta física ainda é limitada. Nesses casos, o e-commerce amplia o acesso a produtos premium e especializados. “Existe um Brasil pet que ainda não foi totalmente explorado no digital. A interiorização representa uma oportunidade concreta para empresas que estruturam bem sua operação”, avalia Galvão.

O especialista também destaca que logística eficiente, política clara de trocas, presença ativa nas redes sociais e uso estratégico de dados deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos básicos para competir no ambiente digital. Para empresas conseguirem espaços no mercado, o e-commerce pet exige hoje planejamento estruturado, análise constante de indicadores, construção sólida de marca e estratégias voltadas à retenção. 

Com consumidores cada vez mais conectados e dispostos a investir no bem-estar dos animais de estimação, o setor pet digital mostra que está mais competitivo, mas longe de estar esgotado. Empresas que compreendem o comportamento do tutor e atuam de forma inteligente em nichos específicos conseguem encontrar amplo espaço para crescimento no setor.

WhatsApp, e-mail ou SMS? Veja estratégia para não ‘queimar’ contato com cliente

Em um mercado saturado por notificações, o dilema entre qual canal priorizar – WhatsApp, e-mail ou SMS – tornou-se o centro da estratégia das empresas brasileiras.

No entanto, para o diretor global de Vendas da ActiveCampaign, Rodrigo Bidinoto, a resposta não reside na tecnologia, mas no comportamento humano. Segundo ele,o erro capital é ignorar a conveniência de quem recebe a mensagem.

Dados globais da ActiveCampaign, empresa com foco em CRM e automação de marketing, dão suporte a essa visão: marcas que automatizam a jornada do cliente com base em preferências reais economizam, em média, 13 horas semanais de trabalho manual. Além disso, quando integrado de forma autônoma, o uso de mensageria pode elevar o engajamento de leads em até 66%, de acordo com a empresa.

“Não devemos considerar um canal mais ou menos relevante que o outro”, diz Bidinoto. “Temos que olhar sempre pela ótica do cliente. Se a preferência dele é receber e-mail, essa deve ser uma opção oferecida pela marca. É para isso que serve uma plataforma omnicanal”. Segundo o especialista, para as empresas, esse tipo de customização agrega valor,e uma alternativa para atender sempre às preferências de cada cliente é automatizar os canais de comunicação.

SMS é nicho de alta confiança

Para Bidinoto, no Brasil, o SMS ocupa um nicho de alta confiança que o WhatsApp ainda não preencheu totalmente: o oficialismo. “O SMS ainda funciona muito bem no Brasil para comunicações transacionais, como autenticações multifator. Existe uma percepção de segurança maior; quando o código vem por SMS, o usuário sente que é da empresa e não um golpe”. Assim, o canal é imbatível para o uso rápido, como a integração automática de códigos no celular facilitando a experiência do usuário sem fricção.

Para conteúdos que exigem profundidade, o e-mail segue sendo a fundação insubstituível. “Para mandar uma quantidade grande de informações, você não pode usar só o WhatsApp. O e-mail é fundamental para o marketing de massa segmentado, dado o seu baixo custo comparado com outros canais de comunicação.

O executivo afirma que bases bem trabalhadas e tagueadas podem alcançar resultados extraordinários, com até 90% de taxa de abertura ao enviar campanhas personalizadas.

E o WhatsApp?

Se o e-mail constrói a base, o WhatsApp é quem “bate o martelo”. “O e-mail pode ter o Call to Action para falar no WhatsApp. É aí que o marketing se transforma em conversacional e onde acontece a captura do lead”, diz Bidinoto. No entanto, a ActiveCampaign alerta contra o spam massivo: o uso deve ser personalizado para evitar bloqueios pela Meta (dona do WhatsApp, Facebook e Instagram).

No final das contas, o encerramento do planejamento tático deve focar na rentabilidade. Bidinoto critica as “métricas de vaidade”, como cliques que não geram receita. “Cultura de dados é tomar decisões baseadas em fatos para otimizar o custo de aquisição. Não é converter a qualquer custo. Se você converter um cliente que não tem fit com a empresa, o prejuízo vem no churn (cancelamento do serviço) logo ali na frente.”

Inteligência Artificial elimina gargalos na regulação de sinistros e acelera o ‘last mile

No dinâmico universo da última milha (last mile), a agilidade se tornou um dos mais importantes diferenciais competitivos. Para endereçar o histórico gargalo na resolução de sinistros, a 88i Seguradora Digital implementou uma camada avançada de Inteligência Artificial que redefine a velocidade de resposta e reembolso em seguros de acidentes pessoais para o setor.

Tradicionalmente, a liquidação de um sinistro envolvia uma jornada burocrática envolvendo análise manual de dados não estruturados, triagem de faturas, recibos e diagnósticos médicos dispersos. Esse modelo gerava tarefas repetitivas e um tempo de espera que impactava diretamente o fluxo de caixa e a segurança financeira dos profissionais na ponta da operação.

Ao integrar visão computacional e machine learning diretamente nos aplicativos de gestão logística, a 88i inverte essa lógica. Agora, o próprio condutor inicia a regulação por meio da captura de imagens e documentos via smartphone. A IA analisa dados e valida documentos fiscais instantaneamente, cruzando esses dados com telemetria e localização para garantir a legitimidade da ocorrência de forma quase invisível.

“Nosso objetivo é que o seguro deixe de ser um custo estático e burocrático para se tornar um serviço fluido dentro da jornada logística,” afirma Rodrigo Ventura, CEO da 88i. “A IA nos permite simplificar o gerenciamento de crises, automatizando a rotina para que o atendimento humano foque onde ele é realmente indispensável: na experiência e no suporte ao segurado.”

Eficiência Operacional em Números

A transição para o modelo inteligente já apresenta resultados mensuráveis na operação da seguradora.  Com a automação, 50% dos documentos inseridos no sistema já são extraídos, interpretados e validados sem intervenção humana. Com mais de 30 milhões de operações registradas até o início de 2026, a arquitetura de IA Generativa e Preditiva sustenta o crescimento  da empresa  “A ideia  é continuar estruturando a IA até chegarmos no paramétrico, o pagamento quase instantâneo do sinistro”, anuncia Rodrigo Ventura.

Consolidada como o motor de proteção das maiores plataformas de delivery e logística do Brasil, a 88i utiliza essa evolução na regulação de sinistros como catalisador para sua expansão. A tecnologia de embedded insurance (seguro embarcado) agora se une ao processamento em tempo real para pavimentar a entrada da companhia em novos mercados que demandam alta frequência e resposta imediata.

A nova era do trabalho: Por que o Mercado Livre está roubando o protagonismo da CLT no Brasil

O trabalho com carteira assinada deixou de ser o destino final para uma parcela crescente dos brasileiros. Em meio à limitação de ganhos, à rigidez de horários e à sensação de pouco controle sobre a própria trajetória, as plataformas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era exclusivo do emprego formal. Entre elas, o Mercado Livre desponta como uma das principais portas de entrada para quem busca construir renda própria e maior autonomia.

Dados divulgados pela própria companhia mostram que o número de vendedores ativos no Brasil cresce de forma consistente ano após ano, acompanhando a expansão do comércio eletrônico no país. Segundo estimativas do setor, uma base expressiva de brasileiros já utiliza marketplaces como fonte de renda, e para uma parcela relevante deles, essa atividade deixou de ser complementar e passou a ser a principal ocupação profissional.

Do emprego fixo à autonomia financeira

O movimento é alimentado por uma combinação de fatores econômicos e comportamentais. A inflação pressionou o custo de vida, enquanto reajustes salariais seguem limitados em diversos setores. Ao mesmo tempo, o comércio digital amadureceu, reduziu barreiras de entrada e passou a oferecer infraestrutura logística, meios de pagamento e alcance nacional até para pequenos vendedores.

“O que observamos é que muitas pessoas chegam ao Mercado Livre depois de anos de frustração com o modelo tradicional de trabalho”, afirma Hugo Vasconcelos, bacharel em administração de empresas e especialista em vendas de produtos físicos por marketplaces e sócio-fundador da VDV Group, empresa que acompanha de perto a transição de profissionais para o empreendedorismo digital. “Não é apenas sobre ganhar um dinheiro extra. É sobre ter controle da própria agenda, escalar ganhos de acordo com o esforço e construir algo que seja seu.”

Empreendedorismo digital como carreira 

Ao contrário da imagem de informalidade que marcou o comércio online em seus primeiros anos, vender em marketplaces passou a exigir planejamento, gestão e visão de longo prazo. Para muitos brasileiros, o Mercado Livre funciona como um laboratório de empreendedorismo: começa-se pequeno, aprende-se sobre precificação, estoque, logística e atendimento, e, com o tempo, a operação ganha estrutura.

Segundo Hugo, a plataforma se tornou uma espécie de “CLT do digital” para quem busca previsibilidade de demanda aliada à flexibilidade. “A diferença é que não existe teto salarial imposto. Quem entende o jogo, investe em método e profissionaliza a operação é quem consegue transformar as vendas em renda principal e recorrente”, diz.

Por que esse movimento cresce no Brasil

O cenário do mercado de trabalho ajuda a explicar a tendência. Pesquisas recentes sobre satisfação profissional indicam aumento do desalinhamento entre expectativas dos trabalhadores e a realidade das empresas, especialmente entre jovens adultos. A busca por propósito, flexibilidade e independência financeira ganhou peso na tomada de decisão.

Além disso, o avanço da logística e dos meios de pagamento digitais reduziu riscos e custos iniciais. “Hoje, a pessoa não precisa de uma loja física, nem de um grande capital inicial para começar. Isso democratizou o acesso ao empreendedorismo”, avalia o especialista da VDV.

Os erros mais comuns e o que diferencia quem dá certo

Apesar do crescimento, a migração não é automática nem livre de riscos. Um dos erros mais frequentes, segundo a VDV, é tratar a venda online como improviso. “Muita gente entra achando que é simples e quebra logo no início por falta de planejamento financeiro, escolha errada de produtos ou desconhecimento das regras da plataforma”, afirma Vasconcelos.

Outro ponto crítico é confundir liberdade com ausência de disciplina. “Quem transforma isso em carreira entende que autonomia vem acompanhada de método, rotina e gestão. Não é menos trabalho, é outro tipo de trabalho”, resume.

Mais que renda extra, uma mudança de trajetória

O crescimento do número de brasileiros que deixam a CLT para empreender em marketplaces sinaliza uma transformação mais profunda no modo como o país encara o trabalho. Para uma geração pressionada por custos elevados e poucas perspectivas de progressão no modelo tradicional, o comércio digital surge como alternativa concreta de mobilidade econômica.

“Estamos falando de pessoas que reescrevem a própria trajetória profissional”, conclui Vasconcelos. “Quando bem estruturada, a venda no Mercado Livre deixa de ser um plano B e passa a ser um projeto de vida.”