Início Site Página 42

“O futuro do varejo não é do maior, mas do mais ágil”, avalia especialista do grupo IRRAH Tech após participação na NRF 2026

A edição de 2026 da NRF, maior evento mundial do varejo, mostrou para executivos, investidores e líderes de tecnologia que, no novo ciclo do comércio global, a vantagem competitiva não vem mais do tamanho da empresa, mas da sua capacidade de reagir rápido, integrar dados e transformar tecnologia em resultado.

“As grandes empresas já entenderam que a IA precisa estar embutida no negócio, funcionando nos bastidores, resolvendo problemas reais e apoiando decisões”, disse César Baleco, CEO do grupo IRRAH Tech, empresa paranaense com atuação global em soluções de automação e inteligência artificial voltadas à eficiência operacional. “Nesse novo jogo, o futuro não é do maior, mas do mais ágil. O foco agora está em como automatizar processos, reduzir desperdícios, prever demanda, personalizar ofertas e acelerar decisões comerciais em tempo real”.

O raciocínio ecoa entre executivos que acompanharam a programação global. Para Siro Canabarro, CEO da Tecinco, parceira da IRRAH Tech no evento, “se você ainda não utiliza IA, você está sendo utilizado por ela, e a tecnologia passa a ser um ativo central de competitividade”.

A mudança de perspectiva apareceu nos estandes e palestras das big techs e líderes de mercado presentes na NRF, e a IA está deixando de ser vista como um suplemento de marketing para passar a assumir funções operacionais essenciais. Isso inclui: análise de comportamento do consumidor em tempo real; identificação de necessidades antes mesmo de serem explicitadas; mapeamento contextual da jornada de compra; e predição de demandas e otimização de estoques.

“Não estamos mais lidando apenas com uma IA operacional. Ela apoia decisões humanas, cruzando grandes volumes de dados para gerar predições que se traduzem em mais eficiência”, explicou Baleco.

É uma tendência: no varejo, os modelos de relacionamento baseados em comunicação invasiva, como campanhas push massivas, tendem a perder eficácia frente a abordagens que combinam personalização baseada em dados e automação personalizada. “A IA passa a identificar não apenas o que o consumidor compra, mas quando, por quê e em que contexto social e econômico. Isso permite criar jornadas de compra mais eficientes, menos dependentes de descontos e mais orientadas à conversão real”, destaca o CEO da IRRAH Tech.

A empresa paranaense vem investindo em infraestrutura que permite às empresas operar IA de forma integrada aos seus sistemas de negócio, do CRM ao ERP, do atendimento ao financeiro. No final de 2025, o grupo lançou o Model Context Protocol (MCP), um padrão que facilita a comunicação entre agentes de IA e softwares corporativos, eliminando uma das maiores barreiras à automação em larga escala: a fragmentação dos sistemas.

Na prática, isso permite que empresas conectem inteligência artificial a seus processos operacionais sem precisar reconstruir toda a arquitetura tecnológica — o que reduz custos, tempo de implementação e dependência de equipes especializadas.

“O que o MCP faz é transformar a IA em infraestrutura plugável, algo que pode ser escalado rapidamente conforme o negócio cresce ou muda”, explica Baleco.

O resultado dessa transformação é um mercado em que agilidade, integração e capacidade de adaptação passam a pesar mais do que tamanho, legado ou poder de marca.

“A NRF 2026 nos ensina a ser menos deslumbrados com promessas, mais focados em retorno sobre tecnologia, produtividade e impacto financeiro, e mostra que rapidez faz a diferença. Por isso, encurtar esse caminho com parceiros tecnológicos fará toda a diferença neste ano”, conclui.

5 tendências da NRF para 2026

A NRF 2026, maior evento global de varejo que ocorreu entre os dias 11 e 13/01 em Nova York, deixou um recado claro para o mercado: o setor entrou em uma nova fase. Mais do que adotar tecnologia, o varejo está reorganizando seu modelo de crescimento, colocando mídia, dados e experiência no centro da estratégia.

Pensando nisso, o Thiago Stelle, Head de Marketing & Insights da Unlimitail, joint venture entre o Grupo Carrefour e o Grupo Publicis criada para acelerar o desenvolvimento do Retail Media no Brasil e na América Latina, listou cinco tendências que se destacam como estruturais para o presente e o futuro do setor. Confira:

1. O fim da busca e o início do Agentic Commerce

O varejo começa a migrar da lógica da busca por palavras-chave para um modelo baseado em agentes de inteligência artificial, capazes de entender intenção, contexto e momento. Iniciativas anunciadas por Walmart e Google, por exemplo, apontam para um novo comportamento do consumidor: ao invés de procurar produtos, ele conversa com um assistente que planeja, cria o carrinho e executa a compra.

“Nesse cenário, a barra de busca perde protagonismo e a decisão passa a ser mediada por inteligência. Para marcas e varejistas, o impacto é direto: quem influencia o agente passa a influenciar a venda”, analisa o executivo.

2. Consolidação do retail media

Depois de anos de testes e pilotos, 2026 marca a virada definitiva do retail media como linha relevante de receita. O que antes era tratado como complementar passa a ser estruturado como unidade de negócio, com metas claras, integração com trade, mídia e CRM, e impacto direto na margem do varejo.

Segundo Stelle, na NRF o discurso foi consistente: retail media deixa de ser uma estratégia incremental e se torna essencial para financiar preço, experiência, inovação e rentabilidade. Para as marcas, é o canal mais próximo da decisão de compra, enquanto para o varejo é o elo entre audiência, dados e monetização em escala.

3. A loja como palco: o ponto físico vira meio de comunicação

A loja física não é mais somente um espaço de exposição de produtos e está se transformando em um ambiente de mídia totalmente expressivo, onde prateleiras, geladeiras, corredores e fachadas passam a funcionar como ativos de comunicação endereçáveis e mensuráveis.

“Estudos apresentados no evento mostram que telas digitais no ponto de venda geram incrementos reais de vendas, ao mesmo tempo em que criam margens significativamente superiores às do varejo tradicional. Para a Unlimitail, o retail media in-store representa uma evolução natural da loja física, combinando performance para marcas, aumento de margem para o varejo e mais beleza e fluidez para a experiência do consumidor”, comenta.

4. Inteligência em escala, com menos discurso e mais execução

Para o Head de Marketing & Insights da Unlimitail, a inteligência artificial saiu de um lugar de experimentação e passou a ser infraestrutura. O foco agora, portanto, está na implementação em larga escala para previsão de demanda, gestão de estoque, precificação dinâmica e personalização real.

O objetivo é reduzir a fricção entre o que o consumidor quer e o que o varejo consegue entregar, no momento certo e no canal certo. Aqui, dados deixam de ser relatório e viram motores de decisão, eficiência operacional e rentabilidade.

5. Do cliente ao membro: varejo como ecossistema de valor

A relação puramente transacional está ficando obsoleta. O varejo mais avançado caminha para modelos baseados em membresia, recorrência e lifetime value, em que produtos, serviços, dados e mídia operam de forma integrada.

“Um exemplo dessa lógica é o Sam’s Club, rede que já nasce com mentalidade de membro e vem evoluindo para um modelo de cadeia de valor completa. A proposta vai além da compra pontual e envolve curadoria, benefícios exclusivos, serviços e uma experiência de loja pensada para quem faz parte do ecossistema”, conta Thiago.

Nesse contexto, o retail media, além de um canal de monetização, passa a integrar a própria experiência do membro, conectando marcas a audiências qualificadas em momentos reais de decisão, sem romper a jornada. O foco deixa de ser vender mais vezes e passa a ser gerar mais valor ao longo do tempo.

O que isso representa para o varejo

A NRF 2026 confirma uma mudança estrutural, na qual o varejo se torna menos linear, menos transacional e muito mais inteligente, midiático e conectado ao momento. O retail media, especialmente dentro da loja física, se consolida como um dos principais pilares de crescimento do setor, tanto como fonte de receita adicional quanto como ferramenta para ampliar a margem do varejo, entregar performance real para marcas, financiar melhores experiências e transformar a loja em um espaço mais vivo, relevante e atrativo.

“O futuro do varejo não é somente sobre vender mais. É sobre conectar melhor, monetizar melhor e criar experiências mais relevantes”, finaliza Thiago Stelle.

Getnet lança estratégia para a era do “Agentic Commerce”: quando a IA faz as compras por você

A forma como consumimos online está prestes a passar por uma transformação radical, e a Getnet, fintech global de pagamentos do Grupo Santander, anunciou hoje sua estratégia para liderar essa mudança. A empresa apresentou sua infraestrutura voltada para o Agentic Commerce (Comércio Agêntico), um modelo emergente onde softwares de Inteligência Artificial não apenas sugerem produtos, mas iniciam, negociam e concluem compras autonomamente em nome dos usuários.

O movimento da Getnet antecipa uma tendência massiva de mercado. Segundo um relatório elaborado pela companhia em parceria com a Deloitte, estima-se que até 30% do valor transacionado no e-commerce global seja influenciado por agentes de IA até 2030.

Isso representa um GMV (Gross Merchandise Value ou Volume Bruto de Mercadorias) potencial de US$ 17,5 trilhões. Para o setor de pagamentos, o desafio é técnico e de segurança: adaptar sistemas desenhados para humanos para que possam processar transações feitas por robôs com a mesma confiabilidade.

Como vai funcionar?

A estratégia da Getnet apoia-se em sua plataforma global existente, a Single Entry Point (SEP). A partir dessa API unificada, a empresa está desenvolvendo novas camadas de tecnologia para viabilizar o comércio via IA:

  • Identificação de Agentes: Mecanismos para distinguir se quem está comprando é um humano ou uma IA.
  • Validação e Segurança: Protocolos para garantir que o agente de IA tem permissão legítima do consumidor para gastar aquele dinheiro.
  • APIs Padronizadas: Conexões que permitem a captura de pagamentos iniciados por máquinas de forma fluida.
  • Interoperabilidade: Integração entre diferentes ecossistemas digitais, permitindo que uma IA de uma plataforma compre em outra sem atritos.

O objetivo é oferecer uma solução “plug and play”, acessível tanto para grandes varejistas digitalizados quanto para pequenas e médias empresas que não possuem recursos para desenvolver tecnologia interna complexa.

A Visão do Executivo

Para Juan Franco, CEO global da Getnet, estamos diante de um ponto de virada na história do comércio digital.‘O agentic commerce representa um ponto de virada em que a IA deixa de apenas observar a jornada do cliente e passa a conduzi-la por meio de agentes autônomos que descobrem, negociam e pagam em nome dos consumidores. Nesse sentido, a visão da Getnet é ser a conselheira de confiança e facilitadora de seus clientes, transformando nossos recursos de adquirência, gestão de risco e dados em uma plataforma aberta e inteligente, que permita aos comerciantes lidar com agentes de IA com a mesma facilidade com que hoje atendem clientes humanos”.

Os detalhes da nova estratégia constam no relatório “Getnet at the Forefront of Agentic Commerce”, divulgado este mês em Nova York, em paralelo à NRF 2026: Retail’s Big Show, o maior evento de varejo do mundo. O estudo aponta sinais fortes de que tanto os modelos de negócios quanto os consumidores já estão maduros para delegar suas decisões de compra a assistentes virtuais inteligentes.

Quando a IA erra, quem valida? Nova profissão surge para supervisionar agentes inteligentes

O desenvolvimento dos agentes autônomos segue redefinindo o mercado de trabalho global como um dos avanços mais significativos da era da Inteligência Artificial. A adoção dos AI Agents tem impulsionado a demanda por novas funções voltadas à supervisão, validação e garantia da qualidade das tarefas automatizadas. De acordo com relatório recente do Fórum Econômico Mundial (WEF), até 2030, cerca de 22% dos empregos atuais serão transformados. A projeção aponta para a criação de aproximadamente 170 milhões de vagas novas e a extinção de 92 milhões de postos de trabalho, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos. 

 
Para Marcos Oliveira Pinto, Global Software Engineer Manager da Jitterbit, a profissão de validador de agentes de Inteligência Artificial surge como uma função estratégica no futuro da automação inteligente nos negócios. “Ainda estamos em um momento em que não é possível confiar cegamente na IA. Pode parecer óbvio, mas é fundamental reforçar a necessidade da presença humana nos processos e na criação de novas funções no mercado. O validador de IA poderá facilmente ser uma delas, garantindo eficiência com resultados reais”, explica.   
 

As atribuições dessa nova função vão além da mitigação de riscos. O papel do validador envolve assegurar uma gestão segura, ética e confiável das operações em empresas que adotam agentes inteligentes como parte de seus processos. “A principal preocupação está na forma como esses sistemas são construídos e na possibilidade da IA gerar respostas imprecisas ou incorretas. O objetivo do profissional será revisar, validar e confirmar as ações dos agentes, garantindo a ausência de alucinações e o retorno esperado das tarefas executadas”, afirma Marcos. 

Segundo o executivo, a integração entre humanos e agentes inteligentes pode seguir dois modelos distintos. “No modelo ativo, o humano participa diretamente da execução. O agente conduz a tarefa até determinado ponto, como no atendimento a um usuário, e a partir dali o profissional avalia e decide os próximos passos. Já no modelo passivo, o humano recebe notificações sobre o andamento da operação. Em ambos os casos, a presença humana é essencial para aprovações, workflows, decisões estratégicas e julgamentos críticos”, detalha. 

O papel do colaborador humano passa a ser garantir o sucesso, a segurança e a confiabilidade das etapas automatizadas da jornada, especialmente em atividades que exigem maior complexidade, persuasão ou conhecimento técnico, ainda fortemente dependentes da percepção humana ou de abordagens híbridas. 

O levantamento do Fórum Econômico Mundial também destaca que as habilidades mais valorizadas pelos empregadores continuam sendo as chamadas competências centrais. O pensamento analítico lidera a demanda, seguido por atributos humanos como resiliência, agilidade, liderança e influência social. Até 2030, as competências com maior crescimento esperado incluem áreas técnicas como IA, big data, redes, cibersegurança e alfabetização tecnológica, além de criatividade, flexibilidade, curiosidade e aprendizado contínuo. 

“O validador de agentes de IA sintetiza a essência da nova era do trabalho. Trata-se de um profissional que combina conhecimento técnico em inteligência artificial e novas tecnologias com o julgamento humano necessário para lidar com a incerteza e garantir a confiança em sistemas autônomos. Essa função reflete a tendência de que os agentes precisarão ser treinados e supervisionados por humanos capacitados, capazes de reconhecer situações críticas e aplicar senso crítico. No fim, nosso diferencial segue sendo o olhar atento e o desenvolvimento contínuo, independentemente da profissão”, conclui Marcos. 

FinOps ganha espaço no varejo como estratégia para controlar custos de tecnologia

Um dos maiores desafios enfrentados por empresas do setor de varejo é como equilibrar a expansão tecnológica com o controle rigoroso de custos. É neste contexto que o FinOps, disciplina que une finanças e operações de tecnologia, ganha protagonismo como estratégia para gestão eficiente de gastos sem limitar a inovação.

O FinOps tem se consolidado como um modelo de gestão financeira orientado por dados, que envolve áreas de tecnologia, finanças e negócios na tomada de decisões sobre os gastos com infraestrutura digital, especialmente na nuvem. Estudos recentes apontam que organizações que adotam práticas de FinOps conseguem, em média, reduzir custos com computação em nuvem entre 25% e 35% já no primeiro ano de implementação e aceleram o retorno sobre investimentos em tecnologia, ao mesmo tempo que diminuem desperdícios e aumentam a transparência na gestão de recursos.

Para o varejo, setor que depende intensamente de tecnologia para gestão de estoques, atendimento ao cliente e operações omnichannel, esse equilíbrio entre controle financeiro e agilidade tecnológica é fundamental. Segundo especialistas, o FinOps não apenas ajuda a reduzir despesas, mas transforma a maneira como as empresas pensam seus investimentos em tecnologia, conectando gastos à geração de valor e ao crescimento sustentável.

“No varejo atual, investir em tecnologia não é mais uma opção, é uma necessidade. Mas simplesmente gastar mais não garante melhores resultados. O FinOps nos permite controlar esses gastos com inteligência, de forma que cada real investido gere impacto direto na operação, na eficiência e na experiência do cliente”, afirma Eduardo Glazar, Chief Strategy Officer (CSO) da Globalsys, uma das principais empresas que atuam com soluções de FinOps no Brasil.

Glazar reforça que a abordagem FinOps ajuda varejistas a romper a ideia de que controle de custos limita o crescimento: “Quando você tem visibilidade real dos gastos e alinhamento entre tecnologia, finanças e negócios, é possível direcionar investimentos para inovação com segurança, criando um ambiente onde a tecnologia impulsiona o crescimento, e não o sufoca.”

Empresas que implementam práticas FinOps obtêm vantagem competitiva ao reduzir desperdícios, melhorar a governança dos gastos e acelerar decisões estratégicas. Esse novo paradigma, que transforma o controle de custos em um aliado da inovação, tem sido cada vez mais adotado por redes varejistas que enfrentam margens apertadas e exigência por eficiência operacional.

Com o avanço da digitalização e o aumento de gastos com ambientes em nuvem, o FinOps surge não apenas como mecanismo de economia, mas como disciplina essencial para assegurar que os investimentos em tecnologia sejam sustentáveis, transparentes e alinhados com os objetivos de longo prazo das empresas.

NRF 2026: como a IA está redesenhando o futuro do varejo? 

Nova York sempre foi o palco onde o varejo antecipa suas grandes revoluções. Por sua vez, o que testemunhamos na NRF 2026 vai muito além: o varejo já entrou em um novo ciclo tecnológico, no qual IA, personalização e agentes inteligentes passam a estruturar a forma como consumidores descobrem produtos, tomam decisões e concluem compras.

O evento deixou, de forma clara e objetiva, a seguinte mensagem: a Inteligência Artificial deixou de ser uma camada de eficiência operacional para se tornar a plataforma central para conduzir a jornada do cliente. Isso foi fortemente evidenciado na keynote session “The AI Platform Shift and the Opportunity Ahead for Retail”, que reuniu Sundar Pichai, CEO do Google e da Alphabet, e John Furner, presidente e CEO do Walmart U.S. e futuro CEO global da Walmart Inc.

A escala dessa transformação é traduzida em números impressionantes apresentados por Pichai. Em 2024, o Google processava 8,3 trilhões de tokens relacionados a IA. Em 2025, esse volume saltou para mais de 90 trilhões — um crescimento de 11 vezes em apenas um ano.

Essa aceleração explica a mudança no comportamento do consumidor. Hoje, já registramos mais de 50 bilhões de buscas por descoberta de produtos em tempo real. O padrão de pesquisa por “palavras-chave” está morrendo. O consumidor agora descreve intenções e desejos complexos, delegando à Inteligência Artificial a tarefa de filtrar, comparar e apresentar o que é relevante. Como definiu Pichai: “A IA está se tornando mais pessoal, contextual e capaz de agir por você”.

Deste modo, o ponto crucial para os varejistas é a preservação do relacionamento que precisa ser mantido com cada consumidor, a fim de fortalecer o elo e a fidelidade. Nesse sentido, a tecnologia entra como a aliada para reduzir possíveis atritos, bem como manter a confiança do cliente em cada etapa da jornada de compra.

John Furner trouxe a visão de quem está aplicando esse paradigma em uma das maiores empresas do mundo. O Walmart não está apenas testando IA, mas redesenhou sua operação em torno dela. Com agentes como o Sparky (voltado ao consumidor) e sistemas internos que orientam desde a logística até a reposição no ponto de venda, a organização prova que a Inteligência Artificial serve para encurtar a distância entre o “eu quero” e o “eu já tenho”.

Mais do que isso, a IA está sendo usada para elevar o nível da força de trabalho. Ao automatizar tarefas árduas e repetitivas, o varejista abre espaço para que seus colaboradores desenvolvam habilidades mais estratégicas e técnicas, sendo esse um movimento essencial para a sustentabilidade do setor.

Não à toa, um dos anúncios mais estratégicos da feira foi a apresentação do Universal Commerce Protocol (UCP). Trata-se de um padrão aberto, liderado pelo Google em parceria com gigantes como Walmart, Target e Shopify, que permite aos agentes de IA conduzir compras de ponta a ponta sem que o usuário precise sair da interface de conversa.

Esses exemplos deixam para nós, no Brasil, o alerta de que a transformação é rápida e exige colaboração. O sucesso do comércio dependerá da capacidade das empresas de organizarem seu ecossistema de dados. Afinal, a integração precisa ser nativa e a governança de dados, absoluta.

O futuro do varejo não será definido por quem tem o site mais bonito, mas por quem consegue ser mais útil e invisível na vida do consumidor. A era da busca terminou e começou a era da entrega de soluções contextuais. No entanto, a transformação exige colaboração entre plataformas e varejistas, não partindo da ideia de que a IA irá substituir a atuação da empresa, mas sim viabilizar jornadas mais eficientes, preservando identidade, proposta de valor e relacionamento com o cliente.

Como bem encerrou Sundar Pichai: “Mantenham o foco no usuário, e todo o resto tende a seguir”. No varejo de 2026, ter foco no usuário significa estar presente onde a decisão acontece: na inteligência da conversa.

Tailan Oliveira é CRO na ALFA.

IA Revoluciona o E-commerce: Atendimento Inteligente Impulsiona Vendas e Reputação em 2026

O início de 2026 marca um ponto de virada para o e-commerce, com a inteligência artificial (IA) se tornando central na estratégia de atendimento ao cliente. Empresas que priorizam respostas rápidas e eficientes em múltiplos canais estão se destacando em um mercado cada vez mais competitivo e focado na experiência do consumidor.

A Experiência do Cliente em Primeiro Lugar

Em um cenário digital acelerado, a experiência do cliente é o novo campo de batalha para o e-commerce. A pesquisa aponta que os consumidores não comparam mais apenas preço e produto, mas sim a qualidade da interação com as marcas. A demora nas respostas pode levar à perda de vendas, danos à reputação e diminuição da relevância no mercado. Tiago Vailati, CEO da Loopia, plataforma especializada em Chat Commerce com IA, enfatiza que “em 2026, o cliente não compara só preço ou produto — ele compara experiências. E a primeira delas é o atendimento. Se a resposta demora, a venda não acontece”.

IA Como Infraestrutura Estratégica

A inteligência artificial aplicada ao atendimento transcende a automação, posicionando-se como uma infraestrutura estratégica. Soluções de Chat Commerce com IA garantem operações contínuas 24 horas por dia, integração entre diversos canais e uma experiência consistente, mesmo em larga escala. A pressão por eficiência e conversão tem impulsionado a adoção da IA, permitindo que as empresas respondam rapidamente, compreendam o contexto do cliente e guiem a conversa até a conclusão da compra, independentemente do horário comercial.

Resultados Tangíveis e Reputação Fortalecida

As operações que implementam agentes de IA no atendimento já colhem frutos significativos. Observa-se um aumento médio de 50% na conversão de conversas em vendas e a resolução de mais de 90% dos atendimentos sem a necessidade de intervenção humana. O tempo médio de resposta é reduzido para menos de 30 segundos, um fator crucial em plataformas como marketplaces e WhatsApp. Além do impacto direto nas vendas, a qualidade e a agilidade do atendimento tornam-se ativos reputacionais. Em marketplaces e redes sociais, respostas rápidas e eficientes influenciam avaliações públicas, ranqueamento e visibilidade da marca.

IA na Jornada Completa do Consumidor

O papel da IA nas empresas está evoluindo. De soluções pontuais, a tecnologia agora abrange toda a jornada do consumidor, desde o pré-venda até o pós-venda. A integração de dados, histórico de interações e comportamento de compra permite uma abordagem mais personalizada e eficaz. Para 2026, o atendimento inteligente deixará de ser um diferencial para se consolidar como um requisito fundamental para o sucesso em um mercado cada vez mais disputado e centrado na experiência.

Fontes

  • Atendimento inteligente acelera uso de IA no e-commerce em 2026, AdNews.

5 formas do seu marketplace se destacar de vez no mercado

O mercado de marketplaces tem sofrido profundas transformações em todo o mundo e, agora, entrou definitivamente em uma nova fase. Se antes o crescimento acelerado era suficiente para ganhar relevância, hoje ele já não garante sobrevivência. Por isso, em 2026, o ecossistema de marketplaces exige três ações fundamentais: gestão madura, experiência impecável e decisões orientadas por dados.

Para se destacar de vez em ambientes cada vez mais sem barreiras e altamente competitivos, não basta ser mais um intermediário digital, é preciso entregar valor real para vendedores, consumidores e parceiros, focando principalmente na experiência e jornada dessas pessoas. 

Para ajudar gestores de e-commerces nessa nova era, vou listar algumas das principais exigências que já estão moldando o mercado e o que as marcas precisam colocar em prática agora:

1. Pare de escalar sem governança: como comentei, crescer rápido deixou de ser sinônimo de crescer bem. É por isso que já vemos marketplaces sentindo o impacto de não terem estruturado regras claras de onboarding, compliance, qualidade de sellers e gestão de dados, gerando queda de confiança, problemas regulatórios e experiência inconsistente;

2. Experiência do usuário é responsabilidade do marketplace: O consumidor não diferencia quem vende e quem intermedia. Se algo dá errado, a responsabilidade recai sobre a marca do marketplace e não sobre o seller. Portanto, monitore jornada, SLA, reputação dos vendedores e resoluções de conflitos como parte central da estratégia, não como suporte operacional;

3. Dados como ativo estratégico (e não apenas operacional): Marketplaces geram um volume enorme de dados, mas poucos sabem transformá-los em inteligência de negócio. Em 2026, quem não usar dados para antecipar tendências, ajustar oferta e orientar sellers ficará para trás;

4. Relacionamento com sellers vai além de comissão: O seller deixou de ser apenas “mais um cadastro”. Ele espera orientação, previsibilidade, tecnologia e parceria real. Portanto, ofereça conteúdos, insights, treinamentos e ferramentas que ajudem o seller a crescer junto com a plataforma. Dessa forma, todos ganham;

5. Tecnologia invisível, mas decisiva: IA, automação, antifraude e sistemas inteligentes já são obrigatórios há alguns anos, mas o diferencial está em usá-los sem fricção para o usuário. Vale destacar que a tecnologia deve resolver problemas silenciosamente, não criar novas camadas de complexidade e atrito na jornada do cliente;

Por fim, o cenário atual não favorece quem tenta “copiar modelos de sucesso” sem adaptação. Marketplaces que se destacam de vez são aqueles que entendem seu papel como orquestradores de ecossistemas, equilibrando tecnologia, governança, experiência e relacionamento.

Em 2026, o mercado não premiará quem apenas conecta oferta e demanda, mas aqueles que são capazes de estabelecer confiança, eficiência e valor sustentável para todos os stakeholders da cadeia.

Mark Zuckerberg Prevê Domínio de Agentes de IA no E-commerce até 2026

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, revelou planos ambiciosos para o futuro das compras online, prevendo que agentes de inteligência artificial (IA) dominarão o e-commerce até 2026. A Meta está reestruturando suas fundações de IA para lançar modelos autônomos que atuarão em nome dos usuários, prometendo uma revolução na experiência de compra digital.

A Nova Era dos Agentes de IA no E-commerce

Zuckerberg anunciou que a Meta reconstruiu suas bases de IA e está pronta para lançar modelos capazes de agir com autonomia em nome dos usuários. A visão é que, em vez de navegar manualmente por catálogos, os consumidores utilizarão “ferramentas de compras agênticas”. Esses sistemas aproveitarão o vasto histórico de dados pessoais da Meta para identificar as necessidades exatas dos usuários, oferecendo uma experiência de compra altamente personalizada e eficiente.

Vantagem Competitiva e Cenário de IA

A estratégia da Meta a coloca em concorrência direta com gigantes como Google e OpenAI, que também desenvolvem plataformas similares. No entanto, Zuckerberg acredita que o “contexto pessoal” único do Facebook e Instagram conferirá aos seus assistentes de IA uma vantagem inigualável. A recente aquisição da Manus, desenvolvedora de agentes de propósito geral, reforça a seriedade desse movimento. A tecnologia deve ser integrada aos produtos da Meta nos próximos meses.

Investimento Massivo em Infraestrutura e Hardware

Para suportar essa nova fase, a Meta planeja um investimento significativo em infraestrutura de IA, com despesas de capital (Capex) previstas entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões para 2026. Esse montante, que representa um salto considerável em relação aos anos anteriores, é necessário para treinar e operar modelos de IA cada vez mais complexos. Além disso, os óculos inteligentes Ray-Ban Meta, que tiveram suas vendas triplicadas, são vistos como uma interface principal para interagir com esses agentes de IA no futuro, potencialmente substituindo a necessidade de usar smartphones para tarefas e compras.

O Futuro da Assistência Digital

O ano de 2026 promete ser decisivo para o ecossistema de tecnologia, com a NVIDIA fornecendo a base de processamento e empresas como o Google acelerando seus protocolos de comércio universal. A promessa de Zuckerberg é entregar uma IA que não apenas recomenda conteúdo, mas que compreende profundamente o usuário e age em seu benefício, redefinindo a assistência pessoal digital.

Fontes

SMS seguirá como base de confiança, mas experiência conversacional integrada por RCS, WhatsApp e IA será padrão até 2026, aponta Sinch

O SMS continuará sendo um dos pilares mais importantes para alcance, confiança e comunicação imediata entre marcas e consumidores, de acordo com a Sinch — referência mundial em comunicação conversacional na nuvem. No entanto, as jornadas conversacionais vivem uma transição acelerada: até 2026, mensagens ricas via RCS, WhatsApp e plataformas com IA devem complementar e ampliar o papel do SMS, permitindo experiências integradas onde o cliente poderá pesquisar, comprar, solicitar suporte e concluir transações em uma única conversa.

“A Sinch viabiliza mais de 900 bilhões de interações por ano para 190 mil empresas, alcançando praticamente todos os celulares do planeta”, afirmou Mario Marchetti, diretor-geral da Sinch para a América Latina. “Essa escala nos dá uma visão única sobre para onde o mundo está caminhando. Nossas previsões não são teóricas — elas se baseiam em dados reais e bilhões de conversas que mostram como a IA, a mensageria e a confiança estão transformando a comunicação.”

Segundo a pesquisa The state of RCS in customer communications da Sinch, 40% dos líderes empresariais destacam o RCS como o canal com maior potencial para elevar o engajamento do cliente, impulsionado sobretudo pela capacidade de incorporar botões de ação, imagens, formulários e carrosséis de produtos diretamente na mensagem. Em projetos recentes, marcas que adotaram o RCS registraram aumento de até 60% no ROI e até três vezes mais tráfego para sites oficiais quando comparado ao SMS tradicional.

“A evolução do SMS não significa substituição, e sim expansão”, destaca o executivo. “O consumidor continuará confiando no SMS para validação, segurança e mensagens urgentes — mas quer a conveniência de explorar, decidir e resolver tudo no mesmo canal, com a fluidez de uma conversa.”

O SMS continuará sendo essencial para alcance e verificação, mas canais ricos como RCS e WhatsApp transformarão interações únicas em experiências bidirecionais. Marcas que integrarem esses canais em jornadas únicas baseadas em IA liderarão o mercado.

Jornadas conectadas serão diferencial competitivo

O estudo mostra ainda que consumidores estão exigindo continuidade entre canais: 85% iniciam conversas em um dispositivo e finalizam em outro, demandando transições fluidas entre voz, chat, e-mail e aplicativos de mensagens — sem perder contexto. Para 46% dos executivos, a principal prioridade estratégica é integrar tecnologias e dados para garantir essa experiência contínua.

Empresas que mantêm canais isolados tendem a perder clientes no meio da jornada para concorrentes que oferecem soluções omnichannel consolidadas.

Estratégias regionais serão chave para marcas globais

O cenário também mostra divergências regionais importantes. Enquanto o WhatsApp domina mercados como Brasil e Índia, segundo estudo The most popular messaging apps in the world by country da Sinch, 90% do tráfego, — com 30% dos consumidores preferindo o canal para receber promoções — mercados como os Estados Unidos avançam no RCS como principal modelo de mensageria avançada. Já superapps como o WeChat, que registra mais de 1 bilhão de transações comerciais diárias na China, continuam a ditar o padrão de integração extremo entre serviços, pagamentos e relacionamento.

“A jornada conversacional não tem mais um formato único”, afirma Marchetti. “O futuro será multicanal, multimercado e orquestrado por IA. As empresas que entenderem o comportamento local e conectarem tecnologias de maneira inteligente serão as vencedoras.”