Início Site Página 53

TI sem silos: integração entre ITSM, ERP e CRM define novo padrão de eficiência

É fácil identificar onde começa um chamado de suporte. Difícil é mapear onde ele deveria terminar. Entre o clique do usuário e a resolução final, a maior parte das empresas opera em um labirinto de sistemas fragmentados, processos redundantes e silos de informação. A integração entre ITSM, ERP e CRM – prometida há anos, mas nunca plenamente realizada – deixou de ser uma questão técnica para se tornar o novo teste de maturidade da governança de TI.

Sem integração total, TI, operações e atendimento ao cliente muitas vezes operam em “ilhas” de dados. As informações deixam de fluir entre as áreas, forçando a digitação manual de dados em múltiplos sistemas e a conciliação tardia de relatórios. Esse retrabalho sobrecarrega as equipes e aumenta a probabilidade de equívocos.

Duplicidades e inconsistências se acumulam, abrindo caminho para falhas operacionais que poderiam ser evitadas. Na prática, um analista de suporte pode se ver obrigado a consultar múltiplos sistemas – ou mesmo planilhas paralelas – para reunir informações dispersas, tornando o atendimento mais lento e propenso a enganos. Não à toa, 81% dos profissionais em empresas supostamente integradas admitem recorrer a ferramentas não oficiais para gerenciar dados de clientes.

A falta de sincronia também compromete os SLAs. Quando ferramentas de monitoramento, service desk e plataformas de negócio não estão integradas, falhas podem não gerar alertas ou tickets automáticos, exigindo intervenção manual e atrasando a resposta. De acordo com uma pesquisa da Broadcom, 98% das equipes de TI dizem que violações de SLA frequentemente decorrem de problemas de automação – principalmente por haver sistemas demais trabalhando desconectados. Cada gap de integração vira um ponto cego que atrasa a resolução de incidentes e mina a confiança na TI.

Benefícios técnicos e estratégicos da integração

Integrar ITSM (gestão de serviços de TI) com sistemas de ERP e CRM traz ganhos táticos imediatos e vantagens de longo prazo. No plano técnico, a integração via APIs possibilita a troca estruturada de dados entre aplicações, eliminando a repetição de lançamentos e garantindo consistência de informações.

Já os webhooks permitem disparos em tempo real: quando um evento ocorre em um sistema, ele aciona automaticamente a atualização de outro. Por exemplo, um pedido de cliente registrado no CRM de vendas pode gerar instantaneamente uma ordem de produção no ERP e um ticket de suporte no ITSM, conectando o fluxo do front-office ao back-office sem atrasos.

A integração também envolve a camada de identidades corporativas. Ao conectar o service desk ao Active Directory ou a plataformas de gerenciamento de identidade (IAM), a TI centraliza o controle de acessos. Isso cria um ponto único de coordenação para autenticação e permissões de usuários.

Na prática, quando o departamento de RH contrata um novo colaborador, o próprio ITSM pode abrir solicitações automáticas para criação de contas, provisionamento de equipamento e liberação de acessos. Por outro lado, ao dar baixa em um funcionário desligado, o sistema de IAM revoga suas credenciais e já notifica a central de serviços para recolher dispositivos e licenças atribuídas.

Essa orquestração reduz atrasos de onboarding e offboarding, evita permissões esquecidas e reforça a segurança corporativa. (Um relatório da Gartner sugere que integrações robustas de IAM podem reduzir em 50% as violações relacionadas à identidade.

Em termos estratégicos, quebrar os silos de tecnologia significa conquistar uma visão unificada do negócio. Com dados consolidados de suporte, vendas, operações e finanças, os gestores conseguem tomar decisões mais rápidas e embasadas. Processos integrados de ponta a ponta permitem que um incidente de TI seja correlacionado a pedidos de clientes ou a inventários de estoque, por exemplo, antecipando impactos e agilizando planos de ação.

Além disso, automações viabilizadas pela integração aumentam a produtividade: tarefas repetitivas e propensas a erro são executadas por sistemas, liberando a equipe para focar em iniciativas de maior valor. O resultado é uma TI mais ágil, transparente e alinhada à estratégia do negócio.

Em paralelo, cresce a demanda por observabilidade full-stack – a capacidade de enxergar, em um único painel, todos os componentes e eventos do ambiente de TI. Quando cada ferramenta opera de forma estanque, surgem silos de dados, falta de inventário unificado e problemas de escalabilidade.

Já com as plataformas integradas, é possível monitorar infraestrutura, aplicações e processos de negócio de maneira holística. As equipes de TI passam a identificar gargalos de desempenho e falhas em tempo real, acelerando a resolução de problemas e reduzindo o tempo de indisponibilidade. Por exemplo, um erro em um sistema de vendas que impacta clientes pode ser correlacionado instantaneamente a um alerta em um servidor ou banco de dados, permitindo a correção proativa antes que vire uma crise.

Do ponto de vista estratégico, avançar rumo à TI integrada significa migrar de um modelo reativo para outro proativo e preditivo. Com processos automatizados de ponta a ponta e visibilidade abrangente, a TI antecipa problemas em vez de apenas apagar incêndios, e consegue entregar valor de forma consistente às demais áreas. Em última análise, o próximo passo da governança de TI é abraçar essa integração full-stack como pilar estratégico – uma evolução desafiadora que exige também mudança cultural, mas que prepara a organização para um futuro de maior agilidade, transparência e vantagem competitiva.

Por Edsel Simas, CTO da Setrion e da Milldesk Help Desk Software.

Pagamento é novo fator decisivo para apostadores das Bets, diz pesquisa

A evolução da infraestrutura de pagamentos está se tornando um fator central para o desempenho de plataformas de iGaming em mercados regulados da América Latina. É o que indicam dados preliminares de uma nova pesquisa da OKTO, provedora global de serviços de pagamento, divulgados às vésperas da ICE Barcelona 2026, principal evento internacional da indústria.

O estudo mostra que o avanço das apostas online e de outros serviços digitais na região elevou significativamente as expectativas dos consumidores, especialmente em relação à velocidade das transações, à segurança e à experiência do usuário.

De acordo com a pesquisa, realizada com usuários de plataformas de iGaming, trading e outros serviços online, 41,2% dos entrevistados afirmam que seu comportamento digital é predominantemente espontâneo, sem planejamento prévio. Esse perfil tem impacto direto na tolerância a falhas operacionais: 29,4% dizem que abandonariam uma transação caso um depósito ou saque demorasse mais de 30 segundos para ser concluído, enquanto 17,6% esperam que o processo ocorra em menos de cinco segundos.

A forma de pagamento também se mostra determinante na escolha da plataforma. Para 58,8% dos respondentes, o método disponível é um fator crucial, e 17,6% afirmam que não concluiriam uma transação se sua opção preferida não estivesse disponível. Outros critérios citados incluem melhores odds (chances) e variedade de jogos (35,3%), confiança na marca em relação à conformidade regulatória e à transparência (23,5%) e qualidade da experiência do usuário (11,8%).

Em um ano de Copa do Mundo, quando cresce o engajamento com apostas esportivas e serviços digitais, a pesquisa indica que falhas nos pagamentos tendem a ter impacto direto na retenção de usuários. Entre os entrevistados, 17,6% afirmam que desistiriam completamente ou migrariam para outra plataforma diante de uma falha na transação, enquanto 35,5% dizem que deixariam de utilizar a plataforma de origem no futuro.

Para Edward Chandler, CEO Global da OKTO, os resultados indicam uma mudança estrutural no padrão de consumo digital. “A expectativa por pagamentos rápidos e confiáveis reflete um comportamento mais imediato, comum a diversos serviços online. Plataformas que não entregam esse nível de eficiência tendem a perder relevância.”

O levantamento também identificou padrões de comportamento específicos relacionados à Copa do Mundo. Entre os entrevistados que pretendem apostar em partidas do torneio, 35,3% afirmam que apostariam em sua seleção nacional independentemente das odds. Outros 23,5% dizem que analisariam estatísticas antes de decidir, enquanto 5,9% escolheriam um time de forma aleatória.

Os dados indicam ainda um perfil relevante de apostadores ocasionais. Embora 58,8% afirmem não ter planos prévios de apostar na competição, esse grupo admite que pode realizar apostas ao longo do torneio, caso se sinta motivado pelo contexto dos jogos.

Com a consolidação dos resultados em diferentes países, a OKTO aponta três características centrais do usuário latino-americano atual: engajamento espontâneo, baixa tolerância a erros e alta demanda por experiências personalizadas.

  • Engajamento espontâneo: os dados revelam que uma parcela significativa dos usuários realiza transações de forma espontânea, muitas vezes enquanto realiza múltiplas tarefas ou está em deslocamento. Esse comportamento está alinhado a pesquisas da EBANX, que apontam que métodos de pagamento instantâneos e mobile-first, como o Pix no Brasil, crescem 35% ao ano justamente por atenderem à demanda crescente por velocidade e conveniência.
  • Confiança frágil: Na América Latina, a confiança segue como um fator sensível na região, especialmente em transações financeiras. A pesquisa indica que uma única experiência negativa costuma ser suficiente para que o usuário migre definitivamente para outra plataforma. Esse ambiente de “alto atrito e baixa confiança” também foi identificado em estudos da MDPI, segundo os quais 52% das pessoas na região relatam ter pouca ou nenhuma confiança no sistema financeiro.
  • Lacuna de personalização: por fim, a OKTO observa que, embora os usuários busquem experiências personalizadas, muitos se sentem pouco atendidos. Um relatório global recente da Mastercard revelou que, enquanto 67% das empresas de e-commerce priorizam a personalização, apenas 35% possuem uma estratégia integrada. No Brasil, o portal Mundo do Marketing apontou que a personalização em aplicativos aumenta a intenção de compra de 59% dos consumidores.

“Isto demonstra a oportunidade que os comerciantes têm de aplicar as últimas tendências e conhecimentos ao nível da infraestrutura, transformando os pagamentos num motor controlável e previsível para o desempenho, em vez de uma fonte de atrito ou risco”, afirma Chandler.

Em 2026, a América Latina terá oito países classificados para a Copa do Mundo — Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, México, Panamá, Paraguai e Uruguai. Além disso, o mercado brasileiro de apostas, recentemente regulamentado, deve concentrar cerca de 10% de todas as apostas realizadas durante o torneio, segundo estimativas do setor.

Nesse contexto, a OKTO avalia que o desempenho dos pagamentos será um fator decisivo para a competitividade das plataformas. “Transformar o pagamento em um elemento estratégico, e não apenas operacional, será essencial para quem busca crescer em um mercado cada vez mais complexo”, conclui o executivo.

Brasil entra no radar global da IA e acelera chegada de empresas internacionais

O Brasil entrou de vez no radar global da inteligência artificial corporativa. O mercado nacional movimentou US$ 475,1 milhões em 2024 e deve crescer mais de 33% ao ano até 2030, quando alcançará US$ 2,5 bilhões, segundo a Grand View Research. A combinação entre demanda acelerada, mão de obra qualificada e pressão competitiva tem posicionado o país como um dos ambientes mais disputados do mundo para soluções empresariais de IA, atraindo uma nova leva de empresas estrangeiras.

Entre as empresas que desembarcaram no país está a StackAI, startup norte-americana especializada em automação corporativa com inteligência artificial. A companhia oferece uma plataforma no-code para criação de agentes de IA com segurança, governança e integração nativa aos sistemas das empresas, tecnologia que já conquistou clientes como IBM, HP, MIT, Red Bull, Morgan e Circle Medica. No Brasil, a companhia planeja investir mais de R$ 1 milhão para acelerar sua presença e ampliar o uso de agentes corporativos em larga escala, com a meta de atender cerca de 25% das grandes empresas até 2026, consolidando o país como sua principal base internacional.

A chegada da StackAI acompanha um movimento mais amplo de startups norte-americanas que passaram a tratar o Brasil como prioridade estratégica, ao lado de mercados como Índia e Sudeste Asiático. Para Felipe Giannetti, executivo que lidera a operação da empresa no país, essa mudança marca um ponto de virada. “Muitas vezes o Brasil acaba ficando em segundo plano por causa da dimensão do mercado americano. Mas as empresas dos Estados Unidos têm percebido que existe um grande gap tecnológico por aqui e, consequentemente, uma concorrência muito menor. A economia brasileira, em tamanho, é comparável à do Texas. Quando se juntam esses dois fatores, a oportunidade se torna evidente”, afirma Giannetti.

Esse movimento também estimulou a chegada de outras empresas norte-americanas ao país, entre elas a Firecrawl, plataforma open source que transforma páginas desestruturadas da internet em dados legíveis por sistemas de inteligência artificial. Cofundada pelo brasileiro Nicolas Silberstein Câmara, CTO da empresa, a ferramenta ganhou tração rápida e hoje é utilizada por mais de 8 mil companhias ao redor do mundo, 95% delas conquistadas organicamente, entre as quais estão Shopify, PwC, Nvidia e OpenAI. No Brasil, já soma mais de mil clientes, impulsionada pela demanda crescente por soluções capazes de acelerar a coleta e a análise de informações digitais em escala.

O avanço dessas empresas ocorre em paralelo ao interesse crescente de multinacionais que buscam implementar agentes autônomos de IA, automação de processos e plataformas de integração.

Outro destaque é a Vetto AI, que opera em uma camada diferente do ecossistema. A empresa conecta pesquisadores e especialistas da América Latina a projetos globais de pós-treinamento e avaliação de modelos avançados. O crescimento do setor e a escassez global de profissionais qualificados posicionaram o Brasil como um dos principais fornecedores de mão de obra especializada para melhorar desempenho, segurança e qualidade de modelos de IA.

A plataforma funciona como ponte entre grandes empresas e uma comunidade científica local altamente qualificada. Pesquisadores atuam em projetos de alto impacto com remunerações que variam de R$150 a R$600 por hora, dependendo da senioridade e da complexidade do trabalho. Esse formato colocou o país dentro da cadeia global de validação e aprimoramento de sistemas de IA, função antes concentrada nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Fundada por brasileiros, a Vetto AI tem sede em São Francisco (EUA) e escritório em São Paulo (SP).

Segundo Ricardo Scarpari, cofundador da Vetto AI, o momento é histórico: “O mundo finalmente percebeu que o Brasil tem profundidade técnica para atuar no coração dos modelos de IA. O que estamos vendo é uma convergência rara entre demanda global e capacidade científica local. Isso coloca profissionais brasileiros no centro da construção dos sistemas que vão definir a próxima década da tecnologia”

DNA brasileiro

Além disso, o Venturus, centro de tecnologia e inovação com 30 anos de experiência, também se destaca no mercado de IA corporativa. Reconhecido como parceiro estratégico de mais de 150 empresas nacionais e globais, a instituição oferece soluções de inteligência artificial focadas nas necessidades de cada segmento. 

O centro tecnológico se destaca no desenvolvimento de soluções de IA para o mercado corporativo, com foco em saúde e bem-estar animal. Suas soluções incluem IA para prevenção e proteção da saúde de aves, além de auxiliar na criação de vacinas, evitando prejuízos financeiros aos produtores. A instituição também criou um framework inovador que combina IA com práticas de desenvolvimento ágil, reduzindo o tempo de criação de testes unitários e oferecendo cobertura inicial de até 50% do código, o que diminui custos, aumenta a confiabilidade dos projetos e acelera a inovação.

“A tecnologia sempre foi, é e continuará sendo um elemento essencial para o desenvolvimento humano e para a competitividade das empresas”, comenta João Sato, CEO do Venturus. Segundo o executivo, o Brasil vive um momento único: “O crescente interesse de empresas internacionais pela inteligência artificial no Brasil é um reflexo da maturidade, do dinamismo do nosso mercado e do sistema presente aqui. Esse cenário nos reafirma como um polo de tecnologia emergente, preparado para moldar o futuro digital com inteligência e visão estratégica.”

Além da expansão empresarial, o ambiente regulatório contribui para a movimentação. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em 2025, prevê até R$ 23 bilhões em investimentos focados em acelerar aplicações práticas, especialmente no setor corporativo. O pacote reforça o país como destino estratégico para empresas que buscam crescer em mercados com grande capacidade de adoção.

A combinação de mercado aquecido, mão de obra especializada e pressão competitiva coloca o Brasil em posição singular na corrida global da IA. O país se transforma, ao mesmo tempo, em destino para multinacionais, laboratório de implementação e fornecedor de talentos para o desenvolvimento dos modelos mais avançados do mundo.

NRF 2026: equilibrando a automação brutal com ter uma humanidade radical

*Por Elói Assis, diretor-executivo de produtos para Varejo da TOTVS

Ao final de cada edição da NRF, saímos com a cabeça borbulhando de ideias, mas também com uma visão mais clara sobre a jornada do varejo. Em 2026, após acompanhar as várias palestras, andar pelo pavilhão de exposições e muitas conversas paralelas, cheguei a uma visão que estou chamando do paradoxo do Varejo – como ser brutalmente automatizado e entregar uma experiência altamente humanizada.

Digo paradoxo porque estamos vendo nascer um novo e potente motor para o varejo, chamado inteligência artificial, mas que precisa rumar na direção apontada pela bússola do consumidor, que aponta para um varejo altamente humano e guiado por propósito. Mas não podemos esquecer que o terreno que teremos que percorrer é desafiador e incerto.

1. IA: de ferramenta mágica a coração do ecossistema

Se há alguns anos a inteligência artificial era tratada como um conceito quase mágico, a NRF 2026 mostrou sua “comoditização”. A IA deixou de ser o milagre para se tornar o motor, uma ferramenta prática e cada vez mais acessível que nos ajuda a executar velhas tarefas de formas completamente novas e eficientes.

O grande salto, porém, não está apenas na automação de processos, mas em como esse motor está impulsionando uma mudança estratégica fundamental: a transformação do varejo no centro de um ecossistema amplo e muito mais completo. Cases de gigantes como Fanatics, CVS e a nossa brasileira Magalu mostraram que o jogo não é mais apenas sobre vender um produto, mas sobre resolver múltiplos problemas do cliente a partir da confiança já estabelecida. O varejo se torna o ponto de partida para um universo de serviços financeiros, mídia, bem-estar e conteúdo, criando novas fontes de receita com margens mais altas e barreiras competitivas quase intransponíveis.

Nesse contexto, o “Comércio Agêntico”, com a ideia de que IAs farão as compras por nós, ainda me parece um futuro distante. O que vemos de concreto é a necessidade de preparar nossos negócios para o GEO (Generative Engine Optimization), ou seja, otimizar nossos cadastros e dados para que os produtos sejam “encontráveis” e “compráveis” por essas novas interfaces. A decisão final ainda é do consumidor, mas ele está, sem dúvida, mais empoderado por seus copilotos de IA.

Aqui, a questão é sobre como tirar o maior valor possível desse novo motor para buscar uma eficiência brutal em todos os aspectos – operacionais, comerciais e estratégicos.

2. Propósito: conquistando com autenticidade o consumidor Zalpha

Com um motor tão potente, a pergunta inevitável é: para onde estamos indo? O segundo dia da NRF respondeu com clareza: a direção é dada pelo propósito e pela humanidade. A eficiência da IA precisa ser equilibrada com a autenticidade da conexão humana.

Essa necessidade é ditada pela nova força dominante do consumo: os “Zalphas” (a união da Geração Z e Alpha). Nativos digitais, eles curiosamente anseiam por experiências reais e táteis. Uma pesquisa apresentada no evento foi categórica: 86% dos consumidores da Geração Z querem tocar nos produtos antes de comprar. Eles usam o digital para descobrir, mas valorizam a loja física como um hub de experiências e comunidade.

Ao mesmo tempo, sua relação com o conteúdo é absurdamente veloz. Em uma palestra sobre o TikTok Shop, um insight me marcou: você tem apenas três segundos para capturar a atenção desse consumidor. A jornada dele não é de busca, mas de descoberta, impulsionada pelo entretenimento (“retailtainment”) e pela confiança em criadores de conteúdo.

E o mais importante: esse consumidor não quer ser enganado pela IA. Ele exige transparência. Se a interação é com um bot, ele quer saber. A tecnologia é bem-vinda, mas a falta de autenticidade é desprezada. A confiança em uma pessoa ou em uma comunidade online supera, de longe, qualquer publicidade tradicional.

Nesse ponto, ganha o jogo o oposto da automação: quanto mais humana e genuína sua relação com seus clientes, maiores suas chances de fidelizá-lo.

3. O terreno desafiador e a necessidade de combustível

Entendido o motor e a bússola, precisamos encarar o terreno à frente, e ele é feito de dúvidas e incertezas. O cenário macroeconômico global traz imprevisibilidade, e o próprio consumidor, agora co-pilotado pela IA, torna os velhos mapas de comportamento cada vez mais obsoletos.

No entanto, tão delicado quanto o terreno externo é o perigo que mora dentro do nosso próprio “tanque de combustível”. Ao visitar o pavilhão de startups, vi uma avalanche de soluções prometendo usar IA para limpar e organizar os dados das empresas. À primeira vista, parece ótimo, mas a meu ver é o sintoma do grande paradoxo do varejo atual.

Há anos pregamos que “se entra lixo, sai lixo” (garbage in, garbage out). E com IA não é diferente, não se tem IA de qualidade sem dados de qualidade. Agora, o mercado oferece a própria IA como remédio para a má qualidade dos dados dos quais ela mesma precisa se alimentar para funcionar. É como usar um motor que falha para refinar o combustível adulterado que o está fazendo falhar. O risco de amplificar erros e tomar decisões piores, mas em uma velocidade assustadora, é grande.

A tarefa mais crítica para o varejista hoje não é sair em busca do algoritmo mais avançado. É voltar para casa e fazer uma auditoria rigorosa no seu tanque de combustível, garantindo a governança e a qualidade dos dados na origem, é fazer o básico bem feito.

O recado final da NRF 2026 é um chamado à ação. A revolução da IA no varejo começará não com a compra de uma nova tecnologia, mas com o compromisso inflexível de que esse novo potente motor será guiado por uma bússola de propósito e alimentado pelo combustível mais puro e confiável que existe: dados de qualidade.

Gouvêa Experience traz insights da NRF 2026 para o Brasil em evento exclusivo em São Paulo

Após marcar presença na NRF Retail’s Big Show 2026, considerado o maior e mais relevante evento de varejo do mundo, a Gouvêa Experience promove, no próximo dia 27 de janeiro, o Retail Trends Pós-NRF 2026. O evento, que acontecerá no Teatro Claro MAIS, em São Paulo, promete apresentar ao mercado nacional um panorama completo das inovações e estratégias discutidas em Nova York.

Voltado para líderes, executivos e profissionais do setor, o encontro ocorrerá das 8h às 18h e abre o calendário anual da Gouvêa Experience. A proposta central é ir além de um simples relatório de tendências: o objetivo é traduzir os insights globais em estratégias acionáveis e aplicáveis aos negócios no Brasil, fortalecendo a competitividade das marcas nacionais.

Inteligência Tropicalizada

A curadoria do conteúdo é assinada pela Delegação Gouvêa, que acompanhou in loco os principais debates, exposições e realizou visitas técnicas a varejistas nos Estados Unidos. O evento é considerado o “Pós-NRF” mais completo do país, reunindo em um único dia conteúdo estratégico, networking qualificado e análises adaptadas à realidade local.

Entre os temas que dominarão a pauta estão a tecnologia aplicada à experiência do cliente (CX), a onicanalidade, a inovação em serviços e o surgimento de novos modelos de loja. Um destaque especial será dado ao uso estratégico da Inteligência Artificial (IA) e seu impacto direto na transformação das operações e nos modelos de negócio.

Diversos palestrantes subirão ao palco para estimular reflexões sobre digitalização e o futuro do consumo. Ao conectar a visão global às demandas e desafios específicos do Brasil, o Retail Trends Pós-NRF 2026 busca antecipar cenários e inspirar decisões estratégicas cruciais para o ano que se inicia.

Retail Trends Pós-NRF 2026

HorárioDelaPalestrante(s)
08:00Credenciamento 
08:50  AberturaMarcos Gouvêa de Souza – Diretor Geral Gouvêa EcosystemAna Paula Rocha – Diretora Executiva Gouvêa Experience
09:05O Cenário Econômico do Brasil e do Mundo para 2026Palestrante a divulgar
09:30Serviços transformando o varejo e a economia globalGuilherme Loureiro – Regional CEO Walmart Canada, Chile, Mexico and Central America
09:55NRF Visão Gouvêa – O Futuro Agora: Comprar não é mais como era antigamenteLuiz Alberto Marinho – Sócio-Diretor Gouvêa Malls
10:30Momento Networking (Pausa para Café) 
11:10NRF Visão Gouvêa – NRF 2026: O ano em que o varejo deixou de usar IA — e passou a ser comandado por elaMarcelo Antoniazzi – CEO | Gouvêa Consulting
11:40NRF Visão Gouvêa – A Era da Integralidade: Soluções Tecnológicas, Inovação e Estratégia de NegócioRoberto Wajnsztok – Sócio-Diretor Gouvêa Consulting
12:00Tecnologia, Inovação & IA: Um tour pelos destaques da Expo NRF 2026Regiane Romano – Diretora | VIP-Systems
12:35Almoço 
14:00  NRF Visão Gouvêa – O Papel da Loja na Experiência e Encantamento do ConsumidorLyana Bittencourt – CEO Bittencourt Inteligência em Redes de Negócios
15:00NRF Visão Gouvêa – Engajamento Natural na Era da Inteligência ArtificialJanice Mendes – Sócia-Diretora | Gouvêa Malls
15:20NRF Visão Gouvêa – Reinvenção de Modelos de Negócios e Plataformas de ServiçosEduardo Yamashita – COO | Gouvêa Ecosystem
15:55  Painel – Principais aprendizados da NRF NY para os negóciosMarcos Gouvêa de Souza e convidados
16:40Palestra de Encerramento – O profissional do futuro: Como se preparar para o mercado de trabalho na era da IAMichelle Schneider – Sócia da Signal & Cipher, professora convidada da SingularityU
17:10EncerramentoMarcos Gouvêa de Souza e Ana Paula Rocha

Retail Trends Pós-NRF 2026

Data: 27 de janeiro de 2026

Horário: das 8h às 18h

Local: Teatro Claro MAIS SP – Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia – São Paulo (SP)

Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/retail-trends-2026-pos-nrf-gouvea/3148475rviço

Metas para 2026: o que priorizar para viver um ano mais leve, organizado e florido?

O início de um novo ano costuma ser associado à ideia de recomeço. Janeiro marca um momento propício para rever hábitos, redefinir prioridades e organizar a vida com mais intenção. Para 2026, ganha força a busca por metas que ultrapassam o desempenho profissional e passam a contemplar bem-estar, equilíbrio emocional, relações mais saudáveis e um cotidiano visualmente mais agradável, contexto no qual a presença de flores no dia a dia surge como um recurso simples para tornar a rotina mais leve e acolhedora.

O cuidado com a saúde emocional se consolida como um dos pilares das metas para o ano. Dedicar tempo ao silêncio, à reflexão e ao autocuidado deixou de ser encarado como luxo e passou a fazer parte de uma rotina equilibrada. Práticas como a escrita reflexiva, a meditação e atividades criativas contribuem para organizar pensamentos, reduzir a ansiedade e valorizar conquistas cotidianas. Nesse contexto, as relações pessoais também ganham destaque. Em meio a agendas sobrecarregadas e ao uso excessivo de telas, o tempo de qualidade se torna cada vez mais relevante. Estar presente, fortalecer vínculos e investir em gestos simples de afeto, como o hábito de presentear e manter a casa com flores, ajudam a construir relações mais consistentes e significativas.

No campo profissional, a palavra-chave para 2026 tende a ser clareza. Organização não significa rigidez, mas definição de prioridades e melhor gestão do tempo. Planejar a semana, estabelecer limites e incluir pausas estratégicas são práticas que ajudam a reduzir a pressão cotidiana e aumentam a produtividade no longo prazo. Ambientes de trabalho mais agradáveis, com iluminação adequada e elementos naturais, influenciam o bem-estar e a concentração.

Nesse movimento de planejamento, símbolos ganham espaço. Arranjos de flores e plantas, especialmente no início do ano, carregam significados associados a renovação, prosperidade, harmonia e proteção. A escolha das cores e espécies costuma seguir intenções específicas. Tons claros estão associados à tranquilidade e aos novos começos; amarelos e dourados remetem à prosperidade e às oportunidades; verdes evocam saúde e equilíbrio; vermelhos e rosas dialogam com vitalidade e relações afetivas. Mais do que seguir regras rígidas, o importante é alinhar o ambiente aos objetivos que se deseja priorizar ao longo do ano.

Na prática, definir metas para um novo ano envolve olhar para a rotina como um todo. Cuidar da casa, organizar o trabalho, manter a saúde emocional em dia e fortalecer relações são ações complementares. Assim como no cultivo de um jardim, resultados consistentes dependem de atenção contínua, ajustes ao longo do caminho e escolhas feitas com intenção. Ao transformar metas em hábitos, o ano tende a se tornar mais produtivo, leve, organizado e visualmente inspirador.

O que é IA conversacional

Todos os consumidores esperam um suporte rápido e personalizado às suas demandas, não importando o canal que escolheram para iniciar um diálogo com uma marca. Não à toa, com mais conversas acontecendo e em cada vez mais plataformas, essas marcas enfrentam dificuldades em oferecer experiências confiáveis em escala. É por isso que muitas delas estão se voltando para a IA conversacional – que mais do que uma ferramenta de inteligência artificial, representa toda uma estratégia abrangente de atendimento ao cliente, de forma inteligente.

Mas afinal, o que é a IA conversacional? Com tantos novos termos e ferramentas surgindo atualmente, graças à revolução da IA iniciada nos últimos anos, nem sempre fica claro o que é o quê, e acima disso, quais as funcionalidades e possibilidades de cada ferramenta. No caso da IA conversacional, estamos falando da tecnologia normalmente conhecida por estar por trás das interações entre clientes e marcas, mas que se parecem com as humanas, mesmo sendo realizadas por uma IA. Ela é usada no contexto de proporcionar um suporte mais inteligente e rápido por telefone, WhatsApp, chat e outros canais digitais. 

Entender como a IA conversacional funciona é fundamental para revelar todo o seu potencial. Em sua essência, a estratégia de IA conversacional usa modelos avançados para analisar a linguagem natural, interpretar a intenção do cliente e automatizar ou aprimorar as interações em vários canais.

A IA possui autonomia para atender a um cliente que inicia um diálogo, mas também pode direcionar a conversa para um agente humano, caso seja necessário um toque humano na conversa, acima de tudo preservando o contexto para o agente humano.

Esse agente, além de receber o histórico com pontos importantes da conversa, pode analisar a situação de acordo com o termômetro de sentimento do cliente, já avaliado pela IA, além de saber no que se focar, seguindo as recomendações da IA. 

Esse processo permite que as empresas ofereçam experiências eficientes e conectadas em escala, ao mesmo tempo em que tornam cada interação mais inteligente, independentemente do canal ou da complexidade da pergunta do cliente.

IA conversacional versus chatbot

Ao explorar as soluções de suporte digital, muitas pessoas se perguntam sobre a diferença entre IA conversacional e a tecnologia de chatbot. Embora esses termos às vezes sejam usados de forma intercambiável, eles representam níveis muito diferentes de capacidade e valor.

Os chatbots tradicionais operam com uma intenção simples e preditiva. Eles dependem principalmente de conteúdo predefinido e árvores de decisão ao oferecer respostas prontas a perguntas previsíveis. Isso os torna adequados para casos de uso básicos ou repetitivos, como responder a perguntas frequentes em um site, onde a conversa não precisa se adaptar ou evoluir. Sua capacidade de simular conversas humanas é limitada, pois não podem gerar linguagem que pareça natural ou entender o contexto fora de um conjunto fixo de cenários.

A IA conversacional, por outro lado, é sensível ao contexto. Ela utiliza machine learning e o processamento de linguagem natural para entender a intenção, lembrar-se das interações anteriores e até mesmo aprender e melhorar com o tempo. Em vez de apenas seguir um roteiro predefinido, a IA conversacional pode ajustar as respostas com base no histórico, no sentimento e no fluxo da conversa, fazendo com que as interações pareçam muito mais naturais e intuitivas. Ela também pode orquestrar dados de fora de suas conversas, como CRM, OSS/BSS, histórico de tráfego da Web e muito mais. Essa é a visão de 360 graus que a maioria das empresas luta para produzir.

Esses sistemas podem entender a intenção, resolver o contexto e até raciocinar em meio a interações de várias etapas, o que os torna ideais para jornadas mais complexas dos clientes. Outra diferença importante é a capacidade de compreender e lembrar o contexto. Enquanto os chatbots oferecem apenas uma compreensão simples e têm pouca capacidade de raciocínio, a IA conversacional pode rastrear o histórico da conversa, aproveitar a experiência no assunto e personalizar as respostas com base no contexto. Isso leva a conversas que se pareçam mais com as humanas.

As melhores plataformas de IA conversacional oferecem flexibilidade real para personalização dos fluxos de trabalho, canais e integrações para atender às necessidades de negócios. Além disso, permitem uma configuração rápida e fácil e uma expansão rápida para colocar novas automações ou canais em operação em semanas, não meses. Isso significa menos espera e impacto mais imediato na experiência do cliente e na eficiência operacional.

À medida que sua empresa cresce ou suas operações de suporte se tornam mais complexas, sua plataforma de IA conversacional deve ser dimensionada sem complicações. Procure uma infraestrutura pronta para empresas que ofereça suporte a altos volumes de interações, equipes globais e comunicações omnichannel sem comprometer o desempenho ou a confiabilidade. A escalabilidade garante que sua plataforma continue sendo uma base sólida para a inovação no futuro.

*Conteúdo adaptado por José Eduardo Ferreira, Vice-Presidente Regional de Vendas para a América Latina da Twilio, do material original “O que é IA conversacional? A estratégia da Twilio para um suporte mais inteligente, escrito por Ravleen Kaur, da Twilio.

Uso de IA em fraudes de identidade dispara 300% e coloca e-commerce em alerta, revela Veriff

A fraude digital segue pressionando empresas de tecnologia, finanças e e-commerce em escala global. Segundo o Relatório de Fraude de Identidade 2026, que acaba de ser publicado pela Veriff, 4,18% de todas as tentativas de verificação realizadas em 2025 foram fraudulentas, o equivalente a uma em cada 25 interações digitais, mantendo o patamar elevado pelo terceiro ano consecutivo.

O dado ganha relevância em meio à crescente sofisticação dos ataques. Em relação a 2024, o uso de mídias digitais geradas ou manipuladas por inteligência artificial cresceu 300%, indicando que a IA se consolidou como um dos principais catalisadores da fraude online.

Para Andrea Rozenberg, diretora de mercados emergentes da Veriff, a fraude se transformou em um problema estrutural da economia digital. “O avanço da IA reduziu custos, aumentou a escala e permitiu que ataques altamente sofisticados fossem executados com muito mais eficiência”. 

Quanto às soluções para evitar esse tipo de crime, ela alerta que uma única ferramenta nunca será o suficiente para combater a ameaça multifacetada de fraudes que existe no mundo digital. “Estamos sempre atentos aos novos comportamentos e usamos inteligência artificial treinada em padrões globais de fraude que analisa comportamento, dispositivo e contexto da sessão para identificar riscos. Casos sensíveis também passam por revisão humana, garantindo precisão, segurança e conformidade regulatória”, explica Andrea.

América Latina acelera e acende alerta

Na América Latina, os dados mostram uma aceleração relevante. Em 2025, as tentativas de fraude no setor de pagamentos cresceram 48%, enquanto as fintechs registraram aumento de 23,4%, refletindo o ritmo acelerado de digitalização financeira.

A falsificação de identidade, prática em que fraudadores se passam por outra pessoa para acessar ou solicitar de forma ilícita contas e serviços digitais, respondeu por 86% dos ataques na região. Passaportes, documentos de residência e identidades nacionais concentram as maiores taxas de fraude, reflexo direto da ampla aceitação desses documentos em processos digitais. Embora essas táticas sejam conhecidas, a inteligência artificial ampliou significativamente o alcance ao viabilizar a automação em escala industrial e acelerar a criação de identidades sintéticas usadas para infiltrar sistemas digitais.

No Brasil, dados do Veriff Fraud Index 2025, pesquisa baseada na experiência de consumidores, reforçam a gravidade do cenário. Cerca de 26% dos brasileiros relataram ter enfrentado fraudes cinco vezes ou mais nos últimos 12 meses, percentual superior ao observado nos Estados Unidos (15%) e no Reino Unido (10%). O impacto financeiro também é expressivo: quase 40% dos entrevistados afirmaram ter sofrido prejuízos acima de US$ 251 (R$ 1,3 mil), enquanto aproximadamente 5% relataram perdas superiores a US$ 5 mil (R$ 26 mil) em um único golpe.

E-commerce e finanças lideram riscos

O estudo aponta os marketplaces online como o segmento mais exposto. Em 2025, sites de e-commerce registraram taxa líquida de fraude de 19,2%, cerca de cinco vezes acima da média global, além de altos níveis de fraude autorizada.

Já o setor financeiro manteve-se entre os principais alvos, com fraude líquida superior a 5,5%, índice 30% acima da média internacional, impulsionado principalmente por ataques baseados em IA e deepfakes.

Segundo a Veriff, o cenário reforça a necessidade de modelos contínuos de verificação de identidade, capazes de combinar automação, inteligência artificial e análise humana para mitigar riscos em um ambiente econômico cada vez mais digital e interconectado.

“Notamos uma tendência nesse sentido em 2023 e em 2024, mas em 2025 o número de ataques de fraudes em sites de e-commerce disparou. Por, em grande parte, não contarem com regulamentação e lidarem com transações globais na casa de trilhões de dólares, esses sites são um alvo tentador para fraudadores”, alerta Andrea.

Seguros deixam de ser custo e passam a gerar receita para transportadoras, aponta 88i

Tradicionalmente tratado como um item obrigatório de custo, o seguro começa a assumir um novo papel no setor de transporte e logística: o de indutor de eficiência, confiança e geração de receita. É o que mostra a experiência da 88i – seguradora digital especializada no ecossistema de mobilidade, logística e e-commerce – ao estruturar soluções de seguro integradas à operação das transportadoras.

Em muitos casos, a contratação de seguros é exigência legal ou condição imposta por grandes embarcadores.  Grandes empresas, por exemplo, só operam com transportadores que tenham cobertura adequada. Nesse contexto, o seguro deixa de ser apenas um requisito regulatório e passa a ser um fator de acesso a novos contratos e volumes maiores de carga. “Quando o embarcador confia no transportador, ele amplia a operação. O seguro funciona como um elemento de credibilidade”, aponta a empresa.

Ao redesenhar a lógica tradicional, a 88i afirma ser possível reduzir em até 30% o custo do seguro, dependendo do histórico de sinistros da transportadora. A diminuição do custo, combinada ao aumento do volume transportado, altera diretamente a equação financeira do negócio. Em vez de pressionar margens, a proteção passa a apoiar o crescimento.

Um dos diferenciais da 88i está na oferta de seguros que podem ser repassados pela própria transportadora a diferentes elos da cadeia. É o caso do seguro de renda voltado a entregadores autônomos, que garante indenização temporária em caso de afastamento, com base na média de rendimentos dos últimos 28 dias. A solução tem impacto direto na relação entre plataforma e profissional. Segundo a empresa, o engajamento voluntário desses trabalhadores cresce cerca de 15% quando o benefício está disponível.

“O entregador costuma operar em mais de uma plataforma, com valores de diária semelhantes. O seguro de renda cria um vínculo adicional. Ele tende a se dedicar mais à empresa que oferece essa proteção, o que aumenta produtividade e fidelização”, explica o CEO da 88i, Rodrigo Ventura. Como o valor da indenização está atrelado à renda média, o profissional também é incentivado a ampliar sua produção.

Outro eixo é o seguro de proteção de mercadorias, que pode ser contratado de forma flexível, seja por carga, por CNPJ ou por parte da operação, e pode ser revendido pela transportadora ao cliente final ou ao embarcador. Em operações de e-commerce e drop shipping, onde a pressão por redução de custos logísticos é crescente, oferecer um seguro mais barato do que o disponível no mercado se torna um diferencial competitivo.

Na última milha, onde predominam modelos mais flexíveis e veículos terceirizados – desde carros de passeio até motos -, a 88i desenvolveu coberturas específicas para roubo, furto e danos de carga. A empresa tem a Uber como uma de suas principais parceiras nessa modalidade e afirma já ter alcançado 10,1 milhões de clientes protegidos nesse segmento.

Redução de fraudes

A digitalização do seguro embarcado também tem efeito direto na redução de fraudes. Ao cruzar dados da operação em tempo real, vindos de TMS, aplicativos, geradores de etiquetas e do próprio consumidor final, cria-se o que a empresa chama de “duas fontes da verdade”. Com menos incerteza, o risco não precisa ser embutido no preço, tornando o serviço mais competitivo. O pagamento das indenizações ocorre de forma digital, diretamente em carteiras eletrônicas.

Segundo a 88i, o foco em um nicho ainda pouco atendido explica o ritmo acelerado de crescimento da empresa. Entre 2021 e 2025, a 88i contabilizou 30 milhões de apólices emitidas. O crescimento foi de 1.500% em 2021, 450% em 2022, 440% em 2024 e de 193% em 2025. “As soluções tradicionais são engessadas e, muitas vezes, apenas impõem custos ao transportador. A proposta aqui é diferente: olhar a cadeia inteira e usar o seguro como ferramenta de eficiência”, afirma Ventura.

Ao integrar embarcadores, marketplaces, transportadoras, sistemas de gestão e o consumidor final, o seguro deixa de ser um item isolado e passa a compor estratégias mais amplas de negócio. A lógica, segundo a empresa, é criar um ambiente de confiança mútua, no qual todos os elos (contratantes, prestadores de serviço e consumidores) se beneficiam.

Nesse novo arranjo, o seguro deixa de ser apenas uma despesa prevista no cálculo do frete e passa a ampliar a capacidade de fechar contratos, acessar novos clientes e sustentar o crescimento das operações em um setor cada vez mais competitivo.

6 dicas para vender online em 2026

O ano de 2026 deve impor desafios para quem vende online, segundo diagnóstico do Bling, plataforma que reúne soluções de gestão, serviços financeiros, logística, entre outros, para PMEs que atuam no e-commerce. Neste ano, Copa do Mundo, eleições e o início da transição para o novo regime tributário sobre o consumo, trazem impactos às vendas, pois influenciam o comportamento do consumidor. 

De acordo com Marcelo Navarini, diretor do Bling, nesse cenário, o planejamento anual, algo indispensável a qualquer empresa, torna-se ainda mais obrigatório, pois permitirá ao empreendedor se preparar para as oscilações de demanda previstas para o ano e também aproveitar as oportunidades trazidas por estes tipos de eventos. “Começar o ano sem um planejamento mínimo compromete a sustentabilidade e, em muitos casos, o futuro do negócio. É nessa etapa que a empresa organiza seus objetivos e conecta operação, finanças e vendas em um mesmo raciocínio de gestão”, explica.

O diretor do Bling reuniu seis dicas para o empreendedor planejar seu ano e garantir bons negócios durante este ano.

  1. Faça um diagnóstico do seu negócio: comece analisando como seu negócio se comportou no último ano. Identifique o que deu certo e onde há espaço para melhorias. Essa análise deve incluir aspectos como: fluxo de caixa, vendas e atendimento ao cliente, sempre analisando o que funcionou e o que não deu certo.
  2. Defina metas simples e realistas: estabeleça objetivos para o ano que sejam claros, específicos e dentro das possibilidades do seu negócio como, por exemplo, aumentar o faturamento em 20%, reduzir custos fixos em 10%, comercializar novas categorias de produtos ou desenvolver novos serviços.
  3. Planeje suas ações com simplicidade: para atingir seus objetivos, desenhe um plano prático e acessível, organizando suas finanças, definindo prioridades – se o orçamento estiver limitado, escolha focar nas ações que trarão maior retorno, e use cronogramas práticos com ações em etapas semanais ou mensais.
  4. Inclua outras áreas importantes no planejamento: para pequenos negócios, o planejamento deve ser prático, considerando a realização de um inventário simples para controle de estoque, ações de marketing de baixo custo com redes sociais e promoções criativas e foco no atendimento ao cliente. 
  5. Acompanhe os resultados regularmente: monitore faturamento mensal, volume de vendas, lucro líquido e satisfação com feedback dos clientes e use as informações para melhorar e adaptar o planejamento.
  6. Planeje e gerencie o negócio com ferramentas digitais: soluções como o Bling ajudam a centralizar informações financeiras e operacionais, automatizar processos, reduzir tarefas manuais e aumentar a produtividade. No caso do Bling, há ainda integração com marketplaces como Temu e Shopee, além de plataformas como Instagram e TikTok Shop, permitindo a operação das vendas e entregas em um único ambiente.