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Sabotagem nas vendas? Falta de sincronia entre ERP e CRM pode causar prejuízos no e-commerce

À medida que operações de e-commerce aceleram o crescimento das lojas virtuais, um problema muitas vezes invisível tem impactado diretamente as vendas: a falta de integração entre sistemas essenciais. São itens como o ERP, o CRM e próprio site de vendas, seja ele próprio da marca ou marketplace. Segundo especialistas, essa fragmentação tecnológica impede que empresas tenham uma visão completa do cliente, reduzindo eficiência e prejudicando conversões.

Comumente, varejistas digitais utilizam múltiplos sistemas independentes. O ERP, por exemplo, controla estoque e finanças, o marketplace centraliza vendas e o CRM gerencia relacionamento com o cliente. Na prática, um mesmo consumidor pode existir em três cadastros distintos, nenhum deles com uma visão completa de sua jornada.

Daí surgem consequências graves como:

  • múltiplas bases de dados duplicadas;
  • falta de consistência nas informações;
  • campanhas inadequadas e genéricas;
  • falhas na experiência do cliente;
  • perda de oportunidades comerciais.

Automação como solução para integrar ERP, CRM e marketplace

De acordo com o estudo Customer Experience Automation Impact Report da ActiveCampaign, 95% das empresas em crescimento afirmam que plataformas de automação permitem alcançar resultados impossíveis de obter manualmente, justamente por eliminar a fragmentação de dados. A plataforma de automação funciona como hub central, e conecta diferentes pontos da operação de e-commerce. Dessa forma é possível adotar estratégias multicanal muito mais bem integradas, o que oferece até 250% mais engajamento nas campanhas, de acordo com a Active Campaign.

Outro ponto atraente desse tipo de ferramenta é que integrar sistemas já não exige longos projetos de TI. As plataformas mais modernas tornaram esse processo mais acessível ao oferecer conectores nativos, integrações sem necessidade de código, assistentes de configuração intuitivos e bibliotecas completas de integrações prontas para uso — permitindo que empresas de todos os portes unifiquem suas operações com rapidez e eficiência.

Assim, projetos que antes levavam meses hoje podem ser concluídos em semanas. Na prática, lojistas já conseguem implementar integrações básicas sozinhos, enquanto consultorias especializadas aceleram processos mais avançados.

Superagentes de IA: A nova fronteira que deve revolucionar a eficiência e o lucro no varejo em 2026

O varejo global, historicamente um dos setores mais dinâmicos da economia, prepara-se para uma nova onda de transformação tecnológica. Desta vez, o foco vai além da simples adoção de Inteligência Artificial: a tendência para 2026 é a consolidação dos “superagentes de IA”. Segundo dados recentes do Gartner, até o final do ano, 40% das aplicações corporativas estarão integradas a estes agentes para executar tarefas específicas – um salto expressivo em comparação aos menos de 5% registrados atualmente.

O impacto econômico previsto é massivo. O levantamento projeta que, até 2035, os agentes de IA serão responsáveis por gerar cerca de 30% da receita de softwares de aplicativos corporativos, ultrapassando a marca de US$ 450 bilhões.

Além do “Hype”: Estratégia e Maturidade

Para Marcos Oliveira Pinto, Global Software Engineer Manager da Jitterbit, o momento exige que as lideranças do varejo abandonem a empolgação superficial e adotem uma abordagem estratégica.

“É crucial que as organizações entendam como o varejo pode, de fato, aproveitar a eficiência dos superagentes de maneira integrada. Implementar agentes de IA só porque estão no ‘hype’ não é a coisa mais inteligente a se fazer. O foco deve ser em tendências que entreguem valor real com agilidade e segurança”, alerta o executivo.

Os Três Pilares da Revolução no Varejo

A tecnologia dos superagentes promete atuar em três frentes críticas para a sobrevivência e competitividade das varejistas:

1. Resiliência Operacional e “Salva-vidas” do E-commerce A principal defesa contra falhas de infraestrutura no comércio eletrônico pode estar nestes agentes. Marcos explica que a tecnologia permite o processamento assíncrono: “Posso ter um AI agent no meu e-commerce para receber e armazenar pedidos mesmo diante de falhas, evitando que o usuário final não consiga finalizar a compra”. Essa capacidade de gestão de falhas é vital para evitar a perda de receita em momentos de pico ou instabilidade técnica.

2. O Fim do “Cliente Silencioso” Cruzando dados de pesquisas da PwC e da Zendesk, o cenário é claro: 86% dos consumidores pagariam mais por uma boa experiência, mas apenas 1 em cada 26 clientes insatisfeitos formaliza uma reclamação; a maioria apenas abandona a marca. Os superagentes entram como uma ferramenta de análise sentimental profunda. “Baseado no histórico de interação e compras, os agentes realizam análises gráficas sobre como a base de clientes se sente. Isso permite decisões proativas para refinar a experiência antes que o cliente vá embora”, destaca Marcos.

3. Precificação Dinâmica em Tempo Real Inspirado em modelos como o da Uber, o varejo poderá utilizar agentes para monitorar a concorrência e ajustar preços instantaneamente, respeitando limites pré-definidos. “Imagine vender ar-condicionado quando todos os concorrentes baixaram o preço. O agente de pricing monitora e indica as alterações necessárias, dispensando o monitoramento manual lento e garantindo que a venda não seja perdida”, exemplifica o especialista da Jitterbit.

A Corrida pelos “Quick Wins”

O relatório “KPMG Global AI in Finance Report” aponta que a adoção de IA no setor de consumo deve saltar de 33% para 85% até 2027. Diante desse crescimento acelerado de 150%, a estratégia recomendada é a busca por “quick wins” (ganhos rápidos).

A arquitetura de desenvolvimento deve focar em identificar pequenos problemas que, se resolvidos por superagentes, geram valor imediato, eliminando a necessidade inicial de projetos complexos que levam meses para serem concluídos. “Uma arquitetura que centralize vários agentes especialistas em diversos domínios acelera a capacidade de entregar esses ganhos rápidos”, finaliza Marcos.

NRF 2026 consolida a inteligência artificial como base das decisões no varejo, avalia CEO da AGR Consultores

A edição da NRF 2026, encerrada nesta terça-feira, confirma que a inteligência artificial deixou de ser uma promessa futura para se tornar um elemento estrutural do varejo global. Mais do que automação ou ganho de eficiência, a tecnologia passa a ocupar um papel central na forma como consumidores buscam informações, tomam decisões e se relacionam com marcas, avalia Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, que acompanhou de perto as discussões da maior feira de varejo do mundo, realizada em Nova York.

Na avaliação da executiva, o que se desenha a partir da NRF 2026 é uma transformação profunda na forma como o varejo opera. “Estamos falando de um novo modus operandi, de um novo ambiente para fazer negócios. Ainda não sabemos exatamente para onde tudo isso vai, mas a forma de buscar, comprar e se relacionar com marcas está mudando rapidamente”, afirma.

Da busca por produtos à busca por decisões

Um dos principais pontos observados na NRF 2026 foi a mudança profunda na jornada de compra. A tradicional lógica de busca por preço ou produto começa a ser substituída por interações mediadas por agentes digitais, capazes de contextualizar necessidades e apoiar decisões mais complexas do consumidor.

“O consumidor deixa de buscar apenas um item e passa a buscar informação qualificada para decidir. Isso muda completamente a relação com o varejo”, explica Tozzi. Nesse novo cenário, os agentes de inteligência artificial analisam contexto, preferências, composição de produtos, histórico e confiabilidade das marcas antes de recomendar uma escolha.

Essa transformação aproxima o mundo físico do digital. O consumidor pode estar diante de uma prateleira, em uma loja, e recorrer a um agente digital para avaliar qual produto faz mais sentido para sua necessidade específica, considerando fatores como qualidade, custo-benefício e adequação ao uso.

Confiança passa a ser ativo central das marcas

Com a ascensão dos agentes digitais como intermediários, a confiança se torna um dos principais ativos das empresas. “As marcas precisarão ser confiáveis para aparecer nas recomendações desses agentes. Não é só sobre preço ou disponibilidade, mas sobre reputação, entrega e consistência”, destaca a CEO da AGR.

Nesse ambiente, falhas operacionais, problemas de entrega ou experiências negativas ganham impacto ampliado, já que os feedbacks passam a alimentar diretamente os sistemas que orientam futuras recomendações. “A relação de confiança pode ser construída ao longo do tempo, mas também pode ser destruída muito rapidamente”, alerta.

Comunidades e novo ecossistema de consumo

Outro movimento relevante observado na feira foi o fortalecimento das comunidades como elementos estruturantes do varejo. Grupos organizados por interesses, como viagens, esportes, negócios ou estilos de vida, passam a influenciar decisões de compra, trocas de informação e recomendações.

“As marcas não vão se relacionar apenas com indivíduos, mas com comunidades inteiras, que compartilham referências, fornecedores e níveis de confiança”, afirma Ana Paula. Esse modelo amplia oportunidades tanto para pequenos produtores quanto para grandes varejistas, desde que consigam construir relações legítimas com esses ecossistemas.

Mudança de paradigma comparável à chegada do e-commerce

Na avaliação da executiva, o que se desenha a partir da NRF 2026 é uma transformação tão profunda quanto a introdução do comércio eletrônico. “Estamos diante de uma mudança de paradigma. Ainda não sabemos exatamente para onde tudo isso vai, mas sabemos que a forma de buscar, comprar e se relacionar com marcas está mudando rapidamente”, conclui.

Para o varejo brasileiro, o recado é claro, avalia Tozzi: acompanhar essa evolução deixou de ser uma opção estratégica e passou a ser uma condição para permanecer relevante em um mercado cada vez mais mediado por inteligência artificial.

PagBank destaca importantes recursos de segurança para um início de ano mais protegido

PagBank, banco digital completo em serviços financeiros e meios de pagamentos, eleito a melhor conta PJ pelo portal iDinheiro e um dos principais bancos digitais do Brasil, reforça os mecanismos de proteção da conta para apoiar os clientes no início do ano, período marcado pela reorganização da vida financeira, férias e aumento da atenção ao controle das movimentações digitais. 

De acordo com a pesquisa do Serasa Experian, no primeiro semestre de 2025 o Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude, um aumento de 29,5% em relação ao mesmo período de 2024, com o setor financeiro entre os principais alvos.  

Para Sadami Ikegami, CRO do PagBank, momentos de reorganização financeira costumam vir acompanhados de maior risco de golpes. “O aumento no uso dos canais digitais exige atenção constante. Nossas ferramentas permitem identificar acessos suspeitos, bloquear atividades incomuns e orientar o cliente em tempo real. Mesmo com tecnologias avançadas, o cuidado do cliente ainda é um fator-chave para a prevenção de golpes e fraudes”, afirma. 

Com investimento contínuo em tecnologia e prevenção, o banco digital oferece soluções que atuam em múltiplas camadas de segurança, combinando análise de risco, autenticação reforçada, monitoramento de comportamento e mecanismos de notificação em tempo real. O objetivo é ampliar o controle do usuário sobre seus acessos e transações, garantindo operações mais seguras e transparentes. 

Entre as funcionalidades disponíveis está o aviso de login em dispositivo de risco, que identifica tentativas de acesso feitas no Internet banking. Ao detectar o risco, envia-se um alerta no aplicativo do PagBank com o tipo de dispositivo, horário e localização, permitindo ao cliente confirmar se foi ele quem tentou acessar ou bloquear a ação imediatamente. 

As transações realizadas no Internet banking passam por um fator de segurança através do aplicativo via QrCode: para seguir com a autorização, o cliente visualiza informações essenciais, como tipo de operação, data, horário e local aproximado, o que facilita a identificação de situações incomuns e evita aprovações equivocadas ou induzidas. 

O PagBank também apresenta uma solução que adiciona camadas avançadas de proteção para clientes que acessam via desktop, garantindo uma rede segura para suas operações e autenticação confiável do dispositivo para o dia a dia. 

Outro recurso é o alerta de ligação suspeita, quando estiver em chamada telefônica com o aplicativo aberto, o cliente será notificado em tela, e recebendo orientações preventivas, reforçando que o PagBank não solicita senhas, códigos de verificação ou confirmações de transações por telefone, reduzindo o risco de golpes de engenharia social, comuns no período de festas. 

Para acessos fora de redes de wi-fi conhecidas, o banco disponibiliza o recurso Wi-Fi Seguro. Nele, o cliente cadastra redes confiáveis e define um limite diário para transações, e se tentar realizar operações acima do limite em uma rede desconhecida, a transação só será efetuada após validação de segurança. Desta forma reduzindo a exposição a riscos em conexões públicas ou vulneráveis e ampliando a proteção em casos de perda ou roubo do aparelho. 

“O conjunto de funcionalidades contribui para a prevenção e rápida interrupção de atividades suspeitas, oferecendo mais controle e autonomia sobre a conta, seja em casa, no trabalho ou em locais públicos, especialmente em períodos de grande movimentação financeira”, finaliza Sadami.  

Adicionalmente, o PagBank tem avançado no uso intensivo de dados, IA generativa e modelos em machine learning para reforçar a segurança. Essas tecnologias analisam padrões e comportamentos para prevenir e detectar transações suspeitas, por exemplo: uma transferência por Pix pode gerar um alerta de risco por fatores como valor, horário, localização ou rede de relacionamento do destinatário. Também são identificados sinais de golpes de engenharia social, como a adição de um usuário operador à conta. 

Um dos maiores bancos digitais do país em número de clientes, o PagBank oferece ferramentas para vendas presenciais e online (como maquininhas de cartão, Tap On, que transforma o celular numa maquininha com o app PagBank, link de pagamento, opções de checkout para ecommerces, entre outros), conta digital completa para pessoa física e pessoa jurídica, além de funcionalidades que contribuem para gestão financeira, como Folha de Pagamentos. No PagBank, o cartão de crédito tem limite garantido e os investimentos se tornam limite para o próprio cartão, potencializando os ganhos dos clientes. Para saber mais sobre os produtos PagBank, clique aqui.  

2025 foi um ano de pressão e tratamentos de choque contra fraudes, mas 2026 promete um ajuste de rota

2025 foi um ano duro para quem atua no combate a fraudes, não porque tenha algum tema recente, mas porque os fraudadores evoluíram muito rápido e as estruturas de prevenção são compostas de muitas partes, não é fácil estar na linha de defesa. Ao contrário disso, os fraudadores não possuem exigências ou certificações para atuar.

Em um cenário mercadológico cada vez mais marcado por jornadas fragmentadas, integrações complexas que unem o legado e o novo ao mesmo tempo, com pouca visibilidade ponta a ponta e que tornam as brechas mais largas. Quando isso acontece, o impacto não é apenas financeiro, mas diminui a confiança, desgasta relações e desvia energia que deveria estar dedicada à inovação e expansão.

Foi de fato um ano marcado por engenharias sociais nas fraudes, panelas de pressão corporativas e a necessidade de tratamentos de choque. O primeiro choque de 2025 talvez tenha sido perceber que a fraude não se limitou a desvios pontuais, o crime se industrializou e o mercado enfrentou modelos organizados de simulação de identidade, manipulação de saldo, adulteração de comprovantes, criação de estabelecimentos laranja e uso massivo de inteligência artificial generativa para burlar verificações visuais. A automação que deveria proteger também foi usada contra o sistema.

Além disso, outro choque é o de pressão por digitalização acelerada e muitas vezes desordenada que abre brechas importantes, onde as soluções criadas para escalar rápido ignoraram etapas fundamentais de segurança, especialmente nos fluxos de onboarding, validações documentais e monitoramento contínuo. O resultado foi um campo fértil para ataques sofisticados.

Quando uma fraude acontece, afeta o colaborador que perde um benefício, o pequeno estabelecimento que tem o recebimento bloqueado, o gestor que precisa justificar perdas e a equipe que lida com retrabalhos, sem contar as perdas financeiras, todos impactados por um sistema em que deveriam confiar. No fim, fraude é sobre a segurança de quem depende desses recursos no dia a dia, e foi justamente esse componente humano que tornou 2025 tão desafiador, ampliando a sensação de vulnerabilidade entre usuários, gestores e operadores.

O que esperar de 2026 e por que há motivos reais para um certo otimismo

Apesar dos desafios, 2026 tende a ser o ano de virada, porque finalmente o setor entendeu que não há alternativa a não ser mudar profundamente a arquitetura de prevenção, bem como alianças entre as áreas de antifraude (mesmo sendo de players concorrentes). O movimento que começa a se consolidar envolve três pilares:

– Prevenção preditiva, não reativa: O setor está migrando para modelos de análise comportamental contínua e detecção de anomalias em tempo real (ou em tempo de transação). A tendência é que decisões de risco ocorram em milissegundos e isso passa por ter uma arquitetura revisada, robusta e em trilhos corretos. Essa transição de postura é o ponto central da maturidade que o setor deve alcançar em 2026.

– Orquestração unificada de dados: A fragmentação será substituída por plataformas que conectam identidade, uso, transações, geolocalização, perfis e histórico de relacionamentos. A visão unificada permitirá detectar padrões que antes passavam despercebidos. Onde a palavra-chave é: interoperabilidade.

– Experiência segura sem atrito: A grande conquista de 2026 será equilibrar rigor e fluidez, tornando algumas verificações invisíveis. Autenticações contínuas, documentação validada de forma inteligente e monitoramento sem interferir na jornada do usuário, tende a virar regra e não a exceção.

A fraude seguirá evoluindo, infelizmente, mas 2026 tende a ser um ano de reconstrução silenciosa, porém profunda, para equipes de defesa. Priorizando revisões de arquiteturas, um maior refinamento de fornecedores e empresas que possam se encaixar melhor nesses fluxos mais inovadores, e principalmente uma constante busca em criar experiências financeiras mais humanas, simples, educativas e seguras.

Luanna Vargas é especialista em inteligência de pagamentos, com mais de 19 anos de experiência nas áreas de analytics, ciência de dados, prevenção a fraudes e inteligência artificial. Formada em Matemática e Ciência da Computação pela USP, com mestrado em Economia pela UFSCar, ela atuou em empresas como Visa e Will Bank, além de ter sido empreendedora selecionada pela Antler. Atualmente é cofundadora da HeronPay.

SAC gratuito para todos? o que muda com o PL 395/2025

O cenário das relações de consumo no Brasil está prestes a passar por uma transformação relevante com a tramitação do Projeto de Lei (PL) nº 395/2025. A proposta legislativa busca promover mudanças significativas no Código de Defesa do Consumidor (CDC), prometendo redefinir o acesso e a qualidade do atendimento prestado pelas empresas.

Atualmente, o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) gratuito é obrigatório apenas para serviços regulados por órgãos federais, tais como: ANATEL (telecomunicações), ANS (planos de saúde), BACEN (bancos, crédito, cartões e instituições financeiras), SUSEP (seguros e previdência), ANAC (aviação civil), ANTT (transporte interestadual), ANEEL (energia elétrica) e ANA/ministérios competentes (alguns serviços essenciais de água e saneamento).

Ou seja, empresas de varejo, e-commerce e demais serviços não regulados federalmente precisam ter um canal de atendimento ao consumidor, mas não são obrigadas a oferecer um canal gratuito. Assim, muitos fornecedores limitam o atendimento gratuito a situações específicas, o que, na prática, gera dificuldades e frustra a busca por soluções adequadas.

Nesse sentido, o projeto, que pretende incluir expressamente o direito à comunicação direta com fornecedores como um direito básico, representa um avanço importante ao fechar essas lacunas e fortalecer a posição do consumidor diante de práticas abusivas. Trata-se de uma medida que amplia a efetividade do atendimento e reforça a obrigação das empresas em garantir contato acessível e gratuito em todas as situações, como dúvidas, reclamações, cancelamentos, informações, entre outras. 

Outro ponto de destaque é a determinação de que todas as informações sobre produtos e serviços — como preços, composição e características — sejam disponibilizadas de forma acessível também às pessoas com deficiência, garantindo inclusão e igualdade de condições no exercício dos direitos de consumo.

Se aprovado, o impacto será significativo. Para o consumidor, haverá maior segurança e facilidade na comunicação, sem o risco de custos adicionais para resolver demandas cotidianas. Para as empresas, surgirá a necessidade de adequação de seus canais de atendimento, sob pena de responsabilização administrativa e judicial em caso de descumprimento. 

Assim, cabe às empresas acompanharem os próximos passos da tramitação até a eventual aprovação do PL, bem como sua futura regulamentação, que poderá trazer detalhes sobre o funcionamento adequado do SAC — como horários, exigência de atendimento humano versus automatizado e demais parâmetros técnicos. Dessa forma, poderão se preparar para as novas regras e evitar riscos de penalidades.

*Nicoly Crepaldi Minchuerri, advogada especialista na área cível do escritório Mazzucco & Mello Sociedade de Advogados.

*Leonardo Neri, advogado, mestre em negócios do esporte na Inglaterra e sócio da área de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT) do escritório Mazzucco & Mello Sociedade de Advogados.

Cibersegurança negligenciada ameaça o primeiro faturamento das empresas

A cibersegurança segue fora da lista de prioridades de uma parcela relevante das empresas brasileiras, especialmente nos primeiros meses de operação. Dados do Ransomware Survey Report, da Sophos, indicam que 63% das organizações no mundo já sofreram algum tipo de ataque cibernético. Já o Cost of a Data Breach Report, da IBM, aponta que o custo médio global de uma violação de dados supera US$ 4 milhões, considerando impactos operacionais, legais e reputacionais.

No Brasil, pequenas e médias empresas concentram parte significativa dessas ocorrências ao iniciarem suas atividades sem controles mínimos de proteção digital, mesmo lidando desde cedo com dados sensíveis de clientes, fornecedores e meios de pagamento. A combinação entre baixa maturidade em segurança e digitalização acelerada amplia a superfície de ataque logo no início da operação.

Wagner Loch, CTO da Under Protection , afirma que o problema está na percepção equivocada de que segurança é um custo que pode ser adiado. “O risco nasce junto com o primeiro faturamento. No momento em que a empresa emite uma nota fiscal, usa um sistema de gestão ou armazena dados de clientes, ela já está exposta”, diz.

Na prática, a prioridade dada a vendas, expansão comercial e redução de custos empurra os investimentos em segurança para um segundo plano. 

Controles de acesso, políticas de backup, atualização de sistemas e monitoramento contínuo acabam sendo postergados, criando brechas exploradas por ataques automatizados e técnicas de engenharia social. “Hoje não existe mais ataque artesanal. As ameaças são escaláveis, exploram vulnerabilidades conhecidas e buscam ambientes despreparados”, alerta.

Outro fator recorrente é a falsa sensação de anonimato. Muitas empresas acreditam que apenas grandes corporações estão no radar de criminosos digitais. No entanto, o Data Breach Investigations Report, da Verizon, mostra que mais de 40% das violações globais envolvem pequenas e médias empresas, justamente por apresentarem menor maturidade em controles de segurança. “O atacante não busca o tamanho da empresa, mas sim a fragilidade do ambiente”, explica.

À medida que o negócio cresce, o impacto potencial de um incidente também se amplia. Sistemas desatualizados, ausência de segregação de funções e falta de visibilidade sobre riscos elevam a probabilidade de paralisações operacionais, perdas financeiras diretas e quebra de confiança com clientes e parceiros. “Quando a empresa percebe o problema, ele já deixou de ser técnico e passou a afetar contratos, caixa e reputação”, afirma.

Para o executivo, a mudança de postura passa por tratar a cibersegurança como parte da gestão desde o início, e não como resposta a incidentes. Isso envolve conhecer o ambiente digital, mapear riscos e priorizar investimentos de acordo com o impacto no negócio. “Segurança não começa com a compra de ferramentas. Começa com entendimento. Quem conhece seus riscos decide melhor onde investir”, diz.

Com o avanço da automação fiscal, do uso intensivo de dados e da digitalização de processos, a tendência é que o tema ganhe ainda mais peso na agenda empresarial. Segundo Loch, empresas que incorporam a cibersegurança desde o início operam com mais previsibilidade e menos sobressaltos. “Não é uma questão de se o ataque vai acontecer, mas de quando. A diferença está em estar preparado ou não quando isso ocorrer”, conclui.

Especialista aponta 7 dicas práticas de como começar do zero no e-commerce em 2026

O início de 2026 encontra o comércio eletrônico brasileiro mais maduro e competitivo. Dados do Webshoppers, da NielsenIQ Ebit, mostram que o e-commerce nacional superou R$ 200 bilhões em faturamento em 2024, com crescimento puxado por pequenos lojistas e pelo avanço do social commerce. Ao mesmo tempo, o DataReportal aponta que mais de 75% dos brasileiros já usam redes sociais como canal de descoberta de produtos, cenário que muda a forma de começar um negócio digital do zero.

Para Sabrina Nunes, fundadora da Francisca Joias, e especialista em vendas na internet, o erro mais comum de novos empreendedores continua sendo investir em estoque antes de entender como vender. “A maioria das lojas quebra porque compra produtos sem ter estratégia de venda. Em 2026, errar custa mais caro, porque a concorrência é maior e o caixa acaba rápido”, afirma.

Segundo ela, quem começa sem marca, seguidores ou estrutura precisa inverter a lógica tradicional do varejo. O primeiro passo é escolher um produto com demanda já comprovada, margem adequada e logística simples. “Menos variedade e mais foco. Um único produto bem trabalhado pode escalar mais do que um mix grande sem estratégia”, diz. Ela cita exemplos recorrentes no mercado digital de marcas que cresceram com produtos únicos, apoiadas em marketing e distribuição eficientes.

O movimento ganha força com a consolidação do social commerce. Relatório da Accenture estima que esse modelo deve crescer três vezes mais rápido que o e-commerce tradicional até 2026. No Brasil, a chegada do TikTok Shop reforça a tendência. “Se eu estivesse começando hoje, concentraria energia em um canal em crescimento, como o TikTok Shop, em vez de tentar estar em todas as plataformas ao mesmo tempo”, afirma Sabrina. Para ela, produzir conteúdo e vender no mesmo ambiente reduz custos e acelera a validação do produto.

Outro ponto central é a proteção do caixa no início da operação. A empresária defende negociações com fornecedores para compras menores e reposição gradual, além de evitar gastos elevados com embalagem e estética antes de gerar vendas consistentes. “O dinheiro precisa ir para onde volta rápido, produto, tráfego e conhecimento. Embalagem sofisticada não sustenta negócio sem venda”, diz.

Sabrina também destaca que o começo de 2026 favorece estratégias regionais. Dados do Sebrae mostram que negócios digitais com foco local têm maior taxa de sobrevivência nos primeiros dois anos. “Fortalecer a marca de dentro para fora, começando pela própria região, é mais eficiente do que tentar vender para o Brasil inteiro logo de início”, afirma.

Com mais de 36 mil alunas em cursos e mentorias espalhadas pelo país e uma operação que começou com investimento inicial de R$ 50, a empresária diz que o aprendizado mais importante é abandonar improvisos. “A internet muda rápido. Fórmulas mágicas não funcionam mais. O que funciona é estratégia validada, leitura de tendência e investimento em conhecimento”, afirma. Para ela, o empreendedor que entra em 2026 precisa entender que crescimento exige visão de longo prazo e reinvestimento contínuo. “Negócio só cresce até onde o dono enxerga. Se não houver clareza de onde se quer chegar, a empresa para antes”, conclui.

A especialista elenca sete orientações práticas para quem pretende montar uma loja on-line ao longo de 2026 e reduzir erros comuns no início da operação:

  • Comece pelo produto, não pela marca
    Antes de pensar em identidade visual ou redes sociais, valide um produto com demanda comprovada, margem adequada e logística simples. Produto certo protege o caixa.
  • Reduza o mix para ganhar velocidade
    Trabalhar com poucos itens, ou até com um único produto, facilita controle de estoque, comunicação e escala. Variedade excessiva dilui esforço e capital.
  • Negocie estoque de forma progressiva
    Evite grandes compras iniciais. Busque fornecedores dispostos a vender em menor volume para validação e aumente pedidos conforme a venda acontece.
  • Escolha um canal principal de venda
    Concentrar energia em uma plataforma em crescimento, como o social commerce, tende a gerar resultado mais rápido do que tentar operar em vários canais ao mesmo tempo.
  • Invista primeiro onde o dinheiro retorna
    No início, recursos devem ir para produto, tráfego e conhecimento. Embalagem sofisticada e estética vêm depois da venda recorrente.
  • Fortaleça a marca de dentro para fora
    Começar pela região ou estado ajuda a ganhar relevância local, reduzir custos de mídia e criar prova social antes de ampliar a atuação.
  • Trate conhecimento como ativo estratégico
    Aprender com quem já percorreu o caminho reduz tempo, dinheiro e erros. Informação certa acelera decisões e aumenta a chance de sobrevivência do negócio.

Segundo a especialista, essas escolhas fazem diferença especialmente no cenário de 2026, em que o e-commerce segue crescendo, mas com menos espaço para improviso e decisões intuitivas.

Magie capta US$ 5 milhões com a Lux Capital e acelera estratégia B2B para pagamentos no WhatsApp

Magie, startup brasileira especializada em transações financeiras via WhatsApp, anunciou a captação de US$ 5 milhões em uma nova rodada liderada pela gestora norte-americana Lux Capital. O investimento reforça a estratégia da empresa de avançar em um modelo voltado ao mercado corporativo, com foco na monetização de soluções financeiras conversacionais para empresas.

Após validar seu produto no consumidor final, a Magie passa a direcionar seus esforços para atuar como infraestrutura financeira para companhias que desejam operar pagamentos e serviços bancários dentro do WhatsApp. A proposta é oferecer soluções white-label, permitindo que empresas utilizem a tecnologia da Magie integrada à sua própria marca, sem a necessidade de desenvolver sistemas financeiros do zero.

Fundada em 2024, a startup foi uma das pioneiras no uso de inteligência artificial aplicada a transações financeiras em ambientes conversacionais. Desde o lançamento, a plataforma já alcançou mais de 400 mil usuários e superou R$ 2 bilhões em volume transacionado, o que consolidou a viabilidade do modelo e abriu espaço para uma nova fase de crescimento focada no B2B.

“O WhatsApp já faz parte da rotina financeira das pessoas. O próximo passo é permitir que empresas usem esse mesmo canal para oferecer serviços financeiros de forma simples, segura e integrada”, afirma Luiz Ramalho, fundador e CEO da Magie. Segundo ele, o movimento para o B2B exige investimentos em produto, time e plataforma, ao mesmo tempo em que o produto para pessoa física segue ativo como ambiente de experimentação e evolução tecnológica.

No novo posicionamento, a Magie pretende atender empresas de setores como financeiro, varejo e telecomunicações, além de avaliar oportunidades em outros mercados da América Latina onde o WhatsApp é amplamente utilizado como canal de relacionamento. A estratégia prevê uma implementação gradual, com a entrada controlada de novos clientes ao longo de 2026.

Lux Capital, que lidera a rodada, mantém a Magie como sua única ‘investida’ latino-americana em um portfólio global focado em tecnologias de alto impacto. O fundo é conhecido por apostar em empresas que desenvolvem infraestrutura crítica em mercados ainda pouco explorados, o que reforça a ambição da Magie de se consolidar como camada financeira conversacional no ecossistema digital.

Antes da rodada anunciada agora, a Magie já havia levantado US$ 4 milhões em uma rodada seed liderada pela Lux Capital, com participação do fundo brasileiro Canary. Com o novo aporte de US$ 5 milhões, a startup soma mais de US$ 10 milhões captados desde sua fundação, recursos que viabilizaram a validação do modelo de transações financeiras via WhatsApp no B2C e, agora, sustentam a transição estratégica da companhia para soluções de infraestrutura financeira conversacional voltadas ao mercado corporativo.

Com tecnologia da Uappi, Daikin acelera transformação digital e cresce 152% em receita online

A Uappi, empresa especializada em soluções de e-commerce para operações multimodelos, anunciou a consolidação de sua parceria estratégica com a Daikin Brasil, uma das maiores fabricantes globais do setor de climatização. A colaboração, que teve início em 2021, foi o motor para a entrada estruturada da indústria no comércio digital direto ao consumidor (D2C), resultando em um crescimento de 152% na receita acumulada da operação digital entre janeiro e outubro deste ano, em comparação ao ano anterior.

O movimento marca uma mudança significativa no posicionamento da Daikin. Até então sem operação própria de e-commerce, a companhia buscava não apenas digitalizar suas vendas, mas também unificar dados e harmonizar a atuação com sua rede de parceiros. O resultado foi expressivo: a Daikin passou a representar entre 35% e 40% das vendas no canal de distribuidores conectados, tornando-se a marca líder de vendas dentro desse ecossistema.

Desafio técnico e estratégico

O projeto exigiu uma engenharia técnica robusta para superar as particularidades do setor de HVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado). A solução desenvolvida pela Uappi integrou a plataforma de vendas diretamente ao ERP da indústria, centralizando a gestão.

Um dos diferenciais foi a adaptação para a complexidade tributária do setor e a viabilização da venda de “kits” (comercialização conjunta de evaporadoras e condensadoras), um requisito essencial para a operação da Daikin.

Segundo Edmilson Maleski, CEO da Uappi, o papel da empresa foi além da tecnologia, atuando de forma consultiva. “O projeto com a Daikin é um exemplo claro de como o digital pode ser um aliado estratégico da indústria, mesmo em ambientes complexos e altamente regulados. Desenhamos uma estratégia de canais que gerasse crescimento e escala, mantendo a harmonia com o ecossistema de distribuidores”, explica o executivo.

Resultados da Black Friday e expansão

Os números recentes validam a estratégia. Durante a última Black Friday, o tráfego na plataforma ultrapassou a marca de 400 mil usuários. O período registrou um aumento de mais de 70% na receita e uma elevação de 32% no ticket médio, que superou os R$ 8 mil.

Para Viviane Almeida, Head de E-commerce da Daikin Brasil, a robustez do sistema foi fundamental para suportar esse volume e a complexidade da operação híbrida. “Conseguimos estruturar vendas diretas, fortalecer o canal de distribuidores e automatizar processos críticos, com impacto direto em conversão e crescimento”, afirma.

O futuro é híbrido

A parceria entre Uappi e Daikin aponta para uma tendência crescente no setor de climatização e na indústria em geral: a convergência entre os modelos B2B (empresa para empresa) e B2C (empresa para consumidor).

A expectativa para os próximos anos é de operações cada vez mais híbridas, demandando alta integração entre sistemas corporativos, automação de processos e personalização baseada em dados, permitindo que a indústria atue em múltiplas frentes sem gerar conflito de canais.