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Especialista revela três formas de evitar a ‘terceira onda’ de processos no início de 2026

O período pós Black Friday, Natal e Reveillón costuma gerar uma “terceira onda” de reclamações e processos motivados por atrasos, trocas, erros logísticos e promessas promocionais que não se concretizaram. Em 2024, apenas 29,1% das queixas apresentadas diretamente ao Procon-SP foram resolvidas, percentual inferior ao registrado no ano anterior. Diante desse cenário, a DeltaAI, legaltech especializada em produtos de inteligência artificial para reduzir litígios e elevar a eficiência de departamentos jurídicos, lista três frentes estratégicas que ajudam a evitar a escalada de conflitos para a esfera judicial no início do ano.

1. Monitorar insatisfações no atendimento antes que evoluam para notificações e ações

O acúmulo de queixas mal resolvidas impacta a reputação das empresas e tende a se transformar em medidas administrativas e processos judiciais. Segundo Patrícia Carvalho, cofundadora e CEO da DeltaAI, a etapa de atendimento costuma ser o primeiro sinal de alerta. “Muitas empresas só percebem o risco quando já receberam uma notificação oficial, mas o conflito nasce na conversa inicial com o consumidor. É necessário monitorar insatisfações e não deixar que elas se estendam judicialmente”, explica a executiva.

DeltaAI utiliza modelos de linguagem de grande porte (LLMs) para identificar riscos de litígios, detectar sinais de agressividade e mapear oportunidades de acordo preventivo. Essa camada analítica conecta dados do CX e SAC ao jurídio permitindo que o time atue antes que o problema escale.

2. Antecipar decisões judiciais por meio da análise de magistrados

O Judiciário brasileiro registrou 3,9 milhões de sentenças homologatórias de acordos em 2019, representando 12,5% das resoluções por conciliação e mediação naquele ano, de acordo com dados da Justiça em Números 2020 – CNJ. “Entender como os juízes decidem é determinante para prever perdas e orientar acordos mais vantajosos”, aponta Carvalho.

Com o Painel de Juízes da DeltaAI, departamentos jurídicos conseguem visualizar dados não estruturados de sentenças, scores preditivos das decisões dos magistrados e identificar aqueles com maior impacto em condenações. Esses indicadores viabilizam uma atuação preventiva, com negociação de acordos pré-judicialização, priorização de juízes críticos e ajuste contínuo de estratégias.

3. Fazer varredura multicanal em Reclame Aqui e Consumidor.gov antes que o problema chegue ao jurídico

A Black Friday de 2024 registrou 14,1 mil reclamações no Reclame AQUI, ultrapassando o recorde anterior e acendendo o alerta para dezembro e janeiro, conforme dados do Reclame AQUI (2024). Já o Consumidor.gov.br ultrapassou 8 milhões de reclamações em uma década de funcionamento, até setembro do mesmo ano.

Além do SAC tradicional, empresas falham na captura de reclamações em portais oficiais e canais paralelos, o que aumenta o risco de o consumidor partir direto para a esfera judicial. “Varreduras multicanais são primordiais para identificar possíveis falhas e estudar como lidar com cada uma”, explica.

Integrações automáticas com plataformas regulatórias já é uma realidade nas empresas para garantir que nenhuma intimação seja perdida. “Tecnologias do tipo permitem varrer subsídios, analisar milhares de documentos em minutos e gerar defesas preliminares personalizadas”, afirma Carvalho. Para a DeltaAI, essa mesma lógica preventiva deve ser aplicada à gestão de risco no varejo, garantindo visibilidade total sobre o que está sendo reclamado em tempo real.

Atrasos na entrega reduzem recompra no e-commerce de moda no Brasil, mostra estudo da Intelipost

Um estudo realizado pela Intelipost, líder em inteligência logística, baseado na análise de milhões de pedidos no e-commerce brasileiro, mostra que atrasos na entrega reduzem de 3 a 4 pontos percentuais a chance de recompra no segmento de moda.

O recorte por moda faz parte de uma estratégia de aprofundamento por segmentos a partir de um estudo mais amplo, que analisa o impacto do prazo de entrega sobre a recompra em todo o e-commerce no Brasil. A segmentação permite observar comportamentos específicos e gerar leituras mais consistentes ao longo do tempo.

A análise considera o comportamento do mesmo consumidor em compras diferentes, o que elimina distorções de perfil e permite medir o impacto real do prazo de entrega na decisão de voltar a comprar.

Primeira compra concentra o maior impacto

Na primeira experiência de compra, o efeito do atraso é ainda mais relevante. Entre novos clientes do e-commerce de moda, 42% voltam a comprar em até 6 meses quando o pedido chega no prazo, enquanto apenas 33% retornam quando há atraso — uma queda de quase 10 pontos percentuais.

A partir desse comportamento, a Intelipost estima que o atraso na entrega pode representar até 258 mil pedidos a menos por ano no Brasil, considerando projeções para o mercado como um todo, e não apenas a base de clientes da empresa. O impacto financeiro estimado varia entre R$20 milhões e R$32 milhões em receita não realizada, com uma média próxima de R$25 milhões anuais.

Clientes mais engajados sentem mais o efeito

O estudo também identificou diferenças relevantes por perfil de consumidor. Clientes de baixa frequência tendem a manter a recompra mesmo diante de atrasos pontuais. Já os consumidores mais engajados ou recorrentes, que concentram maior valor ao longo do tempo, apresentam redução mais significativa nas compras futuras, com queda entre 5% e 9% na recompra após experiências negativas.

Há ainda variações por ticket médio. Compras de menor ticket, abaixo de R$90, mostram baixa sensibilidade ao atraso, enquanto pedidos acima de R$170 apresentam impacto mais perceptível na recompra. 

Logística como motor de crescimento

Para Ross Saario, CEO da Intelipost, os dados reforçam o papel estratégico da logística na experiência do consumidor e no crescimento do negócio.

“A logística deixou de ser apenas uma questão operacional. Ela tem impacto direto na experiência do cliente e influencia de forma clara a decisão de comprar novamente. Quando analisamos o comportamento da mesma pessoa em diferentes pedidos, fica evidente que cumprir o prazo fortalece a relação com o consumidor e aumenta as chances de recompra — especialmente na primeira experiência”, afirma.

O levantamento conclui que o atraso na entrega tem impacto consistente sobre a recompra no e-commerce brasileiro, com efeito médio entre 3% e 4 pontos percentuais, além de um impacto financeiro relevante ao longo do ano. Os dados reforçam que investir em logística é investir diretamente em vendas, retenção e crescimento sustentável.

Vendas online de fim de ano nos EUA rompem barreira histórica de US$ 250 bilhões

Pela primeira vez na história, as vendas online durante a temporada de festas nos Estados Unidos ultrapassaram a marca de US$ 250 bilhões. Segundo dados divulgados pela Adobe Analytics e reportados pela Digital Commerce 360, o faturamento do e-commerce entre 1º de novembro e 31 de dezembro de 2025 totalizou US$ 257,8 bilhões, um crescimento de 6,8% em comparação aos US$ 241,4 bilhões registrados no mesmo período de 2024.

O resultado superou as projeções iniciais e consolidou o papel dominante dos dispositivos móveis na jornada de compra. Smartphones foram responsáveis por 56,4% de todas as transações online, um aumento em relação aos 54,5% do ano anterior. O uso do celular foi ainda mais expressivo em datas-chave, representando 66,5% das vendas no Dia de Natal e 61,6% no Dia de Ação de Graças.

Categorias em Destaque e Descontos Agressivos

O setor de eletrônicos liderou o volume financeiro, gerando US$ 59,8 bilhões (alta de 8,2%), impulsionado por descontos que atingiram média de 30,9% — superiores aos 30,1% de 2024. Outras categorias com forte desempenho incluíram:

  • Vestuário: US$ 49 bilhões (+7,4%)
  • Móveis: US$ 31,1 bilhões (+6,6%)

Mudança no Comportamento de Pagamento

O método “Compre Agora, Pague Depois” (BNPL – Buy Now, Pay Later) continuou ganhando tração, sendo amplamente utilizado em categorias como Brinquedos (presente em 29,6% das compras) e Vestuário (25,1%).

A chamada “Cyber 5” (período de cinco dias entre o Dia de Ação de Graças e a Cyber Monday) manteve sua relevância, respondendo por 17,1% de todo o faturamento da temporada, patamar similar ao ano anterior, indicando que o consumidor manteve o hábito de concentrar compras em janelas promocionais específicas, mas também aproveitou ofertas diluídas ao longo dos dois meses.

Bob’s anuncia criação de nova diretoria para integrar canais físicos e digitais

O Bob’s, uma das maiores redes de food service do Brasil, anunciou a promoção de Fernanda Rimbano ao cargo de nova Diretora de Vendas Digitais e TI. A executiva, que já atua na companhia há cinco anos, assume a liderança de uma nova cadeira estratégica desenhada para unificar a gestão de dados e a tecnologia da rede.

O movimento da empresa responde à necessidade de acelerar a integração entre o varejo físico e o ambiente online (modelo omnichannel). Com o crescimento expressivo do delivery e dos totens de autoatendimento, a nova diretoria visa centralizar a governança para garantir que as decisões estratégicas sejam baseadas em dados concretos.

A reestruturação promete benefícios diretos para a ponta da operação. Segundo a empresa, os franqueados terão acesso a dashboards unificados e modelos escaláveis, permitindo maior agilidade na tradução de estratégias corporativas em ações práticas nas lojas.

“O objetivo é permitir que decisões estratégicas sejam rapidamente traduzidas em ações operacionais em toda a rede, com eficiência, agilidade e alinhamento nacional”, informou a companhia em comunicado.

Com passagens por grandes marcas como Starbucks, Grupo Lufthansa e Brinks, Rimbano traz um forte background acadêmico em Inteligência Artificial, Data Science e Varejo pela ESPM e Mackenzie, reforçando o compromisso do Bob’s com a transformação digital.

Tecnologia nacional ganha força e mira no mercado internacional

Até recentemente, o mercado brasileiro de equipamentos eletrônicos era quase totalmente dependente de tecnologia importada. A pandemia expôs essa fragilidade ao interromper a produção global desses produtos e provocar um efeito dominó que atingiu diversos setores — entre eles, o de áudio e vídeo corporativos.

Foi nesse cenário que Pedro Retes, diretor da Wave AV, decidiu aplicar a experiência acumulada em 15 anos à frente da empresa, seu mestrado em engenharia elétrica e quatro certificações internacionais. O objetivo era claro: liderar a equipe no desenvolvimento interno dos produtos necessários para manter os projetos em andamento.

“Como minha equipe já tem bastante experiência, a criação de novos equipamentos que atendessem às demandas técnicas dos projetos foi até rápida. Em poucos meses, três famílias de produtos foram desenvolvidas: um controlador que funciona como o ‘cérebro’ do sistema; painéis de parede para interface de automação; e um processador de áudio de alta performance, invisível ao usuário, mas fundamental para o tratamento sonoro dos ambientes”, explica Retes.

As vantagens da tecnologia nacional são evidentes: agilidade, uso de frameworks modernos e forte convergência com TI e desenvolvimento web. “Nosso produto é totalmente flexível e aberto. Em outros mercados, você fica preso a um único fabricante. Se quiser migrar, precisa de novos cursos e certificações. Nós usamos frameworks mais modernos, o que facilita até a contratação, ampliando o perfil de profissionais para áreas como web, front-end e back-end”, acrescenta.

Hoje, as soluções desenvolvidas pela Wave já equipam instituições como a Marinha do Brasil, a Localiza, a Abbott, além do SEBRAE e do SESCOOP, combinando alta complexidade técnica com operação simples e eficiente.

Com o mercado nacional consolidado, a empresa prepara o próximo passo: a expansão internacional. “Estamos prontos para entrar em mercados maduros, como o dos Estados Unidos. O investimento previsto de R$ 10 milhões em cinco anos reforça o caráter econômico e estratégico dessa ação”, conclui Pedro.

Por onde começar a implementar IA nas empresas?

Com o uso de tecnologias digitais cada vez mais disseminado, a adoção de Inteligência Artificial (IA) pela empresas passa de tendência a necessidade estratégica. De acordo com Mauricio Frizzarin, fundador e CEO da QYON Tecnologia – empresa norte-americana especializada no desenvolvimento de softwares de gestão com Inteligência Artificial – destaca que pequenas, médias e grandes empresas têm, agora, a oportunidade de transformar seus processos internos, com ganhos concretos em eficiência, redução de custos e qualidade na tomada de decisões.

Dados recentes mostram que a adoção de IA nas empresas brasileiras cresceu de forma significativa — principalmente no setor industrial, mas com impactos que se estendem à contabilidade, finanças e gestão corporativa. Conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2022 e 2024, o uso de IA pelas indústrias teve um crescimento de 163%, passando de 16,9% para 41,9% no período. Além disso, entre as companhias que declararam adotar tecnologias avançadas, a IA já aparece como uma das mais relevantes, embora outras, como computação em nuvem e Internet das Coisas, mantenham amplo uso.

Segundo estudo de 2025, realizado pela KPMG Brasil, 86% das empresas nacionais afirmam utilizar IA de algum modo em seus processos corporativos. Contudo, o mesmo estudo revela que a confiança nas decisões tomadas por IA ainda é um desafio: apenas 55% dos respondentes declaram se sentir confortáveis com a tomada de decisão baseada em IA. Outro levantamento recente aponta que apenas 17% das empresas brasileiras consideram seus dados internos totalmente acessíveis e adequados para uso em IA, evidenciando que a governança de dados e qualidade da informação continuam sendo barreiras concretas à adoção mais madura da tecnologia.

No cenário global, pesquisas como a de 2025 da consultoria McKinsey & Company indicam que muitas empresas já utilizam IA em múltiplas funções – desde marketing e vendas, finanças corporativas até P&D – embora poucas tenham escalado esses projetos de forma ampla. Entre as organizações que relatam impacto, 39% dizem que a IA já contribui para o lucro antes de juros e impostos (EBIT), ainda que muitas vezes de forma modesta. Por outro lado, uma parcela significativa aponta melhoria em inovação, satisfação do cliente e diferenciação competitiva.

Diante desse cenário, Frizzarin elenca seis passos essenciais para empreendedores e empresários que desejam adotar IA de forma estratégica — com base em evidências e melhores práticas:

-Mapear processos internos e identificar gargalos claros: antes de qualquer investimento, é essencial diagnosticar quais áreas consomem mais tempo e recursos – contabilidade, controle financeiro, atendimento, gestão administrativa, estoque, etc. A IA deve ser aplicada onde há oportunidade de impacto real e mensurável.

-Assegurar dados de qualidade e governança da informação: a adoção de IA depende de dados acessíveis, organizados e confiáveis e, de acordo com estudos, apenas 17% das empresas têm dados plenamente utilizáveis para IA. Isso demonstra que muitos empreendimentos ainda precisam estruturar sua base de dados antes de avançar.

-Definir objetivos claros e métricas de sucesso: como estabelecer metas como aumento de eficiência, redução de retrabalho, automatização de tarefas contábeis/financeiras, melhoria de previsibilidade de caixa, relatórios mais precisos, ou suporte à tomada de decisão. Com objetivos claros, torna-se possível avaliar o retorno sobre o investimento em IA.

-Selecionar ferramentas apropriadas e compatíveis com o porte da empresa: há soluções de IA acessíveis e modulares para automação contábil, análise financeira, forecasting, chatbots para atendimento e sistemas de apoio à decisão. Para pequenas e médias empresas, o ideal é começar com ferramentas de menor complexidade e custo, mas com possibilidade de escalabilidade conforme a empresa cresce.

-Capacitar equipes e fomentar uma cultura de inovação orientada a dados: o treinamento e a adaptação das pessoas são aspectos tão importantes quanto a tecnologia. Segundo pesquisas recentes, muitas empresas no Brasil já investem em capacitação em IA, especialmente as de médio e grande porte. Garantir que colaboradores entendam os benefícios, saibam usar as ferramentas corretamente e interpretem os dados gerados é fundamental para sucesso da implementação.

-Monitorar resultados, ajustar e evoluir continuamente: a adoção de IA não é um evento único, mas um processo contínuo. É necessário acompanhar métricas, mensurar ganhos (eficiência, economia, agilidade, precisão), e ir refinando o uso da tecnologia — além de escalar sua aplicação para novas áreas da empresa conforme a maturidade do negócio.

“Vale a pena investir em IA em diversas funções, que vão do marketing à gestão administrativa, finanças e contabilidade, dada a versatilidade da tecnologia, que é viável inclusive para empresas menores, que podem começar com aplicações mais simples e alcançar ganhos relevantes. Assim, torna-se possível preparar a companhia para saltos de eficiência e competitividade ao longo do tempo. Em um momento de transformação digital acelerada, empresas que adotam IA obtêm vantagens na automação, na precisão de processos e na tomada de decisão, fatores decisivos para competitividade e sustentabilidade no longo prazo”, finaliza Mauricio Frizzarin, CEO da QYON Tecnologia.

Como superagentes de IA podem revolucionar o varejo em 2026

O varejo representa um dos setores mais dinâmicos e competitivos dentro da economia global e segue enfrentando, ao longo dos anos, transformações como o ‘hype’ da adoção de IA por parte das empresas e consumidores. Segundo o Gartner, até o final de 2026, 40% das aplicações corporativas estarão integradas a agentes de IA programados para execução de tarefas específicas, representando um aumento expressivo em relação a menos de 5% registrado atualmente. A projeção prevista no levantamento é de que o agente de IA poderá gerar cerca de 30% da receita de softwares de aplicativos corporativos até 2035, ultrapassando US$ 450 bilhões de dólares, além de estabelecer novos padrões para trabalho em equipe por meio de interações humano-agente mais eficientes. Mas como isso deve impactar também o varejo? 

Marcos Oliveira Pinto, Global Software Engineer Manager da Jitterbit, explica que o sucesso em capitalizar essa onda de inovação deve impulsionar uma abordagem estratégica e madura nas lideranças. “Para isso, é crucial que as organizações entendam como o varejo pode, de fato, aproveitar a eficiência dos superagentes de maneira integrada, focando em tendências de mercado que entreguem valor real com agilidade e segurança. Afinal, implementar agentes de IA só porque estão no ‘hype’ não é a coisa mais inteligente a se fazer”, afirma.  

Resiliência operacional para continuidade do e-commerce 

A aplicação de superagentes de IA no varejo eletrônico revela a principal defesa contra disrupções, sendo a chave para manter a integração funcionando, mesmo diante de problemas na infraestrutura. “A forma como a empresa utilizará os superagentes para intermediar e fazer a gestão da falha é o que fará toda a diferença. Por exemplo, posso ter um AI agent no meu e-commerce para que eu consiga receber e armazenar pedidos para um processamento disso de forma assíncrona, evitando que meu usuário final não finalize a compra”, explica Marcos. 

Análise sentimental do cliente para novas ações 

A análise sentimental é um campo onde os superagentes trarão um diferencial significativo, indo além das métricas superficiais de satisfação. Cerca de 86% dos consumidores revelam disposição para pagar mais por uma boa experiência como cliente, de acordo com o levantamento “Future of Customer Experience”, da PwC. Entretanto, segundo pesquisa da Zendesk com a Dimensional Research, apenas 1 em cada 26 clientes insatisfeitos oficializa a reclamação; a maioria simplesmente abandona a empresa. “Baseado em todo o histórico de interação e de compras desse cliente, os superagentes de IA realizam análises e as apresentam em forma de gráficos, permitindo que a gestão entenda como a sua base de clientes está se sentindo em relação aos produtos ou à marca. Essa inteligência automatizada fornece uma visão tática inédita, permitindo que o varejista tome decisões proativas para refinar a experiência e aumentar a fidelidade”, ressalta Marcos.   

Gestão dinâmica de preços e competitividade 

Os superagentes podem permitir que os varejistas tenham uma gestão muito melhor dos preços, tendo como referência o que está acontecendo no mercado em tempo real. O avanço da IA tem impulsionado a precificação dinâmica, um modelo popularizado pela Uber, por exemplo, em que os preços são ajustados em tempo real com base na demanda e na concorrência. “Imagine uma pessoa que vende ar-condicionado e todos os concorrentes baixaram o preço… Para se manter vendendo, o agente de pricing monitora a movimentação e indica as possíveis alterações. Essa atividade dispensa o trabalho humano de monitoramento manual e o delega a um agente que ajuda de forma rápida e eficaz. Essa velocidade é essencial e o superagente ainda permite a definição de limites”. 

“Quick wins” com a arquitetura dos superagentes 

A adoção de IA no setor de consumo e varejo deve saltar de 33% para 85% até 2027, aumento de 150%, evidenciado na pesquisa “KPMG Global AI in Finance Report”. Essa oportunidade de crescimento no segmento viabiliza a implementação dos superagentes para acelerar a identificação de pequenos problemas, gerando um valor significativo para a operação e eliminando projetos complexos que levam meses. Nesse sentido, a estratégia consiste em criar e aplicar os superagentes nas áreas denominadas “quick wins”, que geram resultados imediatos visíveis. “A arquitetura de desenvolvimento de apps inteligentes é fundamental nesse processo para desenvolver uma solução de superagente que centralize a arquitetura de vários agentes especialistas em diversos domínios, o que acelera a capacidade de entregar esses ganhos rápidos”. 

Segurança e ISO 

Para aproveitar o potencial dos superagentes em 2026, o varejo deve priorizar a digitalização das novas tecnologias e a segurança. “Não ter sistemas tecnológicos atualizados é um grande risco de segurança de dados. A certificação ISO 42001, por exemplo, oferece recursos necessários para criação de agentes e gestão segura. É fundamental, ainda, não confiar cegamente na IA; mesmo com a arquitetura de agentes nos modelos ativo e passivo, ainda precisamos de humanos confirmando e validando quais as respostas o agente está oferecendo, sem alucinar. Ao focar em eficiência, integração e uma governança robusta, o varejo estará apto a utilizar os superagentes não como um modismo, mas como o motor de sua transformação, entregando o mesmo valor com processos mais inteligentes”, finaliza.

PIX, IA e deepfakes: como o Brasil virou o laboratório global dos golpes digitais

O Brasil ocupa hoje uma posição paradoxal no cenário global de cibersegurança. De um lado, é líder em inovação financeira, com o PIX como um dos sistemas de pagamentos instantâneos mais avançados e adotados do mundo. De outro, é também alvo prioritário de criminosos digitais que exploram a velocidade e conveniência do sistema para executar golpes em escala industrial. O vetor mais recente dessa ameaça é alimentado pela inteligência artificial generativa e pelos deepfakes, que inauguraram uma nova era de fraudes em que “ver para crer” já não é suficiente.

Os números revelam a dimensão do desafio. Em 2024, o Banco Central registrou quase R$ 5 bilhões em prejuízos com fraudes no PIX, uma alta de 70% em relação ao ano anterior. No mesmo período, crimes envolvendo deepfakes cresceram 822% no Brasil, taxa cinco vezes superior à observada nos Estados Unidos. Globalmente, a Deloitte projeta que as perdas causadas por fraudes potencializadas por IA saltem de US$ 12,3 bilhões em 2023 para US$ 40 bilhões até 2027. Não é uma ameaça abstrata: poucos segundos de áudio já permitem clonar vozes e gerar vídeos falsos em tempo real, capazes de enganar até profissionais experientes.

Casos recentes expõem o poder destrutivo dessa combinação. No início de 2024, um funcionário financeiro em Hong Kong transferiu US$ 25 milhões após uma videoconferência com deepfakes de seu CFO e colegas. O episódio da multinacional de engenharia britânica Arup, com perdas similares, foi apontado pelo Fórum Econômico Mundial como exemplo paradigmático da engenharia social amplificada por IA. No Brasil, a Polícia Civil do Distrito Federal desmantelou um esquema de R$ 50 milhões que usava deepfakes para acesso a contas bancárias. O denominador comum é a sofisticação. Não são mais mensagens mal escritas ou vozes artificiais, mas sim interações perfeitas na forma, e perigosamente falsas no conteúdo.

Diante dessa nova fronteira da fraude, as defesas tradicionais (como senhas, tokens ou até biometria facial) tornam-se vulneráveis. A voz pode ser clonada, a face pode ser recriada, mas há algo que mesmo o deepfake mais realista não consegue imitar com precisão: o comportamento humano no ambiente digital. É aqui que entra a biometria comportamental, tecnologia capaz de analisar padrões sutis de interação como ritmo de digitação, pressão na tela, trajetória do mouse, alternância entre aplicativos e cadência de navegação.

Na prática, esses padrões funcionam como uma “proteção invisível” que distingue o usuário legítimo de um fraudador, mesmo quando este possui credenciais corretas ou utiliza imagens e áudios convincentes. Soluções de biometria comportamental já analisam bilhões de sessões mensais em diferentes países e mostraram resultados expressivos: em um grande banco latino-americano, por exemplo, a adoção dessa tecnologia reduziu em 67% os golpes de engenharia social, sem gerar atrito adicional para o cliente – combinando maior segurança com conveniência.

Sinais comportamentais também ajudam a identificar manipulação em curso. Um exemplo é a “urgência induzida”, detectada quando há cliques rápidos seguidos de pausas longas, típicas de quem está recebendo instruções externas durante uma transação. Outro é a presença de ações atípicas, como copiar e colar dados sensíveis, comportamento registrado em 30% das fraudes contra menos de 1% das sessões legítimas. Ao identificar essas anomalias, o sistema pode interromper a transação ou acionar verificações adicionais antes da liquidação.

O risco da escassez de talentos para a liderança brasileira

Se a tecnologia defensiva avança, há um obstáculo que ameaça comprometer sua eficácia: a falta de profissionais qualificados em cibersegurança. Segundo a Fortinet, a lacuna global é de 4 milhões de vagas, sendo 750 mil no Brasil. A escassez é tão grave que o relatório mais recente do Gartner aponta a falta de talentos como o principal entrave para a adoção de novas tecnologias, citado por 63% dos líderes de TI, à frente até de preocupações com custos e riscos.

Essa carência tem implicações diretas na capacidade de bancos, fintechs e empresas de tecnologia de implementar e calibrar soluções como a biometria comportamental. Sem especialistas para ajustar modelos, interpretar alertas e integrar sistemas de defesa a fluxos críticos como o PIX, o risco é que parte do investimento em tecnologia perca efetividade. O país que se tornou referência global no combate a fraudes de IA pode ver essa liderança enfraquecer se não acelerar a formação e retenção de talentos.

O futuro da cibersegurança bancária exige soluções baseadas em machine learning e decisões orientadas por dados, ainda distantes da realidade da maioria das instituições financeiras. O desafio de lidar com milhares de variáveis em tempo real no PIX evidencia a importância de tecnologias capazes de criar modelos específicos para cada instituição, já adotadas por centenas de bancos e empresas no mundo, e que vêm se consolidando como ferramentas essenciais para enfrentar fraudes digitais em escala.

O problema exige uma abordagem sistêmica, como ampliar programas de capacitação, incentivar certificações reconhecidas pelo mercado, flexibilizar critérios de contratação para atrair perfis diversos e promover a colaboração entre empresas, governo e academia. Mais do que nunca, cibersegurança é um tema econômico e estratégico. Com a popularização de deepfakes e IA generativa, o desafio deixou de ser apenas técnico e passou a ser também humano. Sem gente qualificada, a tecnologia não entrega todo seu potencial.

O Brasil hoje é uma vitrine global no combate a fraudes digitais e campo de prova constante para soluções de segurança. Se as defesas funcionam aqui, com o volume e diversidade de ataques que enfrentamos, podem funcionar em qualquer lugar. Mas manter essa posição exige algo além de tecnologia de ponta e regulação ágil, é preciso investir massivamente em pessoas. Na batalha contra o tripé formado por PIX, IA generativa e deepfakes, vencerá quem conseguir identificar, em tempo real, aquilo que nem a falsificação mais sofisticada consegue esconder: o jeito único com que cada pessoa interage no mundo digital.

Distrito e ElevenLabs firmam parceria para massificar uso de agentes de IA por voz em empresas brasileiras

A adoção da Inteligência Artificial no Brasil acaba de ganhar um novo acelerador. O Distrito, plataforma conhecida por sua atuação em transformação digital e inovação aberta, anunciou uma parceria estratégica com a ElevenLabs, líder global em tecnologias de voz e áudio. O objetivo da união é profissionalizar e expandir o uso de agentes de voz (Voice AI) no ambiente corporativo nacional.

A colaboração visa resolver um gargalo comum na implementação de novas tecnologias: a distância entre a ferramenta bruta e sua aplicação prática no negócio. Para isso, o projeto utilizará a estrutura da AI Factory do Distrito — um braço de engenharia e design focado em prototipagem e escala — para implementar as soluções de síntese de voz da ElevenLabs.

Voz como infraestrutura, não apenas “feature”

Para Gustavo Araujo, cofundador e CEO do Distrito, a voz está deixando de ser um recurso acessório para se tornar uma camada fundamental de interação entre marcas e consumidores.

“Mais do que uma tendência tecnológica, entendemos a voz como uma nova camada de interação inteligente que deve fazer parte do dia a dia das empresas. Essa parceria fortalece nossa capacidade de apoiar clientes a transformar processos, produtos e experiências utilizando a IA de maneira responsável e orientada a impacto”, afirma o executivo.

A ideia é que a tecnologia da ElevenLabs forneça a base técnica (os “tijolos”), enquanto o Distrito atua na arquitetura da solução, garantindo que a implementação traga retorno sobre o investimento (ROI) e não seja apenas experimental.

Treinamento e Governança

Um dos diferenciais do acordo é o foco na capacitação técnica. As equipes do Distrito passarão por treinamentos contínuos conduzidos por especialistas da ElevenLabs. O programa abrange desde boas práticas globais de engenharia de IA até protocolos rigorosos de segurança e governança — pontos críticos para grandes corporações que temem o uso indevido de dados ou falhas na comunicação automatizada.

Brunno Santos, General Manager da ElevenLabs no Brasil, destaca que a parceria é a ponte necessária entre o software e a estratégia de mercado.

“Enxergamos parceiros estratégicos, como o Distrito, como verdadeiros multiplicadores. Ao unir a tecnologia da ElevenLabs à expertise consultiva da AI Factory, criamos as condições ideais para que as empresas avancem com velocidade, mas sem abrir mão da responsabilidade e da segurança técnica”, comenta Santos.

O próximo passo da IA no Brasil

A iniciativa surge em um momento em que o mercado brasileiro busca maturidade digital. A integração de agentes de voz capazes de conversar com naturalidade permite automações complexas, desde o atendimento ao cliente (Customer Experience) até processos internos de RH e vendas.

A parceria promete entregar às empresas brasileiras frameworks de experimentação e escalabilidade, posicionando a voz como uma ferramenta de competitividade global. “No Distrito, entendemos que toda evolução tecnológica só faz sentido quando gera valor concreto para pessoas, processos e negócios”, conclui Araujo.

Como os gatilhos mentais potencializam vendas via WhatsApp

Você já ouviu falar em gatilhos mentais? Eles são estímulos psicológicos que influenciam nossas decisões muitas vezes sem que a gente perceba e são amplamente utilizados em estratégias de vendas, comunicação e marketing. Esses gatilhos podem estar relacionados a urgência, preço, tempo, escassez ou exclusividade, e têm o poder de acelerar escolhas que, racionalmente, talvez demorassem mais para acontecer.

Um exemplo disso ficou evidente durante a pandemia de Covid-19, que revelou de forma clara como esses mecanismos funcionam no comportamento humano. A corrida a supermercados e farmácias, motivada pelo medo de faltar produtos, é um exemplo clássico do gatilho da escassez, quando a simples percepção de que algo pode acabar faz a procura disparar.

No marketing, esses recursos têm se tornado aliados poderosos para criar desejo de compra, mesmo quando não há uma necessidade imediata. Sejam eles relacionados a escassez (‘últimas unidades’), a urgência (‘oferta termina hoje’), a prova social (‘mais de 5 mil pessoas já compraram’) e a autoridade (especialistas recomendam), tornam-se ferramentas estratégicas para empresas de todos os segmentos que buscam aumentar conversões e otimizar campanhas.

“Os gatilhos mentais mexem diretamente com o comportamento do consumidor e ajudam a transformar interessados em compradores com muito mais rapidez”, afirma Luan Mileski, head de produto e negócios do grupo IRRAH Tech, empresa paranaense com atuação global em automação e inteligência artificial voltada à eficiência operacional.

A tecnologia tem ampliado substancialmente esse potencial ao permitir campanhas segmentadas, inteligentes e de execução rápida. Entre as soluções que impulsionam esse movimento está a Dispara Aí, plataforma desenvolvida pelo grupo IRRAH Tech e que recentemente passou a operar integrada à API oficial.

Segundo Mileski, a automação organiza o uso desses gatilhos e permite disparos baseados em comportamentos específicos, como tempo de inatividade do lead, cliques em links ou botões e interações em chatbots. “Isso significa que o cliente recebe o conteúdo certo no momento exato, com a naturalidade de um atendimento humano, mas com escalabilidade infinita”, explica.

A Dispara Aí já envia mais de 16 milhões de mensagens por mês, está presente em mais de 15 países e possui uma base superior a 650 mil usuários. Além dos disparos inteligentes, oferece automação completa de fluxos, reduzindo erros humanos, e métricas detalhadas que orientam decisões estratégicas, como taxas de abertura, desempenho de cada etapa do funil, fluxos que mais geram vendas e pontos de queda. “Essa visibilidade permite tomadas de decisão baseadas em dados, não em achismos”, reforça o executivo.

Um case recente estruturado pela empresa ilustra o impacto da ferramenta: uma estratégia completa, do anúncio ao pós-venda, elevou em 32% as conversões via WhatsApp em apenas sete dias. “Esse caso percorreu toda a jornada e foi um sucesso absoluto, melhorando completamente os resultados”, destaca Mileski.

Com recursos como botões “Fale agora no WhatsApp” diretamente no anúncio e mensagens automáticas de saudação, a plataforma substitui atendimentos repetitivos, aumenta a relevância da interação e acelera a tomada de decisão do consumidor.

“A Dispara Aí ajuda o empreendedor a sair do modo manual e limitado e permite que ele entre em um modelo inteligente, escalável e 100% alinhado ao comportamento do consumidor moderno”, conclui o especialista.