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IA gera nova onda de fraudes em reembolsos e coloca e-commerce global em alerta

O avanço das ferramentas de inteligência artificial generativa está produzindo um efeito colateral inesperado no comércio eletrônico global: a falsificação de provas visuais para golpes de reembolso. Plataformas que historicamente confiavam em fotos e vídeos para validar devoluções agora enfrentam um cenário em que comprovantes digitais forjados simulam danos inexistentes, tornando a detecção de fraudes cada vez mais complexa.

Nos Estados Unidos, o impacto financeiro já é mensurável. Dados recentes da consultoria AppZen revelam que, em setembro de 2025, cerca de 14% dos documentos fraudulentos analisados apresentavam sinais de manipulação por IA — um salto expressivo em comparação ao ano anterior. A fintech Ramp corrobora o cenário, relatando o bloqueio de mais de US$ 1 milhão (aprox. R$ 5,6 milhões) em notas fiscais suspeitas apenas nos últimos 90 dias.

O “Golpe do Caranguejo” e a viralização na China

O fenômeno não é exclusivo do ocidente. Na China, plataformas como RedNote e Douyin lidam com uma onda de devoluções baseadas em materiais adulterados. Casos insólitos, como vídeos de xícaras de cerâmica rasgadas como papel ou etiquetas com caracteres ilegíveis, tornaram-se virais.

Um caso emblemático envolveu a comerciante Gao Jing, herdeira de um negócio familiar de criação de caranguejos há 30 anos. Ao receber vídeos que mostravam os animais supostamente mortos na entrega, Gao notou inconsistências visuais sutis geradas pela IA. Sua denúncia às autoridades resultou na detenção do comprador por oito dias, ilustrando que a tecnologia já tem consequências legais reais.

Desafio tecnológico e humano

Segundo estimativas da Forter, o uso dessas imagens adulteradas cresceu mais de 15% desde o início de 2025, impulsionado pela facilidade de acesso a geradores de imagem. Contudo, especialistas alertam que a resposta não deve ser apenas tecnológica.

“Tecnologia e dados são ferramentas poderosas, mas falham quando desconectadas da empatia e da transparência”, analisa Rebecca Fischer, CSO e co-fundadora da Divibank. Para a executiva, paradoxalmente, a tecnologia transformadora é a que permite às empresas exercerem sua humanidade, mantendo o foco em ouvir e antecipar as necessidades do cliente.

O dilema da segurança

O cenário impõe um dilema operacional: endurecer as políticas de devolução pode frear as fraudes, mas tende a penalizar consumidores honestos e prejudicar a experiência de compra. Por outro lado, a flexibilidade expõe lojistas a prejuízos massivos, muitas vezes causados por grupos organizados que utilizam IPs rotativos para dificultar o rastreamento.

Embora algumas plataformas já empreguem contra-inteligência artificial para analisar imagens suspeitas, essas soluções ainda são vistas como limitadas. Enquanto o equilíbrio não é atingido, equipes de atendimento seguem sob pressão, divididas entre o risco de prejuízo financeiro e a necessidade de um atendimento humanizado.

Uso de agentes de IA no WhatsApp cresce mais de 1000% na Black Friday 2025, revela OmniChat

Quinze anos após a consolidação da Black Friday no Brasil, a data que transformou o varejo digital volta a passar por uma inflexão. Se na primeira década o avanço veio da migração do consumidor para o online, 2025 marca a entrada definitiva da inteligência artificial como motor de escala no comércio conversacional. “Em um país em que mais de 140 milhões de pessoas usam WhatsApp diariamente, conversar virou comprar. O diálogo virou o novo clique, deslocando a interação entre marcas e clientes para uma via de mão dupla, instantânea e personalizada. 2025 será lembrado como o ano da Black Friday da IA”, afirma Maurício Trezub, cofundador e CEO da OmniChat, plataforma líder em chat commerce e WhatsApp Business Solution Provider (BSP).

Segundo dados da plataforma, o volume total de conversas processadas no WhatsApp durante novembro cresceu 31% em comparação com o mesmo período de 2024, alcançando 15,9 milhões de interações. A disparada do volume não comprometeu a experiência do consumidor. Muito pelo contrário na verdade. O tempo médio de espera do consumidor teve uma redução de 54% no período de maior pressão operacional do varejo.

Essa eficiência está diretamente associada à adoção de agentes autônomos de IA. O Whizz Agent multiplicou por 10 o número de conversas conduzidas na Black Friday. O salto veio de múltiplas frentes, desde o aumento de interações iniciadas organicamente pelo consumidor no botão de WhatsApp no site das marcas clientes – que cresceu 869% – até a expansão dos fluxos de recuperação de carrinho e o uso intensivo de campanhas de WhatsApp Marketing.

A IA não apenas absorveu volume, mas elevou a eficiência comercial. A conversão em vendas atendidas pelos agentes autônomos de IA, durante o período da Black Friday, cresceu em 700% quando comparamos 2024 com 2025.

Os ganhos também se estenderam à produtividade humana. Vendedores que utilizaram o Whizz Copilot responderam, em média, 52% mais rápido do que aqueles que não utilizaram o recurso ao longo de suas jornadas, reforçando a lógica de complementaridade entre IA e atendimento consultivo. Segundo Trezub, “a IA garante velocidade, precisão e continuidade, enquanto o vendedor atua onde há nuance, emoção, negociação. É esse equilíbrio que melhora experiência e conversão”.

O impacto foi especialmente forte em setores historicamente dependentes de atendimento humano. No varejo de moda, as conversas conduzidas por Inteligência Artificial tiveram um crescimento superior a 16.000%, considerando o período de Black Friday de 2024 versus 2025. Em educação, o avanço foi de mais de 2.800%. O movimento confirma que a adoção de IA conversacional deixa de ser restrita ao varejo de alta frequência e passa a ganhar tração em segmentos de ciclo mais longo.

Os dados mostram que a jornada do consumidor também mudou. Se antes ele clicava, agora ele conversa. A lógica do funil tradicional – atrair, clicar, converter – dá lugar a um modelo conversacional em que o cliente pergunta, recebe recomendações, monta o carrinho e finaliza a compra em um único ambiente.

Esse movimento exige resiliência técnica. Para sustentar picos de milhares de conversas simultâneas por minuto, a OmniChat operou a Black Friday com arquitetura de nuvem elástica, redundância em múltiplas camadas e monitoramento contínuo, seguindo normas como ISO 27001, 27017 e 27018 e garantindo conformidade plena com a LGPD. Com o WhatsApp se tornando um dos principais canais de receita de uma marca, a estabilidade deixa de ser detalhe técnico e passa a ser vantagem competitiva.

“No ano em que a IA assumiu protagonismo nas operações de vendas, a Black Friday de 2025 deixa um recado claro para o varejo brasileiro: a disputa não é mais apenas por cliques. É por diálogos – e pela capacidade de transformá-los em escala, eficiência e relacionamento duradouro”, afirma Trezub.

Pedidos no iFood confirmam que mês de dezembro é sinônimo de panetone, sorvete, brinquedos, churrasco e cerveja para o brasileiro

A contagem regressiva para Natal e Réveillon começou e o iFood revela que o espírito festivo de fim de ano já toma conta das cestas de compras na plataforma, confirmando que o verdadeiro Natal brasileiro acontece a 30°C, com ventilador ligado, amigo secreto de última hora e um delivery chegando na porta. Um levantamento do iFood Tendências confirma essa cultura: panetone, sorvete, brinquedos, churrasco e cerveja são as categorias de maior crescimento na primeira quinzena de dezembro, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Se dezembro tivesse um sabor, seria de frutas cristalizadas ou gotas de chocolate: apontando a tendência dos brasileiros para compras no delivery nos preparativos para as festas, o tradicional panetone registrou o crescimento de 157% de pedidos no período. Em números absolutos, saímos de 26 mil unidades em 2024 para quase 68 mil panetones rodando pelo Brasil nestas duas semanas.

O iFood Tendências também registrou que os brasileiros já entraram no clima do verão com crescimento de pedidos por sorvete chegando a 126%. Enquanto o panetone cuida da tradição, os brasileiros lutam contra o calor típico de dezembro com 888.000 pedidos apenas nesta primeira quinzena.

E como o brasileiro não se reúne sem fogo e carvão, o tradicional churrasco das festas brasileiras fez o consumo da categoria dobrar de tamanho, com 101% a mais de pedidos que nos primeiros 15 dias de dezembro do ano passado. A cerveja, combustível oficial da confraternização, acompanhou a alta, com crescimento de 72% (336 mil pedidos).

O iFood também assumiu oficialmente o posto de “ajudante para quem deixou para última hora”. A categoria de Jogos e Brinquedos cresceu 91%, refletindo um novo comportamento: em vez de enfrentar o caos dos grandes centros comerciais, o brasileiro descobriu que o presente pode chegar em minutos, junto com o jantar.

“Os dados ajudam a explicar o comportamento do brasileiro durante o mês de festas. Dezembro é sobre comer panetone, o campeão nacional, tomar sorvete, comprar brinquedos para as crianças, fazer confraternização com churrasco e cerveja. E o crescimento das vendas de um ano para o outro mostra que os consumidores usam a conveniência do delivery para poder investir tempo naquilo que importa, que é celebrar com a família e amigos”, explica Rafael Corrêa, Head de Comunicação do iFood.

Ranking de categorias com maior crescimento percentual na primeira quinzena de 2024 vs 2025:

  1. Panetone
  2. Sorvetes
  3. Churrasco
  4. Jogos e brinquedos
  5. Cerveja

O que está por trás do Natal no varejo: planejamento antecipado, grandes investimentos e logística de grande porte

Responsável pela maior concentração de vendas do ano e decisivo para o resultado do empreendimento e lojistas, o Natal é considerado a data mais estratégica do varejo brasileiro, com estimativa de movimentar cerca de R$ 84,9 bilhões na economia em 2025, de acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil. Para que essa experiência chegue pronta ao consumidor em novembro, o trabalho começa meses antes, envolvendo planejamento detalhado, decisões criativas, investimentos robustos e uma engrenagem complexa que integra criatividade, comunicação, promoção comercial, mídia, eventos e cenografia.

No Jockey Plaza Shopping, em Curitiba, esse processo começa ainda nos primeiros meses do ano e ganha escala de grande operação. A campanha natalina mobiliza diferentes frentes ao longo de todo o calendário e concentra cerca de 30% da verba anual do fundo de promoção do empreendimento, consolidando como o maior investimento do shopping e mostrando o nível de complexidade exigido para entregar a data mais esperada do varejo.

Segundo a gerente de marketing do Jockey Plaza Shopping, Michelle Cirqueira, que há mais de uma década coordena projetos de Natal em shoppings, a antecedência é decisiva para o sucesso da campanha. “Pensar o Natal de forma integrada, com decoração, comunicação, promoção e mídia, permite criar uma experiência que emociona, aumenta o tempo de permanência, fortalece o vínculo com o público e gera resultados consistentes para lojistas e marcas”, afirma.

Até março, a decoração natalina já está contratada. É nesse momento que se definem conceitos cenográficos, cronogramas de produção e logística. No Jockey Plaza, essa etapa é conduzida em parceria com a empresa Blitzen, responsável por desenvolver projetos exclusivos, que dialogam diretamente com a identidade do empreendimento. Em 2025, a empresa foi responsável pela execução de cerca de 30 projetos natalinos no Brasil. No Jockey Plaza Shopping, a decoração feita pela empresa teve a assinatura de Cecília Dale, que visitou pessoalmente a decoração montada. “É emocionante ver uma ideia que nasce meses antes ganhar forma e encantar famílias. Cada detalhe carrega muito trabalho, cuidado e paixão”, afirma Cecília.

Com experiência acumulada em diferentes empreendimentos e segmentos do varejo e à frente do sétimo Natal no Jockey Plaza Shopping, Michelle Cirqueira acompanha de perto a evolução das campanhas natalinas e reforça que a data cresceu muito nas últimas décadas, principalmente com a mudança dos shoppings centers de apenas locais de compras para hub de experiências diversas como entretenimento, lazer, diversão, gastronomia, inclusão social e compras. “Depois de tantos projetos de Natal, fica claro que não existe improviso. Tudo é pensado para se comunicar com o consumidor em todas as necessidades que ele tem e desejos que ele nem sabe que pode vir a ter nesta época! O sucesso da campanha depende de planejamento antecipado, integração entre áreas e decisões tomadas com antecedência e estratégia. No marketing, o Natal é um projeto completo, que envolve comunicação, promoção, mídia e experiência, e não apenas uma ambientação temática”, afirma Michelle.

Em 2025, a operação do Natal do Jockey Plaza envolveu o transporte de cinco carretas, somando mais de 500m3 de materiais, entre estruturas, cenários e elementos decorativos, além de milhares de pontos de luz de LED distribuídos pelos ambientes do shopping, números que evidenciam a dimensão logística do projeto.

Mas o Natal vai muito além da cenografia. A partir de agosto, tem início outra fase estratégica: o planejamento da campanha promocional e de comunicação. É quando a agência responsável recebe o briefing, desenvolve o conceito criativo, o tema, o Key Visual (KV) e os layouts que irão conduzir todas as ações publicitárias, promocionais e institucionais do período.

No Jockey Plaza Shopping, esse trabalho é assinado pela TIF Comunicação. Em 2025, a estratégia trouxe um diferencial relevante: pela primeira vez, toda a produção dos materiais audiovisuais da campanha foi realizada com o uso de inteligência artificial. A escolha permitiu ganhos expressivos de eficiência e uma economia significativa em custos tradicionalmente elevados, como equipes de produção, elenco, modelos, maquiagem, figurino, fotografia e captação audiovisual. “O uso da inteligência artificial ampliou nossas possibilidades criativas e estratégicas. Conseguimos manter alto nível estético e conceitual, com mais agilidade e redução de custos de produção, sem perder força de comunicação”, destaca o CEO da TIF Comunicação, Thiago Biazetto.

Paralelamente à criação da campanha, o shopping estrutura as ações promocionais, que também demandam grandes investimentos e planejamento antecipado. No último Natal, a campanha registrou mais de 220 mil cupons depositados ao longo de 61 dias, para concorrer ao sorteio de um carro, distribuiu 15.500 chocotones exclusivos e apresentou resultados expressivos: as vendas totais cresceram 15,5% em relação ao Natal anterior, com ticket médio 24% maior.

Neste ano, a temporada festiva começou em 6 de novembro, com a chegada do Papai Noel e a abertura da decoração interativa “Natal no Haras do Jotapê”, e a campanha promocional “Celebre o Natal no estilo Jockey” iniciou em 13 de novembro. A cada R$ 300 em compras, os clientes recebem um cupom para concorrer a um carro elétrico BYD Song Pro. Já com R$ 800 em compras, ganharam um panetone de chocolate da Biscoitê, esgotado ao fim do estoque em 16 de dezembro. Entre decoração e parque infantil, posto de trocas da promoção, Papai Noel e demais artistas, cenógrafos, monitores e atendentes, a campanha de Natal emprega mais de 100 colaboradores diretos durante o período no shopping.

O planejamento de mídia, considerado o maior do ano para o shopping, é concentrado em cerca de 50 dias. Parte dos espaços de OOH e DOOH da cidade, altamente disputados no período, é reservada com seis a nove meses de antecedência, devido à alta demanda do mercado. Além do impacto comercial, o Natal do Jockey Plaza mantém um forte compromisso social. Como em todos os anos, 100% do lucro arrecadado com as atrações de Natal é destinado à ONG Equocavalaria. No último Natal, o valor doado foi de R$ 65.831,31.

Mais do que uma ação sazonal, o Natal do Jockey Plaza Shopping é um projeto estratégico de longo prazo e está cada ano mais consolidado como referência em shoppings de todo o país por suas grandes campanhas integradas. Os cases de Natal do Jockey foram, por 3 anos consecutivos, finalistas na maior premiação nacional do setor na ABRASCE (Associação Brasileira de Shoppings Centers). Um esforço que transforma o período mais importante do varejo em uma plataforma de experiência, resultados e posicionamento institucional.

Uso de IA acelera fraudes digitais e impulsiona mercado global para mais de US$ 200 bilhões

A cibersegurança está em constante transformação,impulsionada pelo avanço tecnológico e pela evolução das ameaças digitais. Projeções da Future Market Insights indicam que o mercado global de detecção de fraudes deve crescer de US$ 43,4 bilhões em 2025 para US$ 217,8 bilhões em 2035, refletindo a maior sofisticação dos ataques e a forma como as organizações vão enfrentar um cenário ainda mais desafiador. Os hackers irão se aproveitar das novas funcionalidades e vertentes da inteligência artificial para explorar vulnerabilidades em tempo recorde e as identidades digitais serão alvos prioritários.

Segundo Thiago Tanaka, Diretor de Cibersegurança da TIVIT, a segurança digital passou a ser vista como um processo contínuo de adaptação. No entanto, ao analisar a maturidade das empresas, os movimentos do mercado e o comportamento dos atacantes, uma coisa fica clara: 2026 não será apenas mais um ano de evolução, mas sim um ano de aceleração e revisão de abordagens, alerta o executivo. “O que antes avançava de forma incremental agora ganha proporção, escala e impacto muito maiores.”

O executivo conta que o problema afeta não só o segmento de tecnologia, mas todos os setores. O Fórum Econômico Mundial (WEF) já coloca os ciberataques, ano após ano, entre as principais ameaças globais, figurando consistentemente no Top 10 de riscos que podem desestabilizar economias inteiras. As investidas criminosas são um risco sistêmico com poder de interromper cadeias produtivas, comprometer serviços essenciais e desencadear crises reputacionais e financeiras.

É nesse cenário que a TIVIT destaca cinco tendências principais em cibersegurança para 2026, com a Inteligência Artificial no centro dos negócios:

Tipos de ataques que devem dominar o cenário: No próximo ano, ataques tradicionais ganham força graças à IA e à automação, ampliando fraudes comportamentais capazes de imitar com precisão vozes, estilos de comunicação e decisões humanas. Ao mesmo tempo, integrações SaaS e automações invisíveis se tornam portas de entrada silenciosas, enquanto o ransomware evolui para uma ocupação contínua, com invasores permanecendo nos sistemas e extorquindo vítimas em ciclos prolongados.

IA defensiva e ofensiva: A IA torna-se indispensável para detectar comportamentos suspeitos, analisar identidades em tempo real e responder automaticamente a incidentes, mas também cria riscos como dependência excessiva da automação, data poisoning e proliferação de ferramentas sem governança. A defesa passa a exigir tanto velocidade de máquina quanto rigor na supervisão e transparência dos modelos.

O desafio real dos ambientes multicloud: Com múltiplos provedores, aplicações SaaS, dispositivos temporários e agentes automatizados, o controle de identidade se fragmenta e expõe lacunas que tornam 2026 especialmente desafiador. As identidades não humanas, como bots, containers efêmeros e agentes de IA, se tornam o maior ponto cego, interagindo e consumindo dados sem monitoramento adequado.

Cultura e humanos na linha de frente: A segurança passa a depender menos de dispositivos e mais de comportamento humano, com estresse, fadiga, uso inadequado de IA e manipulação emocional ampliando riscos internos. Profissionais precisam unir visão técnica e entendimento arquitetural a sensibilidade sobre pessoas e negócios, comunicando riscos na linguagem do board e navegando ambientes híbridos complexos.

Aposta ousada com IA: Agentes autônomos de IA devem ganhar espaço nos SOCs (Centro de Operações de Cibersegurança), atuando com autonomia parcial para corrigir vulnerabilidades simples, bloquear sessões suspeitas e ajustar políticas antes da intervenção humana. É uma resposta inevitável ao volume de sinais e à escassez de especialistas, representando o próximo salto entre automação tradicional e defesa inteligente.

“A segurança cibernética deixa de ser apenas uma operação para proteção de sistemas, passa a ser estratégia de sobrevivência para as empresas em 2026”, conta Tanaka. “O paradigma mudou e o objetivo deixou de ser “prever tudo”, mas sim de responder, aprender e se adaptar mais rápido do que o adversário. Hoje, ela representa a proteção da confiança, da continuidade e da qualidade da decisão, pilares estratégicos de qualquer organização moderna”, conclui.

Apenas 1 em cada 5 pequenos empresários consegue aplicar o que aprende em mentorias, aponta Sebrae

Embora a capacitação tenha avançado entre pequenos negócios, a prática ainda não acompanha o ritmo do aprendizado. Levantamento do Sebrae mostra que, embora entre 68% e 82% dos empreendedores participem de mentorias, cursos e programas de formação, menos de 20% conseguem aplicar de forma consistente o que aprendem na rotina da empresa. O dado expõe um gargalo estrutural: o conhecimento é adquirido, mas não chega a se transformar em processos, métricas ou mudanças operacionais.

Para especialistas, o cenário evidencia uma disfunção crescente no ecossistema de desenvolvimento empresarial. A oferta de eventos, imersões e mentorias aumenta ano após ano, mas a capacidade dos empresários de transformar orientação em execução permanece limitada. O resultado é um acúmulo de informações sem aderência ao dia a dia  justamente onde os negócios enfrentam suas maiores pressões.

Thiago Oliveira, fundador da Saygo, e especialista em estruturação de empresas, observa esse movimento há anos. Segundo ele, o problema não está na qualidade das mentorias, mas na falta de mecanismos que apoiem o empresário após o aprendizado. “O empreendedor sai energizado da capacitação, mas volta para uma agenda que consome todo o tempo com tarefas operacionais. É nesse choque entre teoria e rotina que a implementação morre”, afirma.

Oliveira explica que a principal dor relatada por donos de pequenos negócios é a dificuldade de criar sistemáticas claras para aplicar novos métodos. “Não falta conhecimento. Falta estrutura para transformar esse conhecimento em hábito organizacional. Sem rotina, o aprendizado se perde em poucos dias”, diz.

A conclusão do Sebrae reforça um diagnóstico já percebido dentro do próprio setor produtivo: o problema não é de acesso à informação, mas de execução. Segundo análises da instituição, boa parte dos empresários participa de formações em gestão, marketing ou finanças, mas não dispõe de ferramentas que ajudem a monitorar tarefas, delegar responsabilidades ou integrar as equipes aos novos processos.

O impacto dessa lacuna aparece nos indicadores de produtividade. Pequenas empresas que não conseguem implementar o que aprendem convivem com retrabalho, baixa previsibilidade financeira e decisões baseadas em urgências e não em planejamento. Pesquisas internas mostram ainda que a sobrecarga operacional é um dos principais fatores que impedem a mudança de comportamento nas organizações, mesmo quando o empreendedor reconhece a necessidade de ajustes.

Para Oliveira, a próxima fronteira do desenvolvimento empresarial está justamente na transição entre o aprendizado e a execução. “A mentoria não pode terminar na sala de aula. Ela precisa continuar dentro da empresa, com acompanhamento, método e tecnologia que ajudem a transformar intenção em ação. Sem isso, continuaremos formando empresários que sabem o que precisa ser feito, mas não conseguem fazer”, conclui.

Magalu apresenta sua primeira turma de trainees em Inteligência Artificial

Após receber mais de 20 000 inscrições e realizar um processo seletivo rigoroso ao longo de dois meses, o Magalu selecionou os 13 profissionais que formarão sua primeira turma de trainee em Inteligência Artificial. Os aprovados contam com formação nos diversos ramos da engenharia, além de matemática e tecnologia. O programa, com início em 2 de fevereiro, está diretamente relacionado ao novo ciclo estratégico da companhia, que terá como um de seus principais pilares o chamado AI commerce – o uso da inteligência artificial, de ponta a ponta, na jornada de compra do consumidor.

“Selecionamos talentos formados nas melhores instituições do país, que passarão por um treinamento intenso e imersivo em LLMs, IA e machine learning, enquanto passam pelas diversas áreas da companhia”, diz Patricia Pugas, diretora executiva de gestão de pessoas do Magalu. “A ideia é que esse time seja um multiplicador do conhecimento e do entusiasmo com as possibilidades da IA em toda a organização.”

Além da vivência prática no dia a dia das diversas áreas de negócio do Magalu, os participantes terão acesso a conteúdos customizados da Alura, parceira do Magalu no desenvolvimento das trilhas de conhecimento em tecnologia. Puderam se candidatar profissionais formados entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025, em cursos de exatas, não necessariamente ligados à tecnologia.

Brasil deve enfrentar o ano mais crítico em ciberataques em 2026; veja as principais fraudes no radar.

Depois de um ano marcado por incidentes de grande escala — incluindo o maior ataque já registrado ao ecossistema financeiro brasileiro — o Brasil entra em 2026 com uma superfície de risco ampliada e ameaças cada vez mais sofisticadas. A avaliação é do Rodolfo Almeida, COO da ViperX, startup de proteção ofensiva do Grupo Dfense, que analisou os principais movimentos do crime digital em 2025 e projetou o que empresas e usuários devem esperar para o próximo ano.

“Em 2025, setores como financeiro, público e áreas intensivas em dados — saúde, educação e varejo — estiveram entre os mais atingidos. O ano foi marcado por ataques à cadeia de suprimentos, engenharia social potencializada por IA e um avanço do ransomware, que cresceu 25% globalmente. Vimos um país que evoluiu tecnicamente, mas ainda reativo e dependente de fornecedores pouco protegidos, hoje a principal porta de entrada para ataques”, afirma Almeida.

A Inteligência Artificial saiu do laboratório e virou arma central do crime digital

Segundo o COO, 2025 marcou o momento em que a IA deixou de ser promessa e se tornou ferramenta de linha de frente para grupos criminosos. A empresa observou três tendências principais:

  1. Engenharia Social Realista — Cerca de 80% dos e-mails de phishing já contam com geração baseada em IA, produzindo textos perfeitos e contextualizados. Deepfakes e clonagem de voz impulsionaram golpes de “chefe falso” e até “sequestros virtuais”, que já motivaram alertas do FBI.
  2. Malware Dinâmico — Ferramentas de IA passaram a gerar malwares que mudam de assinatura a cada execução, burlando defesas tradicionais.
  3. Fraudes em Escala — Apenas em 2025, o FBI registrou mais de US$ 262 milhões roubados em golpes de account takeover, muitos apoiados em sites falsos e comunicações automatizadas por IA.

“O desafio é que a IA ofensiva escala muito mais rápido que a defensiva. Hoje, qualquer criminoso com baixo nível técnico consegue gerar textos, áudios e páginas falsas quase perfeitas. As empresas precisam parar de tratar IA apenas como produtividade e começar a enxergá-la como parte do seu modelo de ameaças”, reforça Almeida.

Principais fraudes previstas para 2026

A projeção é que 2026 seja ainda mais crítico, com intensificação de fraudes financeiras, golpes via PIX e ataques sustentados por IA e falhas de terceiros. Também cresce a preocupação com o avanço da Shadow AI, com empresas adotando modelos internos sem governança clara — ampliando riscos de vazamento e ataques por prompt injection.

O ransomware deve permanecer em patamar elevado, especialmente contra setor público e saúde. E o cenário geopolítico tende a reforçar a mistura entre cibercrime, hacktivismo e espionagem digital, elevando a complexidade das ameaças.

Com isso, a empresa destaca seis fraudes prioritárias no radar para 2026:

  1. Golpes de sequestro virtual e extorsão com IADeepfakes de voz e vídeo simulando parentes ou executivos, combinados a engenharia social em tempo real.
  2. Tomada de conta em massa com IASites falsos, anúncios e comunicações altamente realistas para roubo de credenciais e MFA, mirando bancos e carteiras digitais.
  3. Fraudes de pagamento instantâneo e empréstimosExploração de jornadas digitais e dados vazados para atingir perfis vulneráveis, como idosos e pequenos empreendedores.
  4. Business Email Compromise (BEC) com deepfakeÁudios e vídeos de “CFO/CEO” autorizando pagamentos ou alterando dados bancários de fornecedores.
  5. Identidade sintética e fraude de onboardingCombinação de CPFs vazados, dados de redes sociais e documentos falsificados por IA.
  6. Extorsão com vazamento de dados sensíveisUtilização de vazamentos e deepfakes para pressionar colaboradores-chave.

O que falta para o Brasil sair do reativo e avançar para o preventivo

Após os grandes vazamentos de 2025, o especialista reforça que a tecnologia sozinha não resolve o problema. Para ele, quatro mudanças estruturais são essenciais para evitar que 2026 repita o mesmo ciclo:

  • Governança forte, com patrocínio direto do board.
  • Cultura corporativa de responsabilidade compartilhada entre tecnologia, jurídico, risco e fraude.
  • Regulação mais clara, com fiscalização efetiva sobre fornecedores críticos.
  • Mudança técnica: sair do foco em perímetro e adotar gestão contínua da exposição (CTEM).

“2025 confirmou que o perímetro mais frágil não é o firewall da empresa, é o fornecedor crítico com baixa maturidade. O que ainda falta é o Brasil tratar cibersegurança como infraestrutura crítica de confiança, não como custo de TI. Quando vazamento de dados e fraude digital forem medidos na mesma régua que risco de crédito ou risco operacional, veremos a virada de reativo para preventivo”, conclui.

Com 85% de adoção, IA deixa de ser diferencial e vira base do marketing em 2026

Após anos sendo tratada como diferencial competitivo, a inteligência artificial entra em sua fase estrutural no marketing. Dados do State of AI in Marketing Report 2025, da CoSchedule, mostram que 85% dos profissionais de marketing já utilizam IA e que nove em cada dez planejam ampliar o uso da tecnologia nos próximos três anos — um sinal claro de que a IA deixou de ser experimental e passou a integrar a operação das empresas.

Nesse cenário, 2026 marca o momento em que a IA deixa de atuar como apoio pontual e passa a operar como um verdadeiro “sistema nervoso” do marketing, conectando dados, criação, mídia, mensuração e experiência do consumidor em tempo real. A avaliação é do Bruno Belardo, VP de Vendas da US Media, empresa global especializada em mídia, dados e tecnologia aplicada à performance.

“Em 2026, a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a sustentar decisões, criar, otimizar e personalizar todos os pontos da jornada. Não é mais teste ou piloto: vira operação padrão do marketing”, afirma o executivo.

Segundo Belardo, quatro grandes frentes devem concentrar os principais avanços da IA no marketing no próximo ano:

  • Automação inteligente de criação e mídia

A produção criativa passa a ser orientada por dados em tempo real, com a IA gerando variações de peças, ajustando formatos e mensagens para públicos específicos e redistribuindo investimentos de mídia com base em performance contínua. “A lógica de ‘testar para depois escalar’ perde espaço. A criação já nasce adaptável e otimizada desde o início”, explica.

  • Personalização em escala real

A IA amplia a capacidade das marcas de entregar experiências individualizadas, conectando dados de múltiplas fontes para personalizar desde recomendações até ofertas dinâmicas. “Estamos falando de jornadas que se moldam ao comportamento de cada pessoa, não mais de clusters genéricos”, diz o especialista.

  • Modelagem preditiva e mensuração avançada

Modelos de atribuição, incrementalidade e previsão de demanda tornam-se mais sofisticados, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade dos investimentos. Para Almeida, esse avanço deve mudar a relação entre marketing e finanças. “O marketing passa a operar com mais previsibilidade, deixando de ser visto como centro de custo para assumir, de vez, o papel de motor de crescimento”.

  • Atendimento e CX automatizados, mais sofisticados

Chatbots e assistentes virtuais evoluem para resolver problemas complexos, integrados a CRMs e capazes de apoiar vendas, retenção e relacionamento. “A fronteira entre marketing, atendimento e experiência do cliente praticamente desaparece”, avalia.

Conteúdo gerado por IA: escala, eficiência e novos desafios éticos

Outro eixo central dessa transformação está na geração automática de conteúdos — textos, imagens e vídeos. De acordo com o especialista, os modelos avançam rapidamente em qualidade, contexto e estilo, permitindo que marcas criem peças personalizadas em segundos e automatizem todo o fluxo criativo, do brainstorming a pós-produção.

No entanto, esse avanço traz traz desafios éticos importantes:

  1. Autenticidade e transparência — marcas precisarão deixar claro quando um conteúdo é gerado por IA e garantir que isso não prejudique a confiança do consumidor.
  2. Bias e representatividade — se os modelos forem treinados com dados enviesados, o conteúdo final também será. Isso exige governança e curadoria humana.
  3. Direitos autorais — a fronteira entre inspiração e uso indevido de propriedades intelectuais ficará mais sensível.
  4. Superprodução de conteúdo — com a facilidade, o risco é inundar o consumidor com material irrelevante. A curadoria passa a ser tão importante quanto a criação.

Para Belardo, a vantagem competitiva das marcas não estará apenas no acesso à tecnologia, mas na forma como ela é utilizada. “A IA amplia a capacidade criativa, mas o julgamento humano continua sendo decisivo: escolher o que criar, por que criar e como usar isso de forma responsável”, conclui. 

Pix lidera pagamentos de fim de ano, enquanto moda, alimentos e beleza figuram entre os itens mais comprados

Às vésperas das festas, os brasileiros já definem suas prioridades de consumo. Pesquisa do PiniOn, empresa de pesquisa de mercado especializada em dados competitivos e comportamentais, mostra que moda e acessórios estão no topo das preferências, com 47,7% das menções, seguidos por alimentos e bebidas com 42,4% e produtos de beleza e autocuidado com 29,6%. Em relação ao orçamento, 33,4% dos entrevistados pretendem gastar até 300 reais, 26,5% entre 301 e 600 reais e 12,1% entre 601 e 900 reais.

O estudo indica que as compras devem ocorrer de forma distribuída entre canais. Para 31,1% dos consumidores, a preferência é combinar lojas físicas e online. Outros 29,3% vão priorizar o varejo presencial, enquanto 22,2% planejam concentrar os gastos no ambiente digital. “O consumidor brasileiro está mais pragmático e estratégico. Ele transita entre o físico e o digital buscando conveniência, boas condições comerciais e segurança na decisão, sem abrir mão da experiência”, afirma Talita Castro, antropóloga e CEO do PiniOn.

Na hora de pagar, o Pix se destaca como o método mais usado, citado por 34,2% dos entrevistados, seguido pelo cartão de crédito à vista com 24,4% e pelo crédito parcelado com 19,6%. Quanto ao comportamento financeiro, 36,5% pretendem manter o nível de gastos do ano passado, 26,9% planejam reduzir e 19% pretendem aumentar as despesas. Já em relação à situação econômica, 38,7% dizem estar melhor do que no ano passado e 33,5% afirmam estabilidade.

Ao escolher presentes, 40,7% dos consumidores priorizam a preferência de quem vai receber, enquanto 31,3% consideram a utilidade do item e 31,2% o preço. “As decisões de fim de ano mostram um consumo mais intencional, em que o presente precisa fazer sentido emocionalmente e caber no orçamento. A data continua relevante, mas o brasileiro está mais atento ao impacto das escolhas no médio prazo”, conclui Talita Castro.

Fundado em 2013, o PiniOn é uma empresa de pesquisa de mercado que combina tecnologia e engajamento para entregar soluções de pesquisa ágeis e precisas. Por meio de um aplicativo mobile, a empresa engaja usuários para realizar missões com coleta de dados, pesquisas e testes, gerando informações estratégicas e valiosas para empresas de diferentes segmentos, como Unilever, Heineken e Coca-Cola. Com foco no público B2B, a empresa é reconhecida por transformar dados em decisões inteligentes, conectando o mercado ao seu público-alvo de forma inovadora.