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Laudo do MPF confirma que licenciamento de data center do TikTok no Ceará é irregular e insuficiente 

Uma perícia técnica do Ministério Público Federal (MPF) confirmou as denúncias feitas pelo povo indígena Anacé junto às organizações da sociedade civil: o licenciamento ambiental do mega data center do TikTok, em Caucaia (CE), é tecnicamente inadequado, insuficiente e inadmissível.

O laudo, elaborado pelo Centro Nacional de Perícia do MPF, conclui que o empreendimento — com potência instalada de até 300 MW, consumo de energia superior ao de 99% das cidades brasileiras, e uso diário de cerca de 88 mil litros de água — não poderia ter sido licenciado por meio de Relatório Ambiental Simplificado (RAS). Segundo a perícia, a magnitude do projeto exige Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), audiências públicas e ampla participação social.

A perícia foi determinada no contexto de representações apresentadas ao Ministério Público Federal, incluindo uma iniciativa anterior já constante nos autos e, posteriormente, a manifestação  apresentada por lideranças do povo indígena Anacé, junto às organizações Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), Instituto Terramar, Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin), Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar e Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), que alertaram o MPF para os riscos socioambientais, energéticos, hídricos e territoriais do empreendimento, além das irregularidades no processo de licenciamento conduzido pela Semace.

Entre as falhas apontadas pelo perito estão a ausência de comprovação da viabilidade hídrica do empreendimento, o fracionamento indevido do processo de licenciamento ambiental e a omissão dos impactos cumulativos e sinérgicos das estruturas associadas, como a linha de transmissão de 230 kV, a subestação elétrica, os geradores a diesel e seus sistemas de armazenamento de combustível, o sistema de resfriamento e a estação de tratamento de esgoto. O laudo afirma ainda que a licença foi concedida sem outorga de uso da água, em afronta aos princípios constitucionais da prevenção e da precaução ambiental, bem como o dever de proteção adequada do meio ambiente.

Essas falhas, segundo o próprio MPF, não afetam apenas os territórios diretamente impactados, mas também geram prejuízos ao consumidor brasileiro, ao agravar a escassez hídrica, intensificar a vulnerabilidade climática e pressionar sistemas essenciais como água e energia. Em um cenário de fragilidade hídrica na região, a instalação de um empreendimento altamente intensivo em recursos naturais, sem estudos técnicos adequados, pode ampliar riscos de insegurança alimentar, encarecer serviços essenciais e aprofundar desigualdades no acesso a bens básicos. 

Para o povo Anacé, o processo revela uma lógica histórica de imposição de grandes projetos sobre seus territórios. “Mais uma vez, tentam decidir sobre nossa terra sem nos ouvir. O laudo mostra que o licenciamento é falho, mas o erro começa antes: ninguém perguntou ao nosso povo se esse projeto poderia existir aqui”, afirma o cacique Roberto Itaiçaba, liderança do povo Anacé da Japuara.

As organizações afirmam que, embora o laudo aponte de forma clara os problemas no licenciamento ambiental, ele deixou de tratar de uma falha central: a falta de consulta às comunidades indígenas e tradicionais da região. O atual projeto prevê apenas reuniões comunitárias posteriores à emissão da licença, quando as obras estiverem em andamento, esvaziando completamente o direito à consulta. 

O próprio laudo admite que esse ponto ficou fora da análise, por ter sido atribuído à Assessoria Nacional de Perícia em Antropologia (ANPA). Isso, no entanto, não reduz a gravidade do problema — pelo contrário, mostra que o licenciamento avançou sem respeitar um direito básico dessas comunidades. O Ministério Público Federal reforça esse entendimento ao defender a anulação da licença e a realização da consulta ao povo indígena Anacé antes de qualquer avanço do projeto.

Em síntese, a perícia desmonta a narrativa de que esse é um empreendimento simples ou de baixo impacto. Agora, cabe aos órgãos públicos agir para suspender esse licenciamento e impedir que a expansão da infraestrutura digital no Brasil avance à custa de direitos, água e energia das comunidades.

Quando o WhatsApp domina, o vendedor perde espaço

O uso do WhatsApp como principal canal de vendas se tornou regra no Brasil e, em muitos segmentos, o volume de pedidos feitos pelo aplicativo já supera o do próprio e-commerce, com taxas de conversão até seis vezes maiores, segundo o Chat Commerce Report 2025. De acordo com o levantamento, 95,21% das interações digitais entre marcas e consumidores ocorreram no aplicativo, confirmando sua posição de destaque como vitrine, meio de comunicação e canal de checkout.

Mas essa centralidade, apesar de gerar conveniência imediata, expõe uma fragilidade silenciosa, a de transformar vendedores altamente capacitados em simples tiradores de pedido. E isso ocorre justamente num momento em que as empresas precisam de previsibilidade, dados estratégicos e capacidade de gestão comercial, três pilares que o WhatsApp, por si só, não consegue sustentar. A normalização desse comportamento cria um entendimento distorcido de eficiência, em que acredita-se que mais pedidos via WhatsApp indicam maturidade comercial, no entanto, ocorre o contrário.

Quando o aplicativo se torna o sistema de vendas, e não apenas parte dele, a operação perde profundidade, pois o vendedor deixa de exercer seu papel estratégico — prospectar, negociar, diagnosticar necessidades e construir soluções — para atuar como operador manual de demandas. Essa mudança de função tem consequências diretas, como retrabalho, informações duplicadas, menor tempo dedicado à venda consultiva e perda de visão sobre pipeline e oportunidades.

Isso não é coincidência, com cerca de 3 bilhões de usuários mensais, segundo a Meta, o WhatsApp se consolidou como ferramenta de trabalho para pequenas e médias empresas. E seu uso está profundamente enraizado no comportamento do consumidor: 82% dos brasileiros já se comunicam com marcas pelo aplicativo e 60% afirmam já ter comprado por lá, de acordo com o relatório da Opinion Box. Isso explica por que 70% dos negócios o utilizam como parte das estratégias de marketing, vendas e relacionamento, segundo o Panorama de Marketing e Vendas 2024.

No entanto, a popularização não elimina, ao contrário, amplia o efeito colateral da dependência. Quando toda a operação comercial está concentrada no WhatsApp, a empresa fica vulnerável. Dados estratégicos ficam fragmentados nas conversas individuais dos vendedores. Quando um colaborador se desliga, os históricos, acordos, bases de clientes e informações valiosas simplesmente desaparecem. Além disso, a ausência de métricas claras, rastreabilidade e centralização impede análises consistentes e fragiliza a governança comercial. 

Essa realidade limita a capacidade de prever resultados, executar ações de CRM, modelar comportamento de compra e tomar decisões orientadas por dados, justamente os diferenciais mais necessários no ambiente competitivo atual. Reverter esse cenário exige reposicionar o WhatsApp dentro da jornada comercial. Ele não deve ser o sistema em si, mas o ponto de entrada. Ao transferir pedidos e interações para processos estruturados, portais B2B, catálogos digitais, carrinhos automatizados, integrações de ERP ou fluxos apoiados por inteligência artificial, a empresa recupera o domínio sobre informações, reduz erros e cria padrões operacionais mais escaláveis.

Diante disso, o vendedor deixa de ser um executor de tarefas repetitivas e volta a atuar como especialista comercial, com foco em relacionamento, diagnóstico e expansão da carteira. Quando os pedidos são centralizados e automatizados, sobra tempo para analisar indicadores, construir propostas mais estratégicas e gerar valor real para o cliente. Portanto, a solução não está em abandonar o WhatsApp, mas em recolocá-lo em seu devido papel: um canal de comunicação, não um sistema de venda.

*Rafael Calixto é especialista em vendas B2B, com vasta experiência em modernização de processos comerciais, integração de tecnologia nas vendas, idealizador de soluções com Agentes Inteligentes de Pedidos (AIP) para vendas B2B em escala e CEO da Zydon.

CRM impulsionado por IA é aliado para criar desejo e gerar conversão para as vendas de Natal

Passada a Black Friday, a atenção do varejo se voltou para as compras de Natal. Mais de 70% dos consumidores devem presentear alguém na data, com valor médio de R$ 174, segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil. A previsão é de que as vendas no período movimentem R$ 85 bilhões na economia.

Muitos comerciantes aproveitaram outubro e novembro para seduzir os consumidores, fidelizando também para o Natal. Mas ainda dá tempo para criar desejo e gerar conversão. De uma maneira ou de outra, o CRM – cada vez mais impulsionado por IA – se torna um diferencial competitivo essencial para impulsionar resultados. Ao trabalhar com dados de forma estratégica, as empresas conseguem entender melhor o comportamento do consumidor, criar campanhas personalizadas e converter mais, tanto com novos clientes quanto com a base já existente.

De acordo com o relatório da Pipedrive, States of Sales and Marketing report 2024/2025, 68% dos entrevistados que usam a IA em vendas e marketing encaram a tecnologia como um grande apoio, auxiliando as equipes a melhorar a produtividade e alcançar suas metas.

A seguir, Zahra Jivá, Diretora Global de Estratégias de Vendas e Sean Evers, VP de Vendas na Pipedrive dão dicas para que pequenas e médias empresas aproveitem todo o potencial de vendas do Natal.

1- Faça promoções

A forma mais rápida de alcançar suas metas é vender para clientes existentes, promovendo ofertas especiais de Natal ou Ano Novo. É importante analisar o histórico de compras e ver se os compradores já exploraram tudo o que poderiam da sua empresa. Os clientes atuais são os prospects mais fáceis: confiam em você, já têm cadastro e não precisam passar por onboarding, o que acelera o fechamento.

2- IA como aliada na época de vendas

A IA pode aliviar muito a pressão do período de pico quando é aplicada a processos específicos. Ela funciona especialmente bem para priorizar automaticamente leads por intenção de compra, gerar recomendações personalizadas para consumidores indecisos e ajustar automaticamente o timing de mensagens ou campanhas de retargeting.

A ferramenta também adapta a mensagem conforme a intenção: quem já tem itens no carrinho precisa de um tipo de comunicação totalmente diferente de alguém que ainda está comparando. Isso aumenta bastante as chances de conversão. Por exemplo, a IA identifica quem viu um produto recentemente, mas não comprou, e envia sugestões de lembretes automaticamente.

Por outro lado, a expectativa de que a IA, sozinha, gera receita é exagerada. Sem dados de qualidade, públicos bem definidos e conteúdo criativo, o impacto é limitado. A IA não substitui vendas humanas. Ela as deixa mais eficientes, rápidas e escaláveis.

3- Use os dados a seu favor

Em dezembro, o maior impacto vem das ações ágeis e guiadas por dados. Quem usa dados em tempo real para reagir diretamente à intenção de compra ainda pode conquistar bastante espaço.

As medidas práticas incluem campanhas rápidas nas redes destacando produtos-chave, emails personalizados para quem está indeciso ou lives e stories que respondem a tendências e demandas do momento. Unboxings com influenciadores também funcionam muito bem.

4- Aposte na integração entre CRM e estoque

No fim de ano, não basta saber o que o cliente quer: é fundamental garantir que a empresa consiga entregar. Integrar CRM ao estoque e à operação logística permite prever demanda com maior precisão e planejar campanhas com base no que realmente está disponível ou com maior probabilidade de giro. Essa visão evita frustrações típicas de alta sazonalidade, como atrasos, cancelamentos ou produtos esgotados após ações de marketing.

5- Aproveite o final de dezembro

Existe a percepção de que o trabalho desacelera durante as festas. Alguns chegam a dizer que “nada acontece” entre o Natal e o Ano Novo. Por isso, muitos vendedores acreditam que as vendas de fim de ano são menos prováveis e acabam tirando férias ou reduzindo drasticamente o ritmo.

Isso é um grande erro, pois dezembro, especialmente as últimas duas semanas, pode apresentar as maiores taxas de conversão do ano. Os prospects que ainda estão trabalhando podem estar em ritmo mais leve, o que significa que clientes antes inacessíveis estão mais disponíveis e receptivos a conversar sobre ofertas de fim de ano. Isso é ainda mais verdadeiro quando você está promovendo descontos ou liquidações em todo o site. Por isso, vendedores experientes aproveitam esse momento mais tranquilo para fechar negócios.

6- Não esqueça da estratégia pós-venda

O relacionamento não termina com a compra. O CRM pode transformar o impulso de Natal em vínculo duradouro por meio de ações de pós-venda inteligentes: mensagens de agradecimento personalizadas, ofertas exclusivas de recompra, convites para programas de fidelidade e cupons válidos para janeiro (“boas-vindas ao novo ano”).

Também é possível ativar fluxos automatizados, como pedir avaliação do produto, sugerir acessórios complementares ou enviar conteúdo útil sobre o item adquirido. Essas interações aumentam retenção, estimulam novas compras e podem converter compradores sazonais que só aparecem no Natal em clientes recorrentes ao longo do ano.

7- Celebre a equipe de vendas

Nenhuma estratégia de CRM, Natal ou crescimento funciona sem um time de vendas motivado e o fim de ano é o momento ideal para reconhecer esse esforço. Celebrar a equipe não é apenas um gesto simbólico: aumenta a moral, estimula uma competição saudável, fortalece a cultura interna, ajuda a reter bons profissionais e ainda atrai novos talentos. Esse reconhecimento pode ir além do “vendedor do ano” e premiar diferentes qualidades que fazem a máquina comercial funcionar, como o follow-up mais criativo, o profissional com melhor trabalho em equipe, a maior venda do ano ou as táticas mais inovadoras de fechamento.

Sete práticas essenciais para elevar o atendimento nas empresas a partir de 2026

A experiência do cliente será um dos principais diferenciais competitivos de 2026. O relatório Future of Customer Experience, da PwC, mostra que 73% dos consumidores consideram esse elemento como algo decisivo na escolha por uma marca. 

O estudo Zendesk CX Trends reforça a tendência, apontando que 61% trocam de fornecedor após uma única experiência ruim e 76% não retornam quando falhas se repetem. Mesmo com avanços tecnológicos, a percepção do cliente continua condicionada à qualidade das interações e não apenas ao produto ou serviço adquirido.

Para Hygor Lima, especialista em gestão de processos e fundador da SEC Consulting, o principal desafio para o próximo ano é transformar o atendimento em uma operação previsível e mensurável. “Grande parte das empresas iniciam janeiro com demandas acumuladas e sem diretrizes mínimas de atendimento. Isso gera ruído, retrabalho e insegurança para o cliente, especialmente em setores que operam com alto volume e prazos curtos”, explica. 

O cenário ganha relevância em empresas de serviços, onde grande parte das entregas depende de comunicação clara, acompanhamento ativo e precisão operacional. A pressão aumenta nas viradas de ciclo, período em que organizações lidam com acúmulo de demandas, ajustes de equipe e reorganização de rotinas. 

Segundo ele, a virada do ano deve ser encarada como momento de redefinir padrões, mapear gargalos e estabelecer metas claras para equipes e gestores. 

Hygor reuniu sete ações essenciais para fortalecer o atendimento e construir consistência no relacionamento com o cliente ao longo de 2026.

  1. Definir o tempo máximo de primeira respostaPrazos claros reduzem a percepção de abandono e elevam a confiança. A definição do tempo inicial de resposta deve ser documentada e de conhecimento de todo o time.
  2. Padronizar respostas e fluxos internosA falta de padrões gera divergências de orientação e erros facilmente evitáveis. O mapeamento de etapas e a definição de responsáveis reduzem variações e aumentam a clareza operacional.
  3. Centralizar o histórico de todas as interaçõesRegistros completos evitam repetição de perguntas, aceleram soluções e fortalecem a imagem da empresa. “Sem histórico organizado, o cliente percebe descontinuidade”, afirma Hygor.
  4. Estabelecer critérios de priorizaçãoClassificar demandas por urgência, impacto e prazos legais evita que tudo seja tratado como emergencial. Esse critério reduz a sobrecarga e direciona melhor a equipe.
  5. Implementar checklists operacionaisChecklists evitam esquecimentos e garantem que etapas críticas sejam cumpridas. De acordo com Hygor, operações que adotam listas de verificação têm queda significativa em retrabalho.
  6. Monitorar indicadores de eficiência e satisfaçãoTempo de resposta, reincidência de chamados e nível de satisfação são métricas fundamentais para ajustes. “Decisões sem dados aumentam o risco de erro”, aponta o especialista.
  7. Treinar equipes com base em rotinas clarasTreinamentos periódicos fortalecem a cultura interna e asseguram alinhamento entre setores. A recomendação é manter revisões constantes e reforço das práticas documentadas.

Para o especialista da SEC Consulting, 2026 deve marcar a diferença entre empresas estruturadas e organizações que ainda operam de modo improvisado. “Atendimento é processo, não improviso. Quem estabelece padrões e monitora desempenho entra no novo ciclo com vantagem competitiva real”, conclui.

59% dos consumidores já experimentaram IA agêntica, revela pesquisa global da Criteo  

A Inteligência Artificial (IA) já se integrou silenciosamente ao cotidiano do consumidor, transformando como as pessoas descobrem, comparam e escolhem produtos. E isso inclui o uso de agentes de IA. Em todo o mundo, 59% dos compradores já tiveram alguma experiência com assistentes de compras agênticos e 29% os utilizam regularmente. Os dados fazem parte do levantamento Consumer Sentiment Index (CSI), conduzido pela Criteo, plataforma global que conecta o ecossistema de comércio.

O relatório ouviu mais de 10 mil consumidores em todo o mundo e revelou os hábitos em torno do uso de IA. Aqui estão os principais destaques:

1- IA agêntica é bem percebida pelos entrevistados 

A tecnologia agêntica que permite à IA agir de forma autônoma em nome do consumidor já está no radar de 66% dos entrevistados. Sendo que, em todo mundo, 59% deles já tiveram alguma experiência com eles e 29% os utiliza regularmente.

A pesquisa mostrou que mais da metade (56%) dos consumidores se sentiria mais confortável em ter um assistente de compras agêntico ajudando a identificar os melhores preços disponíveis para um determinado produto. Isso é seguido de perto por encontrar o produto certo a partir de uma descrição (49%).

2- IA como ferramenta de eficiência e economia 

Os agentes de compra alimentados por IA estão sendo percebidos como aliados reais no processo de compra. A sensação de ganho prático é clara: 62% dos consumidores acreditam que essas tecnologias ajudam a economizar tempo ou dinheiro ao comprar, dois dos principais motores de decisão no varejo digital. Essa percepção indica que a IA deixou de ser vista apenas como suporte conversacional e passou a desempenhar um papel ativo na tomada de decisão, filtrando opções, reduzindo etapas e oferecendo caminhos mais curtos até o produto ideal.

3- Chatbots com IA são copilotos na jornada de compras  

Mais de 60% dos consumidores considera os chatbots com IA úteis ao fazer compras online (62%) e se sente confortável com a IA personalizando sua experiência (56%). Cerca de metade recebe bem e confia nas recomendações de produtos feitas por IA (51% e 50%, respectivamente), consolidando assim, a IA como copiloto na decisão de compra.

4- Consumidores estão divididos sobre como pesquisam online 

Quando o assunto é como navegar pelo universo de compras online, os consumidores estão longe de adotar um único caminho. Os dados mostram um cenário fragmentado: 31% dos compradores globais já preferem utilizar um assistente de compras com IA independente. Ao mesmo tempo, 32% afirmam não ter preferência.

Por outro lado, existe um grupo que mantém hábitos tradicionais: 19% preferem realizar a busca manualmente, destacando a relevância do controle direto sobre cada etapa da pesquisa. Já 17% optam por assistentes integrados aos sites ou aplicativos dos varejistas, indicando que ainda há espaço e expectativa para soluções nativas que otimizem a experiência dentro dos próprios ambientes de compra.

5- ChatGPT é útil para comparar produtos 

Globalmente, as ferramentas de IA são vistas como úteis para comparar produtos (44%) e esclarecer dúvidas específicas (41%), etapas que costumam consumir tempo e gerar indecisão.

Nesse contexto, o ChatGPT se destaca como a solução preferida, com 57% dos entrevistados afirmando que a plataforma é útil para buscar um produto específico, indicando que os compradores já recorrem à IA não apenas para suporte, mas como ponto de partida estratégico na descoberta e avaliação de opções.

6- Consumidores estão abertos a sugestões de IA patrocinadas 

Embora os consumidores estejam cada vez mais abertos a receber recomendações de produtos feitas por IA, essa aceitação vem acompanhada de uma expectativa clara de transparência. Globalmente, 52% afirmam que considerariam um produto indicado por um assistente de compras com IA desde que a recomendação patrocinada esteja claramente identificada, mostrando que a confiança não depende apenas da tecnologia, mas da forma como ela se apresenta.

“Os dados do Consumer Sentiment Index (CSI) conduzido pela Criteo, mostram que os consumidores já enxergam a inteligência artificial como uma aliada estratégica na hora das compras. Seja para buscar, comparar opções, tirar dúvidas ou receber recomendações, a IA está reduzindo fricções e ampliando a confiança ao longo da jornada. À medida que essas tecnologias evoluem, vemos uma experiência de compra cada vez mais personalizada e eficiente”, comenta Tiago Cardoso, Diretor Geral da Criteo para a América Latina.

Atrasos nas entregas de fim de ano: 7 dicas para garantir uma experiência positiva no frete

Se você vende online, já sabe como é: chega fim de ano e tudo muda. As vendas da Black Friday ganham força, o Natal dispara os pedidos e, de repente, o volume de envios da sua loja cresce mais rápido do que você imaginava. E aí, mesmo quando você faz tudo certinho, começam a aparecer os atrasos das transportadoras, encomendas paradas no rastreio e clientes mandando mensagem querendo saber “mas já saiu para entrega?”

Ainda que os atrasos façam parte dessa época do ano, especialistas afirmam que é possível proteger a experiência do cliente com ações simples e estratégicas. Para Fernanda Clarkson, cofundadora e CMO da SuperFrete, plataforma que conecta empreendedores às melhores opções de frete e transportadoras, a alta temporada exige mais do que operação, exige gestão de expectativa. “Fim de ano não é apenas um pico de vendas. É também um teste de confiança. Quem compra está mais ansioso, com expectativas altas e pouca tolerância para falhas. Nesses momentos, contar com parceiros logísticos estruturados faz toda a diferença para atravessar a temporada sem comprometer a reputação do negócio ”, afirma.

E é exatamente por isso que, antes que a temporada fique ainda mais intensa, vale se preparar. Aqui vão 7 dicas práticas para passar o período de vendas de fim do ano com mais tranquilidade.

1. Diversifique suas alternativas de frete

A dependência de uma única transportadora aumenta o risco em períodos críticos. Quando uma operação enfrenta lentidão, todo o fluxo da loja é impactado.

Clarkson reforça: “O lojista precisa encarar frete como estratégia. Ter acesso a diferentes transportadoras permite escolher a melhor opção para cada envio e reduz a dependência de um único operador, especialmente em momentos de instabilidade.”

Plataformas que centralizam diferentes opções facilitam esse processo – ao evitar que você enfrente fila e garantir fluxo de envio prioritário junto às transportadoras – e permitem escolher a melhor modalidade para cada caso, especialmente quando há instabilidade no setor.

2. Monitore o rastreamento de todos os pedidos

Acompanhar o status das encomendas é essencial para identificar rapidamente um atraso ou movimentação fora do padrão. Quando o lojista entende antes do cliente que algo está errado, ele consegue agir preventivamente, avisar e orientar o comprador.

“O acompanhamento ativo do rastreio permite agir antes do problema escalar. Ter essa visibilidade centralizada em um aplicativo facilita muito a rotina do empreendedor. Esse acompanhamento contínuo evita surpresas e ajuda a manter o consumidor informado, reforçando a percepção de cuidado e profissionalismo.”, destaca Clarkson.

3. Seja transparente e mantenha seu cliente informado

No e-commerce, silêncio vira ansiedade. Transparência é uma das principais formas de blindar a reputação da loja diante de imprevistos. Se o rastreamento acusa lentidão ou mudança de rota, o ideal é avisar o cliente antes que ele pergunte.

“Quando a comunicação é proativa, o impacto emocional do atraso diminui muito. O cliente percebe que existe alguém do outro lado acompanhando seu pedido e cuidando da experiência”, afirma Clarkson.

4. Reforce seu atendimento ao cliente

Com o aumento do volume de pedidos, cresce também o número de dúvidas, solicitações e reclamações. Por isso, é essencial ampliar a atenção aos canais de atendimento.

A orientação é responder com clareza e agilidade, demonstrar empatia e oferecer alternativas sempre que necessário. Um bom atendimento pode transformar uma situação de insatisfação em fidelização.

5. Agilize o despacho das encomendas

Em períodos de instabilidade logística, cada minuto conta. Deixar pacotes acumulados para enviar depois pode custar dias de atraso ao cliente.

Entre as boas práticas recomendadas estão preparar os pedidos com antecedência, organizar estoque, estabelecer metas diárias de despacho e priorizar encomendas mais urgentes. Quanto mais rápido a mercadoria entrar no fluxo das transportadoras, maiores as chances de cumprir o prazo.

6. Fortaleça suas estratégias de pós-venda

A relação com o cliente não termina quando o produto é enviado. Em épocas de maior instabilidade, o pós-venda se transforma em uma peça-chave para manter a fidelidade.

Ações como oferecer cupons de desconto, enviar mensagens personalizadas após a entrega e garantir suporte contínuo ajudam a reverter experiências negativas e preservar a percepção de valor da marca.

7. Encare a experiência do cliente como um conjunto, não como um momento isolado

A entrega é apenas uma das etapas da jornada de compra. E até mesmo um atraso pode se tornar uma oportunidade de fortalecer o vínculo com o consumidor, desde que o lojista conduza a situação com transparência, atenção e postura ativa.

“Um imprevisto não define a reputação do vendedor. O que define é a resposta. Empreendedores que contam com a SuperFrete como parceiro logístico conseguem oferecer prioridade no fluxo, mais opções de envio e um acompanhamento próximo  e isso impacta diretamente a confiança do cliente”, conclui Clarkson.”, afirma Clarkson.

O fim da fricção: como o Consumidor atual está forçando o e-commerce a ser invisível

A próxima grande revolução do varejo digital não será vista, e esse é justamente o ponto. Nos últimos anos, o e-commerce evoluiu em velocidade exponencial, impulsionado pela personalização, omnicanalidade e conveniência. Mas estamos entrando em uma fase ainda mais profunda, impulsionada não pela tecnologia, mas pelo comportamento. O surgimento do Consumidor exigente, que não aceita mais qualquer tipo de atrito. Para esse consumidor, comprar não pode ser um processo, é uma consequência natural do contexto.

É nesse cenário que o conceito de Invisible Commerce, debatido na NRF deste ano, ganhou força. Ele parte de uma premissa simples de que a experiência de compra deve desaparecer. Isso significa que elementos como pagamento, carrinho, autenticação, recomendação, logística e pós-venda deixam de ser etapas e se tornam eventos automáticos, integrados e silenciosos. O checkout autônomo resume bem essa lógica. O consumidor entra, pega o produto e sai. Não há fila, cartão, senha ou interação humana, a compra se conclui sem que ele perceba.

Esse mesmo princípio está se espalhando para todos os pontos do funil. Pagamentos invisíveis, baseados em identidade digital e tokenização, tornam o ato de pagar quase imperceptível. Processos antes dependentes de cookies agora são substituídos por autenticação contínua, permitindo compras em um clique, mas sem o clique. E a logística avança na mesma direção, com entregas cada vez mais preditivas, rotas otimizadas automaticamente e reabastecimentos antecipados. Não se trata mais de melhorar a experiência e sim de eliminá-la enquanto fricção.

A inteligência artificial é o motor silencioso dessa mudança. A IA generativa reduz atrito logo na descoberta, substituindo a busca por recomendações contextuais que entendem a intenção antes mesmo de o consumidor expressá-la. Assistentes conversacionais assumem dúvidas, orientam escolhas e simplificam decisões. A IA preditiva conecta consumo, estoque e transporte, criando uma jornada contínua, sem pausas e sem etapas manuais. É ela quem torna possível o que já aconteceu em outras indústrias, como música e mobilidade: o usuário simplesmente usa, sem pensar no serviço por trás.

Naturalmente, o Brasil enfrenta desafios particulares para chegar plenamente a esse modelo. A herança de sistemas fragmentados ainda dificulta integrações profundas; os meios de pagamento seguem complexos, misturando Pix, parcelamentos e antifraude; a logística nacional, marcada por custos elevados e regiões de baixa densidade, adiciona barreiras; e a regulação de dados ainda evolui para permitir experiências verdadeiramente contínuas. Em outras palavras, já temos consumidores que estão preparados e exigindo um novo grau de experiência e fluidez, mas ainda caminhamos para ter um ecossistema que entregue essas expectativas.

O e-commerce não vai desaparecer, mas a fricção vai. O futuro das compras será cada vez mais invisível, automatizado e integrado, e essa mudança beneficiará tanto consumidores quanto operações que conseguirem se adaptar. As empresas que prosperarem serão aquelas que entendem profundamente o comportamento do cliente, conectam dados, logística e pagamento em uma única estrutura e usam IA para antecipar necessidades em vez de responder a elas.

A melhor experiência de compra será a que ninguém percebe. E, para o Consumidor atual com alto grau de exigência, isso não é um luxo, é uma expectativa.

*Rodrigo Brandão é Gerente de Marketing da Espaço Smart, primeira loja de casas do Brasil

TRY inaugura novo modelo de e-commerce e promete redefinir o futuro da moda online

Comprar moda pela internet é, há décadas, uma aposta na intuição. Apesar dos avanços em fotos, vídeos e ferramentas de IA que simulam o caimento das peças, o setor, que movimentou mais de R$ 40 bilhões no Brasil em 2024 e cresce mais de 20% ao ano, segundo dados da eBit/Nielsen, ainda amarga índices de devolução que atingem 35%, principalmente pela frustração de receber algo diferente do esperado, seja no tamanho, caimento ou percepção do produto.

Esse desafio, que gera outros bilhões de reais com abandono de compras por insegurança, motivou o nascimento da TRY, startup criada para romper esse ciclo com uma solução que elimina as incertezas das compras digitais.

Com um modelo inédito, o marketplace permite que o consumidor receba em casa as peças desejadas, experimente livremente por 48 horas e só pague pelo que decidir ficar. O restante é recolhido no mesmo endereço, sem custo adicional. O sistema elimina a fricção entre o desejo e a decisão, resgatando um elemento essencial ao consumo de moda: a experiência.

A plataforma reúne uma curadoria de lojas que transita entre o autoral e o consagrado: nomes como Gloria Coelho, Sarah Chofakian, Sophia Hegg, Zeferino, Neriage, Wasabi e Amapô já estão entre os parceiros. Os produtos mantêm os mesmos preços praticados pelas lojas em seus canais próprios de venda, reforçando a transparência da proposta.

O sistema conta com duas modalidades de entrega: local, com entrega em até 3 horas quando o cliente está dentro de um raio específico da loja escolhida, e padrão, com prazo tradicional de envio. Em ambas as modalidades, o frete será gratuito no lançamento da plataforma. 

A TRY amplia o acesso dos consumidores a marcas que antes eram inacessíveis e redefine o padrão de conveniência no e-commerce de moda. Agora, qualquer pessoa pode ter acesso a essa experiência sem precisar de histórico prévio com as lojas ou marcas parceiras.

Uma parte significativa das marcas de moda já oferece esse tipo de serviço, mas de forma amadora e restrita a clientes com quem já têm relacionamento, o que reforça o quanto ele é desejado e necessário. A diferença é que, com a TRY, o modelo ganha escala e se torna digital: os parceiros oferecem a experiência de experimentação para uma base de usuários cada vez maior. Além disso, a plataforma cuida de todo o processo — da logística ao pagamento — e se responsabiliza pelos produtos enquanto estão em trânsito, garantindo total segurança.

O modelo também permite que os parceiros repensem seus investimentos em lojas físicas, ao levar a experiência do provador diretamente para a casa do consumidor.

Em breve, a TRY ampliará seu impacto ao impulsionar o universo da moda circular, que cresce três vezes mais rápido que o mercado tradicional, segundo relatório da BCG. Ao permitir que o consumidor experimente antes de comprar, a plataforma elimina uma das principais barreiras desse segmento: a incerteza quanto ao caimento e ao real estado de conservação de peças únicas.

Dados preliminares indicam que o serviço tem potencial de reduzir as devoluções em até 80%, aumentar o ticket médio em cerca de 30% e dobrar a recompra, alcançando uma taxa de conversão até cinco vezes superior à média do e-commerce tradicional.

“A TRY quebra o paradoxo do e-commerce de moda: criamos o primeiro marketplace com infraestrutura digital que proporciona a experiência real da experimentação. A plataforma elimina a insegurança do consumidor e escala as vendas dos parceiros com total segurança”, afirma Roberto Djian, fundador e CEO da TRY.

A empresa realizou uma rodada pré-seed e avalia um novo aporte para impulsionar o próximo ciclo de crescimento, acompanhando a expansão do marketplace e o avanço das novas frentes de negócio. Os participantes e valores não foram divulgados.

Mais do que um marketplace, a TRY representa a nova base tecnológica para o varejo de moda digital, abrindo um novo canal de vendas para marcas, fabricantes, lojas, e-commerces e outras operações do segmento. A plataforma é impulsionada por inteligência artificial aplicada a múltiplas frentes do negócio, elevando o nível de eficiência, personalização e integração de todo o ecossistema.

Com lançamento previsto para novembro, em versão beta, o site da TRY estará disponível em usetry.com.br, seguido pelo aplicativo. As operações terão início pelas regiões Sul e Sudeste, com expansão em breve para outras regiões. 

A TRY nasce com a ambição de redefinir o futuro da moda online, unindo tecnologia, sustentabilidade operacional e experiência humana em um mesmo ecossistema. A iniciativa pode reposicionar o Brasil na vanguarda da inovação em e-commerce no principal segmento de bens de consumo do mundo.

Yalo transacionou mais de R$ 30 milhões em 7 dias via WhatsApp na última Black Friday no Brasil

A Yalo, plataforma inteligente de vendas com agentes de Inteligência Artificial, registrou no Brasil, em apenas 7 dias, mais de R$ 30 milhões em volume total de vendas transacionadas via WhatsApp no período da Black Friday.  

O valor corresponde exclusivamente às transações realizadas dentro da plataforma da Yalo, envolvendo campanhas personalizadas e potencializadas por inteligência artificial, conduzidas por grandes marcas da indústria e do varejo, que utilizam a tecnologia conversacional da empresa para escalar suas operações de vendas. Atualmente, a companhia atende marcas como Nestlé, Coca-Cola Femsa, Kellanova, Colgate, Mondelez e The Magnum Company, além de distribuidores e indústrias regionais. 

O resultado consolida o WhatsApp como um dos principais canais de vendas do varejo brasileiro e reforça a força do comércio conversacional impulsionado por IA, modelo em que a Yalo já é referência global, conectando indústrias, distribuidores e varejistas por meio de agentes inteligentes. 

“Esse resultado mostra, na prática, como a IA aplicada às jornadas conversacionais deixou de ser tendência para se tornar motor real de receita. A Black Friday de 2025 foi um marco de maturidade para esse modelo no Brasil e do que está por vir em 2026”, afirma Tiago Maldaner, Gerente de Customer Success Brasil da Yalo. 

Segundo a empresa, o desempenho registrado neste período reflete ainda um avanço importante na estratégia adotada para a Black Friday de 2025, com maior uso de agentes de IA para: automação ativa de vendas; personalização de ofertas em escala; inteligência preditiva de reposição; e atuação proativa junto ao varejo. 

Agentes de IA devem assumir compras online até 2026 e inauguram nova fase do consumo digital

A Mastercard iniciará, até o começo de 2026, a implementação de um sistema de pagamentos no qual agentes de inteligência artificial poderão realizar compras em nome do usuário, utilizando tokens criptografados no lugar dos dados reais do cartão. A solução, que começa a ser liberada na América Latina, funciona por meio de limites, regras e permissões programadas pelo consumidor, permitindo que apenas agentes verificados concluam transações.

O anúncio ocorre em um momento de aceleração da automação financeira. A consultoria Bain & Company projeta que o mercado global de Embedded Finance deve superar US$ 7,2 trilhões até 2030, impulsionado pela integração de serviços bancários em plataformas não financeiras. Já a Gartner estima que, até 2026, mais de 20% das empresas globais utilizarão formas de IA autônoma em processos operacionais.

A avaliação é de Luis Molla Veloso, especialista em Embedded Finance e integração de serviços financeiros em plataformas digitais. Ele afirma que a chegada de agentes autônomos aos meios de pagamento inaugura um ciclo de consumo em que as decisões de compra poderão ocorrer de forma contínua e programada. “É uma mudança estrutural: o usuário não apenas autoriza, ele delega. A combinação entre IA autônoma, tokenização e limites programáveis cria um ambiente em que a compra acontece no momento mais vantajoso, dentro dos parâmetros definidos”, diz.

Como funcionará o novo modelo

O consumidor cadastra o cartão no sistema e determina um conjunto de regras: valor máximo por transação, frequência, categorias permitidas, lista de agentes autorizados e limites semanais. Os dados do cartão deixam de ser compartilhados e são substituídos por tokens exclusivos e criptografados. Apenas software certificado poderá realizar transações.

Segundo a Mastercard, o modelo permitirá agendamento inteligente, reposição automática de produtos e compras realizadas por agentes que monitorem preços e condições. Para Luis, o sistema tende a se integrar rapidamente ao varejo, especialmente em categorias de consumo recorrente, como supermercado, assinaturas digitais e utilidades.

Impacto sobre o consumidor

A novidade diminui fricção, reduz exposição de dados sensíveis e automatiza rotinas de compras, mas também aumenta a dependência da precisão das configurações feitas pelo usuário. “É seguro, mas exige atenção. O equilíbrio entre conveniência e supervisão será determinante para evitar compras fora do planejado”, afirma Luis.

O que muda para as empresas

Para o mercado, a adoção de agentes de IA traz uma combinação de oportunidades e desafios. Varejistas, fintechs, bancos e marketplaces precisarão adaptar infraestrutura, processos e estratégias de retenção para atuar em um ambiente de compras altamente automatizado. 

Entre os ganhos esperados estão a maior previsibilidade de demanda   já que compras programadas reduzem sazonalidade, carrinhos abandonados e rupturas e a ampliação da conversão, com transações automatizadas aumentando recorrência e diminuindo barreiras de decisão. Empresas com APIs integradas, checkouts compatíveis e fluxos tokenizados tendem a construir uma relação mais profunda com o cliente, enquanto a tokenização reduz o risco de fraudes ao eliminar o uso direto de dados do cartão.

Luis observa que esse movimento exige uma revisão completa da estratégia de experiência do usuário. “Quando a compra passa a ser delegada, o papel do varejista muda. A decisão não ocorre mais apenas na vitrine; ela ocorre no back-end, dentro do sistema de IA. Quem não se preparar para integrar APIs ou oferecer dados estruturados pode perder relevância nesse novo ciclo”, afirma.

Apesar das vantagens, o modelo traz pontos de atenção importantes. A dependência de sistemas autônomos para decisões de compra exige transparência e rastreabilidade; empresas precisam reconhecer padrões de compras automáticas sem recorrer a comunicações invasivas; e novas dinâmicas de estorno e atendimento deverão ser criadas para lidar com transações feitas por agentes. Além disso, o setor terá de enfrentar uma pressão maior por preços dinâmicos, em um ambiente em que a disputa passa a ocorrer também entre algoritmos, não apenas entre estratégias de marketing.

Como empresas devem se preparar

Especialistas indicam que o setor privado deve iniciar uma preparação técnica e estratégica antes da chegada plena da funcionalidade em 2026. Segundo Luis, três frentes são fundamentais:

  1. Infraestrutura de APIs e tokenizaçãoEmpresas precisam garantir que seus checkouts, sistemas de pagamento e camadas antifraude aceitem tokens, não dados de cartão. “Quem ainda opera com integrações antigas terá dificuldade”, alerta.
  2. Dados estruturados e catálogo padronizadoAgentes de IA tomam decisões com base em dados claros. Descrições inconsistentes, preços mal atualizados e catálogos desorganizados podem tirar um varejista da recomendação automática.
  3. Estratégia de recorrência e retençãoProgramas de recompra, descontos com base em frequência e modelos de assinatura terão peso maior, porque conversam diretamente com a lógica dos agentes autônomos.

Luis destaca que as empresas que se adaptarem primeiro podem capturar ganhos expressivos. “Estamos entrando em um varejo orientado por sistemas, não por comportamento imediato. Quem estiver pronto para oferecer informação clara, integração e preços competitivos será o fornecedor preferencial dos agentes”, avalia.

Riscos e cuidados

A automação também impõe desafios regulatórios e riscos comportamentais para consumidores e empresas. Do lado do usuário, permissões excessivamente amplas podem levar a gastos não intencionais, especialmente quando notificações não estão ativadas ou quando os limites programados deixam de ser revisados. Para as empresas, há o risco de dependência elevada de algoritmos externos, o que pode ampliar disputas por compras não reconhecidas e exigir a criação de modelos sólidos de governança para o uso de IA em ambientes de consumo.

Luis reforça que o modelo só será sustentável se houver equilíbrio entre eficiência e responsabilidade. “A inovação avança rápido, mas precisa vir acompanhada de transparência, supervisão e mecanismos de reversão. Agentes autônomos podem transformar o varejo, desde que operem dentro de limites claros”, conclui.