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Veja os principais movimentos que devem orientar a gestão financeira do varejo em 2026

Em 2026, a gestão financeira do varejo brasileiro passa a operar em um cenário de maior complexidade e maturidade digital. Tecnologias que antes eram consideradas diferenciais — como pagamentos digitais integrados e inteligência artificial — tornam-se parte da rotina operacional, enquanto a transição da Reforma Tributária começa a gerar efeitos práticos sobre preços, contratos e fluxo de caixa. Nesse contexto, eficiência financeira e controle passam a ser fatores centrais de competitividade.

“O varejo entra em 2026 pressionado por margens mais apertadas e maior exigência de controle. A tecnologia deixa de ser apoio e passa a ser parte estrutural da gestão financeira”, comenta Reginaldo Stocco, CEO da vhsys, empresa de tecnologia especializada em soluções de gestão empresarial online.

Os pagamentos digitais, já amplamente adotados, entram em 2026 em uma fase de consolidação operacional. Pix, pagamentos por aproximação (NFC) e carteiras digitais passam a concentrar a maior parte das transações no varejo físico e online, exigindo dos lojistas integração total com sistemas de gestão financeira. A centralização de recebíveis, conciliações automáticas e controle de taxas torna-se essencial para preservar margens e evitar perdas no volume de transações.

A inteligência artificial (IA), por sua vez, deixa de ser aplicada apenas de forma analítica e passa a apoiar decisões financeiras do dia a dia. Em 2026, ferramentas baseadas em IA são utilizadas para prever demandas com maior precisão, ajustar níveis de estoque, apoiar políticas de preço e identificar desvios financeiros em tempo real. “O uso prático da IA contribui para reduzir desperdícios, melhorar margens e dar mais previsibilidade ao caixa, além de apoiar a prevenção a fraudes”, destaca Reginaldo.

Com o avanço da Reforma Tributária, 2026 marca o início do período de adaptação prática às novas regras, com impactos diretos sobre a gestão financeira. A convivência entre modelos tributários e a necessidade de simulações, ajustes de preços e revisão de processos fiscais exigem sistemas de gestão mais preparados. ERPs e soluções automatizadas passam a ser fundamentais para reduzir erros, garantir conformidade e dar visibilidade sobre os efeitos da tributação no resultado do negócio.

A expansão do varejo omnichannel segue pressionando a gestão financeira em 2026. A integração entre vendas online e offline exige controle mais rigoroso de fluxo de caixa, conciliação de recebimentos e alocação de recursos. Empresas que não conseguem consolidar essas informações enfrentam dificuldades para reagir rapidamente a mudanças de demanda e custos operacionais.

Por fim, a educação financeira do consumidor ganha relevância em um ambiente com múltiplas formas de pagamento, crédito digital e parcelamentos instantâneos. Em 2026, varejistas que oferecem mais transparência, orientação e ferramentas de controle financeiro tendem a fortalecer a relação com o cliente. “Ajudar o consumidor a entender melhor suas escolhas financeiras também contribui para reduzir inadimplência e aumentar a fidelização”, finaliza o CEO.

Vídeo Commerce Boom: A Morte da Página Estática e a Ascensão da “Loja de Mídia”

1. Introdução: O Fim da Era do Catálogo de Papel Digitalizado

Desde o nascimento do comércio eletrônico nos anos 90, a estrutura fundamental da venda online permaneceu surpreendentemente estática. A metáfora visual utilizada pela Amazon, eBay e pioneiros do setor foi a do “catálogo de papel”: uma grade de fotos estáticas, um título, um preço e um bloco de texto descritivo. Durante 25 anos, a única grande mudança foi a resolução das fotos.

Agora, estamos testemunhando uma ruptura tectônica. O Vídeo Commerce Boom não é apenas uma tendência de marketing; é uma redefinição da interface do usuário (UI) e da experiência do usuário (UX). Impulsionado pela mudança comportamental enraizada pelo TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts, o consumidor moderno desenvolveu uma aversão à leitura e uma preferência cognitiva por informações visuais dinâmicas.

Definição Técnica:

O Vídeo Commerce (ou Shoppable Video) é a integração de conteúdo audiovisual curto, vertical e interativo diretamente na jornada de compra do e-commerce — seja na Home Page, na Página de Detalhes do Produto (PDP) ou no Checkout. Diferente da publicidade em vídeo (que interrompe o consumo), o Vídeo Commerce é o conteúdo de consumo, projetado para educar, demonstrar e converter em segundos, permitindo a compra sem sair do player.

Neste novo paradigma, a foto estática deixa de ser o protagonista para se tornar um suporte secundário. A loja online deixa de ser um armazém de dados para se tornar uma plataforma de entretenimento utilitário.

2. O Contexto Comportamental: A “TikTokização” da Atenção

Para entender por que as páginas de produtos estáticas estão morrendo, precisamos analisar a neurociência do consumidor atual.

2.1. O Cérebro Dopaminérgico

Plataformas de vídeos curtos treinaram o cérebro humano para esperar gratificação instantânea e informação densa. Um vídeo de 15 segundos consegue transmitir textura, caimento, escala, modo de uso e validação social. Uma foto exige que o cérebro “imagine” esses atributos. Em um cenário de economia da atenção, o vídeo vence por reduzir a carga cognitiva.

2.2. A Expectativa de Movimento

A Geração Z e a Geração Alpha, que já representam uma fatia significativa do poder de compra (e ditarão o mercado em 2026), navegam na internet através de feeds verticais infinitos. Para eles, uma imagem estática parece “quebrada” ou incompleta. Eles tentam arrastar para cima esperando ver o próximo ângulo ou a peça em movimento. Sites que não oferecem essa experiência parecem obsoletos e menos confiáveis.

2.3. Mobile-First de Verdade

Embora o e-commerce fale em “Mobile-First” há anos, a maioria das páginas de produto ainda são versões encolhidas do desktop. O Vídeo Commerce (vertical, tela cheia) é nativo do mobile. Ele usa 100% dos pixels da tela do smartphone, criando uma experiência imersiva que a rolagem de texto jamais conseguirá replicar.

3. Anatomia do Vídeo Commerce na Prática

O Vídeo Commerce não é monolítico. Ele se manifesta em três formatos principais dentro da arquitetura de um e-commerce moderno:

3.1. O Carrossel de Mídia da PDP (Product Detail Page)

A mudança mais imediata. Onde antes havia 5 fotos de um tênis, agora o primeiro ou segundo “slot” é um vídeo de 10 segundos.

  • O Conteúdo: Um modelo calçando o tênis, dando alguns passos, dobrando a sola para mostrar flexibilidade e um close na textura do tecido.
  • O Resultado: Aumenta o tempo de permanência na página (Time on Page) e reduz a taxa de devolução, pois o cliente tem uma noção mais realista do produto.

3.2. O “Shoppable Video Feed” (O TikTok da Marca)

Grandes varejistas (como Shein, Shopee e a Amazon com seu feed “Inspire”) criaram abas em seus apps que imitam a interface do TikTok.

  • A Mecânica: O usuário rola por vídeos de influenciadores ou da própria marca usando os produtos.
  • A Interatividade: No canto inferior do vídeo, há um botão “Comprar Agora” ou “Adicionar ao Carrinho”. O checkout ocorre sobre o vídeo (overlay), sem pausar a experiência. Isso transforma a descoberta passiva em compra por impulso.

3.3. Vídeo-Reviews e UGC (User Generated Content)

Abaixo da descrição do produto, onde antes ficavam apenas estrelas e textos de avaliações, agora existe uma galeria de vídeos enviados por clientes reais.

  • A Psicologia: “Ver para crer”. Ver uma pessoa “comum” (não um modelo) usando o produto em uma casa com iluminação normal gera uma confiança (Trust) que nenhuma foto de estúdio consegue igualar.

4. UGC vs. PGC: A Estética da Autenticidade

Um ponto crucial do Vídeo Commerce Boom é a mudança na estética aceitável.

No passado, vídeos de e-commerce precisavam ser PGC (Professional Generated Content): estúdio, luz perfeita, edição de cinema, alto custo. Hoje, essa perfeição é frequentemente vista como “falsa” ou “publicitária demais”.

O padrão atual é o UGC (User Generated Content) ou o “Lo-Fi” (Baixa Fidelidade).

  • Autenticidade: Um vídeo tremido, gravado com um iPhone, mostrando o “unboxing” real, converte mais do que um vídeo institucional.
  • Escalabilidade: É impossível produzir vídeos de cinema para 5.000 SKUs (unidades de estoque). Mas é possível enviar produtos para 500 micro-influenciadores e pedir que gravem vídeos simples em troca do produto.
  • A Fábrica de Conteúdo: Marcas estão transformando seus times de social media em produtores de conteúdo em massa para preencher as páginas de produto, não apenas o Instagram.

5. O Impacto nas Métricas de Negócio (KPIs)

A adoção do Vídeo Commerce não é vaidade; é matemática financeira. Os impactos diretos no P&L (Profit and Loss) incluem:

5.1. Taxa de Conversão (CR)

Estudos de plataformas como Firework e Vtex mostram que a presença de vídeo na PDP pode aumentar a conversão entre 30% a 80%. O vídeo responde às dúvidas que impedem a compra (“Será que esse tecido é transparente?”, “Qual o barulho desse liquidificador?”).

5.2. Redução de Devoluções (Reverse Logistics)

Este é o “matador de custos”. Uma das maiores causas de devolução no e-commerce é “produto diferente da foto”. O vídeo reduz a ambiguidade. Reduzir a taxa de devolução em 1% pode significar milhões em lucro líquido para grandes varejistas.

5.3. SEO e Tráfego Orgânico

O Google prioriza páginas com mídia rica. Além disso, vídeos de produtos hospedados corretamente (com schema markup) aparecem na aba “Vídeos” do Google e nos Snippets de busca, gerando tráfego qualificado gratuito.

5.4. Engajamento e Retenção

Vídeos retêm o usuário. Quanto mais tempo o usuário passa no site, maior a probabilidade de ele comprar e maior a “share of mind” da marca.

6. O Stack Tecnológico: Como Implementar?

Não basta subir um arquivo MP4 pesado na página. Isso mataria a velocidade do site (Core Web Vitals) e destruiria o SEO. O Vídeo Commerce exige uma infraestrutura tecnológica específica:

6.1. Plataformas de Vídeo Commerce (SaaS)

Empresas como Firework, Bambuser, Vidjet e Vtex oferecem “players” que se integram ao e-commerce.

  • Streaming Adaptativo: A tecnologia ajusta a qualidade do vídeo baseada na velocidade da internet do usuário (como a Netflix), garantindo carregamento instantâneo.
  • Camada Interativa: Permitem adicionar os botões de compra e links clicáveis sobre o vídeo.
  • Lazy Loading: O vídeo só carrega quando o usuário rola a página até ele, preservando a performance inicial do site.

6.2. CDN (Content Delivery Network)

O armazenamento dos vídeos deve ser descentralizado em servidores globais para garantir que um cliente no Nordeste carregue o vídeo tão rápido quanto um no Sudeste.

6.3. Compressão Inteligente

Uso de formatos modernos como WebM ou H.265, que oferecem alta qualidade visual com tamanhos de arquivo minúsculos, essenciais para a rede móvel (4G/5G).

7. Desafios e Barreiras

A transição para o “Video-First” não é isenta de dores.

7.1. Custo e Escala de Produção

Como produzir vídeo para um catálogo de 10.000 itens?

  • Solução: Uso de IA Generativa, curadoria de conteúdo de clientes (UGC) e priorização (Curva ABC de produtos – fazer vídeo apenas para os 20% que mais vendem).

7.2. Performance do Site (Page Speed)

Equilibrar a experiência rica com a exigência do Google por sites ultrarrápidos é um desafio técnico constante para os desenvolvedores Front-End.

7.3. Acessibilidade

Vídeos precisam de legendas automáticas (Closed Captions) e descrições de áudio para serem acessíveis a deficientes auditivos e visuais, além de servirem para usuários que navegam com o som desligado (cerca de 70% dos casos).

8. O Futuro: 2026 e a Inteligência Artificial

O próximo passo do Vídeo Commerce é a Personalização em Tempo Real via IA.

Imagine entrar na página de um vestido.

  • Hoje: Você vê um vídeo de uma modelo padrão usando o vestido.
  • Futuro Próximo (Generative AI): A IA acessa (com permissão) sua câmera ou seu avatar digital, e gera um vídeo sintético de você (ou alguém com seu biotipo exato) desfilando com aquele vestido, em tempo real.

Além disso, Agentes de Vídeo Conversacional (avatares de IA) estarão disponíveis na página do produto 24/7, prontos para fazer demonstrações específicas sob demanda (“Mostre-me o forro interno dessa jaqueta”, e o vídeo muda para mostrar exatamente isso).

9. Comparativo: Página Estática vs. Vídeo Commerce

CaracterísticaPágina de Produto Tradicional (Estática)Página de Vídeo Commerce (Dinâmica)
Mídia PrincipalFoto JPEG/PNGVídeo Curto (MP4/WebM)
InteraçãoZoom na fotoPlay, Pause, Som, Clique no Produto
InformaçãoTexto descritivo (bullets)Narrativa visual e auditiva
ConfiançaBaixa (Fotos podem ter Photoshop excessivo)Alta (Vídeo revela falhas e caimento real)
Tempo de ConsumoLeitura escaneada (rápida/superficial)Visualização imersiva (retém atenção)
Fator EmocionalBaixo (Racional/Utilitário)Alto (Sensorial/Aspiracional)

10. Conclusão: A Loja é a Mídia

O Vídeo Commerce Boom decreta o fim da separação entre “entretenimento” e “compra”. O e-commerce do futuro não compete apenas com outro e-commerce; ele compete com o Instagram e o TikTok pelo tempo de tela do usuário.

Para as marcas, a mensagem é clara: se o seu produto não se move na tela, ele está invisível. A página de produto estática tornou-se o equivalente digital de uma vitrine empoeirada. O vídeo não é mais o futuro; é o requisito mínimo do presente para quem deseja relevância e conversão.

Glossário de Termos Relacionados

  • Shoppable Video: Vídeo que contém links ou botões integrados que permitem a compra do produto exibido sem sair do player.
  • PDP (Product Detail Page): A página específica de um produto em um e-commerce.
  • UGC (User Generated Content): Conteúdo criado espontaneamente por consumidores, usado pelas marcas como prova social.
  • Short-Form Video: Vídeos verticais de curta duração (15 a 60 segundos), popularizados pelo TikTok.
  • Live Commerce: Venda ao vivo (streaming), uma vertente síncrona do vídeo commerce.
  • Adaptive Bitrate Streaming: Tecnologia que ajusta a qualidade do vídeo em tempo real conforme a conexão do usuário.
  • Conversion Rate (Taxa de Conversão): A porcentagem de visitantes que realizam uma compra.
  • Stickiness: A capacidade de um site ou conteúdo de “prender” o usuário e fazê-lo voltar.

Do hype à realidade: 2026 aponta para uma virada estratégica na forma de usar IA e construir valor

A Inteligência Artificial deve assumir um papel decisivo em 2026 — mas não como força competitiva, e sim como amplificador da qualidade das empresas. A avaliação é de Aaron Ross, um dos nomes mais influentes do mundo em vendas B2B, autor de Predictable Revenue, obra que moldou o modelo de prospecção da Salesforce e ajudou a empresa a gerar mais de US$ 100 milhões em receita recorrente. Cofundador da empresa brasileira Receita Previsível, ao lado de Thiago Muniz, e coautor de “From Impossible to Inevitable”, Ross é hoje referência global para organizações que buscam escalar crescimento com previsibilidade. O executivo esteve no Brasil para uma palestra durante a Growth Conference, em São Paulo, realizada pela B2B Stack.

Dados da McKinsey mostram que, nos próximos três anos, 92% das empresas devem ampliar seus investimentos em IA. Apesar dessa movimentação quase unânime, apenas 1% dos líderes consideram suas organizações realmente maduras no uso da tecnologia — ou seja, com IA integrada aos fluxos de trabalho e capaz de gerar impacto comercial consistente. Diante desse cenário, surge uma questão central: como os executivos podem direcionar recursos e orientar suas equipes para alcançar maturidade, transformando investimento em valor concreto?

Segundo Ross, a corrida pela IA está produzindo um fenômeno silencioso: mercados inteiros cheios de cópias, saturação e comoditização, à medida que cada vez mais empresas usam as mesmas ferramentas, os mesmos prompts e as mesmas estratégias. Para ele, a tecnologia “não distingue, apenas intensifica”. “Quando todo mundo tem superpoderes, ninguém tem”, afirma o executivo.

Aaron Ross argumenta que a principal transformação não está na tecnologia, mas na forma como ela expõe a essência de cada organização. Empresas fortes e coerentes verão seus resultados crescerem com mais velocidade. Já companhias desalinhadas, desorganizadas ou sem clareza estratégica verão seus problemas se multiplicarem na mesma proporção. “A IA não cria vantagem. Na realidade, ela acelera seus pontos fortes e seus erros”, disse.

O risco da pressa e o perigo da paralisia: pontos de atenção para 2026

Para Ross — que ajudou a popularizar o conceito de equipes de vendas especializadas, hoje padrão global em empresas de alto crescimento — a ansiedade generalizada causada pela adoção acelerada de IA está levando organizações a dois comportamentos extremos: a pressa sem direção e a paralisia por aperfeiçoamento. Nenhum dos dois caminhos constrói vantagem real.

“Se você está com pressa, vai chegar ao lugar errado mais rápido”, afirmou. Já empresas que ficam congeladas, tentando refinar processos antes de agir, “se afogam enquanto buscam perfeição”. Em um ambiente incerto, segundo ele, a única postura que gera vantagem é a de convicção clara: saber exatamente o que se está tentando construir, independentemente da velocidade do mercado.

Relacionamentos e sistemas: pontos focais para as empresas

Com passagens por empresas do Vale do Silício, liderança intelectual sobre previsibilidade em vendas e mais de uma década treinando organizações no mundo todo, Ross defende que o diferencial de 2026 estará na combinação entre relacionamentos humanos e sistemas sólidos, e que a IA perderá o posto de destaque nesse contexto

“É preciso fortalecer os vínculos dentro das próprias organizações, reduzindo ruídos, conflitos e desalinhamentos que podem comprometer a execução. Outra necessidade é cultivar relações profundas com compradores individuais, em um momento em que a confiança volta a pesar mais do que o volume de automações. A terceira é criar mecanismos para escalar esses relacionamentos sem perder autenticidade, deixando de lado mensagens massificadas, e focando em processos que tornem a comunicação consistente, relevante e personalizada”, ressalta o executivo.

Para Ross, essa integração entre pessoas e sistemas sempre foi a base do crescimento sustentável, mas em 2026 se tornará não negociável, justamente porque a tecnologia deixará tudo mais rápido, inclusive os erros e a desorganização.

2026: Um ano de clareza, não de velocidade

No palco da Growth Conference, Aaron Ross reforçou que a IA seguirá sendo indispensável, mas seu impacto dependerá integralmente da visão estratégica por trás dela. Em um mundo onde as ferramentas se tornam rapidamente acessíveis a todos, a vantagem migra de “ter a tecnologia” para como e por que usá-la.

“Em 2026, a IA não vai diferenciar ninguém, só vai amplificar quem você já é”, concluiu. A provocação aponta para um ano em que a disputa deverá ser menos tecnológica, e mais humana, estratégica e relacional.

Como aumentar as vendas pelo WhatsApp e lucrar mais em 2026

O E-commerce na Prática, referência em educação para e-commerce no Brasil, apresenta uma série de orientações para empreendedores que utilizam o WhatsApp como canal de vendas. As recomendações foram elaboradas para ajudar pequenos e médios negócios a profissionalizar o atendimento, reduzir perdas de vendas em um dos aplicativos mais usados pelos consumidores brasileiros. Segundo a Retrospectiva Nuvemshop 2025, o celular foi o grande protagonista da jornada de compra: 88% dos pedidos foram realizados via smartphone, demonstrando a consolidação do mobile como principal canal de descoberta, navegação e conversão.

“O WhatsApp pode ser a maior máquina de vendas de um negócio, desde que seja usado de forma estratégica. Um detalhe mal executado derruba resultados, enquanto ajustes simples podem multiplicar o faturamento em poucos dias”, afirma Camilla Maia Magalhães, especialista em vendas do E-commerce na Prática.

A seguir, 10 dicas aprofundadas que podem ser aplicadas imediatamente por qualquer empreendedor:

1. Utilize o WhatsApp Business para transmitir profissionalismo: o número pessoal prejudica a credibilidade e gera confusão. O WhatsApp Business permite criar um perfil completo com horário de atendimento, site, endereço e descrição da empresa. Também oferece catálogo e mensagens automáticas, que profissionalizam o atendimento e organizam a rotina.

2. Priorize respostas rápidas: velocidade é decisiva no digital. “Configure mensagens automáticas e respostas rápidas para dúvidas frequentes, garantindo que o cliente receba atenção imediata. Quanto menor o tempo de espera, maior a chance de fechamento das vendas”, explica

3. Apresente sua empresa logo no primeiro contato: a mensagem inicial deve deixar claro quem você é, o que vende e por que o cliente deve confiar na sua loja. Uma apresentação clara reduz a insegurança e acelera a tomada de decisão, principalmente para novos clientes.

4. Mantenha um catálogo completo e atualizado: ele funciona como vitrine dentro do WhatsApp. Conecte automaticamente ao catálogo da loja virtual e adicione fotos nítidas, descrições completas, tamanhos, cores, variações e preços. “Quanto menos o cliente precisar sair do aplicativo para buscar informações, maior a taxa de conversão”, comenta a especialista.

5. Facilite o contato usando o link direto (wa.me/): o link direto evita que o cliente tenha que copiar e colar o número. Ele deixa o processo simples e rápido, aumentando o volume de conversas iniciadas. Inclua o link em biografias, publicações e materiais de divulgação.

6. Crie urgência com prazos reais: ofertas sem prazo perdem a força. Informe claramente até quando o preço ou benefício será válido e cumpra o prazo anunciado. Urgência aplicada de forma profissional aumenta a ação imediata e reduz a procrastinação do cliente.

7. Varie os formatos (textos, áudios, vídeos e provas sociais): apenas o texto pode gerar uma comunicação fria. “Mostre o produto em vídeo, envie áudios curtos explicando detalhes e compartilhe prints ou depoimentos de clientes satisfeitos. Essa combinação humaniza o atendimento e aumenta a confiança”, aponta a especialista.

8. Publique diariamente no Status para manter o cliente aquecido: o status tem alta taxa de visualização e permite mostrar bastidores, novidades, lançamentos, estoque real e promoções-relâmpago. É um canal simples que ajuda a manter a marca sempre presente na mente do cliente.

9. Utilize listas de transmissão para alcançar toda a base e grupos promocionais: com a lista de transmissão e grupos promocionais no WhatsApp, é possível enviar mensagens individualizadas para dezenas de clientes de uma só vez. É ideal para avisar sobre lançamentos, cupons e conteúdos semanais. Mas lembre-se que o cliente só vai receber mensagens da sua lista de transmissão se o seu contato estiver salvo no celular dele, então crie uma estratégia para garantir que o cliente salve seu número.

10. Faça follow-up consistente e profissional: grande parte das vendas não concluídas pode ser recuperada com follow-up. “Crie um protocolo de retorno, após 24h, 48h e 72h, utilizando mensagens curtas, diretas e com valor agregado. Isso demonstra atenção e aumenta a taxa de conversão sem parecer insistente”.

Ao estruturar o WhatsApp de forma profissional e estratégica, empreendedores conseguem ampliar o alcance, melhorar a experiência do cliente e transformar cada conversa em uma oportunidade real de negócio. Para quem deseja entrar em 2026 com processos mais sólidos e vendas escaláveis, este é o momento ideal para colocar as boas práticas em ação e aproveitar todo o potencial do aplicativo.

A revolução da IA ​​no varejo: tecnologia como ponte entre gerações

Quem vive o dia a dia do varejo sabe: estamos operando em um paradoxo. De um lado, a pressão insana por inovação, velocidade e digitalização. Do outro, um consumidor humano, complexo e cheio de anseios . A Geração Z quer tudo pra ontem, na tela do celular. Já os Baby Boomers e a Geração X, mesmo conectados, ainda buscam a segurança e o “olho no olho”.

Tentar agradar todo mundo com a mesma régua é uma das maiores armadilhas que vejo gestores cometendo. O modelo “one-size-fits-all” morreu. E é aqui que a Inteligência Artificial deixa de ser modismo de palco de evento para virar ferramenta de sobrevivência no mundo real: ela é o que vai equilibrar a balança entre escalar a operação e manter o atendimento personalizado.

Fim do “achismo”: o jogo agora é com dados

Durante muito tempo, o varejo foi movido a feeling. O dono da loja “sentia” o que ia vender. Hoje, jogar apenas com a intuição é um risco que não podemos mais correr. A complexidade atual exige uma leitura que o instinto humano, por melhor que seja, não consegue processar sozinho.

A IA, com análise preditiva e segmentação dinâmica, transforma grandes massas de dados em decisões. Não é só saber o que o cliente comprou, mas entender o contexto, o momento de vida dele. Decisões baseadas em dados trazem assertividade, enquanto decisões baseadas apenas em instinto, normalmente, geram atrito e só desperdiçam o investimento.

O mercado já percebeu isso. Dados da Central do Varejo mostram que 47% dos varejistas já usam IA, e a maioria (56%) foca justamente no atendimento. Ou seja: a tecnologia virou o braço direito da experiência do cliente (CX).

Chat Commerce: falando a língua de cada um

O grande trunfo da IA hoje, especialmente no chat commerce, é a insuperável capacidade de adaptação. Um sistema bem treinado não oferece o mesmo produto, do mesmo jeito, para um jovem de 20 anos e para um senhor de 65.

Para a nova geração, a IA agiliza o checkout e recomenda tendências em segundos. Para os mais maduros, a mesma tecnologia atua com mais paciência, oferecendo detalhes, segurança e simulando aquela conversa de balcão que gera confiança.

A chave aqui é a memória. A pesquisa “CX Trends 2026” da Zendesk comprovou: 85% dos líderes de CX dizem que IAs com memória avançada são o segredo da personalização. O cliente não quer repetir a história dele a cada interação, ele quer ser reconhecido e tratado de forma única. Isso é o básico bem feito.

Tecnologia para potencializar o humano (não para substituir)

Mas fica aqui um recado importante: não existe bala de prata. A tecnologia, por si só, não faz milagre. A adoção de chatbots e IA precisa ser estratégica e ética. O objetivo não é criar um muro entre sua marca e o cliente para cortar custos, mas sim construir pontes melhores.

Quando a IA assume o trabalho repetitivo, ela libera o seu time para fazer o que o ser humano faz de melhor: ter empatia, resolver problemas complexos e construir relacionamento. A inovação não pede licença e o comportamento do consumidor não vai esperar sua empresa se adaptar. Integrar IA e chat commerce deixou de ser uma aposta futurista para virar requisito básico de sobrevivência.

Olhe para a sua operação hoje e reflita: ela está pronta para conversar com o futuro sem ignorar o que o seu cliente espera de você? A resposta para essa pergunta é o que vai definir o sucesso do seu negócio nos próximos anos.

Por Tiago Vailati, CEO da Loopia.

Retail Media Networks (RMNs): A Terceira Onda da Publicidade Digital

1. Introdução: O Novo Campo de Batalha da Mídia

Durante duas décadas, a publicidade digital viveu sob um duopólio prático. Se uma marca queria capturar a intenção do usuário, ela pagava ao Google (Search). Se queria capturar o interesse e o perfil demográfico, pagava à Meta/Facebook (Social). Esta era parecia imutável.

No entanto, nos últimos anos, emergiu uma “Terceira Onda” que está reconfigurando a economia da internet: as Retail Media Networks (RMNs).

Definição Técnica: Uma Retail Media Network é uma estrutura de publicidade construída e operada por um varejista (como Amazon, Mercado Livre, Magazine Luiza, Walmart ou Carrefour), que permite às marcas comprar espaço publicitário utilizando os dados primários (First-Party Data) desse varejista.

Diferente do Google ou Facebook, onde o usuário está buscando informação ou socializando, nas RMNs o usuário está em modo de compra. As RMNs transformam as lojas online em veículos de mídia, monetizando o tráfego digital (e físico) e os dados transacionais de seus clientes.

Não é um exagero dizer que os varejistas estão se tornando as novas redes de TV. A Amazon Advertising, sozinha, já fatura mais anualmente do que a soma de muitos conglomerados de mídia tradicionais globais. O que começou como uma forma de vender “pontas de gôndola digitais” tornou-se uma linha de receita com margens de lucro superiores às do próprio varejo.

2. A Economia por Trás das RMNs: Por que agora?

Para entender a explosão das RMNs, precisamos olhar para a contabilidade do varejo e para o cenário de privacidade de dados.

2.1. O Imperativo da Margem

O varejo é, historicamente, um negócio de margens baixas. Um supermercado ou um marketplace opera com margens líquidas que variam frequentemente entre 2% a 5%. A logística é cara, o estoque é capital intensivo e a competição por preço é brutal.

Em contraste, o negócio de mídia digital tem margens altíssimas, frequentemente entre 60% a 80%. Ao criar uma RMN, o varejista cria uma fonte de “dinheiro grátis”. Não há custo de mercadoria vendida (COGS) para exibir um banner. A infraestrutura (o site) já existe.

  • O Efeito Subsídio: O lucro gerado pela venda de anúncios subsidia a operação de varejo, permitindo que empresas como a Amazon mantenham preços baixos e entregas rápidas, esmagando concorrentes que dependem apenas da margem do produto.

2.2. O Apocalipse dos Cookies (Cookieapocalypse)

Com o fim dos cookies de terceiros (Third-Party Cookies) e as mudanças de privacidade da Apple (iOS ATT), as marcas perderam a capacidade de rastrear usuários pela internet aberta. O “targeting” do Facebook e da mídia programática tradicional perdeu precisão.

Neste cenário, os dados do varejista tornam-se ouro puro. O varejista não precisa inferir quem você é. Ele sabe quem você é. Ele tem seu nome, seu cartão de crédito, seu endereço e, o mais importante, seu histórico real de compras. Ele possui First-Party Data (1P Data) determinístico, não probabilístico. Em um mundo sem cookies, o “Jardim Murado” (Walled Garden) do varejo é o lugar mais seguro e eficiente para anunciar.

3. O “Santo Graal”: Atribuição de Ciclo Fechado (Closed Loop)

O maior diferencial competitivo das RMNs sobre qualquer outro veículo de mídia (TV, Rádio, Outdoor ou Social) é a Atribuição de Ciclo Fechado.

  • Cenário TV/Social: A marca exibe um anúncio de xampu na TV ou no Instagram. O usuário vê. Dias depois, o usuário vai ao supermercado e compra o xampu. A marca nunca saberá com certeza se foi aquele anúncio que gerou a venda. Há uma quebra na jornada.
  • Cenário RMN: A marca exibe um anúncio de xampu na busca do site do supermercado. O usuário clica. O usuário coloca no carrinho. O usuário paga.

Todo o processo ocorre dentro do mesmo ecossistema. O varejista consegue dizer à marca, com precisão de centavos: “Você gastou R$ 1,00 neste anúncio e ele gerou R$ 5,00 em vendas diretas em 24 horas”. Isso elimina a adivinhação do marketing. O Retorno sobre Investimento em Publicidade (ROAS) é transparente, auditável e, geralmente, muito superior aos canais de topo de funil.

4. O Ecossistema RMN: Onde os Anúncios Aparecem?

Uma Retail Media Network madura não vende apenas banners na página inicial. Ela oferece um inventário complexo dividido em três frentes:

4.1. On-Site (Dentro da Loja Digital)

É o inventário clássico, operando dentro do site ou app do varejista.

  • Sponsored Products (Produtos Patrocinados): O formato mais popular e rentável. São os produtos que aparecem no topo dos resultados de busca quando o usuário digita “tênis de corrida”. Geralmente operam via leilão (CPC – Custo por Clique) e focam em conversão imediata (fundo de funil).
  • Sponsored Brands/Display: Banners na home page, páginas de categoria ou check-out, focados em awareness (conhecimento de marca).

4.2. Off-Site (Extensão de Audiência)

Aqui o varejista atua como uma agência de mídia programática. Ele usa seus dados para encontrar seus clientes fora do seu site.

  • Exemplo: O Mercado Livre sabe que você está comprando fraldas. Ele pode comprar um espaço publicitário no site de notícias G1 ou no YouTube e exibir um anúncio de lenços umedecidos para você lá.
  • Isso permite que a RMN escale seu alcance além do tráfego do seu próprio site, competindo diretamente com o Google Display Network (GDN) e DSPs.

4.3. In-Store (A Digitalização da Loja Física)

A nova fronteira. Varejistas com lojas físicas (como Walmart, Carrefour, RaiaDrogasil) estão digitalizando o ambiente físico para conectá-lo à RMN.

  • Telas Digitais (Digital Signage): TVs nos corredores que mudam o anúncio dependendo da hora do dia.
  • Carrinhos Inteligentes: Tablets acoplados ao carrinho que mostram ofertas baseadas no corredor onde o cliente está.
  • Rádio Indoor Programática: Áudio direcionado na loja.
  • A atribuição aqui é feita cruzando os dados do anúncio com o CPF digitado no caixa (programa de fidelidade).

5. Os Tipos de Anunciantes: Endêmicos vs. Não-Endêmicos

Uma evolução crucial das RMNs é a expansão da base de clientes.

5.1. Marcas Endêmicas

São as marcas que vendem produtos dentro daquele varejista.

  • Exemplo: A Samsung anunciando uma TV dentro da Amazon. Ou a Nestlé anunciando leite condensado no site do Carrefour.
  • Objetivo: Vender o produto ali mesmo. O clique leva à página do produto (PDP).

5.2. Marcas Não-Endêmicas

São marcas que não vendem produtos naquele varejista, mas querem acessar a audiência qualificada dele.

  • Exemplo: Uma seguradora de carros anunciando na seção de “Peças Automotivas” do Mercado Livre. Uma construtora anunciando apartamentos na seção de “Decoração”. Um banco anunciando cartões de crédito no checkout.
  • Isso transforma o varejista em um veículo de mídia puro, monetizando audiências para setores como Finanças, Automotivo, Turismo e Educação.

6. O Stack Tecnológico e a Democratização

No início, apenas gigantes como Amazon conseguiam construir sua própria tecnologia de anúncios (Ad Tech). Hoje, o mercado se desenvolveu.

  • Build (Construir): Amazon e Mercado Livre (Mercado Ads) construíram suas plataformas do zero. Têm controle total, mas custo alto de engenharia.
  • Partner (Parceiros White-Label): A maioria dos varejistas médios usa plataformas terceirizadas que fornecem a infraestrutura de RMN “as a service”. Empresas como Criteo, CitrusAd e Google (Retail Search) fornecem o motor de leilão e entrega de anúncios, enquanto o varejista fornece a audiência. Isso permitiu que farmácias, pet shops e lojas de nicho lançassem suas próprias redes de mídia rapidamente.

7. Métricas e KPIs: A Linguagem das RMNs

Diferente da TV (GRP, TRP) ou do Social (Likes, Shares), as RMNs falam a língua do CFO (Diretor Financeiro).

  1. ROAS (Return on Ad Spend): A métrica rainha. Para cada R$ 1,00 investido, quanto voltou em vendas? RMNs costumam entregar ROAS agressivos (ex: 5x, 10x).
  2. ACOS (Advertising Cost of Sales): O inverso do ROAS. Quanto custou gerar a venda em porcentagem? (Ex: gastei 10% do valor da venda em mídia).
  3. iROAS (Incremental ROAS): A métrica avançada. O anúncio gerou uma venda que não aconteceria de outra forma, ou apenas canibalizou uma venda orgânica que o usuário já faria? Medir a incrementalidade é o desafio atual para provar o valor real.
  4. New-to-Brand (NTB): Qual a porcentagem de vendas veio de clientes que nunca compraram da marca antes? Essencial para medir conquista de market share.

8. Desafios e Dores do Crescimento

Nem tudo é perfeito no mundo das RMNs. O crescimento explosivo trouxe dores para as marcas anunciantes.

8.1. Fragmentação e Complexidade

No passado, uma marca comprava mídia em 2 lugares (Google e Meta). Agora, ela precisa comprar na Amazon, no Mercado Livre, na Magalu, no Carrefour, na RaiaDrogasil, no Uber… Cada uma dessas redes tem:

  • Um sistema de login diferente.
  • Formatos de banners diferentes.
  • Modelos de atribuição diferentes (alguns contam venda em 7 dias, outros em 14 dias).
  • Relatórios que não se conversam.

Isso gera uma sobrecarga operacional nas agências e nas marcas. O mercado clama por padronização.

8.2. O “Imposto” do Varejo (Retail Tax)

Algumas marcas sentem que as RMNs estão se tornando um “pedágio”. Onde antes elas apareciam organicamente na busca, agora precisam pagar para manter a posição (“Pay-to-Play”). Isso pode corroer a margem do fabricante se não gerar vendas incrementais reais.

8.3. Conflito Comercial vs. Mídia

Historicamente, o comprador do varejo (Buyer) negociava com o vendedor da indústria (Sales). Agora, entra o time de mídia. Muitas vezes, o varejista pressiona: “Se você não investir R$ 1 milhão na minha Retail Media Network, eu não vou comprar seu produto para colocar na prateleira física”. Essa venda casada (JBP – Joint Business Plan) é uma zona cinzenta e tensa nas negociações B2B.

9. O Futuro das RMNs: 2025 e Além

Para onde vai essa indústria?

9.1. Connected TV (CTV) e Streaming

A fronteira final. A Amazon já inseriu anúncios no Prime Video. O Mercado Livre lançou o Mercado Play. O Walmart tem parcerias com a Paramount+. O futuro é comprar um anúncio de TV (Streaming) usando dados de varejo. Exemplo: Mostrar um comercial de ração de cachorro na TV apenas para assinantes que compraram ração há 30 dias e estão prestes a precisar de reposição, e permitir a compra com um clique no controle remoto.

9.2. Clean Rooms de Dados

Para resolver a privacidade e a colaboração, surgem os Data Clean Rooms. Ambientes seguros onde a marca (ex: Unilever) e o varejista (ex: Carrefour) cruzam seus dados anonimizados para tirar insights sem que um entregue sua base de clientes para o outro.

9.3. Inteligência Artificial Generativa

A IA facilitará a criação de anúncios. Um vendedor pequeno no marketplace não precisará de uma agência; a IA do RMN gerará o banner, o texto e o vídeo do produto automaticamente, democratizando o acesso à mídia profissional.

10. Conclusão: Uma Mudança de Paradigma

As Retail Media Networks não são apenas mais um canal de mídia; elas representam a fusão final entre Comércio e Mídia.

Para os varejistas, é a chave para a sustentabilidade econômica e lucratividade em um mundo digital. Para as marcas, é a ferramenta mais precisa já inventada para converter intenção em transação. Para o consumidor, significa uma publicidade mais relevante, preditiva e útil (embora mais onipresente).

Estamos testemunhando o fim da era em que varejistas apenas “distribuíam produtos”. No século XXI, varejistas distribuem produtos e audiência. E, em muitos casos, a audiência vale mais que o produto.

Glossário de Termos Técnicos

Para auxiliar a navegação neste ecossistema, compilamos os principais termos utilizados no universo das RMNs:

  • 1P Data (First-Party Data): Dados coletados diretamente pelo varejista de seus clientes (transações, navegação), sem intermediários. É o ativo mais valioso de uma RMN.
  • Walled Garden (Jardim Murado): Um ecossistema fechado (como Amazon ou Google) onde o operador tem controle total sobre os dados, o inventário e a tecnologia, não permitindo exportação fácil de dados brutos.
  • PLA (Product Listing Ads): Anúncios que mostram a foto, preço e título do produto diretamente nos resultados de busca. Também chamados de Sponsored Products.
  • Attribution Window (Janela de Atribuição): O período de tempo (ex: 7, 14 ou 30 dias) após o clique ou visualização do anúncio durante o qual uma venda é creditada àquele anúncio.
  • Endemic Brand: Uma marca que vende seus produtos dentro do ecossistema do varejista onde anuncia.
  • Non-Endemic Brand: Uma marca que anuncia no varejista, mas vende produtos/serviços fora dele (ex: setor automotivo, financeiro, viagens).
  • DSP (Demand-Side Platform): Software usado para comprar publicidade de forma automatizada (programática) fora do site do varejista (off-site).
  • Incrementality (Incrementalidade): A medida do verdadeiro impacto do marketing, calculando quantas conversões ocorreram apenas por causa do anúncio, excluindo aquelas que teriam ocorrido organicamente.
  • JBP (Joint Business Plan): O planejamento anual conjunto entre Indústria e Varejo, que agora inclui verbas de Retail Media além das verbas comerciais tradicionais (Trade).
  • CTV (Connected TV): Televisão conectada à internet (Smart TVs, consoles, sticks) que permite a exibição de publicidade digital segmentada via dados de varejo.

IA redefine a logística: tecnologia pode destravar até US$ 2 trilhões e elevar produtividade global

A inteligência artificial no fulfillment deve gerar entre US$ 1,3 trilhão e US$ 2 trilhões anuais nas próximas duas décadas, segundo a McKinsey & Company. Esse volume financeiro reflete uma mudança estrutural: a tecnologia assume papel central na gestão de estoques e rotas, aumentando a previsibilidade operacional e reduzindo custos estruturais.

Na prática, empresas que adotam IA já registram redução de até 15% nos custos logísticos e diminuição de 35% nos níveis de estoque. Esses sistemas processam volumes massivos de dados em tempo real para prever a sazonalidade e otimizar a alocação de produtos nos centros de distribuição. Isso resulta em operações mais enxutas, eliminando gargalos que antes só eram percebidos após a falha ocorrer.

Mas controlar custos é apenas metade da equação. O verdadeiro valor emerge quando a IA converte dados brutos em decisões. Paulo Lelis, sócio-CIO da Lope Digital Commerce, avalia que o setor vive um momento de consolidação técnica que permite aprimorar modelos preditivos.

“A tecnologia não substitui a expertise humana, mas oferece a base de dados necessária para decisões mais rápidas. Conseguimos antecipar demandas e evitar rupturas antes que elas impactem o consumidor, garantindo o cumprimento rigoroso dos prazos”, analisa o executivo.

Essa precisão redefine a relação com o cliente final. Segundo relatório da SOTI, 73% dos consumidores afirmam que uma entrega ruim os tornaria menos propensos a comprar novamente daquele varejista. 

“Nesse cenário, a área deixa de ser vista apenas como um centro de custo para atuar como alavanca de retenção. A IA nos dá a agilidade necessária para que a experiência de entrega seja tão positiva quanto a de compra, transformando a performance operacional em vantagem competitiva”, complementa Lelis.

A expectativa do mercado é que essa maturação continue acelerada, podendo elevar a produtividade do setor em mais de 40% até 2035, segundo a OpenXcell. Com a transformação digital avançando, a inteligência artificial se consolida como infraestrutura essencial para uma logística centrada no cliente, financeiramente mais eficiente e capaz de sustentar negócios estratégicos.

Firecrawl ataca gargalo da IA corporativa e lança novo agente de dados

Firecrawl, startup especializada em estruturar dados e informações da internet para alimentar sistemas de inteligência artificial (IA), lançou o /agent, um novo agente autônomo para coleta de dados da web. A ferramenta permite que aplicações de IA busquem, naveguem e extraiam informações públicas, inclusive em sites com estruturas complexas, a partir de instruções em linguagem natural, sem a necessidade de scripts personalizados ou mapeamento manual de sites.

O lançamento ocorre em um contexto em que empresas avançam no uso de aplicações baseadas em agentes de IA e passam a enfrentar desafios operacionais relacionados ao acesso a dados externos. Embora modelos de linguagem estejam cada vez mais sofisticados, a obtenção de informações atualizadas da web ainda depende, em muitos casos, de processos manuais, soluções customizadas e manutenção recorrente. A proposta do Firecrawl Agent é automatizar essa etapa e integrar a coleta de dados diretamente ao funcionamento das aplicações.

De acordo com a Firecrawl, o /agent é capaz de realizar buscas, navegar por páginas, seguir links e extrair conteúdos relevantes, inclusive em ambientes digitais com estruturas mais complexas. As informações retornam em formato estruturado, prontas para serem utilizadas por modelos de linguagem e outros sistemas de IA, o que facilita a incorporação da web como fonte de dados para essas aplicações.

“À medida que agentes de IA passam a executar tarefas mais complexas, o acesso à informação se torna um componente central dessas aplicações”, afirma Nicolas Silberstein Camara, cofundador e CTO da Firecrawl. “O /agent foi criado para permitir que desenvolvedores e empresas utilizem a web como uma fonte de dados de forma mais simples e automatizada”, diz o executivo.

Entre os usos destacados pela empresa estão pesquisa automatizada, monitoramento de informações públicas, coleta de dados para análises e enriquecimento de bases internas com conteúdo externo. Ao reduzir a dependência de soluções manuais, o agente busca facilitar a incorporação de dados da web em produtos e fluxos baseados em inteligência artificial.

/agent passa a integrar o ecossistema da Firecrawl, que já oferece APIs open source para transformar conteúdos não estruturados da internet em dados utilizáveis por aplicações de IA. A nova funcionalidade está disponível em research preview e deve evoluir a partir do uso prático e do feedback da comunidade de desenvolvedores.

Neste ano, a Firecrawl captou R$81 milhões em uma rodada liderada pela Y Combinator. Criada em 2024 pelo brasileiro Nicolas Silberstein Câmara e pelos norte-americanos Caleb Peffer e Eric Ciarla, a startup rapidamente conquistou mais de 10 mil clientes globais, 95% deles de forma orgânica.  Entre as empresas estão: Shopify, PwC, Lovable e Canva. Só no Brasil, já são mais de mil empresas, reflexo da demanda crescente por ferramentas que aceleram a coleta e a análise de informações digitais.

Marketplaces e Geração Z: Quais as plataformas “queridinhas” da geração?

A Geração Z é uma das mais conectadas e exigentes quando o assunto é tecnologia, e, no e-commerce, não poderia ser diferente. Crescidos em meio a telas e redes sociais, esses consumidores buscam experiências de compra rápidas, personalizadas e, acima de tudo, autênticas. Para se ter uma ideia da força desse público, de acordo com dados da Statista, é esperado que a GenZ seja responsável por 20% dos gastos globais em 2030. 

A preferência da Geração Z por esses canais de compra está diretamente ligada ao comportamento digital dessa faixa etária. Para eles, a experiência vale tanto quanto o produto e as plataformas que conseguem unir conveniência, preço competitivo e uma comunicação próxima ao público acabam conquistando mais espaço.

Para Rodrigo Garcia, diretor executivo da Petina Soluções Digitais, consultoria especializada em marketplaces, a Geração Z valoriza autenticidade e agilidade. “Eles querem encontrar o que buscam com poucos cliques, mas também querem se sentir parte de uma comunidade. Marketplaces que combinam curadoria de produtos, entretenimento e boas políticas de entrega estão saindo na frente”, resume o executivo.

Pensando nisso, o especialista listou os 5 marketplaces mais “queridinhos” da geração mais antenada: 

  1. Tik Tok Shop

Essa é a aposta mais quente do momento. A integração entre entretenimento e compra em um único lugar é música para os ouvidos da Gen Z. Influenciadores vendendo em lives, produtos virais e a sensação de estar “descobrindo algo antes dos outros” são a receita do sucesso.

“O TikTok Shop é a síntese perfeita da nova era do consumo. A compra acontece no mesmo ambiente em que o desejo nasce, com recomendação social e entretenimento. É uma tendência que deve crescer e redefinir o papel dos marketplaces nos próximos anos”, comenta Garcia.

  1. Shopee

A Shopee é o marketplace favorito dessa geração. Com preços baixos, cupons de desconto infinitos frete grátis e um ecossistema gamificado que conversa com o comportamento multitela dessa geração. Além disso, a presença massiva em anúncios nas redes sociais fazem dela uma das mais engajadas entre os jovens.

“A Shopee entendeu rapidamente como transformar a compra em entretenimento. É uma plataforma que fala a língua da geração, unindo preço, interação e recompensas constantes, um modelo que estimula o engajamento e fideliza o público jovem”, destaca o especialista.

  1. Shein

Preço baixo e diversas opções? A Shein é praticamente um fenômeno cultural. O modelo de produção ultrarrápida também dialoga com a necessidade de novidade constante dessa geração, ainda que gere debates sobre sustentabilidade (tema que a própria Gen Z cobra).

“A plataforma representa o poder da velocidade no e-commerce. A capacidade de lançar novidades praticamente em tempo real cria uma sensação de exclusividade que todos adoram. Mas ao mesmo tempo, esse público começa a cobrar mais transparência e responsabilidade da marca”, analisa.

  1. Mercado Livre

No Brasil, o Mercado Livre tem tido cada vez mais apelo com o público jovem. É rápido, confiável, e o Mercado Envios Full dá aquela sensação de “entrega estilo Amazon”, mas com preços mais competitivos e vendedores locais.

“O Mercado Livre conseguiu se posicionar como um marketplace próximo, rápido e com identidade brasileira. A logística eficiente e o contato com vendedores locais geram confiança e identificação, duas coisas que a Geração Z valoriza muito”, afirma

A tendência é que, com o passar do tempo, surjam cada vez mais marketplaces confiáveis e voltados à experiência do consumidor. “As marcas que entenderem o comportamento da GenZ e conseguirem equilibrar preço, propósito e conveniência devem sair na frente na próxima fase do e-commerce”, complementa

  1. Temu

A Temu chegou ao Brasil com força e caiu rapidamente no radar da Geração Z. O apelo principal está no preço muito abaixo da média, na imensa variedade de produtos e na sensação de descoberta que lembra a fase inicial das compras internacionais baratinhas. A plataforma aposta em ofertas agressivas, cupons constantes e uma navegação construída para estimular compras por impulso.

“A Temu utiliza uma estratégia de precificação muito agressiva e um catálogo quase infinito, o que cria aquela impressão de que sempre existe algo novo esperando pelo usuário. Esse dinamismo conversa diretamente com a mentalidade de consumo rápido e exploratório desse público”, finaliza o executivo.

O comportamento da Geração Z segue moldando o rumo dos marketplaces no Brasil. Plataformas que combinam velocidade, curadoria, entretenimento e boas experiências logísticas têm conquistado espaço num público que não tolera lentidão nem comunicação distante. A tendência é que o ecossistema siga se diversificando, impulsionado por novos formatos, influenciadores e a busca contínua por experiências que unam praticidade e identidade.

Instagram avalia futuro de vídeos longos e conteúdos premium enquanto projeta personalização e realidade aumentada

O CEO do Instagram, Adam Mosseri, sinaliza que vídeos longos e conteúdos premium podem integrar o futuro da rede social, mas atualmente não existe uma relação simbiótica entre esse tipo de mídia e o compartilhamento entre usuários. As declarações refletem a estratégia cautelosa da plataforma diante das mudanças no consumo de conteúdo digital.

Diferente do YouTube, que incentiva a produção de vídeos longos com qualidade próxima à da televisão, o Instagram se mantém focado em conteúdos curtos, principalmente os Reels. O formato curto é considerado essencial para manter a interação entre usuários, permitindo compartilhamento rápido e espontâneo de conteúdos, algo que se perde quando o vídeo se torna mais longo.

Recentes movimentos da plataforma indicam que mudanças podem estar a caminho. O lançamento de um aplicativo que permite assistir aos Reels diretamente em televisores sugere uma abertura para formatos mais longos, embora a prioridade ainda seja preservar a essência da rede e o consumo de conteúdos rápidos e compartilháveis.

Mosseri projeta que, nos próximos quatro anos, o Instagram se tornará cada vez mais personalizável. Recursos que permitem ajustar o algoritmo de sugestões do Reels indicam a tendência de tornar a experiência do usuário mais proativa, possibilitando moldar o feed, explorar pesquisas e criar conteúdos conforme preferências individuais. “As pessoas estão cansadas de consumir pílulas soltas. O público quer acompanhar narrativas, se prender a personagens e mergulhar em enredos que ofereçam continuidade”, explica Eduarda CamargoChief of Growth Officer daPortão 3 (P3).

Em uma perspectiva de dez anos, a rede poderá se expandir para dispositivos vestíveis, como óculos inteligentes. Nesse cenário, o consumo de conteúdo seria principalmente auditivo, exigindo uma reformulação completa da interação visual, do compartilhamento e do engajamento dos usuários.

O Instagram enfrenta, assim, o desafio de equilibrar inovação tecnológica com a manutenção do comportamento central de seus usuários. A rede busca adaptar-se às novas tendências de consumo sem comprometer a interatividade e a conexão social que definem seu modelo de sucesso.