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WhatsApp se consolida como canal favorito das marcas durante a Semana do Cliente, aponta levantamento da Zenvia

Levantamento exclusivo realizado pela Zenvia Inc. (NASDAQ: ZENV), que habilita companhias a criarem experiências pessoais, envolventes e fluidas ao longo da jornada dos consumidores, revela quais foram os principais termos e comportamentos dos consumidores no Dia do Cliente. O estudo, feito com base na interação  entre a carteira de clientes e usuários finais, revelou que entre 15 de agosto e 21 de setembro foram registradas mais de 280 mil comunicações em referência à data comemorativa. O estudo apontou também que o WhatsApp já responde pela maioria dessas ações, com mais de 63% de participação, deixando o e-mail em segundo plano.

“O WhatsApp já deixou de ser apenas um canal de relacionamento para se tornar um ativo estratégico de negócios. A preferência das marcas pelo app no Dia do Cliente comprova o potencial de proximidade e conversão que ele traz em datas críticas para vendas e fidelização”, explica Gilsinei Hansen, VP de Negócios e Marketing da Zenvia.

Ofertas dominam, mas há espaço para fidelização

O levantamento mostra também que o apelo promocional predomina: no Dia e na Semana do Cliente, 88% das mensagens foram associadas a ofertas e descontos. Mensagens para parabenizar os consumidores na data foram a escolha da minoria. Isso fica evidente nas palavras mais predominantes: dia, cliente e off, em referência a descontos oferecidos no período.

“Esse dado destaca a oportunidade de amadurecer a estratégia. O consumidor já espera ofertas e se sente mais valorizado quando percebe a atenção genuína das marcas. Portanto, o próximo passo é sair da dependência do desconto e oferecer uma comunicação que foca em fidelização”, reforça Hansen.

Preferência pelo ‘Dia do Cliente’

A análise também identificou a preferência das organizações pelos termos que fazem referência à data sazonal. O destaque é, de fato, o ‘Dia do Cliente’, com quase 145 mil interações, sendo 84% enviadas pelo WhatsApp.

Em seguida aparece a ‘Semana do Cliente’, com 100,5 mil registros, 51% deles via WhatsApp. 

Já ‘Mês do Cliente’ e ‘Mês do Consumidor’ tiveram pouca expressão, com menos de 1/5 do volume da data sazonal, segundo a Zenvia.

“O recado é claro: o Dia do Cliente já entrou para o calendário de vendas e o WhatsApp é o motor dessa conexão. Quem conseguir ir além do desconto e transformar a data em um momento de experiência e relacionamento verdadeiro com o consumidor vai sair na frente. Esse é o diferencial competitivo que já estamos vendo acontecer no mercado”, conclui Hansen.

O outro lado da Black Friday: estratégias para conter a inadimplência no B2B

O brilho das promoções da Black Friday costuma se apagar rápido quando chegam as faturas e os boletos de início de ano. Entre gastos por impulso e renda extra temporária, muitos consumidores entram em janeiro já endividados — e esse efeito em cascata pressiona não apenas as famílias, mas também o caixa de varejistas e fornecedores. Para se ter uma ideia, em 2024 as vendas no varejo físico cresceram 17%, e o e-commerce avançou 9% em relação a 2023, superando patamares pré-pandemia, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado.

Isso significa que a Black Friday é uma data poderosa para tracionar vendas, mas que também pode levar muitos a comprar por impulso e gastar mais do que podem pagar. O problema é agravado porque o final do ano costuma trazer renda extra temporária, como 13º salário e bonificações, dando falsa sensação de folga financeira. Em janeiro e fevereiro, o consumidor tem que lidar com uma avalanche de contas inadiáveis, que incluem impostos, escola dos filhos, entre outros compromissos.

De fato, o número de consumidores com contas atrasadas cresceu consistentemente entre novembro de 2024 e março de 2025. Em novembro passado, eram 68,62 milhões de inadimplentes (41,51% da população adulta), subindo para 69,66 milhões em março, o equivalente a 42,01% da população adulta, de acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). 

Impactos para a inadimplência B2B

O aumento da inadimplência pós-Black Friday repercute também nas relações B2B, especialmente entre grandes redes varejistas e seus fornecedores. Isso ocorre porque, se o consumidor final atrasa ou dá calote, o varejista pode enfrentar um aperto de caixa e atrasar pagamentos de pedidos feitos a fabricantes e distribuidores. 

Empresas que oferecem crediário próprio ou parcelamento sem intermediários acabam carregando em seu balanço a carteira de recebíveis dos clientes finais e, se muitos desses clientes não pagam, o prejuízo é direto. Já no caso de vendas via cartão de crédito, embora o risco de crédito seja do emissor, o varejista pode ser afetado indiretamente pela menor liquidez, e por custos financeiros mais altos. 

Um varejista com dificuldades vai buscar alongar prazos com fornecedores ou até suspender temporariamente pagamentos, transferindo o problema adiante na cadeia. Para os fornecedores, o acúmulo de débitos a receber atrapalha ou até interrompe o fluxo de caixa da empresa fornecedora. 

Uma estratégia sempre necessária para empresas fornecedoras é gerenciar os riscos com eficiência por meio do fortalecimento da análise de crédito preventiva. Esta é a primeira linha de defesa contra a inadimplência, que deve ser feita de forma rigorosa antes mesmo de conceder prazos e limites de compra aos varejistas. No contexto de uma Black Friday, muitos fornecedores ampliam estoques e oferecem condições especiais para aproveitar a alta demanda, contudo, é preciso fazer isso de maneira seletiva e coordenada. 

Outra recomendação é observar o comportamento de pagamento logo nas primeiras parcelas ou faturas após a Black Friday. Se o cliente varejista começar a atrasar já em dezembro ou janeiro, isso acende um sinal de alerta para o fornecedor intensificar o acompanhamento. 

Ferramentas de inteligência de crédito podem ser grandes aliadas nesse processo preventivo. Ao utilizar dados de bureaus e indicadores setoriais, fornecedores conseguem identificar rapidamente sinais de alerta em seus clientes varejistas, como aumento de passivos, concentração de dívidas ou histórico recente de atrasos. 

Decisões baseadas em dados tendem a tornar a concessão de crédito mais precisa e evitar novos atrasos, sobretudo em um cenário em que a inadimplência das famílias pressiona diretamente o caixa das grandes redes. Análises preventivas de crédito B2B não são apenas uma medida de prudência, mas um recurso estratégico para garantir a sustentabilidade das relações comerciais em períodos de maior risco, como o pós-Black Friday.

Efeitos das ações ágeis de cobrança no pós-venda

Mesmo com uma análise preventiva robusta, é inevitável que atrasos ocorram. Por isso, a segunda linha de defesa é uma estratégia de cobrança ágil e efetiva logo após a Black Friday. Aqui, a regra de ouro é: não procrastinar frente a um atraso.

Estudos demonstram que quanto mais cedo se age, maior a chance de receber. Segundo o Índice Global de Recuperação de Crédito B2B (IGR), 82% das dívidas com até 10 dias de atraso são recuperadas, entre 11 e 20 dias, a recuperação cai para 70%, porém, quando o atraso passa de 20 dias, a taxa de recuperação tende a ficar abaixo de 50%. Ou seja, dívidas B2B que ultrapassam três semanas de atraso entram em uma zona crítica em que praticamente metade já não se recupera mais. Esse dado evidencia a importância de reagir prontamente a partir do monitoramento do calendário de pagamentos para evitar picos de inadimplência, acionando a cobrança assim que ocorrer o atraso.

Na prática, isso significa ter uma régua de cobrança bem definida no pós-Black Friday. Se o título venceu hoje e não houve pagamento, amanhã mesmo já deve partir um aviso amistoso ao cliente. Muitas vezes, um simples aviso pode resolver, especialmente após o período de vendas intensas, em que o comprador pode ter se desorganizado em meio a tantos pagamentos. Uma estratégia preventiva de cobrança é enviar lembretes de pagamento poucos dias antes do vencimento e imediatamente após a data, já que uma parcela dos atrasos iniciais está ligada a esquecimentos ou pequenos desencontros administrativos.

Passados 30, 60 dias, a probabilidade de não receber cresce exponencialmente, e a empresa precisa decidir até quando é viável esperar antes de tomar ações jurídicas. Nesse sentido, ter políticas claras de crédito e cobrança ajuda a evitar decisões emocionais ou tratamento inconsistente entre clientes.

Avanços da tecnologia facilitam a recuperação de crédito

Lidar com um volume alto de cobranças simultâneas, algo comum após grandes períodos promocionais, pode sobrecarregar as equipes de crédito. Felizmente, a tecnologia é uma aliada para tornar esse processo mais eficiente e até melhorar as taxas de sucesso. Segundo dados do IGR, hoje mais da metade (54%) dos acordos de renegociação de dívidas são fechados por meio de canais digitais, com destaque absoluto para o WhatsApp, utilizado em 45% das negociações bem-sucedidas. Também cresce o papel da automação, com cerca de 10% dos acordos sendo feitos com recursos de IA.

Na cobrança digital, há ainda os benefícios trazidos pela riqueza de dados gerados. Ao usar sistemas informatizados, é possível monitorar em tempo real quais clientes visualizaram a mensagem, clicaram no link de pagamento, ou responderam com alguma dúvida. Com essas informações, a equipe de cobrança pode fazer uma gestão mais inteligente, identificando quais devem seguir no fluxo automatizado e quais precisam escalar para uma ligação telefônica.

No fim, o sucesso da Black Friday não se mede apenas pelo volume de vendas, mas pela capacidade das empresas de transformar esse faturamento em receita líquida. Investir em análise de crédito preventiva, estruturar uma régua de cobrança consistente e adotar ferramentas digitais de monitoramento é o que separa crescimento sustentável de ilusão passageira. A data pode ser um motor de expansão ou uma porta de entrada para a inadimplência — a diferença está na gestão.

Por Alessandro Holthausen, gerente de Customer Sucess & Relacionamento da Global.

IA acelera produtividade, mas só a autenticidade garante reputação

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passou a ocupar um papel central nas empresas. A velocidade com que tecnologias e mensagens são replicadas, no entanto, aumenta o risco de diluição da autenticidade. Em um mercado saturado por inovações que rapidamente se tornam comuns, o diferencial concentra-se na confiança. Esse movimento inaugura o que pode ser chamado de quinta revolução, marcada não por avanços mecânicos ou digitais, mas pela centralidade da autenticidade como capital reputacional.

As revoluções anteriores foram impulsionadas por saltos tecnológicos ou econômicos. A revolução industrial, no século XIX, transformou a produção; a digital, nos anos 1980, levou informação ao alcance de todos; a globalização intensificou a integração de mercados; e a revolução da informação acelerou a comunicação. Agora, a inteligência artificial inaugura uma era distinta, na qual a confiança será conquistada não apenas pelo domínio tecnológico, mas pela capacidade de demonstrar consistência e ética no uso dessas ferramentas.

Pesquisas recentes reforçam esse diagnóstico. O estudo “Confiança, Atitudes e Uso de Inteligência Artificial: um estudo global 2025”, produzido pela KPMG e pela Universidade de Melbourne, mostra que, no Brasil, 71% dos entrevistados perceberam aumento na eficiência, na qualidade do trabalho e no potencial de inovação com o uso da IA. Apesar da ampla adoção, a confiança continua sendo um desafio, com mais da metade dos respondentes expressando preocupações quanto ao uso da tecnologia, especialmente em economias avançadas, nas quais o ceticismo sobre segurança e impactos sociais é mais intenso.

Esses resultados evidenciam um ponto crucial: embora a inteligência artificial possa impulsionar produtividade e inovação, sua adoção isolada não garante credibilidade junto a clientes, colaboradores ou investidores. A percepção de risco permanece, indicando que a reputação corporativa depende tanto da performance tecnológica quanto da forma como a empresa comunica o uso da IA. Estratégias de comunicação transparentes, que explicitem limites, responsabilidades e impactos sociais da tecnologia, tornam-se determinantes para reduzir incertezas e fortalecer a confiança.

Em outras palavras, a quinta revolução não se limita à inovação, mas à capacidade das empresas de demonstrar consistência, ética e autenticidade em todas as interações envolvendo inteligência artificial. A confiança tornou-se o recurso mais estratégico na construção da reputação corporativa. As empresas precisam ir além de divulgar conquistas tecnológicas e mostrar como a IA é aplicada, quais impactos sociais são considerados e que valor humano é preservado em cada processo.

O caso da Go Fintech, em Singapura, ilustra essa lógica de forma exemplar. Sob a liderança de Shobnom Zarin Chatona, a empresa conquistou, em apenas seis meses, ampla cobertura em veículos internacionais como Khaleej Times, Gulf News, MSN, Zee News e Outlook India, além de captar 15 milhões de dólares no Oriente Médio. Ao posicionar seus fundadores como líderes de pensamento em fintech e inteligência artificial, a empresa projetou sua marca globalmente e consolidou sua credibilidade em um setor altamente competitivo. Esse exemplo demonstra que a reputação não se constrói apenas com resultados financeiros ou inovação tecnológica, mas com consistência, ética e clareza na comunicação.

A quinta revolução exige que as empresas adotem práticas que integrem tecnologia, transparência e humanização das interações. Não se trata apenas de competir pela inovação, mas de comprovar autenticidade em cada decisão. A inteligência artificial pode ser o motor da transformação, mas será a confiança o verdadeiro critério de crescimento e sobrevivência no cenário corporativo global.

*Beatriz Ambrosio é CEO e fundadora da Mention, a primeira e maior plataforma SaaS de Relações Públicas do Brasil. Com uma carreira focada em Relações Públicas e tecnologia, além de um mestrado e doutorado em Comunicação Corporativa, ela tem como objetivo transformar o mercado de RP, tornando-o acessível, mensurável e eficaz. Beatriz busca ampliar as fronteiras da comunicação corporativa, mostrando que é possível alcançar alto impacto e baixo custo, especialmente para startups, PME e profissionais autônomos que sabem que investir em reputação é essencial para o crescimento.

Estudo mostra que 25% dos clientes insatisfeitos pedem cancelamento de serviços

Um novo estudo inédito da Evollo, principal plataforma de speech analytics do mercado, analisou milhares de interações em canais de atendimento para compreender os fatores que mais geram atrito entre clientes e empresas. O levantamento revela que aspectos ligados à resolução ineficaz de problemas, falhas de comunicação, cobranças mal conduzidas e experiências comerciais invasivas são os principais gatilhos de frustração para os consumidores.

A pesquisa mostra ainda que cerca de 25% dos clientes insatisfeitos chegaram a pedir o cancelamento dos serviços. O motivo mais citado foi o acúmulo de frustrações ao longo do relacionamento, marcado por interações ineficientes, promessas não cumpridas e abordagens comerciais classificadas como abusivas.

Embora uma parcela relevante das reclamações esteja associada a temas financeiros (reflexo da forte presença de empresas desse setor na base de clientes da Evollo), o estudo evidencia que a qualidade do atendimento é um fator recorrente de insatisfação. Entre os principais incômodos estão a demora para resolução das demandas, informações desencontradas, falhas tecnológicas e o chamado “assédio comercial” mascarado como suporte.

Problemas operacionais e financeiros são, na maioria das vezes, o gatilho inicial das reclamações. Porém, a falta de clareza na comunicação e a postura inadequada dos atendentes são os fatores que amplificam o atrito e podem comprometer a relação com o consumidor”, afirma Eduardo Ribeiro, cofundador e Business Development da Evollo.

Tríade emocional

O levantamento apontou a etapa de resolução como a mais sensível de toda a relação. Nela, as baixas taxas de solução logo no primeiro contato variam de 23% a 32,3%, enquanto os problemas reincidentes são registrados em quase 50% dos casos. Os dados geram um cenário que impacta diretamente a confiança do consumidor e fortalece a percepção negativa em relação às empresas.

Quando a empresa falha na resolução, o cliente tende a reviver a frustração a cada nova tentativa de contato. Isso mina a confiança e deixa um rastro emocional complexo de reparar”, explica Ribeiro.

A pesquisa também identificou os sentimentos predominantes dos consumidores nos atendimentos considerados negativos. Entre as expressões mais frequentes estão: “não funciona”, “demora”, “confusão”, “desrespeito”, “bug”, “impossível” e “já paguei”.

Essas manifestações refletem o que a Evollo chama de “tríade emocional”, em que frustração, ansiedade e desconfiança aparecem na maioria das interações malsucedidas. A insatisfação e o descontentamento, percebidos em até 45% dos casos, e a confusão, em quase 25%, complementam um quadro emocional preocupante para as marcas.

Essa combinação de emoções e a recorrência de falhas cria um ambiente hostil à fidelização. O estudo evidencia que uma resolução rápida, aliada a uma comunicação clara, são elementos essenciais para reverter esse quadro”, conclui Ribeiro.

Comunicação nos pátios logísticos ainda é gargalo silencioso que custa caro

A eficiência operacional é o principal objetivo das cadeias logísticas modernas, mas há um elo ainda negligenciado: a comunicação no pátio. Em centros de distribuição cada vez mais conectados, o fluxo interno de veículos e a interação com os motoristas continuam dependentes de processos falhos e, muitas vezes, manuais. Essa desconexão, que parece um detalhe operacional, é na verdade um ponto crítico que prejudica a produtividade e aumenta os custos.

A má gestão da comunicação entre equipes, motoristas de frotas próprias ou terceirizadas e operadores pode gerar atrasos significativos e perdas financeiras. Quando um motorista não sabe onde ir, a doca não sabe quem chegou, e o operador não tem clareza sobre o status da fila, todo o sistema se torna vulnerável. O tempo de espera de veículos nos pátios é um problema comum, que causa prejuízos consideráveis e, o mais importante, é completamente evitável.

A tecnologia, por si só, não é capaz de resolver todos os desafios. Embora a digitalização seja um caminho sem volta, a adoção de ferramentas precisa vir acompanhada de uma mudança de cultura e de processos. Muitos motoristas já utilizam aplicativos de navegação e comunicação pessoal, o que mostra que o obstáculo não é o acesso à tecnologia, mas sim a falta de familiaridade com plataformas corporativas e a ausência de treinamentos. A inclusão digital no pátio exige interfaces intuitivas e capacitação contínua, prática e acessível.

Apesar de haver críticas sobre o tempo e custo de investimento em novos sistemas e em capacitação, é importante destacar que essa visão ignora os gastos ocultos que surgem com a manutenção de processos ineficientes. Os custos de um veículo parado por horas, somados aos impactos na produtividade e no cronograma de entregas, demonstram que o investimento em tecnologia e em capacitação é, na verdade, uma decisão estratégica.

Mais do que simplesmente adotar ferramentas, é fundamental estabelecer rotinas claras, canais de comunicação padronizados e incentivar uma cultura baseada na transparência. Cada participante deve compreender seu papel na operação, com autonomia para reportar, responder e ajustar rotas com base em informações em tempo real. Treinamentos específicos para cada perfil, desde operadores até motoristas, são essenciais para que a transformação digital funcione efetivamente na prática.

O pátio é o primeiro contato físico do motorista com a operação e, muitas vezes, é onde se define a percepção de eficiência da empresa. Otimizar esse ambiente é mais do que uma questão de produtividade: é um investimento que conecta tecnologia, pessoas e processos para criar uma eficiência real e sustentável.

*Vitor Rocha é especialista em marketing e analista na LogPyx.

Crimes digitais: Pharming, Smishing e Phishing, como evitar?

O Brasil se consolidou como o maior alvo de ciberataques da América Latina, registrando mais de 500 mil ocorrências somente no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da Check Point Research. O dado reflete uma realidade preocupante: ataques digitais se tornaram rotina no país, afetando tanto usuários comuns quanto empresas de diferentes portes.

Ataques como pharming, smishing e phishing estão entre as ameaças digitais que mais crescem no mundo, explorando vulnerabilidades humanas e técnicas para roubar dados, credenciais e até dinheiro. Apesar de cada vez mais frequentes, muitos usuários ainda desconhecem como funcionam e quais medidas adotar para se proteger, o que aumenta o risco de perda de dados, credenciais e até dinheiro.

Para Daniel Tieppo, especialista em cibersegurança e Diretor Executivo da HexaDigital, a prevenção é a principal arma contra esse tipo de ameaça. “Esses golpes exploram a confiança e a desatenção das pessoas. Por isso, o primeiro passo é entender como funcionam para evitar cair em armadilhas digitais. Além disso, empresas precisam fortalecer processos internos e adotar tecnologias de monitoramento e proteção em tempo real”, explica o executivo.

Pharming: o golpe invisível que troca seu destino online

O pharming redireciona o usuário, de forma invisível, para sites falsos mesmo quando o endereço correto é digitado. Isso pode ocorrer por falhas em servidores DNS ou por malware instalado no dispositivo da vítima.

No caso do pharming, a atenção deve estar em três pontos: digitar manualmente o endereço de sites sensíveis, desconfiar de mudanças sutis na aparência das páginas e manter sempre os sistemas e antivírus atualizados. Esses cuidados reduzem bastante o risco de cair nesse tipo de armadilha”, orienta Tieppo.

Smishing: quando um simples SMS vira armadilha

O smishing é um golpe via SMS, em que mensagens falsas induzem a vítima a clicar em links maliciosos ou compartilhar informações pessoais. Normalmente, se passam por bancos, operadoras ou serviços de entrega.

Nunca clique em links recebidos por SMS se você não solicitou aquele contato. Além disso, não compartilhe senhas ou códigos por mensagem e ative filtros de spam no celular. Esse simples hábito já evita grande parte das tentativas de fraude via smishing”, alerta o especialista.

Phishing: a isca digital mais comum da internet

O phishing é a forma mais comum de ataque digital. Utiliza e-mails, redes sociais ou aplicativos de mensagens para se passar por instituições confiáveis, induzindo a vítima a fornecer dados sigilosos, como logins, senhas e números de cartão.

A dica principal contra o phishing é sempre checar o remetente antes de clicar em links ou abrir anexos. Também recomendo habilitar a autenticação em dois fatores e participar de treinamentos de conscientização digital, especialmente em ambientes corporativos. A informação continua sendo a melhor defesa contra esse tipo de golpe”, reforça o Diretor Executivo da HexaDigital.

Tieppo ressalta que o combate a esses crimes é uma responsabilidade compartilhada. “O usuário precisa adotar hábitos digitais mais seguros, enquanto empresas devem investir em políticas de conscientização e tecnologias de defesa. A combinação de educação e prevenção é a melhor estratégia contra golpes online”, conclui.

5 dicas de especialista em omnichannel para gerir equipes de atendimento com apoio da IA

O atendimento digital já é uma realidade consolidada no Brasil e no mundo. Mais do que uma tendência, tornou-se uma solução estratégica para empresas que buscam agilidade, economia e proximidade com seus clientes, além de expandir suas oportunidades de mercado. Com esse amadurecimento, o desafio vai além de atender bem: é preciso gerenciar equipes híbridas — intercalando inteligência artificial e colaboradores humanos — de forma eficiente e integrada.

De acordo com Nicola Sanchez, especialista em Telecomunicações e Inteligência Artificial e CEO da Matrix Go — empresa brasileira especializada em IA, soluções tecnológicas para atendimento, relacionamento e engajamento com clientes —, trabalhar com canais omnichannel exige estratégias distintas para cada ponto de contato. Por isso, é essencial ter uma visão sistêmica da jornada do cliente, sem perder a personalização que torna a experiência memorável. O especialista deu cinco dicas para líderes que pretendem impulsionar suas equipes de atendimento digital.

1) Construa relacionamentos duradourosPara Sanchez, a primeira dica para os gestores é desenvolver uma cultura empresarial que trate os atendimentos como relacionamentos. A tecnologia deve ser usada para humanizar as conversas, fazendo com que os consumidores se sintam parte dos negócios do começo ao fim.

“Muitas empresas ainda tratam o atendimento como um processo transacional, quando na verdade devemos construir vínculos duradouros. Se não houver entendimento profundo do contexto e da individualidade de cada pessoa, o risco não é apenas perder um cliente, mas gerar detratores da sua marca”, opina o CEO.

2) Saiba administrar ferramentas de automaçãoNo mercado já existem diversas inteligências artificiais que apoiam a comunicação, otimizando o tempo de resposta e a tomada de decisão.

O especialista, pontua que: “Assistentes de IA generativa compreendem contextos e comportamentos de consumo, enquanto a automação é capaz de resolver demandas repetitivas. Painéis de decisão em tempo real também podem ser integrados a marketplaces e chatbots, garantindo que a companhia estará acompanhando as movimentações dos clientes”, explica Sanchez.

3) Estude e melhore a experiência do cliente“Manter o histórico unificado de cada consumidor, independente do ponto de contato da estratégia omnichannel faz toda a diferença. Isso não só permite que as conversas continuem de onde pararam, mas garante respostas personalizadas”, destaca o executivo.

Determinar um tom de voz padronizado, perguntar informações básicas do cliente (por exemplo como ele gostaria de ser chamado) e pedir feedbacks sobre a interação, também são preocupações que fazem toda a diferença. 

4) Preveja mudanças no comportamento dos clientesEmbora forneça informações valiosas como o tempo de resposta de cada consumidor e suas preferências pessoais, cabe aos humanos refletir sobre o padrão de comportamento. Contudo, Sanchez acrescenta que a inteligência artificial é padronizável para antecipar eventuais distanciamentos, aumentando a chance de reter os clientes.

“O papel da gestão, nestes casos, é decidir sobre a implantação de modelos híbridos [IA e atendimento humano], com foco para os atendimentos emergenciais. Os dados coletados pela automação também podem ser usados para simular como os chatbots reagiriam ao afastamento do cliente.”

5) Utilize IA em toda a jornada de relacionamento“Novamente não falamos em atendimento, mas relacionamentos. Essa percepção muda como os patrões projetam suas soluções digitais. Inserir a automação em todas as etapas da construção do relacionamento amplia o atendimento humano, que será responsável por acompanhar a IA e interferir quando necessário”, destaca o CEO.

A missão dos gestores será avaliar o desempenho da tecnologia na retenção de clientes e oferecer mecanismos de aprendizado à força de trabalho.

Escalabilidade, custo e gestão: os pilares da plataformização da segurança de dados

A transformação digital abriu portas incríveis para as empresas, mas também trouxe um desafio enorme: como proteger tantas informações? Com a adoção de várias nuvens, a explosão na quantidade de dados e um emaranhado de regras para seguir, a segurança digital deixou de ser só uma questão técnica para se tornar um pilar estratégico. Afinal, uma falha pode custar caro, manchar a reputação e até travar a inovação.

E não é só uma sensação: um estudo com profissionais de TI da América Latina mostrou que quase metade deles (49%) acha proteger dados na nuvem mais complexo do que nos sistemas tradicionais. Isso comprova o quanto é desafiador gerenciar a segurança quando as informações estão espalhadas por tantos ambientes diferentes.

O impacto da fragmentação de sistemas

No entanto, o desafio transcende a tecnologia. Muitas organizações ainda operam com um mosaico de sistemas desconectados, onde cada um funciona com seus próprios protocolos e controles isolados. Essa falta de integração gera ineficiência operacional, eleva custos e, crucialmente, cria obstáculos significativos para uma visão unificada e clara dos dados.

As consequências dessa fragmentação são palpáveis. Como revela o estudo, 45% das empresas latino-americanas relataram violações de segurança ou falhas em auditorias relacionadas a dados em nuvem. Este dado evidencia, de forma contundente, que a abordagem de sistemas isolados é insustentável para garantir a proteção de dados no cenário atual.

É justamente nesse contexto que a plataformização da segurança mostra seu valor. Ao centralizar políticas e processos em um ecossistema integrado, as organizações ganham maior controle sobre seus dados, aplicam regras de forma consistente e minimizam riscos de falhas causadas pela dispersão de sistemas. Mais do que uma tendência, essa abordagem é uma resposta necessária à demanda por escalabilidade e eficiência em ambientes complexos.

A fragmentação de ferramentas também eleva custos operacionais. Manter múltiplos sistemas exige licenças extras, integrações custosas e esforço contínuo de gerenciamento, desviando investimentos que poderiam impulsionar inovação. A plataformização, por automatizar processos repetitivos e simplificar a governança, oferece um caminho para reduzir esses gastos e otimizar recursos.

Escalabilidade, visibilidade e estratégia corporativa

Centralizar as operações vai além das vantagens econômicas, oferecendo ganhos importantes para a estratégia da empresa. A capacidade de monitorar instantaneamente o acesso aos dados, identificando o usuário, o momento e a forma, aprimora o gerenciamento de perigos e simplifica o cumprimento das normas. Para setores como saúde, finanças e telecomunicações, altamente regulamentados, essa visão completa não é apenas útil: é fundamental. Ela é a base para evitar multas severas e, mais importante, para proteger a confiança de clientes e parceiros.

Outro ponto crítico é a escalabilidade. À medida que as empresas progridem e a quantidade de dados se eleva, a fragmentação passa a ser um entrave. Sem integração, às políticas de segurança precisam ser reproduzidas de forma manual em múltiplos sistemas, ocasionando demoras e elevando a probabilidade de falhas humanas. A plataformização resolve esse problema. Ela permite que o negócio expanda sem comprometer a proteção das informações, garantindo que a segurança evolua junto com a organização.

Dessa forma, a proteção de dados deixa de ser uma tarefa exclusiva de TI e se torna um pilar estratégico para o negócio. Empresas que adotam uma visão unificada estão mais bem preparadas para mitigar riscos, reduzir custos e reagir com agilidade. A plataformização não resolve todos os desafios, mas oferece um caminho viável para equilibrar segurança, eficiência e crescimento.

No fim das contas, a adoção da plataformização da segurança de dados é mais do que uma medida técnica: é uma decisão estratégica que impacta diretamente a competitividade e a sustentabilidade das organizações. Garantir que os dados estejam protegidos de forma consistente, visível e eficiente é fundamental não só para prevenir incidentes, mas para fazer da segurança um motor de inovação e expansão.

*Por José Ricardo Maia Moraes, CTO da Neotel.

A criatividade pode virar Prompt?

O avanço da inteligência artificial tem transformado práticas profissionais em diferentes setores, especialmente no campo criativo. A discussão sobre até que ponto a tecnologia substitui ou veio para potencializar o trabalho humano, vem sendo fomentada em diversas escalas mundo afora, inclusive, no ano passado foi tema de destaque em um dos maiores festivais de inovação e cultura do mundo – O SXSW 2024 – em Austin nos Estados Unidos.

Na ocasião, uma frase se repetia durante todo o evento: “A IA não vai roubar seu emprego, mas quem usa vai”. A mensagem resumia a sensação de urgência em adotar a tecnologia como ferramenta indispensável. Para muitos, no entanto, a experiência também trouxe uma espécie de “ressaca”: A impressão de que a tecnologia havia se tornado maior do que as pessoas.

Um ano depois, na edição europeia do festival, em Londres, a abordagem foi distinta. O debate ganhou tons mais humanos, menos centrados nas tecnologias. Em uma das palestras, uma frase chamou a atenção: “A questão não é quão inteligente podemos tornar um dispositivo, mas quão humana podemos tornar a experiência.”

O contraste entre os dois eventos expõe um dilema central: enquanto a IA se mostra eficiente em tarefas de repetição e previsão, a criatividade depende de saltos inesperados e conexões improváveis, onde somente um humano é capaz de fazer. Em ambientes profissionais, esse “choque” já é realidade. Profissionais da publicidade e do design relatam que em alguns processos, diferentes equipes chegam a soluções praticamente idênticas ao usar ferramentas de IA, reflexo de um processo que tende a reforçar padrões e reduzir a imprevisibilidade. Em um caso do setor, duas duplas criativas trabalharam em paralelo, sem qualquer troca entre si, e chegaram a propostas quase idênticas, não equivocadas, mas previsíveis e pouco originais.

Esse fenômeno tem sido descrito como um “eco”: um ciclo em que as soluções não geram novidade, apenas se redescobrem em versões semelhantes. Neste cenário, apenas a capacidade humana de dar saltos mentais, cruzando territórios distantes e provocando o inesperado, pode romper a previsibilidade.

Especialistas afirmam que o risco não está na tecnologia em si, mas na forma como é usada. A IA pode agilizar tarefas, ampliar repertórios e liberar tempo para que pessoas explorem ideias mais ousadas. No entanto, quando se torna apenas um atalho, tende a produzir o óbvio.

O desafio, portanto, não é abandonar a IA, mas compreender que sua força está em potencializar a capacidade humana de pensar criticamente, criar narrativas originais e desafiar o óbvio. A criatividade continua sendo um processo essencialmente humano, que depende de coragem crítica e olhar singular para transformar informações em algo novo.

*Graziela Mônaco é Diretora de Criação da Make ID, agência criativa e estratégica que transforma marcas por meio de branding, comunicação integrada e experiências de impacto. Com mais de vinte anos de experiência como Diretora de Arte e Criação, desenvolveu campanhas para grandes marcas como Bacardi, Nokia, Sony, Brastemp, MasterCard, Natura, Colgate, John Deere e Scania. Apaixonada por criar e acreditar no poder das ideias e na importância da diversidade para construir uma comunicação de relevância e impacto, é bacharel em Design Gráfico pelo Centro Universitário Belas Artes com mestrado em Marketing Organizacional pela UNICAMP.

O auge e a queda do prompt engineer na era da IA

Nos últimos dois anos, o termo prompt engineer passou de promissor a defasado. O profissional, que surgiu para preencher a lacuna de interações eficientes com modelos de linguagem, consolidou-se em meio à ascensão dos LLMs como peça-chave na extração de respostas relevantes. Uma pesquisa global da McKinsey revelou que 7% das organizações que adotam IA já haviam contratado engenheiros de prompt, indicando a adoção antecipada dessa função em vários setores.

O trabalho de elaborar comandos precisos, antes considerado diferencial, vem sendo progressivamente automatizado. Ferramentas como o DSPy exemplificam esse movimento ao transformar o ajuste de prompts em um processo programático, capaz de gerar, testar, analisar e otimizar instruções em tempo real. Essa dinâmica coloca em xeque a necessidade de manter profissionais dedicados exclusivamente a essa função.

A essência do prompt engineering sempre esteve ligada à tentativa e erro. Variar frases, analisar resultados e ajustar parâmetros constituíam um processo artesanal, que, embora efetivo em fases iniciais, carecia de escalabilidade e consistência. A automação rompe com essas limitações ao oferecer ciclos contínuos de otimização, menos suscetíveis a erros humanos e mais adequados à complexidade crescente das aplicações de IA.

Essa transição também reflete uma mudança conceitual, em que o foco deixa de ser o “prompting” manual para se tornar um processo de programação. Tal como a escolha manual de pesos de redes neurais foi substituída por algoritmos de otimização, a escrita de prompts passa a ser tratada como problema técnico a ser resolvido sistematicamente. O resultado é previsibilidade e velocidade em níveis inalcançáveis pela atuação humana isolada.

O impacto vai além da eficiência operacional. A extinção gradual da figura do prompt engineer mostra como especializações podem se tornar transitórias diante da automação. Profissões surgem para suprir lacunas temporárias até que ferramentas mais sofisticadas as incorporem de forma nativa. No caso, a expertise migra da execução artesanal para campos como arquitetura de sistemas, automação de fluxos e design estratégico de soluções.

A mudança também evidencia um padrão recorrente da evolução tecnológica, onde tudo o que pode ser sistematizado tende a ser automatizado. A disciplina de prompt engineering, por sua própria natureza, tornou-se alvo inevitável. O profissional que se limitava à interação textual com modelos agora vê seu espaço comprimido por pipelines que assumem essa função de forma contínua e autônoma.

Esse deslocamento não significa a eliminação do conhecimento acumulado, mas sua redistribuição. Compreender o funcionamento dos modelos de linguagem e suas limitações segue relevante, porém a aplicação passa a estar em níveis mais abstratos da cadeia de valor. A diferença está em quem projeta e integra sistemas, não em quem manipula diretamente o texto do comando.

O desaparecimento do prompt engineer como especialização isolada confirma a velocidade com que a inteligência artificial redefine funções profissionais. O episódio sinaliza um alerta mais amplo, em que adaptações que antes levavam décadas agora acontecem em questão de poucos anos. Em um cenário em que a automação absorve até mesmo atividades intelectuais emergentes, flexibilidade e antecipação estratégica tornam-se indispensáveis para profissionais e organizações.