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IA e vendas: vendedores serão substituídos?

A Inteligência Artificial (IA) está transformando o setor de vendas, trazendo automação, análise preditiva e chatbots que tornam os processos mais rápidos e estratégicos. No entanto, a grande questão é: a tecnologia pode substituir completamente o vendedor? Para Fábio Farias, CEO da rede de franquias Love Gifts e especialista em aceleração de negócios, a resposta é clara. A IA é uma ferramenta poderosa, mas jamais poderá substituir o fator humano na arte de vender. “A tecnologia facilita, otimiza e agiliza, mas o que realmente fideliza um cliente é a empatia, o atendimento diferenciado e a conexão genuína”, afirma.

Um estudo recente, conduzido pela Central do Varejo entre abril e junho de 2024, revelou que 47% dos varejistas brasileiros já utilizam IA, enquanto 53% ainda não implementaram essa tecnologia, embora estejam atentos às suas possibilidades. Os números mostram que a inovação está em pleno avanço no setor, mas também reforçam que ainda há espaço para a atuação humana na experiência de compra. Afinal, vendas são, antes de tudo, emocionais.

Para ele, conquistar um cliente exige muito mais do que oferecer um bom preço. “O ser humano leva de 3 a 10 segundos para formar uma opinião sobre alguém. Simpatia e educação são os primeiros passos para uma venda de sucesso. Além disso, a comunicação não se resume às palavras: apenas 7% do impacto vem do que falamos, enquanto o tom de voz representa 38% e a linguagem corporal, 55%. Ou seja, postura, olhar e gestos falam mais do que qualquer argumento”.

Para criar uma experiência memorável, Fábio destaca um exemplo da Disney. Nos parques, há uma faixa amarela no chão que indica o momento exato em que os funcionários precisam entrar no personagem e oferecer uma experiência impecável aos visitantes. Na Love Gifts, esse conceito também está presente. “Nosso time sabe que, ao entrar na loja, precisa dar o seu melhor. Aqui, não atendemos, acolhemos. Porque o cliente não quer apenas um produto, ele busca uma experiência”.

A preparação e a resiliência são fatores que também fazem a diferença. Para o especialista, tudo na vida é uma questão de treino e, em vendas, não é diferente. “Quanto mais você se dedica, melhor se torna. A fidelidade do cliente depende da ausência de algo melhor. Se um concorrente oferecer uma experiência superior, o cliente não hesitará em trocar. Por isso, precisamos estar em constante evolução”.

Outro ponto essencial é a forma como o vendedor se comunica. Pequenos ajustes no vocabulário podem transformar a percepção do cliente e criar um ambiente mais positivo. Expressões simples, como substituir “desculpa pela demora” por “obrigado por esperar”, ou trocar “desconto” por “condição exclusiva”, fazem toda a diferença na experiência de compra. Além disso, segundo o especialista, quem se relaciona mais, vende mais. “Não basta apenas oferecer um produto, é preciso entender as necessidades do cliente e entregar mais do que ele espera. Quanto mais valor você agrega, mais chances tem de fechar uma venda”.

Embora a IA possa prever tendências, analisar dados e personalizar ofertas, ela jamais conseguirá substituir o carisma, a escuta ativa e a criatividade de um vendedor de verdade. No final das contas, o que realmente vende não é um algoritmo, mas sim a forma como o cliente se sente ao ser atendido. Hoje, o vendedor precisa ser estratégico, mas, acima de tudo, humano.

NeoSpace escolhe a Oracle Cloud Infrastructure para desenvolver seus modelos de IA personalizados para o setor de serviços financeiros

A NeoSpace, startup brasileira especializada em IA generativa para empresas de serviços financeiros, selecionou a Oracle Cloud Infrastructure (OCI) para desenvolver e treinar seus modelos fundacionais de IA, que irão transformar a experiência do usuário final. A proposta é oferecer sugestões e ofertas ideais de acordo com o momento de vida do cliente, além de proporcionar uma inteligência mais precisa para ofertas de crédito personalizadas.

Fundada em 2023, a NeoSpace desenvolve modelos fundacionais de IA — não agentes — com foco no desenvolvimento e treinamento de grandes modelos voltados para toda a jornada de atendimento ao cliente. Isso inclui o uso do NeoLang, uma LLM vertical especializada em finanças, que interage com o cliente para oferecer recomendações personalizadas. Além disso, a empresa conta com o NeoCustomer, um modelo treinado com dados detalhados dos clientes, com o objetivo de oferecer sugestões e produtos altamente contextualizados e personalizados, ou seja, um modelo exclusivo para cada cliente.

Para impulsionar seus modelos de IA, a NeoSpace usará o OCI Supercluster com o NVIDIA GB200 NVL72 em escala de rack com refrigeração líquida que permite que até 72 Blackwell GPUs se comuniquem. Com o OCI Supercluster, a NeoSpace pode processar grandes volumes de dados com alta velocidade e precisão.

“Para realizar sessões de treinamento complexas para nossos modelos, precisamos de um poder de processamento extremo”, disse Bruno Pierobon, CEO e cofundador da NeoSpace. “Com o OCI e o NVIDIA GB200 NVL72, seremos capazes de desenvolver, personalizar e implantar IA em um novo nível de desempenho, escala e eficiência de custos.”

A NeoSpace se tornou uma inovadora em IA no setor de serviços financeiros por meio de investimentos em tecnologia e parcerias estratégicas que focam na inovação e personalização nas soluções bancárias. Para ampliar seu sucesso, a NeoSpace planeja expandir para outros setores, incluindo telecomunicações.

“A Oracle está comprometida em oferecer valor e o mais alto desempenho para todas as cargas de trabalho de IA”, afirma Leandro Vieira, vice-presidente de IA & Cloud Infrastructure da Oracle para a América Latina. “Nossa colaboração com a NeoSpace demonstra como uma infraestrutura robusta de IA permite que a IA generativa seja implantada de forma escalável e segura, promovendo transformações significativas em diversos setores da economia brasileira.”

“A colaboração estratégica entre Oracle e NeoSpace, aliada ao uso de soluções da NVIDIA, será essencial para impulsionar a eficiência operacional”, ressalta Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina. “Com tecnologia de ponta, conseguimos otimizar processos, acelerar a análise de dados e gerar melhores resultados para os negócios”.

Oracle revoluciona o futuro dos negócios com hub de inovação e IA

A Oracle anunciou hoje a inauguração do Oracle Innovation Center, um espaço de 750 metros quadrados que ocupa um andar inteiro da sua sede em São Paulo. O centro foi criado para conectar pessoas, indústrias e tecnologia, repensar modelos de negócios e desenvolver soluções transformadoras. Integrando as tecnologias das soluções Oracle e o apoio de um ecossistema composto por mais de 30 parceiros estratégicos, o novo espaço oferece alto desempenho e uma visão inteligente e integrada do futuro.

Oracle Innovation Center funciona como um laboratório vivo, onde o talento humano e a tecnologia se unem para abrir novos horizontes. Sendo o primeiro espaço desse tipo da Oracle na América Latina, ele representa a evolução natural da Loja Conceito e se inspira em iniciativas consolidadas em países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.

A proposta é catalisar a transformação digital ao demonstrar como a tecnologia de ponta, potencializada pela inteligência artificial e pela criatividade humana, pode abrir novos caminhos de inovação. Por meio de experiências imersivas e interativas, o espaço exibe soluções aplicadas a mais de dez indústrias, incluindo varejo, hotelaria, alimentos e bebidas, energia e água, engenharia e construção, saúde, manufatura, finanças, telecomunicações, agroindústria e logística.

“Esse centro representa o compromisso da Oracle em inspirar o desenvolvimento de futuros mais conectados, eficientes e inovadores, sempre com foco na IA e na colaboração”, afirma Alexandre Maioral, Presidente da Oracle no Brasil. “No Oracle Innovation Center, queremos mostrar como cada decisão tecnológica pode moldar o futuro dos negócios, oferecendo um ambiente onde clientes e parceiros podem cocriar e experimentar soluções em um nível totalmente novo.”

Oracle Innovation Center oferece demonstrações de soluções concretas e inovadoras, projetadas para enfrentar desafios reais, otimizar processos e criar novas oportunidades, impulsionando o crescimento de empresas e clientes de diferentes setores e tamanhos. O espaço proporciona experiências imersivas, como realidade aumentada, robótica e um simulador da Oracle Red Bull Racing. Tem ainda áreas dedicadas a palestras, eventos, um estúdio de gravação e demonstração de serviços de armazenamento de dados e computação para locais desconectados (o Roving Edge Infrastructure, suportado pelo RevOPS Solution Center).

“O grande diferencial do Oracle Innovation Center é a convergência entre pessoas e inteligência artificial, em que a tecnologia potencializa o talento humano para criar um futuro mais inteligente e colaborativo”, acrescenta Maioral. “Queremos incentivar uma visão em que problemas complexos se transformem em oportunidades, demonstrando como a inovação e crescimento podem nascer da união entre dados, criatividade e estratégia.”

Oracle Innovation Center não se limita a ser apenas um espaço físico, é um verdadeiro ecossistema de co-criação, projetado para estar em constante evolução e adaptação. Nele, clientes e parceiros desenvolvem experiências que acompanham a velocidade das inovações trazidas pela inteligência artificial, criando soluções personalizadas, integradas e disruptivas.

A nova Era da Gestão Empresarial: Como Assistentes Virtuais Inteligentes otimizam processos internos

A adoção de Assistentes Virtuais Inteligentes (AVIs) em ambientes corporativos está transformando a maneira como as empresas operam e interagem com seus funcionários e clientes. O que antes era visto como uma solução restrita ao atendimento ao consumidor, hoje se expande para otimizar processos internos, aprimorar a comunicação e aumentar a eficiência operacional. Com a evolução da Inteligência Artificial (IA) e do processamento de linguagem natural, os assistentes virtuais estão se tornando peças estratégicas na automação e digitalização de negócios, promovendo um ambiente de trabalho mais ágil e produtivo.

De início, as empresas investiram massivamente em assistentes virtuais inteligentes para otimizar o atendimento ao cliente, reduzindo tempos de resposta e garantindo suporte 24/7. As interações que antes dependiam exclusivamente de equipes humanas começaram a ser realizadas por bots inteligentes que compreendem contexto, histórico do usuário e intenções, oferecendo respostas precisas e personalizadas. Melhorando não apenas a experiência do cliente, mas também liberando a equipe para lidar com demandas mais complexas, agregando maior valor ao atendimento. Além disso, a integração com CRMs e outros sistemas permite que os assistentes virtuais acessem dados em tempo real, proporcionando recomendações e soluções sob medida.

Hoje, os AVIs passaram a ser mais utilizados no âmbito interno e não só focados no atendimento ao consumidor. Os assistentes virtuais inteligentes estão revolucionando a gestão de recursos humanos, simplificando tarefas como onboarding de novos funcionários, requisições administrativas e gerenciamento de benefícios. Os colaboradores podem interagir com assistentes para esclarecer dúvidas sobre políticas da empresa, solicitar folgas, acessar holerites e até mesmo obter insights sobre desempenho. Essa automação reduz significativamente o tempo gasto em tarefas operacionais, permitindo que os profissionais de RH foquem em iniciativas estratégicas voltadas para o engajamento e retenção de talentos.

A área de TI também tem se beneficiado da implementação de assistentes virtuais para suporte técnico. Empresas estão utilizando bots inteligentes para diagnosticar e resolver problemas comuns, como redefinição de senhas, acesso a sistemas e resolução de falhas de software. Isso reduz a sobrecarga sobre as equipes de suporte, melhora a produtividade dos colaboradores e minimiza o tempo de inatividade causado por problemas técnicos. Além disso, a automação impulsionada por IA possibilita a identificação preditiva de falhas, permitindo a resolução de problemas antes mesmo que impactem as operações da empresa.

Outra frente de transformação ocorre na gestão de dados e processos analíticos. Os AVIs estão sendo utilizados para extrair insights de grandes volumes de informações, oferecendo análises em tempo real e auxiliando na tomada de decisões estratégicas. Executivos podem interagir com assistentes de IA para obter relatórios financeiros, métricas de desempenho e projeções de mercado de forma instantânea, sem a necessidade de acessar múltiplos sistemas ou depender de análises manuais. Essa capacidade de processamento inteligente de dados melhora a agilidade na resposta a desafios e oportunidades de negócio.

A evolução dos assistentes virtuais inteligentes em ambientes corporativos está diretamente ligada à sua capacidade de integração com múltiplas plataformas e sistemas. Com APIs avançadas e conectividade com ERPs, CRMs, plataformas de comunicação e ferramentas de colaboração, os AVIs conseguem centralizar operações e oferecer uma experiência fluida aos usuários. Empresas que adotam essa abordagem ganham um diferencial competitivo ao eliminar silos de informação e aumentar a sinergia entre diferentes áreas.

Com a inteligência artificial e o aprendizado de máquina em constante avanço, o futuro dos assistentes virtuais inteligentes promete ainda mais sofisticação e impacto nos negócios. A capacidade de adaptação ao comportamento dos usuários, a evolução na compreensão de linguagem natural e a automação cada vez mais avançada consolidam os assistentes virtuais como aliados indispensáveis na transformação digital das empresas. Investir nessa tecnologia não é mais uma questão de inovação, mas, sim, uma necessidade estratégica para organizações que buscam eficiência, escalabilidade e excelência operacional.

Atendimento humanizado na cobrança melhora resultados e reputação

Conforme apontado pelo portal Cliente S/A, 39% dos brasileiros têm preferência pelo atendimento humano. Na prática, o que os clientes buscam é serem atendidos por alguém que os compreenda, seja empático e resolva seu problema. Empresas de cobrança que adotam uma abordagem humanizada não apenas melhoram a experiência do consumidor, mas também fortalecem sua reputação e aumentam a eficiência das negociações.

Quando se trata de cobrança, é preciso entender que o cliente está sensibilizado por uma situação desagradável: o endividamento. Ao priorizar a empatia e escuta ativa no contato com o cliente, a empresa figura no mercado positivamente, evitando aquela imagem de vilão das equipes de recuperação de crédito.

Edemilson Koji Motoda é diretor do Grupo KSL, especialista em cobrança amigável e jurídica. Ele comenta que essa humanização do atendimento tem resultados positivos nas negociações: “Além da reputação, a taxa de sucesso nas cobranças também é impactada por essa abordagem. Clientes que se sentem respeitados e compreendidos tendem a estar mais abertos a negociar suas pendências e buscar soluções viáveis. Um atendimento que considera a realidade de cada consumidor, com linguagem adequada e flexibilidade, pode fazer a diferença na recuperação de crédito”.

Para alcançar esse nível de atendimento, é necessário haver a conscientização por parte da equipe, com treinamentos, palestras e ações internas, para garantir que cada interação seja conduzida de forma respeitosa e eficaz, gerando resultados positivos tanto para os clientes quanto para as empresas credoras.

Integrações tecnológicas e os saltos da humanidade

Se tem algo que ficou claro no SXSW 2025, é que não estamos mais diante de revoluções tecnológicas isoladas. O futuro não é IA de um lado, computação quântica do outro e biotecnologia em um canto distante. O que está acontecendo agora é a fusão dessas frentes. E toda vez que a humanidade experimentou grandes integrações tecnológicas, deu saltos que mudaram tudo.

A IA não está apenas se tornando mais eficiente, mas aprendendo com a neurociência. Não se trata mais de máquinas executando tarefas, mas de sistemas que evoluem e influenciam nossa cognição. Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group, chamou esse conceito de Living Intelligence: um ecossistema vivo onde sensores, algoritmos e organismos biológicos aprendem e tomam decisões de forma autônoma. Ou seja, a IA está deixando de ser apenas uma ferramenta e se tornando um agente vivo na equação da inovação.

Mas não para por aí. A relação entre psicodélicos e computação quântica pode parecer um conceito de ficção científica, mas ambos exploram os limites da percepção e da realidade. Em um dos painéis mais inesperados do evento, pesquisadores discutiram como os efeitos da psilocibina, substância psicoativa que pode induzir experiências místicas ou alterações de percepção no cérebro, pode inspirar novas formas de modelagem computacional e neurointerfaces. A fusão entre essas áreas pode resultar em avanços não só na forma como interagimos com a tecnologia, mas na própria definição do que significa ser inteligente.

biotecnologia e a robótica também estão atravessando suas próprias fronteiras. Não estamos mais apenas criando próteses ou manipulando genes, mas mesclando o orgânico e o sintético de formas que redefinem o que significa ser humano. No Brain-Skin Connection SeminarDr. Emily Fowler mostrou como o estresse não afeta apenas o emocional, mas pode reescrever nossa biologia em nível celular. A conexão entre corpo e tecnologia está deixando de ser externa para se tornar algo incorporado ao próprio funcionamento humano.

No campo da computação quântica, o CEO da IBM, Arvind Krishna, afirmou que estamos a menos de três anos de um grande avanço. A corrida para alcançar a supremacia quântica está em ritmo acelerado, com empresas como AWS e Microsoft investindo pesado na infraestrutura para tornar esses sistemas acessíveis. Enquanto isso, no painel “Preparing for a Quantum Leap”, especialistas como Dr. Jeanette Garcia (IBM Quantum) discutiram como essa tecnologia pode revolucionar a descoberta de medicamentos e a modelagem molecular, mudando completamente setores como saúde e materiais avançados.

Mas será que estamos prontos para essas integrações? Esther Perel, psicoterapeuta renomada, fez um alerta: quanto mais avançamos na tecnologia, mais nos desconectamos como sociedade. Hoje, estamos mais ligados a algoritmos do que a pessoas. E se a próxima fronteira da IA não for apenas imitar o pensamento humano, mas preencher as lacunas emocionais que estamos deixando para trás?

E no meio de tudo isso, uma provocação: como Amy Webb solta um relatório de tendências com 1000 páginas? Isso é um reflexo da velocidade absurda das mudanças ou um alerta de que estamos sobrecarregados de possibilidades? Estamos mesmo indo na direção certa ou apenas correndo sem rumo? Tem muito ruído nesse mundo e é preciso ter calma para separá-los e observar os sinais. 

Continuo acreditando que o deep tech potencializa as capacidades humanas, mas para isso precisamos evoluir como humanos, tirar a empolgação da tecnologia e criar conexões reais. Será que estamos diante de um salto evolutivo ou de um colapso da nossa própria identidade? Saberemos em breve. 

Sem dúvida, o SXSW foi um espetáculo de conexões e networking. Mas, entre tantas interações e trocas de ideias, um destaque incontestável foi a SP House. Além de apresentar conteúdos relevantes, o espaço do Brasil – sim, temos muita coisa boa para mostrar – trouxe reflexões profundas sobre diversidade, um tema que, para minha surpresa, esteve praticamente ausente nos outros painéis. Kond e Malheiros foram certeiros ao abordar a importância do acesso e inclusão, provando que inovação sem diversidade é um conceito vazio.

Poucos palestrantes tiveram coragem de tocar em questões como o domínio e a influência das big techs e o atual momento político dos EUA. Foi uma rara exceção em um evento que, historicamente, sempre abriu espaço para debates mais ousados. A CEO da BlueskyJay Graber, fez uma crítica direta ao modelo centralizado das redes sociais e à crescente concentração de poder das plataformas digitais. Segundo ela, “se um bilionário decidir amanhã mudar tudo, as pessoas devem ter a opção de migrar para outro lugar”, reforçando a necessidade de descentralização para garantir a liberdade digital.

E, neste assunto, o debate vai precisar ser constante. Ao mesmo tempo em que essas tecnologias nos prometem um futuro mais conectado e eficiente, é essencial refletirmos sobre as consequências dessa evolução. A fusão de áreas como IA, biotecnologia e computação quântica não só expande as possibilidades, mas também desafia a maneira como entendemos liberdade e controle. Se conseguirmos equilibrar inovação com responsabilidade, poderemos alcançar avanços que realmente transformem nossas vidas para melhor. Mas, para isso, precisamos garantir que essas tecnologias sirvam à humanidade, e não o contrário.

IA Open Source: a perspectiva da Red Hat

Mais de três décadas atrás, a Red Hat viu o potencial do desenvolvimento e das licenças open source para criar melhores softwares e fomentar a inovação de TI. Trinta milhões de linhas de código depois, o Linux não apenas se desenvolveu a ponto de se tornar o software open source mais bem-sucedido, como também mantém essa posição até hoje. O compromisso com os princípios open source continua, não apenas no modelo de negócios corporativa, como também é parte cultura de trabalho. Na avaliação da empresa, esses conceitos têm o mesmo impacto na inteligência artificial (IA) se feitos da maneira correta, mas o mundo da tecnologia está dividido em relação ao que seria a “maneira certa”.

A IA, em especial os grandes modelos de linguagem (LLMs) por trás da IA generativa (gen AI), não pode ser vista da mesma forma como um programa aberto. Ao contrário do software, os modelos de IA consistem principalmente em modelos de parâmetros numéricos que determinam como um modelo processa inputs, assim como a conexão que faz entre vários data points. Parâmetros de modelos treinados são o resultado de um longo processo envolvendo vastas quantidades de dados de treinamento que são cuidadosamente preparados, misturados e processados.

Embora os parâmetros do modelo não sejam software, em alguns aspectos possuem uma função semelhante ao código. É fácil fazer a comparação de que os dados são o código-fonte do modelo, ou seriam muito próximos a ele. No open source, o código-fonte é comumente definido como a “forma preferida” para fazer modificações no software. Os dados de treinamento sozinhos não se encaixam nessa função, dado que seu tamanho difere e do seu complicado processo de pré-treinamento que resulta em uma conexão tênue e indireta que qualquer item dos dados usados no treinamento tem com os parâmetros treinados e o comportamento resultante do modelo.

A maioria das melhorias e aprimoramentos em modelos de IA que estão ocorrendo agora na comunidade não envolvem acesso ou manipulação dos dados originais de treinamento. Em vez disso, eles são o resultado de modificações nos parâmetros de modelo ou em um processo ou ajuste que também pode servir para ajustar a performance do modelo. A liberdade de fazer essas melhorias no modelo exige que os parâmetros sejam lançados com todas as permissões que os usuários recebem sob licenças open source.

Visão da Red Hat para a IA open source.

A Red Hat acredita que a base do IA open source se encontra nos parâmetros de modelo licenciados de forma open source combinados com componentes de software open source. Este é um ponto de partida da IA open source, mas não o último destino da filosofia. A Red Hat incentiva a comunidade open source, autoridades regulatórias e a indústria a continuarem se esforçando para obter maior transparência e alinhamento com os princípios de desenvolvimento open source ao treinar e ajustar modelos de IA.

Esta é a visão da Red Hat como empresa, que abrange um ecossistema de software open source, pode engajar de forma prática com a IA open source. Não é uma tentativa de definição formal, como a que a Open Source Initiative (OSI) está desenvolvendo com a sua Open Source AI Definition (OSAID). Esse é o ponto de vista da corporação faz da  IA open source factível e acessível para o maior conjunto de comunidades, organizações e fornecedores.

Esse ponto de vista em prática é posto em prático por meio do trabalho com as comunidades open source, destacado pelo projeto InstructLab, liderado pela Red Hat e do esforço com a IBM Research na família Granite de modelos open source licenciados. O InstructLab reduz significativamente as barreiras para que pessoas que não são cientistas de dados contribuam com modelos de IA. Com o InstructLab, especialistas de domínio de todas os setores podem acrescentar suas habilidades e conhecimento, tanto para uso interno como para ajudar um modelo open source IA compartilhado e amplamente acessível para comunidades upstream.

A família de modelos Granite 3.0 lida com uma ampla gama de casos de uso de IA, desde geração de código até processamento de linguagem natural para extrair insights de grandes datasets, tudo sob uma permissiva licença open source. Nós ajudamos a IBM Research a trazer a família de modelos de código Granite para o mundo open source e continuamos a oferecer suporte à família de modelos, tanto do ponto de vista open source como parte de nossa oferta Red Hat AI .

A repercussão dos recentes anúncios da DeepSeek mostra como a inovação open source pode impactar a IA, tanto no nível do modelo como além. Obviamente há preocupações sobre a abordagem da plataforma chinesa, principalmente que a licença do modelo não explica como ele foi produzido, o que reforça a necessidade de transparência. Dito isso, a disrupção mencionada reforça a visão da Red Hat sobre o porvir da IA: um futuro aberto, focado em modelos menores, otimizados e abertos, que podem ser customizados para casos de uso de dados empresariais específicos em todo e qualquer local da nuvem híbrida. 

Expandindo modelos de IA para além do open source

O trabalho da Red Hat no espaço da IA open source vai muito além do InstructLab e da família de modelos Granite, indo até as ferramentas e plataformas necessárias para de fato consumir e produtivamente usar IA. A empresa se tornou muito ativa no fomento de projetos e comunidades de tecnologia, como por exemplo (mas não apenas):

●      RamaLama, um projeto open source que visa facilitar o gerenciamento e a disponibilização locais de modelos de IA;

●      TrustyAI, um toolkit open source para a construção de fluxos de trabalho de IA mais responsáveis;

●      Climatik, um projeto centrado em ajudar a tornar a IA mais sustentável quando se trata de consumo de energia;

●      Podman AI Lab, um toolkit de desenvolvedores focado em facilitar a experimentação com LLMs open source;

recente anúncio sobre a Neural Magic amplia a visão corporativa sobre IA, fazendo com que seja possível para que organizações alinhem modelos de IA menores e otimizados, incluindo sistema open source licenciados, com seus dados, onde quer que vivam na nuvem híbrida. As organizações de TI podem, então, utilizar o servidor de inferência vLLM para impulsionar as decisões e a produção destes modelos, ajudando a construir uma pilha de IA baseada em tecnologias transparentes e com suporte.

Para a corporação, a IA open source AI vive e respira na nuvem híbrida. A nuvem híbrida fornece a flexibilidade necessária para escolher o melhor ambiente para cada carga de trabalho de IA, otimizando a performance, custo, escala e requerimentos de segurança. As plataformas, metas e organização da Red Hat apoiam estes esforços, juntamente com parceiros do setor, clientes e a comunidade open source, à medida que o código aberto na inteligência artificial seja impulsionado.

Há um imenso potencial para ampliar essa colaboração aberta no espaço da IA. A Red Hat enxerga um futuro que abrange trabalho transparente em modelos, assim como seu treinamento. Seja na próxima semana ou no próximo mês (ou até antes, dada a rapidez da evolução da IA), a empresa e comunidade aberta, como um todo, continuarão a poiar e adotar os esforços para democratizar e abrir o mundo da IA.

A arte de transformar mensagens em negócios

O e-commerce brasileiro continua a crescer de maneira impressionante. Em 2024 foram R$200 bilhões de faturamento, segundo a ABCOMM (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).  Este ano, apenas durante a Semana do Consumidor, o setor faturou notáveis R$8,3 bilhões, conforme levantamento da Neotrust Confi. Este dado ressalta a importância de empresas e comerciantes adotarem estratégias eficazes de comunicação em aplicativos de mensagens como o  whatsapp, direct e messenger, para potencializar vendas.

No cenário digital atual, as ferramentas de comunicação são extremamente importantes para vendedores, proporcionando uma conexão direta e personalizada com os clientes. No entanto, segundo Gustavo Ferreira, consultor estratégico de negócios e marketing, “ muitos ainda não aproveitam todo o potencial destas plataformas, tornando-se meros ‘passadores de pedidos’, em vez de cultivarem conexões reais com seus consumidores”. Gustavo Ferreira destaca que dominar a comunicação persuasiva é crucial, não apenas para negócios, mas em diversas esferas da vida.

Com mais de 147 milhões de brasileiros usando o whatsapp, o que representa mais de 96% dos internautas do país, e um total de 2,4 bilhões de usuários globais trocando mais de 100 bilhões de mensagens diariamente, destacar-se se torna um desafio e uma oportunidade de abocanhar um pedaço maior desse mercado.

Como se destacar e fechar negócios

Para transformar o whatsapp, ou outra plataforma de mensagens,  em uma ferramenta de vendas eficaz, é essencial ir além da simples transação comercial e adotar estratégias que criem valor e conexão:

  1. Perguntas específicas: Identificar a real necessidade do cliente é fundamental. Perguntas bem elaboradas fazem o cliente se sentir ouvido e compreendido, facilitando a criação de uma conexão genuína.
  2. Valor a longo prazo: Nem todos os clientes estão prontos para comprar imediatamente. Manter a conversa ativa e enviar conteúdos relevantes periodicamente mantém o cliente engajado e interessado.
  3. Venda pessoal: Os clientes compram de pessoas, não de empresas. Construir uma relação de confiança é crucial para converter uma conversa em venda.

3 estratégias para aumentar suas vendas

Gustavo Ferreira sugere três estratégias principais para otimizar suas interações no whatsapp e fechar mais negócios:

  • Processo de mensagens replicável: Desenvolver um padrão de mensagens bem-sucedidas para diferentes perfis de clientes garante consistência e eficiência no atendimento.
  • Foco no cliente: Antes de vender, é essencial entender as necessidades do cliente e oferecer soluções adequadas. Identificar e responder a objeções é onde a verdadeira venda acontece.
  • Contar histórias: Histórias pessoais ou de clientes satisfeitos ajudam a construir confiança e conexão, inspirando o cliente a agir.

O segredo para construir mensagens que fecham negócios é identificar lacunas na vida do cliente e posicionar sua solução como o caminho para a transformação desejada. 

Com essas estratégias, é possível não apenas destacar-se em meio à concorrência, mas também transformar interações em relações duradouras e lucrativas.

Desperdício de R$ 1,57 bilhão: marcas perdem dois terços do seu orçamento ao investir em creators sem apoio da tecnologia

Imagine pedir uma pizza no fim de semana, esperar ansiosamente pela comida e, quando abrir a caixa, se deparar apenas com um terço das fatias? Essa é uma analogia para a situação que o mercado publicitário enfrenta quando falamos de investimento em campanhas com creators, de acordo com um estudo realizado pela BrandLovers

Segundo o levantamento, feito com base no banco de dados da plataforma, do total de R$ 2,18 bilhões por ano movimentado pelo setor — segundo dados divulgados por Kantar Ibope Media e Statista —, até R$ 1,57 bilhão pode estar sendo jogado fora. “Na realidade de hoje, na qual o marketing de influência se consolidou como uma das principais estratégias de publicidade digital no Brasil, a identificação dessa perda deve servir como um alerta para as marcas”, reforça Rapha Avellar, CEO da BrandLovers. 

A partir da ampla base da plataforma, que conta hoje com mais de 220 mil creators e realiza em média quatro pagamentos por minuto, o levantamento analisou dados de campanhas com nano, micro e macro produtores de conteúdo para fazer o diagnóstico. Com isso, além de identificar o montante perdido pelos anunciantes e profissionais de marketing, foi possível identificar a raiz do problema. “Falta uma abordagem orientada por dados, tecnologia e escala.” 

Avellar destaca que muitas marcas ainda tomam decisões baseadas em percepções subjetivas ou na mera popularidade dos criadores, sem uma análise aprofundada de impacto e desempenho. Ele aponta a necessidade urgente de um modelo mais estruturado, fundamentado em dados e tecnologia. “A mídia de influência é tão central para a geração de demanda em 2025 que precisa ser tratada como mídia de verdade – um jogo de ciência exata, e não de achismos.” Ele reforça que essa mudança de mentalidade poderia maximizar o retorno sobre investimento, garantindo que uma parcela significativa dos orçamentos fosse aplicada de forma mais estratégica e eficiente.

As 3 grandes causas do desperdício

A pesquisa foi além da identificação do problema no orçamento e buscou compreender as causas por trás dele. São três os principais fatores de ineficiência no trabalho com creators, que contribuem diretamente para o cenário de desperdício:

  1. Escolha inadequada do perfil de creators

A escolha entre nano, micro ou macro creators, baseada no tamanho do perfil (em número de seguidores), tem impacto direto na eficiência das campanhas em relação ao potencial de alcance e custo-benefício. O levantamento mostra que, para uma mesma campanha, com um orçamento de R$1 milhão, os micro creators apresentam um custo médio por visualização (CPView) de R$ 0,11 e geram, em média, 9,1 milhões de visualizações. Já os macro creators possuem CPView de R$ 0,31 e alcançam cerca de 3,2 milhões de visualizações.

Isso significa que campanhas que utilizam micro creators conseguem um alcance 65% mais eficiente por real investido, maximizando o impacto da campanha sem aumentar o orçamento.

  1. Falta de Precificação Individual e Multifatorial

A ausência de um método multifatorial para precificação de creators é uma das principais causas da ineficiência dos investimentos em marketing de influência. Embora o número de seguidores seja uma métrica relevante, ela precisa ser analisada em conjunto com outros fatores para garantir uma precificação justa e eficiente. Atualmente, grande parte do mercado ainda define valores baseando-se apenas nessa métrica isolada, desconsiderando indicadores essenciais como impacto, alcance efetivo, segmentação de audiência e otimização do custo por visualização.

Esse modelo de precificação gera três grandes problemas:

  1. Pagar por unidade de creator, e não por impacto e alcance
    Muitas marcas precificam os creators com base em faixas de seguidores e engajamento médio. No entanto, essa abordagem simplificada muitas vezes faz com que um creator de 40 mil seguidores receba o mesmo valor que um de 35 mil. O mesmo acontece com creators de 60 mil seguidores, onde um pode ter 6% de engajamento e outro apenas 4%, mas ambos recebem o mesmo pagamento. Essa prática destrói a otimização da mídia e reduz a eficiência dos investimentos.
  2. Excesso de intermediários entre marca e creator
    As agências são parceiras estratégicas na comunicação das marcas, mas existem cadeias de pagamento mal desenhadas que chegam a ter 4 ou até 5 intermediários e podem aumentar drasticamente os custos. Em algumas estruturas, o mesmo creator pode custar até 6 vezes mais, devido à ineficiência tributária e às margens adicionadas por intermediários desnecessários. Esse modelo de repasse de custos reduz a verba destinada ao que realmente importa: comprar a mídia, entregar impacto e gerar conversas genuínas sobre a marca.
  3. Pagar o valor errado por falta de opção
    Encontrar o creator certo pode se tornar um gargalo, e, na pressão para decidir rapidamente, muitas marcas acabam escolhendo creators subótimos. Sem acesso a um grande volume de opções qualificadas, campanhas podem acabar pagando o mesmo valor para creators que entregam menos resultado, prejudicando o retorno sobre o investimento.

Uma análise comparativa demonstrou o impacto da mudança para um modelo de precificação com algoritmo mais eficiente:

  • Antes: Uma campanha tradicional baseada apenas no número de seguidores resultou em um custo por visualização de R$ 0,16, gerando 3,1 milhões de visualizações.
  • Depois: Aplicando um modelo de precificação inteligente, que considera múltiplos fatores (impacto real, segmentação e otimização de mídia), o custo por visualização caiu para R$ 0,064, permitindo alcançar 7,75 milhões de visualizações com o mesmo orçamento.
  • Resultado: Um aumento de +150% no alcance da campanha, otimizando o investimento em mais de 60%.

Os dados deixam claro que erros na precificação não apenas aumentam os custos desnecessariamente, mas também limitam o potencial da mídia de influência como um canal estratégico de awareness e consideração. Ajustar a forma como as marcas compram essa mídia pode trazer ganhos exponenciais, garantindo que cada real investido gere impacto real e maximizado.

  1. Segmentação errada 

Outro erro crítico identificado é a escolha de creators cuja audiência não está alinhada aos objetivos da ação. A pesquisa revelou que campanhas com baixo fit entre o creator e a marca resultam em um CPView de R$ 0,30, enquanto aquelas com alto fit alcançam um CPView de apenas R$ 0,09. Ou seja, campanhas mal direcionadas são 3,33 vezes menos eficientes.

Além disso, o aumento de custos pode se tornar ainda mais crítico quando a audiência do creator não está alinhada ao público-alvo da campanha. Esse problema ocorre porque muitas marcas ainda escolhem creators com um mindset de associação de imagem, e não com uma abordagem estratégica de planejamento de mídia. O creator que aparenta ser a “cara da sua marca” pode, na prática, ter uma audiência que não reflete o perfil do seu consumidor ideal, reduzindo drasticamente a efetividade da campanha.

A falta de alinhamento, portanto, pode significar um desperdício de até 72% do orçamento de algumas campanhas. Isso caso a segmentação não seja feita com base em dados concretos sobre o perfil da audiência, engajamento real e afinidade com a marca.

Como evitar a perda de orçamento?

“As marcas precisam adotar um mindset mais analítico no marketing de influência, assim como já fazem em outras frentes de mídia”, afirma Avellar. “O que vemos hoje é que muitas decisões são tomadas com base em fatores subjetivos, sem uma avaliação mais profunda do potencial de impacto de cada creator.”

Para evitar uma análise baseada em um único critério e o prejuízo causado por essa prática,  o estudo indica a adoção de um planejamento feito a partir de dados e critérios bem estruturados. Isso inclui:

  • Decisões orientadas por dados além de seguidores e engajamento – Utilizar tecnologia para análises preditivas que identifiquem os criadores mais eficazes para otimizar KPIs essenciais, como impactos, alcance e frequência.
  • Pensar como mídia – Definir o target da campanha antes de selecionar os criadores, priorizando a entrega de resultados em vez de escolhas baseadas apenas na associação de imagem.
  • Precificação estratégica e eficiente – Evitar distorções de custo que elevam o investimento sem proporcionalidade no retorno, garantindo que os pagamentos sejam otimizados para maximizar a escala e o impacto das campanhas.

“A chave para o futuro do marketing de influência está na precisão”, conclui Avellar. “As marcas que souberem usar tecnologia e dados no centro de suas estratégias, conseguirão evitar desperdícios. Mais do que isso, elas serão capazes de maximizar o impacto real de suas ativações com creators. No final, o sucesso do marketing de influência não depende apenas de investir mais dinheiro, mas sim de investir com mais inteligência”.

Mídia programática e IA: a publicidade do futuro depende da inteligência humana

O que faz uma equipe ser bem-sucedida? Foi essa a pergunta que guiou o Projeto Aristóteles, uma extensa pesquisa do Google que revelou um fator fundamental para o alto desempenho: a segurança psicológica. 

Mais do que talento individual ou ferramentas avançadas, o diferencial estava na colaboração e confiança entre os membros do time. Curiosamente, esse princípio também pode ser aplicado à publicidade digital, onde a inteligência artificial (IA) e a mídia programática estão transformando a forma como as marcas se comunicam com o público.

Um exemplo recente dessa revolução é o Search Generative Experience (SGE), do Google, que utiliza IA generativa para responder diretamente às perguntas dos usuários nos resultados de busca, reduzindo a necessidade de cliques em sites externos. 

Outra iniciativa semelhante é o Microsoft Copilot, integrado ao Bing, que também fornece respostas detalhadas com base na IA, impactando a forma como os usuários acessam informações e interagem com conteúdos jornalísticos.

Nesse novo cenário, a publicidade digital precisa equilibrar automação e estratégia humana para garantir campanhas relevantes e eficazes. Assim como no Projeto Aristóteles, onde a tecnologia sozinha não era suficiente para garantir o sucesso, na mídia programática o verdadeiro impacto acontece quando os algoritmos trabalham em sintonia com a criatividade e o olhar crítico dos especialistas em comunicação e audiência.

De acordo com Riadis Dornelles, da PremiumAds, empresa especialista em audiência e monetização digital, a mídia programática funciona como um leilão dinâmico e instantâneo. 

“Em questão de milissegundos, a tecnologia decide onde um anúncio deve aparecer para maximizar seu impacto, garantindo maior eficiência nas campanhas publicitárias. Mas é essencial que seja feita uma curadoria prévia dos portais impactados, para que a qualificação dos canais esteja 100% garantida”, explica.

De acordo com o CEO da PremiumAds, os algoritmos de IA não têm julgamento editorial da mesma forma que um editor humano. Eles operam com base em padrões e dados, o que pode levar a decisões automatizadas nem sempre alinhadas com critérios qualitativos humanos.

Os algoritmos analisam o comportamento dos usuários, seus interesses e padrões de navegação para oferecer anúncios personalizados, tornando a experiência publicitária mais relevante e eficaz. Esse modelo permite que as campanhas considerem não apenas aspectos demográficos, mas também fatores contextuais e emocionais.

“Porém, é essencial frisar que, assim como um editor é responsável pela qualidade de um jornal, um especialista em mídia programática atua como um curador, garantindo que o espaço publicitário seja relevante e seguro”, ressalta Dornelles.

Ele destaca que, assim como um ambiente de trabalho saudável requer supervisão humana para manter a segurança psicológica da equipe, a mídia programática também precisa do olhar atento dos profissionais para garantir que a tecnologia seja usada de maneira estratégica e responsável.

Recentemente em um webinar promovido pela PremiumAds, os convidados foram abordados sobre o uso da inteligência artificial. Maurício Louro, jornalista e especialista em geração de tráfego e presença digital destacou que “o uso da IA pode ser extremamente benéfico para a produção de conteúdo, desde que seja feito com critério e responsabilidade. Não há problemas em utilizar, mas é preciso ter atenção em que tipo de conteúdo ela será usada. Isso é algo que já devia estar na rotina das redações”.

Além disso, o Google está cada vez mais atento ao equilíbrio entre tecnologia e autenticidade. O excesso de conteúdo gerado por IA sem curadoria humana pode resultar em penalizações, o que reforça a necessidade de um olhar editorial cuidadoso. “A IA não pode substituir o toque humano na narrativa, pois é esse elemento que garante a diferenciação e posicionamento nos mecanismos de busca”, acrescentou Eduardo Mansell, sócio da GE Sports & News e diretor da Luneta Digital, empresa que transforma conteúdo digital em oportunidades de negócio.

“No futuro – cada vez mais próximo – da mídia programática, o diferencial competitivo estará na capacidade de unir tecnologia, comportamento humano e criatividade, garantindo que a publicidade seja cada vez mais personalizada, estratégica e humanizada”, finaliza Riadis.