InícioNotíciasA logística de 2030 começa pela integração dos dados de hoje

A logística de 2030 começa pela integração dos dados de hoje

Enquanto boa parte das empresas discute os caminhos da inteligência artificial, um problema muito menos futurista continua limitando os ganhos de produtividade da logística: as tecnologias que não conversam entre si.

Para se ter ideia da dimensão da questão, o Brasil encerrou 2025 com custos logísticos equivalentes a 15,5% do PIB, ou R$ 1,96 trilhão, segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Transporte, estoque, armazenamento e despesas administrativas continuam pesando sobre a competitividade das empresas.

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É evidente que tecnologia, sozinha, não resolveria problemas históricos de infraestrutura ou custos de transporte. Mas existe uma questão dentro das empresas sobre a qual temos muito mais controle: a capacidade de transformar a quantidade crescente de dados disponíveis em decisões melhores e mais rápidas. Apesar de muitas organizações já possuírem ERP, WMS, TMS, sistemas de rastreamento, sensores, plataformas de e-commerce e diferentes ferramentas de gestão, muitas delas ainda não conseguem fazer tudo isso trabalhar em conjunto. É justamente aí que acredito que estará uma das maiores transformações da logística nos próximos cinco anos.

Três movimentos devem ganhar força

O primeiro será a combinação entre dados operacionais em tempo real e inteligência preditiva. Informações de estoque, pedidos, transporte, sensores e rastreamento ajudarão a antecipar o que poderá acontecer. Na prática, isso significa identificar uma possível ruptura de estoque, prever atrasos, detectar desvios operacionais ou recalcular necessidades antes que o problema chegue ao cliente.

O segundo movimento será o avanço da automação física nos centros de distribuição. Robôs móveis, sistemas automatizados de armazenagem, separação e movimentação tendem a assumir atividades repetitivas e ampliar a produtividade. Mas instalar equipamentos sem integrá-los ao restante da operação apenas digitaliza a fragmentação. Automação eficiente depende de dados consistentes e sistemas conectados.

A terceira frente, e talvez a mais disruptiva, será o avanço dos agentes de inteligência artificial. Diferentemente de sistemas que apenas exibem informações ou fazem recomendações, agentes poderão executar determinadas ações dentro de parâmetros previamente definidos. Diante de um atraso, por exemplo, um sistema poderá identificar o problema, avaliar alternativas, reorganizar uma entrega e atualizar outras etapas da operação. Isso muda a lógica da IA na logística, que começa a participar da tomada de decisão operacional.

Porém, vale ressaltar quem, quanto mais tecnologias uma empresa adiciona sem uma arquitetura adequada de integração, maior pode se tornar a complexidade da operação. Por isso, acredito que os próximos cinco anos serão menos marcados pela corrida para descobrir “a próxima grande ferramenta” e mais pela capacidade de conectar o que já existe, estruturar dados confiáveis e automatizar decisões de maneira inteligente.

Empresas que conseguirem criar uma base integrada terão condições de aproveitar melhor IA, automação e tecnologias que ainda surgirão. No fim, a tecnologia que mais transformará a logística será a capacidade de fazer máquinas, sistemas, dados e pessoas operarem como partes de uma mesma cadeia.

E essa transformação já começou.

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