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Fim de ano no varejo: tecnologia de verificação de identidade sustenta alta conversão e crescimento do e-commerce, aponta Unico

Em um período decisivo para o varejo brasileiro, que começa na Black Friday passa pelo Natal e se estende até o fim de dezembro, a combinação entre tecnologia de verificação de identidade e inteligência antifraude tem se mostrado determinante para sustentar a conversão e capturar demanda em escala. Dados da Unico, rede líder em verificação de identidade, revelam que, apenas em novembro, mais de R$ 1 bilhão foi transacionado por meio do Unico IDPay – solução que verifica a identidade e a titularidade do cartão de crédito no momento da compra online – com destaque para a semana da Black Friday, que registrou crescimento de 35% em relação à semana anterior.

No dia da Black Friday, especificamente, o valor total de transações realizadas (GMV) foi 114% superior ao dia anterior, sem qualquer ocorrência de incidentes tecnológicos – desempenho relevante em um contexto em que o aumento do volume de compras costuma vir acompanhado de picos de fraude e de recusas indevidas. Segundo estudo recente da Unico, em parceria com a Opinion Box, o e-commerce brasileiro perde entre R$ 120 bilhões e R$ 150 bilhões por ano com pagamentos negados, sendo a maioria deles de consumidores legítimos.

Esse desafio ganha ainda mais relevância no fim do ano. De acordo com a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), as compras pela internet prometem movimentar R$ 26 bilhões em dezembro. Nesse cenário, manter altos índices de aprovação no checkout é decisivo para que o varejo capture o máximo potencial desse período.

Como referência, durante a Black Friday, o Unico IDPay registrou alta de 92% no GMV recebido e multiplicou por cinco o volume aprovado, consolidando um crescimento acumulado de 338% em GMV em apenas dois anos.

Outro indicador relevante foi a evolução da taxa de validação de cartões, que saltou de 46% para 81%. O ticket médio aprovado também cresceu 26%, reforçando a importância do uso da tecnologia de verificação de identidade em compras de maior valor – comportamento típico das compras de fim de ano. Entre os grandes varejistas, que usam a solução IDPay e tiveram resultados expressivos no combate às fraudes, destaca-se o Magazine Luiza, com uma das melhores taxas de aprovação do mercado – em torno de 60%.

No recorte setorial, Turismo e Transporte se destacaram, com alta de 18,6% no faturamento no dia da Black Friday. Segundo dados do Unico IDPay, o GMV recebido pelo setor no Brasil cresceu 64%, nessa temporada de descontos, indicando elevada confiança das empresas na tecnologia de verificação de identidade como aliada para capturar demanda.

“Os dados mostram que o problema dos pagamentos negados não está apenas na fraude, mas na forma como o mercado valida transações. Sistemas baseados em regras genéricas seguem bloqueando consumidores reais. Quando confirmamos a identidade do cliente, conseguimos manter a aprovação alta mesmo nos momentos mais cruciais e de maior volume para o varejo, como a Black Friday e o Natal”, afirma Rodrigo Magalhães, head do Unico IDPay.

Esse desempenho reforça a tese apontada pelo estudo “Anatomia dos Pagamentos Negados”, segundo o qual nove em cada dez transações recusadas no e-commerce brasileiro são legítimas. Em um fim de ano altamente competitivo, reduzir atritos no checkout deixou de ser apenas uma questão operacional e se tornou um fator estratégico para crescimento, fidelização e captura do potencial máximo do varejo.

Estudo da Worldpay revela que 40% dos brasileiros permitiriam que a inteligência artificial fizesse compras em seu nome

A inédita pesquisa da Worldpay®, focada na nova geração de Inteligência Artificial – “Agentic AI Report” traz dados sobre o comportamento do consumidor frente a uma nova tendência mundial: delegar à IA o processo completo de compras online. O estudo, que mapeou sete países, Brasil, China, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Singapura e França, foi realizado entre agosto e setembro deste ano, contou com 8.000 consumidores, e inclui questões sobre a disposição do consumidor em introduzir novas ferramentas de IA no seu dia a dia.

“Os agentes de IA não são apenas assistentes digitais como os conhecemos hoje. São tomadores de decisão, atualmente em fase de testes e análises por empresas de tecnologia globais. No futuro próximo, porém, poderão se tornar ferramentas capazes de mudar completamente o jogo, e transformar permanentemente a maneira como fazemos compras”, afirma Juan Pablo D’Antiochia, Gerente Geral da Worldpay para a América Latina.

O estudo revela que o Brasil se destaca como um dos mercados mais promissores para a adoção do comércio agêntico pelos consumidores, com 40% dos brasileiros dispostos a deixar a IA selecionar e finalizar suas compras.

Aplicações iniciais por setor

A pesquisa explorou em quais setores os consumidores estariam mais dispostos a permitir que agentes de IA realizassem compras. No Brasil, as maiores taxas de aceitação são encontradas em transações de baixo risco e alta frequência, como transporte público, contas de serviços públicos e itens essenciais de supermercado. Essa tendência sugere que a tecnologia será adotada inicialmente em operações funcionais e rotineiras, antes de se expandir para compras de maior valor, como pacotes de viagem, bens de luxo ou investimentos financeiros.

Fatores motivadores para a adoção da nova geração de IA

O estudo examinou o que leva os consumidores a considerarem o uso de agentes de IA. Entre os brasileiros, o equilíbrio entre custo e benefício é o fator mais valorizado, citado por 71% dos entrevistados, seguido por preços mais baixos (67%). A eficiência também é um motivador importante, juntamente com expectativas como velocidade e conveniência (60%) e personalização (53%), indicando que os consumidores não buscam apenas economia, mas também uma experiência digital mais inteligente, prática e personalizada.

Segurança e Fraude

No entanto, confiança e alguma forma de controle são essenciais também em compras do dia a dia, onde a conveniência se encontra com a cautela. Confira alguns destaques:

  • 95% estão preocupados com o risco de compras não autorizadas, decisões de aquisição incorretas, perda de controle financeiro, fraude e o nível de controle na revisão das compras antes das decisões finais (54%); apenas 5% não têm nenhuma preocupação.
  • Um cenário semelhante é observado no Reino Unido (66%) e nos Estados Unidos (63%). Na China, no entanto, apenas 37% exigem esse nível de controle, enquanto 55% afirmam se sentir confortáveis ​​em deixar a IA operar sob regras predefinidas; na Austrália, há maior abertura para que o agente opere de forma quase autônoma após a configuração inicial (11%).
  • Impulsionadores de confiança:
    • O acesso a suporte humano (51%) e alertas em tempo real (51%) são considerados essenciais para reduzir as barreiras ao uso da ferramenta.
    • Para 64% dos entrevistados, a proteção contra fraudes é essencial, seguida pela possibilidade de cancelar transações em até 24 horas (57%) e revisar a compra antes da decisão final (54%).

“Os consumidores brasileiros estão confiantes e claramente à frente de vários países no que se refere a delegar suas compras para o comércio agêntico. Com o forte interesse das mulheres e dos consumidores mais jovens, existe uma oportunidade real de construir experiências baseadas em IA que sejam inclusivas, acessíveis e seguras”, explica Juan Pablo D´Antiochia. E complementa, “nosso objetivo é ajudar os varejistas a criarem experiências baseadas em IA que sejam verdadeiramente úteis para que os consumidores possam comprar com confiança em seu dia a dia”.

No Brasil, mulheres lideram a abertura ao uso de IA para compras

Diferente da maioria dos países analisados, as mulheres brasileiras estão mais abertas à tecnologia do que os homens: 46% delas aceitariam que uma inteligência artificial fizesse compras em seu nome, contra 35% dos homens, o que mostra uma característica única do mercado brasileiro, em que a adesão feminina à inovação digital supera a masculina, ampliando as oportunidades para soluções que dialoguem com a diversidade do público consumidor do Brasil.

Para obter mais informações sobre as perspectivas da Worldpay em relação à ascensão do comércio agêntico, explore a nova série de posts do blog aqui. Para acessar o estudo, clique aqui.

Metodologia — A Worldpay contratou a agência de pesquisa The Lantern para entrevistar 8.000 consumidores nos EUA, Reino Unido, França, Brasil, China, Singapura e Austrália, entre agosto e setembro de 2025. Os entrevistados receberam uma breve descrição de um agente de compras com IA agêntica, com exemplos de como ele poderia fazer compras em seu nome.

Instagram para jovens, Google para maduros: Pesquisa revela como cada geração descobre produtos no Brasil

O comportamento de compra do brasileiro não é mais uniforme; ele é definido pela data de nascimento. É o que aponta a pesquisa “A nova jornada de compra: o consumo por geração no Brasil”, realizada pela mLabs em parceria com a Conversion. O levantamento desenha um mapa claro da fragmentação digital: enquanto os jovens da Geração Z transformaram o Instagram e o TikTok em suas vitrines primárias, o público acima dos 45 anos ainda vê o Google como o principal porto seguro para iniciar uma compra.

O estudo analisou os hábitos de quatro grupos demográficos distintos, revelando como a tecnologia e os canais tradicionais se sobrepõem de maneiras diferentes para cada idade.

Gen Z: A Era dos Algoritmos e da IA

Para a Geração Z (jovens de 16 a 28 anos), a descoberta de produtos é passiva e mediada por algoritmos de recomendação. O Instagram domina absoluto com 87% da preferência como canal de descoberta, seguido de perto pelo TikTok (80%).

Um dado que chama a atenção é o novo papel do Google para este grupo: com 70,5% de uso, o buscador deixou de ser o ponto de partida para se tornar uma ferramenta de validação de algo que foi visto nas redes. Além disso, a Inteligência Artificial já empata com a televisão: ambas possuem 39,5% de relevância na jornada de compra deste público.

Millennials: O Elo Híbrido

Os Millennials (29 a 44 anos) atuam como uma ponte entre o analógico e o digital extremo. O comportamento é mais pulverizado: o Instagram lidera (83,5%), mas a disputa pelo segundo lugar é acirrada entre YouTube (73,5%) e Google (72%). O uso de IA para descobrir produtos já atinge 35,5% desse grupo, sinalizando uma adoção tecnológica progressiva.

Geração X e Boomers: A Força da Busca e da TV

À medida que a faixa etária sobe, a lógica se inverte. Para a Geração X (45 a 60 anos), o Google retoma o trono como principal canal de descoberta (84%), superando as redes sociais. A televisão mantém uma força considerável (56,5%), e as lojas físicas ainda são o ponto de partida para 32% dos consumidores.

Entre os Baby Boomers (61 a 79 anos), o padrão é ainda mais tradicional. O Google lidera com 77,5%, enquanto o YouTube (58,5%) e a TV (58%) dividem a atenção quase empatados. É a geração que mais valoriza o contato presencial: 37,5% ainda descobrem novidades passeando por lojas físicas, o maior índice do estudo.

O Desafio para as Empresas

Para o mercado, os dados impõem o fim das estratégias de “tamanho único”. Cintia Mendes, Head do Comercial da Globalsys, empresa especializada em tecnologia e inovação para o varejo, alerta para a necessidade de adaptação.

“Os dados mostram que a jornada de compra no Brasil é cada vez mais fragmentada e influenciada pelo perfil geracional. Compreender esses padrões é essencial para empresas que desejam se comunicar de forma mais assertiva em um ambiente digital que evolui rapidamente”, afirma a executiva.

O levantamento reforça que, para marcas que buscam relevância em 2025, não basta estar na internet; é preciso estar na plataforma certa, falando a língua da geração que se pretende atingir.

Assinatura Digital de Contratos (E-Contracting)

Assinatura Digital de Contratos (ou E-Contracting) no contexto de e-commerce refere-se ao processo de formalização de acordos comerciais entre partes (seja B2B ou B2C) através de meios puramente eletrônicos, garantindo validade jurídica, integridade e autenticidade sem a necessidade de papel físico, cartórios ou deslocamento.

No ecossistema de e-commerce, onde a velocidade é crucial, a assinatura digital é a espinha dorsal que sustenta desde a aceitação dos “Termos de Uso” por um consumidor final até contratos complexos de supply chain e dropshipping entre grandes empresas.

Tipos de Assinatura no E-commerce

A validade jurídica e a complexidade variam de acordo com o tipo de assinatura utilizada:

  1. Assinatura Eletrônica Simples (Clickwrap/Browsewrap):
    • Uso: B2C (Varejo).
    • Como funciona: É o famoso botão “Li e Concordo” no checkout ou no cadastro. Embora simples, cria um vínculo contratual legalmente vinculante onde o consumidor aceita as políticas de privacidade, prazos de entrega e condições de devolução.
  2. Assinatura Eletrônica Avançada:
    • Uso: B2B (Parceiros, Fornecedores, Marketplaces).
    • Como funciona: Utiliza métodos de autenticação como tokens via SMS, e-mail corporativo ou biometria facial para provar que o signatário é quem diz ser. Muito usada para onboarding de sellers em marketplaces.
  3. Assinatura Digital Qualificada (ICP-Brasil):
    • Uso: Contratos de alto valor, fusões, aquisições de tecnologia.
    • Como funciona: Exige um Certificado Digital (e-CNPJ ou e-CPF) emitido por uma autoridade certificadora. Equivale legalmente a uma assinatura reconhecida em cartório.

Smart Contracts: O Próximo Nível

A evolução da assinatura de contratos no e-commerce caminha para os Smart Contracts (Contratos Inteligentes) baseados em Blockchain.

Neste modelo, a “assinatura” não é apenas uma formalização, mas um gatilho de execução.

  • Exemplo: Um contrato de dropshipping inteligente pode estipular que, assim que o produto for escaneado na entrega (comprovante digital), o pagamento ao fornecedor é liberado automaticamente em segundos, sem intervenção humana ou burocracia bancária.

Benefícios para o Negócio Digital

1. Redução do Ciclo de Vendas (Time-to-Revenue)

Em negociações B2B, o envio de contratos físicos pode levar dias. A assinatura digital reduz esse tempo para minutos, permitindo que o fornecimento de estoque ou a prestação de serviços comece imediatamente.

2. Auditoria e Rastreabilidade

Plataformas de assinatura digital (CLM – Contract Lifecycle Management) registram o IP, a geolocalização, a hora exata e o dispositivo usado na assinatura. Isso cria uma trilha de auditoria robusta em caso de disputas judiciais (ex: chargebacks ou negação de compra).

3. Experiência do Usuário (Onboarding)

Para novos sellers entrando em um marketplace, um processo de contrato 100% digital e fluido (sem precisar imprimir e escanear) reduz a desistência e acelera a entrada de novos produtos no catálogo.

Comparativo: Contrato Tradicional vs. E-Contracting

CaracterísticaContrato Físico TradicionalAssinatura Digital (E-Contracting)
SuportePapelArquivo Digital (PDF/Hash)
ValidaçãoAssinatura à caneta / CartórioCriptografia / Token / Biometria
LogísticaCorreios / MotoboyEnvio Instantâneo (E-mail/Link)
ArmazenamentoArquivo físico (ocupa espaço)Nuvem (Cloud Storage)
CustoAlto (Impressão + Envio)Baixo (SaaS / Custo por clique)
SegurançaRisco de extravio ou fraude físicaProtegido contra alteração pós-assinatura

Validade Jurídica (Contexto Brasil)

No Brasil, a MP 2.200-2/2001 instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e garantiu a validade jurídica de documentos eletrônicos. Posteriormente, a Lei 14.063/2020 modernizou e classificou os tipos de assinaturas, consolidando a segurança jurídica necessária para que o e-commerce opere de forma totalmente digital.

Bemobi anuncia aquisição de Paytime e lança nova unidade de Payment as a Service (PaaS)

Bemobi (BMOB3), especializada em soluções de pagamentos, em que já atende as maiores empresas de serviços recorrentes no país, anunciou a aquisição de 50,1% da Paytime, primeira fintech no-code white label do país e uma das principais plataformas de Embedded Payments e Payment as a Service (PaaS) do mercado brasileiro. A transação ocorre em um momento de forte expansão da Bemobi e marca a criação de uma nova unidade de negócios dedicada ao modelo PaaS, ampliando o alcance da sua plataforma e consolidando a companhia como um dos principais players de soluções especializadas de pagamentos do país.

“O ano de 2025 tem sido histórico para nós, com aceleração trimestre após trimestre dos nossos resultados. A chegada da Paytime adiciona ao nosso ecossistema uma camada estratégica de infraestrutura financeira de pagamentos, acelerando a criação de novos produtos e a expansão da nossa atuação em diferentes verticais, agora também com um novo modelo de negócios baseado em parcerias”, afirma Pedro Ripper, cofundador e CEO da Bemobi.

Por meio de uma oferta integrada de software e pagamentos, a Bemobi oferece jornadas de pagamento de contas mais eficientes e aderentes para setores essenciais, como telecomunicações, energia, saneamento, educação e saúde, atendendo 15 das 20 maiores empresas de serviços recorrentes essenciais no país. Suas soluções foram desenvolvidas e aperfeiçoadas a partir da especialização por vertical de indústria e da integração de plataformas SaaS adquiridas nos últimos anos, todas conectadas ao Bemobi Pay, que centraliza a experiência de pagamento do usuário final.

A integração das soluções da Paytime à plataforma Bemobi Pay combina tecnologia, infraestrutura e expertise em pagamentos para entregar ao mercado a solução PaaS mais completa do Brasil. Com a criação da Bemobi PaaS, a companhia expande essa atuação para um modelo B2B2B, permitindo que parceiros especializados – como empresas de software / SaaS, fabricantes, distribuidores, redes de franquias e bancos digitais – integrem o Bemobi Pay em uma modalidade PaaS às suas próprias soluções. O objetivo é entregar aos clientes desses parceiros experiências de pagamento completas, seguras e de alta conversão, sem que precisem desenvolver infraestrutura própria de pagamentos, cobrança, conciliação e antifraude. Esse modelo amplia a presença da Bemobi em novas verticais sem a necessidade de aquisição de empresas em cada segmento e acelera a diversificação de seu portfólio, reforçando sua posição como plataforma de infraestrutura financeira capaz de atender mercados variados e em diferentes estágios de digitalização.

Com mais de 700 parceiros ativos e cerca de 300 mil estabelecimentos conectados, a empresa movimenta um TPV médio anual de R$ 15 bilhões, oferecendo infraestrutura e tecnologia para que empreendedores e companhias criem e operem seus próprios produtos financeiros de forma simples e ágil. A operação de SMBs da Paytime continuará independente, mantendo sua marca atual e seu foco e agilidade, enquanto a nova unidade corporativa atuará dentro da estrutura da Bemobi.

Leonardo Moreira Gomes, cofundador e CEO da Paytime, seguirá liderando ambas as frentes. “Essa união vai permitir acelerar inovação e ampliar o alcance das soluções, sem qualquer impacto para os clientes atuais da Paytime, que seguem sendo atendidos pelas mesmas equipes e com o mesmo foco. Ao mesmo tempo, ganhamos escala, estrutura e capacidade de investimento para oferecer ao mercado uma infraestrutura end-to-end que reduz barreiras para criação de produtos financeiros para grandes corporações de diversos segmentos”, afirma Gomes.

A transação, que foi assessorada pela Vinci Compass e Pinheiro Guimarães Advogados, inclui a opção da Bemobi adquirir em condições pré-negociadas os demais 49,9% das participações societárias da Paytime até 2031.  

Compra por Valores (Value-Based Buying)

Compra por Valores (ou Value-Based Buying) é um comportamento de consumo onde a decisão de compra é primariamente influenciada pelas crenças éticas, políticas, ecológicas e sociais do consumidor, muitas vezes sobrepondo-se a fatores tradicionais como preço, qualidade ou conveniência.

Neste modelo, o consumidor utiliza seu poder financeiro como uma ferramenta de voto (“Voting with your wallet”). O objetivo é punir empresas que violam seus princípios (Boicote) e recompensar aquelas que defendem as causas que ele apoia (Buycott). No cenário digital atual, esse fenômeno é caracterizado pela velocidade: uma marca pode ser “cancelada” ou viralizar positivamente em questão de horas após um posicionamento público.

O Mecanismo: A Carteira como Arma Política

A Compra por Valores opera sob a premissa de que neutralidade não existe. Para o consumidor ativista (especialmente da Geração Z e Millennials), o silêncio de uma marca diante de questões sociais relevantes é frequentemente interpretado como cumplicidade com o status quo.

Este comportamento se divide em duas vertentes:

  1. Boicote (Punição): A recusa imediata em comprar de marcas envolvidas em escândalos de corrupção, trabalho escravo, poluição ambiental ou que apoiam figuras políticas rejeitadas pelo grupo demográfico do consumidor.
  2. Buycott (Recompensa): O esforço deliberado para comprar produtos de marcas alinhadas, mesmo que sejam mais caros ou difíceis de encontrar (ex: comprar apenas de pequenos produtores locais, empresas cruelty-free ou lideradas por minorias).

Pilares da Compra por Valores

Os “valores” em questão geralmente giram em torno da sigla ESG (Environmental, Social and Governance), mas com um forte componente político-ideológico:

  • Sustentabilidade: A marca polui? Usa plástico excessivo? Testa em animais?
  • Posicionamento Político: A empresa financia candidatos conservadores ou progressistas? Como ela se posiciona sobre leis polêmicas?
  • Justiça Social (DEI): A empresa promove diversidade real em sua liderança ou apenas faz “marketing de inclusão”?
  • Tratamento de Funcionários: Há denúncias de assédio ou más condições de trabalho na cadeia de suprimentos?

O Perigo do “Woke-washing” e “Greenwashing”

Como resposta a essa demanda, muitas empresas tentam simular virtudes que não possuem.

  • Greenwashing: Maquiar produtos para parecerem ecológicos quando não são.
  • Woke-washing: Usar causas sociais (LGBTQIA+, antirracismo, feminismo) em campanhas de marketing apenas para lucrar, sem implementar mudanças internas reais.

O consumidor de Value-Based Buying é altamente cético e investigativo. Se a inconsistência for descoberta (ex: uma empresa que posta sobre o Mês do Orgulho mas financia políticos anti-direitos civis), a retaliação nas redes sociais é brutal e imediata.

Comparativo: Consumo Tradicional vs. Compra por Valores

Fator de DecisãoConsumo TradicionalCompra por Valores
PrioridadeCusto-BenefícioAlinhamento Moral
Visão da MarcaProvedora de produto/serviçoAgente político/social
Reação a ErrosReclamação no SACCancelamento público e boicote
FidelidadeBaseada em satisfação e hábitoBaseada em propósito compartilhado
NeutralidadeAceitável e esperadaVista como omissão ou covardia

Impacto nos Negócios: A Era da Transparência Radical

Para as empresas, o risco de reputação nunca foi tão alto. Um tweet mal interpretado ou uma doação financeira controversa podem derrubar o preço das ações.

Isso força as marcas a saírem de cima do muro. Hoje, os departamentos de marketing e compliance trabalham juntos para garantir que os valores declarados na publicidade sejam os mesmos praticados na diretoria.

Marcas como Patagonia (ambientalismo radical) e Ben & Jerry’s (ativismo social progressista) são exemplos de empresas que cresceram justamente por não tentarem agradar a todos, focando em uma base de clientes que compartilha de seus valores intransigentes.

The “New Young” (O Novo Jovem)

The “New Young” (ou O Novo Jovem) é um termo sociológico e de marketing utilizado para descrever a faixa demográfica de consumidores acima de 50 e 60 anos que adotaram comportamentos digitais avançados. Longe do estereótipo do idoso com aversão à tecnologia, este grupo navega, pesquisa, interage e compra online com a mesma fluidez e agilidade da Geração Z, mas com um diferencial crucial: um poder de compra significativamente maior.

Este fenômeno representa a convergência da “Economia da Longevidade” (Silver Economy) com a transformação digital. Para o “Novo Jovem”, a idade é apenas um dado cronológico, não um limitador de estilo de vida ou de consumo tecnológico.

O Fim do “Imigrante Digital”

Historicamente, pessoas acima de 50 anos eram rotuladas como “Imigrantes Digitais” — aqueles que aprenderam a usar a internet tarde e com dificuldade. O conceito de The New Young enterra essa definição.

Impulsionados pela pandemia de 2020 e pela usabilidade intuitiva dos smartphones modernos, esse grupo ultrapassou a barreira do aprendizado. Hoje, eles não apenas usam o WhatsApp; eles compram via Social Commerce, assinam serviços de streaming, utilizam bancos digitais (Fintechs) e interagem com assistentes de voz.

Características Comportamentais

O “Novo Jovem” apresenta um padrão de consumo híbrido que mistura a cautela da experiência com a conveniência da tecnologia:

  1. Mobile First: A grande maioria das transações desse grupo ocorre via smartphone. Eles valorizam aplicativos rápidos e interfaces limpas.
  2. Pesquisa Profunda: Diferente da compra por impulso puramente emocional, o Novo Jovem usa a internet para comparar especificações, ler avaliações e assistir a vídeos de review no YouTube antes de passar o cartão.
  3. Ticket Médio Elevado: Enquanto jovens compram itens de menor valor com frequência, os 50+ lideram as compras de categorias de alto valor agregado: turismo de luxo, eletrodomésticos premium, vinhos, seguros e imóveis.
  4. Lealdade Crítica: Eles são mais fiéis às marcas do que a Geração Z, desde que a experiência de pós-venda (atendimento e logística) seja impecável. Se forem mal atendidos, têm a clareza e o tempo para reclamar publicamente.

Gen Z vs. The New Young: Semelhanças e Diferenças

É comum comparar a agilidade desses dois grupos, mas as motivações são distintas:

CaracterísticaGeração Z (Gen Z)The New Young (50+/60+)
Motivação DigitalSocialização e EntretenimentoConveniência e Eficiência
Poder de CompraLimitado / Em ascensãoConsolidado / Alto
InfluênciaSeguem Influenciadores DigitaisSeguem Especialistas e Avaliações
Barreira de EntradaNenhuma (Nativos)Baixa (Superada pela necessidade)
Tolerância a ErrosBaixa (Trocam de app rápido)Baixa (Exigem respeito e clareza)

O Impacto no UX/UI: Acessibilidade Invisível

Para atender ao New Young, o e-commerce precisa adotar o Design Inclusivo, que beneficia todas as idades, mas é vital para os 50+:

  • Contraste e Legibilidade: Fontes maiores e alto contraste não são “feios”, são funcionais. Evitar cinza claro sobre fundo branco é regra básica.
  • Navegação Linear: Evitar menus escondidos ou gestos complexos na tela. O botão “Comprar” deve ser evidente.
  • Segurança Explícita: Este público valoriza selos de segurança e clareza sobre o uso de dados. Eles precisam ver que o site é seguro.

Desafio para o Marketing: O “Ageismo” (Etarismo)

O maior erro das marcas é tentar vender para o “Novo Jovem” usando imagens estereotipadas de idosos frágeis ou, no extremo oposto, idosos “radicais” pulando de paraquedas.

O marketing para o New Young deve ser Aspiracional e Realista. Eles se veem como ativos, profissionais, viajantes e conectados. A comunicação deve focar na vitalidade e na liberdade que o produto proporciona, ignorando a idade como um rótulo limitante.

Privacidade como Luxo (Privacy as Luxury)

Privacidade como Luxo é um conceito socioeconômico e de mercado que descreve a transição da privacidade de um “direito básico” para um “ativo premium”. Neste cenário, a capacidade de manter seus dados pessoais, comportamentais e biométricos fora do alcance de algoritmos de publicidade e rastreadores torna-se um privilégio acessível principalmente através de produtos de alto valor ou serviços pagos.

Em contrapartida, modelos de negócios baseados na gratuidade (“freemium”) continuam a monetizar a vida do usuário. O conceito inverte a lógica do Big Data: em vez de coletar o máximo de informações possível, marcas de prestígio passam a coletar o mínimo necessário, usando essa discrição como um diferencial competitivo de confiança e exclusividade.

O Contexto: Do “Capitalismo de Vigilância” à Discrição Premium

Durante a última década, vigorou a máxima: “Se o serviço é de graça, o produto é você”. O modelo de Privacidade como Luxo surge como resposta a esse paradigma.

Consumidores de alta renda estão cada vez mais dispostos a pagar por:

  1. Hardware Seguro: Smartphones e dispositivos que processam dados localmente (on-device processing) em vez de enviá-los para a nuvem.
  2. Serviços sem Anúncios: Assinaturas que eliminam a publicidade direcionada e, consequentemente, o rastreamento comportamental.
  3. Criptografia e Anonimato: Ferramentas de e-mail, VPNs e mensageiros que garantem que nem mesmo o provedor do serviço tenha acesso ao conteúdo.

A Estratégia de “Minimização de Dados”

Para as marcas, adotar a privacidade como luxo significa praticar a Minimização de Dados. Em vez de solicitar CPF, telefone, data de nascimento e gênero apenas para vender uma camiseta, a marca pede apenas o e-mail e o endereço de entrega.

Essa postura envia um sinal imediato de respeito e sofisticação. O silêncio da marca (não bombardear o cliente com retargeting agressivo) torna-se um sinal de elegância. A relação deixa de ser extrativista (“o que posso tirar desse cliente?”) para ser colaborativa (“como posso servir esse cliente sem invadi-lo?”).

Benefícios Estratégicos

1. Confiança Radical (Radical Trust)

Em um mercado saturado de vazamentos de dados e espionagem digital, uma marca que promete (e cumpre) não vender os dados do cliente ganha uma lealdade inabalável. A privacidade torna-se o principal atributo da marca (Brand Equity).

2. Qualidade sobre Quantidade

Ao focar em poucos dados, mas dados relevantes e fornecidos voluntariamente (Zero-Party Data), a marca constrói perfis de clientes mais precisos e menos baseados em inferências erradas de algoritmos.

3. Blindagem Regulatória

Marcas que operam sob a lógica da privacidade como luxo estão naturalmente em conformidade com leis rigorosas como a LGPD (Brasil) e GDPR (Europa), reduzindo riscos jurídicos e multas milionárias.

Comparativo: Modelo Data-Hungry vs. Privacidade como Luxo

CaracterísticaModelo Tradicional (Data-Hungry)Modelo Privacidade como Luxo
Custo para o UsuárioGeralmente Grátis ou Baixo CustoPreço Premium (Assinatura/Produto)
Moeda de TrocaDados Pessoais e AtençãoDinheiro
Foco da Coleta“Pegar tudo o que puder” (Big Data)“Apenas o necessário” (Minimalismo)
PublicidadeHiper-segmentada e InvasivaInexistente ou Contextual
Percepção da MarcaUtilitária / InvasivaExclusiva / Confiável / Segura
Cliente é…O Produto (vendido a anunciantes)O Soberano (protegido pela marca)

O Futuro: A Exclusão Digital Voluntária

A tendência aponta para um futuro onde o “anonimato” será o maior símbolo de status. Enquanto a massa de consumidores continuará a alimentar IAs e algoritmos em troca de conveniência gratuita, uma elite de consumo pagará caro por “santuários digitais” e experiências offline ou criptografadas, onde suas escolhas não são monitoradas, previstas ou manipuladas por máquinas.

As tendências de tecnologia que vão acelerar o Brasil em 2026

A aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 mudou o eixo das discussões sobre tecnologia. De acordo com levantamento da AWS, 9 milhões de empresas no país já utilizam IA de forma sistemática – um aumento de 29% em apenas um ano. Mas, enquanto a inteligência artificial concentra a atenção, outras tecnologias menos visíveis, porém decisivas, avançam em paralelo e preparam terreno para uma transformação estrutural.

Para entender quais serão as principais tendências que devem dominar a tecnologia de ponta no Brasil a partir do próximo ano, realizamos um levantamento no mercado nacional, cruzando dados de tendências já mapeadas pelo Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os temas identificados refletem um novo ciclo de prioridades: mais integração, menos improviso; mais segurança, menos hype. E devem orientar as decisões de investimento de empresas privadas e órgãos públicos até o fim da década.

Das dezenas de apostas tecnológicas listadas anualmente por analistas globais, apenas uma fração tem aderência real à realidade brasileira. Fatores como infraestrutura, regulação, maturidade digital e prioridades setoriais moldam o que, de fato, pode ser escalado localmente. A seleção a seguir foca em tendências com aplicação prática e impacto direto sobre os desafios e oportunidades do país nos próximos três anos.

Plataformas de desenvolvimento nativas em IA

A forma como empresas desenvolvem software no Brasil está prestes a passar por uma transformação radical. As plataformas nativas em inteligência artificial, que permitem criar aplicações inteiras por meio de prompts em linguagem natural, vêm sendo rapidamente adotadas por startups e empresa de grande porte no país, oferecendo um caminho direto para contornar a escassez de desenvolvedores e acelerar a entrega de soluções digitais.

A tendência, listada pelo Gartner como uma das principais transformações estratégicas para os próximos anos, aponta para um cenário em que a maior parte do código corporativo será gerado, acelerado ou revisado por IA. Para um país com carência de profissionais especializados, mas alta demanda por digitalização, o salto de produtividade pode ser enorme.

Automação inteligente de processos (RPA/IPA)

A busca por eficiência operacional, a escassez de mão de obra qualificada e a pressão por escalabilidade são os principais fatores que levaram a automação de processos a ocupar um papel de destaque nas estratégias de transformação digital no Brasil. Neste ano, a tecnologia deu um salto qualitativo: o modelo clássico de automação robótica (RPA), antes limitado a fluxos fixos e tarefas repetitivas, foi incorporado a recursos de inteligência artificial, dando origem ao que o mercado já chama de IPA, ou Intelligent Process Automation. O conceito vai além de bots que replicam cliques: trata-se de sistemas que leem documentos, interpretam comandos em linguagem natural, tomam decisões com base em aprendizado de máquina e executam ações integradas entre plataformas.

Esse movimento não é novo, mas alcançou uma nova escala com a integração da IA generativa a ferramentas de automação. E o que antes era privilégio de grandes bancos e multinacionais tornou-se acessível para empresas de médio porte, graças à proliferação de soluções SaaS, plataformas low-code e orquestradores de automação em nuvem.

Plataformas de segurança para IA + cibersegurança preditiva

O conceito de cibersegurança preditiva, já mapeado pelo Gartner como tendência estratégica, pressupõe uma mudança de postura. Em vez de simplesmente detectar e reagir a incidentes após sua ocorrência, as empresas passam a atuar de forma antecipada, utilizando algoritmos de previsão, análise comportamental e automação inteligente para bloquear ameaças antes que causem impacto.

No Brasil, essa abordagem ainda é nova, assim como o uso estruturado de agentes de IA dedicados à segurança digital. A maior parte das empresas ainda opera com ferramentas reativas, baseadas em assinaturas e regras fixas. Mas essa realidade começa a mudar, puxada principalmente pelos setores financeiro, telecom e varejo, onde os primeiros projetos com arquiteturas preditivas já mostram resultados concretos em redução de tempo de resposta e mitigação de riscos complexos.

Cloud computing e soberania de dados: a nuvem como ativo estratégico

De acordo com o Panorama Cloud 2025, levantamento realizado pela TOTVS em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, 77% das empresas brasileiras já utilizam serviços em nuvem no dia a dia, e 61% adotam a nuvem como infraestrutura principal, com sistemas, dados e aplicações operando diretamente em ambientes cloud, e não apenas como suporte a servidores locais.

A tendência, mapeada pelo Gartner como uma das mais relevantes para os próximos anos, reflete um movimento global em resposta a riscos geopolíticos, legislações extraterritoriais e disputas por autonomia tecnológica.

No Brasil, um marco dessa inflexão foi a criação da Nuvem de Governo Soberana, infraestrutura oficial lançada pelo governo federal em setembro passado. Operada por estatais como Serpro e Dataprev, com data centers localizados no país, ela abriga sistemas sensíveis da administração pública e já conecta mais de 250 órgãos.

Arquiteturas modernas de dados (Lakehouse + Data Mesh)

A explosão do volume de dados nas empresas brasileiras, somada à pressão por agilidade e qualidade analítica, acelerou a adoção de novas arquiteturas capazes de romper com os modelos tradicionais de armazenamento e consumo de informação. Duas dessas abordagens, Data Lakehouse e Data Mesh, vêm ganhando espaço em organizações que enfrentam dificuldades com silos, duplicidade de dados e lentidão na entrega de insights.

Essa tendência também está no radar do Gartner, que aponta o lakehouse como parte de uma evolução natural das plataformas de dados e o Data Mesh como uma das abordagens organizacionais mais promissoras para escalar analytics com eficiência.

Análises em tempo real e inteligência de decisões

Tomar decisões com base em dados atualizados, no momento em que os fatos ocorrem, deixou de ser vantagem competitiva para se tornar exigência operacional em setores como finanças, varejo e logística.

No Brasil, bancos usam análises em tempo real para barrar fraudes em milissegundos, empresas de e-commerce ajustam ofertas conforme o comportamento de navegação, e operadoras de telecom monitoram anomalias na rede com respostas automatizadas.

Mas o movimento não para no tempo real. O passo seguinte é a adoção da chamada inteligência de decisões (Decision Intelligence), que estrutura a tomada de decisão a partir de modelos analíticos, regras de negócio e machine learning, muitas vezes de forma autônoma. O Gartner lista o Decision Intelligence como uma das tendências mais relevantes até 2026.

Modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs)

Com o avanço da inteligência artificial generativa, empresas brasileiras começaram a perceber uma limitação importante nos modelos de linguagem generalistas: eles respondem bem em tarefas amplas, mas falham quando o contexto exige conhecimento técnico, terminologia especializada ou nuances regulatórias. É nesse ponto que ganham relevância os modelos de linguagem específicos por domínio, ou DSLMs – modelos treinados ou ajustados com dados próprios de setores como jurídico, financeiro, saúde ou varejo.

O Gartner prevê que, até 2028, a maior parte das aplicações de IA generativa corporativa será baseada em modelos específicos por domínio — não em LLMs genéricos. No Brasil, esse movimento é reforçado por dois fatores: a necessidade de operar em português com precisão e o esforço por manter dados sensíveis dentro do perímetro da empresa. A criação de DSLMs é, portanto, uma etapa natural na profissionalização da IA corporativa, e uma estratégia de diferenciação real num mercado cada vez mais saturado por soluções genéricas.

Conectividade: a base invisível da transformação digital

Nenhuma tendência tecnológica se sustenta sem uma infraestrutura de conexão confiável, rápida e distribuída. Neste ano, o Brasil avançou significativamente nesse quesito. Já são mais de 1.500 municípios com cobertura ativa de 5G, e cerca de 70% da população tem acesso à nova geração de redes móveis, segundo dados da Anatel. Ao mesmo tempo, o número de conexões por fibra óptica ultrapassou 45 milhões, consolidando o país como líder em banda larga fixa na América Latina. Essa nova malha de conectividade viabiliza tudo: IA em tempo real, sensores no campo, edge computing, streaming de alta resolução e operações digitais fora dos grandes centros.

O país ainda enfrenta desafios em áreas rurais e periferias urbanas, mas a infraestrutura montada nos últimos dois anos mudou o patamar, e preparou terreno para o próximo salto da digitalização.

O que essas tendências dizem sobre o futuro

Mais do que apontar tecnologias promissoras, o conjunto dessas dez tendências revela um padrão claro: o Brasil está entrando em um novo estágio de maturidade digital, em que eficiência, autonomia, governança e confiabilidade substituem o improviso, a dependência e o hype vazio. A IA segue no centro, mas deixa de operar sozinha, ganha corpo ao se integrar a dados bem estruturados, redes mais ágeis, arquiteturas flexíveis e ambientes de nuvem sob controle.

Nos próximos três anos, serão essas camadas, menos visíveis, mas estruturantes, que vão separar as organizações que crescem de forma sustentável daquelas que apenas aderem a modismos. E é nesse terreno que se define o papel da tecnologia não como ferramenta de suporte, mas como eixo de transformação estratégica no Brasil.

Compras Internacionais em 2025: Novas Regras Tributárias Exigem Atenção Redobrada do Consumidor

O ano de 2025 marcou uma mudança estrutural definitiva para os brasileiros que compram em sites internacionais. Apesar das novas regras de fiscalização e tributação, o apetite pelo consumo transfronteiriço não diminuiu: dados da Receita Federal revelam que, somente em outubro, mais de 16 milhões de remessas chegaram ao país. O diferencial, agora, é que 96% dessas encomendas foram processadas dentro do Programa Remessa Conforme (PRC).

O programa, que permite a declaração antecipada e o recolhimento de impostos no momento da compra, consolidou-se como o padrão do mercado. Segundo relatórios oficiais, a medida trouxe agilidade na liberação das mercadorias e maior transparência sobre os custos finais.

O Fim das Surpresas na Alfândega

Para o advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, André Peniche, a previsibilidade é a principal conquista do novo modelo. Antes, o consumidor comprava e aguardava com incerteza se seria taxado na chegada ao Brasil.

“A principal transformação prática está na antecipação do recolhimento dos tributos no momento da compra. O consumidor passou a ter mais clareza sobre quanto vai pagar e menos risco de retenção ou cobrança adicional”, explica Peniche.

Como Funciona a Tributação em 2025

A adesão das plataformas ao Remessa Conforme altera significativamente a alíquota de impostos, especialmente para compras de menor valor. Entenda as diferenças:

  • Plataformas Certificadas no PRC: Para compras de até US$ 50, o Imposto de Importação foi reduzido de 60% para 20%. O valor é discriminado diretamente no carrinho de compras (checkout). Além disso, incide o ICMS (imposto estadual) sobre o valor total.
  • Plataformas Não Certificadas: Seguem a regra de tributação tradicional. O Imposto de Importação permanece em 60%, independentemente do valor, somado ao ICMS. A cobrança ocorre apenas quando o produto chega ao Brasil, o que pode gerar atrasos no desembaraço aduaneiro e custos inesperados para liberar a encomenda.

O Que o Consumidor Deve Fazer

Com milhares de plataformas de e-commerce já integradas ao sistema, a recomendação é de cautela e planejamento. Peniche alerta que a decisão de compra não deve se basear apenas no preço do produto anunciado na vitrine.

“É fundamental verificar se a plataforma é certificada no Programa Remessa Conforme e entender como funciona a cobrança do ICMS, que varia conforme o estado”, orienta o especialista. “Quando o consumidor tem acesso a essas informações antes de finalizar a compra, ele reduz significativamente o risco de cobranças inesperadas.”

A orientação final para quem vai importar em 2025 é clara: verifique a certificação do site, calcule o custo total com impostos antecipados e guarde todos os comprovantes da operação para garantir uma experiência de compra sem atritos.